Poemas neste tema
Vida e Existência
Mário Faustino
Sinto que o Mês Presente Me Assassina
Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
3 244
1
Mário Donizete Massari
Infância
Pés no chão
alma descalça . . .
A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste
Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .
A escuridão
ilusão . . .
Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.
alma descalça . . .
A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste
Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .
A escuridão
ilusão . . .
Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.
960
1
Mário Donizete Massari
Infância
Pés no chão
alma descalça . . .
A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste
Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .
A escuridão
ilusão . . .
Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.
alma descalça . . .
A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste
Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .
A escuridão
ilusão . . .
Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.
960
1
Mário Donizete Massari
Infância
Pés no chão
alma descalça . . .
A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste
Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .
A escuridão
ilusão . . .
Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.
alma descalça . . .
A vida passa
os pés se calçam
a alma se veste
Os pés são os mesmos,
os caminhos segredos,
chega o medo . . .
A escuridão
ilusão . . .
Da infância resta
o chão
— e os pés a fugir
da solidão.
960
1
Marigê Quirino Marchini
Sonetos do Imperfeito
- I -
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
793
1
Marigê Quirino Marchini
Sonetos do Imperfeito
- I -
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
793
1
Marigê Quirino Marchini
Sonetos do Imperfeito
- I -
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
793
1
Marigê Quirino Marchini
Sonetos do Imperfeito
- I -
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
793
1
Marigê Quirino Marchini
Sonetos do Imperfeito
- I -
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
793
1
Mário Donizete Massari
Dimensão das horas
Dimensão das horas
nos caminhos do homem
fogo nas retinas
paixões, fadiga . . .
"a vida tragada e
consumida em
memoráveis porres
de melancolia . . ."
cinzas na avenida
e o homem caminha
Flutua no ar
qual bêbado no seu
mundo
por que não dizer lindo,
pois qualquer mundo é lindo
quando se é livre e
não lhe cobram por isso.
E a vida se molda
na dimensão das horas
vadias . . .
nos caminhos do homem
fogo nas retinas
paixões, fadiga . . .
"a vida tragada e
consumida em
memoráveis porres
de melancolia . . ."
cinzas na avenida
e o homem caminha
Flutua no ar
qual bêbado no seu
mundo
por que não dizer lindo,
pois qualquer mundo é lindo
quando se é livre e
não lhe cobram por isso.
E a vida se molda
na dimensão das horas
vadias . . .
964
1
Mário Donizete Massari
Dimensão das horas
Dimensão das horas
nos caminhos do homem
fogo nas retinas
paixões, fadiga . . .
"a vida tragada e
consumida em
memoráveis porres
de melancolia . . ."
cinzas na avenida
e o homem caminha
Flutua no ar
qual bêbado no seu
mundo
por que não dizer lindo,
pois qualquer mundo é lindo
quando se é livre e
não lhe cobram por isso.
E a vida se molda
na dimensão das horas
vadias . . .
nos caminhos do homem
fogo nas retinas
paixões, fadiga . . .
"a vida tragada e
consumida em
memoráveis porres
de melancolia . . ."
cinzas na avenida
e o homem caminha
Flutua no ar
qual bêbado no seu
mundo
por que não dizer lindo,
pois qualquer mundo é lindo
quando se é livre e
não lhe cobram por isso.
E a vida se molda
na dimensão das horas
vadias . . .
964
1
Marta Gonçalves
Palavras
O vegetal que me cerca e envolve meu corpo arreia as correntes dos braços. Deixaremos vidros quebrados nas manhãs e o sol brotará sementes de milho. Chegará a época de recriarmos o solo da terra, de aleitarmos a infância. Deve existir uma mudança cósmica neste pó que habitamos. Sorveremos água das pedras e as montanhas que nos cercam perderão a chave. Ao abrir as portas, a palavra chegará na ponta do mar. A areia quente das praias vai sorver borboletas. Descobrirão que a poesia chega no vento. Ela precisa de olhos além do infinito. O poeta não deve sair de sua solidão. Quieto em seu canto, armazena a alquimia. Existem palavras que são lâminas cortando veias. E essas veias sangrarão as faces nodosas. Destruiremos o lodo, mas a erva continuirá crescendo nas noites. Jogaremos margaridas brancas, poucos estenderão as mãos para colhê-las.
1 044
1
Maria Braga Horta
O Trem de Ferro
Passa o rio
passa a ponte
passa o sol
e passa o vento
passa o cavalo no pasto
passa boi
passa boiada
passa o cachorro sarnento
de todos e de ninguém
passa a moça na janela
meninos jogando bola
meninos vendendo frutas
mendigos pedindo esmola
já passaram mais de cem.
O que passa neste trecho
passa no trecho que vem.
O trem passa sempre cheio:
mudança que vai, que vem.
Ninguém está satisfeito
onde está e com o que tem.
Passa a vida e passa o trem...
passa a ponte
passa o sol
e passa o vento
passa o cavalo no pasto
passa boi
passa boiada
passa o cachorro sarnento
de todos e de ninguém
passa a moça na janela
meninos jogando bola
meninos vendendo frutas
mendigos pedindo esmola
já passaram mais de cem.
O que passa neste trecho
passa no trecho que vem.
O trem passa sempre cheio:
mudança que vai, que vem.
Ninguém está satisfeito
onde está e com o que tem.
Passa a vida e passa o trem...
1 080
1
Maria Braga Horta
O Trem de Ferro
Passa o rio
passa a ponte
passa o sol
e passa o vento
passa o cavalo no pasto
passa boi
passa boiada
passa o cachorro sarnento
de todos e de ninguém
passa a moça na janela
meninos jogando bola
meninos vendendo frutas
mendigos pedindo esmola
já passaram mais de cem.
O que passa neste trecho
passa no trecho que vem.
O trem passa sempre cheio:
mudança que vai, que vem.
Ninguém está satisfeito
onde está e com o que tem.
Passa a vida e passa o trem...
passa a ponte
passa o sol
e passa o vento
passa o cavalo no pasto
passa boi
passa boiada
passa o cachorro sarnento
de todos e de ninguém
passa a moça na janela
meninos jogando bola
meninos vendendo frutas
mendigos pedindo esmola
já passaram mais de cem.
O que passa neste trecho
passa no trecho que vem.
O trem passa sempre cheio:
mudança que vai, que vem.
Ninguém está satisfeito
onde está e com o que tem.
Passa a vida e passa o trem...
1 080
1
Ruy Espinheira Filho
Poema
A que morreu às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
Teve a sorte que quis,
Teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
Depois dum saque — antes a deu
A quem lha desejou,
Na lama dum reduto,
Sem náusea mas sem cio,
Sob a manta comum,
A pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
Entre champanhe, aos generais senis,
As horas de lazer.
Não quis, ativa e boa, tricotar
Agasalhos pueris,
No sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
Num heroísmo branco,
De bicho de hospital,
A aflição dos aflitos.
Uma noite, às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
À hora tal, atacou e morreu.
Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
Teve a sorte que quis,
Teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
Depois dum saque — antes a deu
A quem lha desejou,
Na lama dum reduto,
Sem náusea mas sem cio,
Sob a manta comum,
A pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
Entre champanhe, aos generais senis,
As horas de lazer.
Não quis, ativa e boa, tricotar
Agasalhos pueris,
No sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
Num heroísmo branco,
De bicho de hospital,
A aflição dos aflitos.
Uma noite, às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
À hora tal, atacou e morreu.
Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.
1 247
1
Ruy Espinheira Filho
Poema
A que morreu às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
Teve a sorte que quis,
Teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
Depois dum saque — antes a deu
A quem lha desejou,
Na lama dum reduto,
Sem náusea mas sem cio,
Sob a manta comum,
A pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
Entre champanhe, aos generais senis,
As horas de lazer.
Não quis, ativa e boa, tricotar
Agasalhos pueris,
No sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
Num heroísmo branco,
De bicho de hospital,
A aflição dos aflitos.
Uma noite, às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
À hora tal, atacou e morreu.
Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
Teve a sorte que quis,
Teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
Depois dum saque — antes a deu
A quem lha desejou,
Na lama dum reduto,
Sem náusea mas sem cio,
Sob a manta comum,
A pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
Entre champanhe, aos generais senis,
As horas de lazer.
Não quis, ativa e boa, tricotar
Agasalhos pueris,
No sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
Num heroísmo branco,
De bicho de hospital,
A aflição dos aflitos.
Uma noite, às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
À hora tal, atacou e morreu.
Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.
1 247
1
Carlos Anísio Melhor
Ode
Breves encontros
Contatos Leves
Não chegaram
com
ter
tua presença.
Mas é certeza solar
Que contém os fragmentos
por entre as horas e as horas
— Espaço aberto no tempo
Que tu existes aqui
Do teu múltiplo olhar.
E o mais
é
sentimento
Que esboça
Retrato
impresso
No ar.
Contatos Leves
Não chegaram
com
ter
tua presença.
Mas é certeza solar
Que contém os fragmentos
por entre as horas e as horas
— Espaço aberto no tempo
Que tu existes aqui
Do teu múltiplo olhar.
E o mais
é
sentimento
Que esboça
Retrato
impresso
No ar.
922
1
Marcelo Almeida de Oliveira
Ária para Ariano
Salve guerreiro!
vejo que o tempo
não secou tua alma,
continua ela molhada,
como a verde lama
do mangue cinzento
onde tens morada.
Ferozmente guarda a nascente,
cristalina progenitora,
semente já fora,
agora é raiz;
onde banhava nossos pais,
e onde todos devemos.
Salve irmão!
Continua na luta,
e saibas que
Tu és sua sina
e salvação.
Tu és uno!
Tu és una!
vejo que o tempo
não secou tua alma,
continua ela molhada,
como a verde lama
do mangue cinzento
onde tens morada.
Ferozmente guarda a nascente,
cristalina progenitora,
semente já fora,
agora é raiz;
onde banhava nossos pais,
e onde todos devemos.
Salve irmão!
Continua na luta,
e saibas que
Tu és sua sina
e salvação.
Tu és uno!
Tu és una!
960
1
Maria Rita Kehl
recurso
O método faz milagres.
Passar no quarto das crianças antes de deitar
só matar os insetos comprovadamente nocivos
sair lá fora no escuro, cinco minutos na primeira noite,
dez na segunda, até conseguir no mínimo uma hora de contemplação
sem terror.
O método tece uma teia ——
horários —— rotas de ônibus —— receitas ——
telefonemas na 6a. ——
caderninhos ——
quando a trama é bem firme e cada gesto idiota adquire sentidos surpreendentes
imprescindíveis depois de algum tempo
capazes de sustentar uma existência inteira.
Passar no quarto das crianças antes de deitar
só matar os insetos comprovadamente nocivos
sair lá fora no escuro, cinco minutos na primeira noite,
dez na segunda, até conseguir no mínimo uma hora de contemplação
sem terror.
O método tece uma teia ——
horários —— rotas de ônibus —— receitas ——
telefonemas na 6a. ——
caderninhos ——
quando a trama é bem firme e cada gesto idiota adquire sentidos surpreendentes
imprescindíveis depois de algum tempo
capazes de sustentar uma existência inteira.
1 114
1
Mário Hélio
16-VI(Niilismo)
a inutilidade da existência
a existência da inutilidade
viver sofrer gozar
ter bons e maus momentos
depois morrer e encontrar com deus
com deus encontrar depois morrer
que importância têm
viver sofrer gozar
ter bons e maus... enfim a perfeição
a mais vaga das paixões
a felicidade eterna que nos leva ao suicídio
nos faz joguetes dos deuses
deuses dos joguetes faz-nos
a religião confunde tudo
tudo confunde a religião
a inutilidade da assistência
a assistência da inutilidade
o homem como corre como morre
descobre a ciência que a ciência descobre
arquiteta universos, fica deus,
ah angústia suprema de ser tudo
de ser tudo angústia suprema
prana inútil
inutilidade da insistência
insistência da inutilidade.
a existência da inutilidade
viver sofrer gozar
ter bons e maus momentos
depois morrer e encontrar com deus
com deus encontrar depois morrer
que importância têm
viver sofrer gozar
ter bons e maus... enfim a perfeição
a mais vaga das paixões
a felicidade eterna que nos leva ao suicídio
nos faz joguetes dos deuses
deuses dos joguetes faz-nos
a religião confunde tudo
tudo confunde a religião
a inutilidade da assistência
a assistência da inutilidade
o homem como corre como morre
descobre a ciência que a ciência descobre
arquiteta universos, fica deus,
ah angústia suprema de ser tudo
de ser tudo angústia suprema
prana inútil
inutilidade da insistência
insistência da inutilidade.
1 030
1
Mário Hélio
16-VI(Niilismo)
a inutilidade da existência
a existência da inutilidade
viver sofrer gozar
ter bons e maus momentos
depois morrer e encontrar com deus
com deus encontrar depois morrer
que importância têm
viver sofrer gozar
ter bons e maus... enfim a perfeição
a mais vaga das paixões
a felicidade eterna que nos leva ao suicídio
nos faz joguetes dos deuses
deuses dos joguetes faz-nos
a religião confunde tudo
tudo confunde a religião
a inutilidade da assistência
a assistência da inutilidade
o homem como corre como morre
descobre a ciência que a ciência descobre
arquiteta universos, fica deus,
ah angústia suprema de ser tudo
de ser tudo angústia suprema
prana inútil
inutilidade da insistência
insistência da inutilidade.
a existência da inutilidade
viver sofrer gozar
ter bons e maus momentos
depois morrer e encontrar com deus
com deus encontrar depois morrer
que importância têm
viver sofrer gozar
ter bons e maus... enfim a perfeição
a mais vaga das paixões
a felicidade eterna que nos leva ao suicídio
nos faz joguetes dos deuses
deuses dos joguetes faz-nos
a religião confunde tudo
tudo confunde a religião
a inutilidade da assistência
a assistência da inutilidade
o homem como corre como morre
descobre a ciência que a ciência descobre
arquiteta universos, fica deus,
ah angústia suprema de ser tudo
de ser tudo angústia suprema
prana inútil
inutilidade da insistência
insistência da inutilidade.
1 030
1
Mário Hélio
16-VI(Niilismo)
a inutilidade da existência
a existência da inutilidade
viver sofrer gozar
ter bons e maus momentos
depois morrer e encontrar com deus
com deus encontrar depois morrer
que importância têm
viver sofrer gozar
ter bons e maus... enfim a perfeição
a mais vaga das paixões
a felicidade eterna que nos leva ao suicídio
nos faz joguetes dos deuses
deuses dos joguetes faz-nos
a religião confunde tudo
tudo confunde a religião
a inutilidade da assistência
a assistência da inutilidade
o homem como corre como morre
descobre a ciência que a ciência descobre
arquiteta universos, fica deus,
ah angústia suprema de ser tudo
de ser tudo angústia suprema
prana inútil
inutilidade da insistência
insistência da inutilidade.
a existência da inutilidade
viver sofrer gozar
ter bons e maus momentos
depois morrer e encontrar com deus
com deus encontrar depois morrer
que importância têm
viver sofrer gozar
ter bons e maus... enfim a perfeição
a mais vaga das paixões
a felicidade eterna que nos leva ao suicídio
nos faz joguetes dos deuses
deuses dos joguetes faz-nos
a religião confunde tudo
tudo confunde a religião
a inutilidade da assistência
a assistência da inutilidade
o homem como corre como morre
descobre a ciência que a ciência descobre
arquiteta universos, fica deus,
ah angústia suprema de ser tudo
de ser tudo angústia suprema
prana inútil
inutilidade da insistência
insistência da inutilidade.
1 030
1
Maria Inês Gambogi
Com tantos curtos casos
Com tantos curtos casos
Com dois amores admiráveis em mim
Com a fala sem muitos segundos
Com a morte absorta no viver
Com as feições todas
Com aquele ar de tudo às mãos
Bem visto,
sem revelação sem expiação
vou dando sem sobra sem sombra insólita
sem amor estranho
Cato sem vida conhecida o que não escapou
Cato sem amor conhecido
o que envelhecido, caiu
Cato atrozmente as aparências caídas
quedo como quem deve
como quem não oferece
sua humanidade a desejos em disputa
Sem amor conhecido
no mais sem ninguém em totalidade
Em atenção
qualquer coisa que cai eu sei
Silente vou indo como quem não vai
Inindentificada, surpreendo sem deslustre
os vãos devidos a este mundo de pessoas
Quero sem preito
Quero sem o amor conhecido por tanta gente
Descodifico e não me encabulo
Vivenciada em novidades
não forço o coração a repetidas forças
vou sendo o que menos se esperava
vou viva
deixando concretas as advinhações de ser.
Com dois amores admiráveis em mim
Com a fala sem muitos segundos
Com a morte absorta no viver
Com as feições todas
Com aquele ar de tudo às mãos
Bem visto,
sem revelação sem expiação
vou dando sem sobra sem sombra insólita
sem amor estranho
Cato sem vida conhecida o que não escapou
Cato sem amor conhecido
o que envelhecido, caiu
Cato atrozmente as aparências caídas
quedo como quem deve
como quem não oferece
sua humanidade a desejos em disputa
Sem amor conhecido
no mais sem ninguém em totalidade
Em atenção
qualquer coisa que cai eu sei
Silente vou indo como quem não vai
Inindentificada, surpreendo sem deslustre
os vãos devidos a este mundo de pessoas
Quero sem preito
Quero sem o amor conhecido por tanta gente
Descodifico e não me encabulo
Vivenciada em novidades
não forço o coração a repetidas forças
vou sendo o que menos se esperava
vou viva
deixando concretas as advinhações de ser.
699
1
Maria Inês Gambogi
Com tantos curtos casos
Com tantos curtos casos
Com dois amores admiráveis em mim
Com a fala sem muitos segundos
Com a morte absorta no viver
Com as feições todas
Com aquele ar de tudo às mãos
Bem visto,
sem revelação sem expiação
vou dando sem sobra sem sombra insólita
sem amor estranho
Cato sem vida conhecida o que não escapou
Cato sem amor conhecido
o que envelhecido, caiu
Cato atrozmente as aparências caídas
quedo como quem deve
como quem não oferece
sua humanidade a desejos em disputa
Sem amor conhecido
no mais sem ninguém em totalidade
Em atenção
qualquer coisa que cai eu sei
Silente vou indo como quem não vai
Inindentificada, surpreendo sem deslustre
os vãos devidos a este mundo de pessoas
Quero sem preito
Quero sem o amor conhecido por tanta gente
Descodifico e não me encabulo
Vivenciada em novidades
não forço o coração a repetidas forças
vou sendo o que menos se esperava
vou viva
deixando concretas as advinhações de ser.
Com dois amores admiráveis em mim
Com a fala sem muitos segundos
Com a morte absorta no viver
Com as feições todas
Com aquele ar de tudo às mãos
Bem visto,
sem revelação sem expiação
vou dando sem sobra sem sombra insólita
sem amor estranho
Cato sem vida conhecida o que não escapou
Cato sem amor conhecido
o que envelhecido, caiu
Cato atrozmente as aparências caídas
quedo como quem deve
como quem não oferece
sua humanidade a desejos em disputa
Sem amor conhecido
no mais sem ninguém em totalidade
Em atenção
qualquer coisa que cai eu sei
Silente vou indo como quem não vai
Inindentificada, surpreendo sem deslustre
os vãos devidos a este mundo de pessoas
Quero sem preito
Quero sem o amor conhecido por tanta gente
Descodifico e não me encabulo
Vivenciada em novidades
não forço o coração a repetidas forças
vou sendo o que menos se esperava
vou viva
deixando concretas as advinhações de ser.
699
1