Poemas neste tema
Vida e Existência
Hilda Hilst
Poesia XX
Teu nome é Nada.
Um sonhar o Universo
No pensamento do homem:
Diante do eterno, nada.
Morte , teu nome.
Um quase chegar peerto.
Um pouco masi (me dizem)
E terias o Todo no teu gesto.
Um pouco mamis, tu O terias visto.
Teu nome é Nada.
Haste, pata. Sem ponta, sem ronda.
Um pensar duas palavras diante da Graça:
Terias tido.
Um sonhar o Universo
No pensamento do homem:
Diante do eterno, nada.
Morte , teu nome.
Um quase chegar peerto.
Um pouco masi (me dizem)
E terias o Todo no teu gesto.
Um pouco mamis, tu O terias visto.
Teu nome é Nada.
Haste, pata. Sem ponta, sem ronda.
Um pensar duas palavras diante da Graça:
Terias tido.
1 336
Hilda Hilst
Poesia XX
Teu nome é Nada.
Um sonhar o Universo
No pensamento do homem:
Diante do eterno, nada.
Morte , teu nome.
Um quase chegar peerto.
Um pouco masi (me dizem)
E terias o Todo no teu gesto.
Um pouco mamis, tu O terias visto.
Teu nome é Nada.
Haste, pata. Sem ponta, sem ronda.
Um pensar duas palavras diante da Graça:
Terias tido.
Um sonhar o Universo
No pensamento do homem:
Diante do eterno, nada.
Morte , teu nome.
Um quase chegar peerto.
Um pouco masi (me dizem)
E terias o Todo no teu gesto.
Um pouco mamis, tu O terias visto.
Teu nome é Nada.
Haste, pata. Sem ponta, sem ronda.
Um pensar duas palavras diante da Graça:
Terias tido.
1 336
Gilka Machado
Odor dos manacás
De onde vem esta voz, este fundo lamento
com vagas vibrações de violino em surdina?
De onde vem esta voz que, nas asas, o vento
me traz, na hora violácea em que o dia declina?
Esta voz vegetal, que o meu olfato atento
ouve, certo é a expansão de uma mágoa ferina,
é o odor que os manacás soltam, num desalento,
sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.
Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsicose,
a alma errante e infeliz de uma extinta criatura
chamar ansiosamente outra alma que a despose...
Uma alma que viveu sozinha e incompreendida,
mas que, mesmo gozando uma vida mais pura,
inda chora a ilusão frustada noutra vida.
com vagas vibrações de violino em surdina?
De onde vem esta voz que, nas asas, o vento
me traz, na hora violácea em que o dia declina?
Esta voz vegetal, que o meu olfato atento
ouve, certo é a expansão de uma mágoa ferina,
é o odor que os manacás soltam, num desalento,
sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.
Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsicose,
a alma errante e infeliz de uma extinta criatura
chamar ansiosamente outra alma que a despose...
Uma alma que viveu sozinha e incompreendida,
mas que, mesmo gozando uma vida mais pura,
inda chora a ilusão frustada noutra vida.
1 659
Gilka Machado
Odor dos manacás
De onde vem esta voz, este fundo lamento
com vagas vibrações de violino em surdina?
De onde vem esta voz que, nas asas, o vento
me traz, na hora violácea em que o dia declina?
Esta voz vegetal, que o meu olfato atento
ouve, certo é a expansão de uma mágoa ferina,
é o odor que os manacás soltam, num desalento,
sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.
Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsicose,
a alma errante e infeliz de uma extinta criatura
chamar ansiosamente outra alma que a despose...
Uma alma que viveu sozinha e incompreendida,
mas que, mesmo gozando uma vida mais pura,
inda chora a ilusão frustada noutra vida.
com vagas vibrações de violino em surdina?
De onde vem esta voz que, nas asas, o vento
me traz, na hora violácea em que o dia declina?
Esta voz vegetal, que o meu olfato atento
ouve, certo é a expansão de uma mágoa ferina,
é o odor que os manacás soltam, num desalento,
sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.
Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsicose,
a alma errante e infeliz de uma extinta criatura
chamar ansiosamente outra alma que a despose...
Uma alma que viveu sozinha e incompreendida,
mas que, mesmo gozando uma vida mais pura,
inda chora a ilusão frustada noutra vida.
1 659
Alice Ruiz
Hai-kais
apaga a luz
antes de amanhecer
um vagalume
vento seco
entre os bambus
barulho d água
tanta poesia no gesto
nenhum poema
o diria
o relógio marca
48 horas sem te ver
sei lá quantas para te esquecer
circuluar
sonho impar
acordo par
desacerto
entre nós
só etceteras
antes de amanhecer
um vagalume
vento seco
entre os bambus
barulho d água
tanta poesia no gesto
nenhum poema
o diria
o relógio marca
48 horas sem te ver
sei lá quantas para te esquecer
circuluar
sonho impar
acordo par
desacerto
entre nós
só etceteras
1 792
Maria Azenha
Recordações
Nenhum vestígio
Nenhuma noite impura
Nenhum país de lume
Nenhuma serra ali.
A tua ausência é tão funda
Que não regressa a ti.
Nenhuma noite impura
Nenhum país de lume
Nenhuma serra ali.
A tua ausência é tão funda
Que não regressa a ti.
933
Ana Cristina Cesar
Que deslize
Onde seus olhos estão
as lupas desistem.
O túnel corre, interminável
pouco negro sem quebra
de estações.
Os passageiros nada adivinham.
Deixam correr
Não ficam negros
Deslizam na borracha
carinho discreto
pelo cansaço
que apenas se recosta
contra a transparente
escuridão.
as lupas desistem.
O túnel corre, interminável
pouco negro sem quebra
de estações.
Os passageiros nada adivinham.
Deixam correr
Não ficam negros
Deslizam na borracha
carinho discreto
pelo cansaço
que apenas se recosta
contra a transparente
escuridão.
2 067
Cristina Lacerda
Sobrevida
A terra não sorri
mas ampara meus passos
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
mas ampara meus passos
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
959
Angela Santos
Estrela Guia
Vem
comigo
descobrir a estrela
que brilha num lugar
que não sabemos
Vem
a tua mão está quente
(é bom senti-la)
sinto-me nela…
Vem
a hora tarda, cedo cai a noite
e a lua não luz
na noite que atravessamos
Olho-te,
tu foges dos meus olhos
só a tua mão me diz que estás
aqui…
Eu,
eu estou lá longe
e aqui também,
já que firme a tua
minha mão presa tem.
comigo
descobrir a estrela
que brilha num lugar
que não sabemos
Vem
a tua mão está quente
(é bom senti-la)
sinto-me nela…
Vem
a hora tarda, cedo cai a noite
e a lua não luz
na noite que atravessamos
Olho-te,
tu foges dos meus olhos
só a tua mão me diz que estás
aqui…
Eu,
eu estou lá longe
e aqui também,
já que firme a tua
minha mão presa tem.
903
Angela Santos
Mulher
Mulher,
num corpo mar
ser navio e aportar ao largo desse teu abrigo
Em minha mãos
deixar crescer a flor dos afectos mais fundos
e te entregar todos eles
ao toque delicado destas mãos de mulher
corpos irmãos em sua dança de heras,
orvalhados corpos de um amor matinal
mulher nos teus braços ser
mulher confirmada no teu seio irmão,
E sentir a grandeza do momento que nasce
no instante maior de sabermos ser
duas almas tocadas pela força do amor
dois corpos amantes que em si mesmo buscam
a razão suprema do acontecer.
num corpo mar
ser navio e aportar ao largo desse teu abrigo
Em minha mãos
deixar crescer a flor dos afectos mais fundos
e te entregar todos eles
ao toque delicado destas mãos de mulher
corpos irmãos em sua dança de heras,
orvalhados corpos de um amor matinal
mulher nos teus braços ser
mulher confirmada no teu seio irmão,
E sentir a grandeza do momento que nasce
no instante maior de sabermos ser
duas almas tocadas pela força do amor
dois corpos amantes que em si mesmo buscam
a razão suprema do acontecer.
1 082
Lenilde Freitas
A Sylvia Plath
Ouve os pombos, S...
o arrulho que eles fazem.
São sempre tão delicadas
as margaridas
e imprensada entre ladrilhos
cresce a grama.
Ouve os pombos, S...
se o tédio te aprisiona
entre estas asas úmidas
que não chegam às estrelas
nem vêem seu brilho.
Ouve, S... o arrulho que eles fazem.
Viver é doce. Cada dia tem seu som
cada som, sua gama.
1 011
Angela Santos
Eva
Mordo
a tua boca
rosa, carne viva
provo o teu sabor
ao jeito de Eva
subversiva
Ousadia do gosto
meu fruto proibido
mordo o teu corpo
virgem
e reencontro o paraíso.
a tua boca
rosa, carne viva
provo o teu sabor
ao jeito de Eva
subversiva
Ousadia do gosto
meu fruto proibido
mordo o teu corpo
virgem
e reencontro o paraíso.
895
Angela Santos
Perpendicular do
Tempo
Foi
outro o lugar
outro o tempo
e o encontro no desencontro.
Fomos nós
e uma esquina
ao dobrar dos dias…
Não sei se me encontraste
se te procurava
eu.
Foi
outro o lugar
outro o tempo
e o encontro no desencontro.
Fomos nós
e uma esquina
ao dobrar dos dias…
Não sei se me encontraste
se te procurava
eu.
1 124
Angela Santos
Perpendicular do
Tempo
Foi
outro o lugar
outro o tempo
e o encontro no desencontro.
Fomos nós
e uma esquina
ao dobrar dos dias…
Não sei se me encontraste
se te procurava
eu.
Foi
outro o lugar
outro o tempo
e o encontro no desencontro.
Fomos nós
e uma esquina
ao dobrar dos dias…
Não sei se me encontraste
se te procurava
eu.
1 124
Angela Santos
Lua
Nocturna
silenciosamente vens
ò Lua
deitar-te sobre o meu corpo
límpida e nua
Banhada de luar, assim
Já de mim não sou
mas tua
Ò lua, longe, miragem
digo o quê quando te digo?…
A que há-de vir
viva latejante
ao compasso do coração
descompassado
que vibra em mim
silenciosamente vens
ò Lua
deitar-te sobre o meu corpo
límpida e nua
Banhada de luar, assim
Já de mim não sou
mas tua
Ò lua, longe, miragem
digo o quê quando te digo?…
A que há-de vir
viva latejante
ao compasso do coração
descompassado
que vibra em mim
1 151
Angela Santos
A Sós
Vai!
hoje só preciso de mim
Vai!
deixa ficar a tua imagem
o teu riso
teus gestos infantis
para que neles eu beba
a nostalgia
do tempo sem memória
Vai!
hoje só me quero a mim!
hoje só preciso de mim
Vai!
deixa ficar a tua imagem
o teu riso
teus gestos infantis
para que neles eu beba
a nostalgia
do tempo sem memória
Vai!
hoje só me quero a mim!
1 100
Angela Santos
Noite
Do
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo
meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito
Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…
Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo
meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito
Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…
Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.
1 085
Angela Santos
Em Suspenso
Deixo-me
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar
há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…
descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa
As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar
Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…
o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar
há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…
descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa
As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar
Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…
o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.
1 081
Lenilde Freitas
A Alfonsina Storni
O bulício do amanhecer
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
921
Lenilde Freitas
A Alfonsina Storni
O bulício do amanhecer
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
921
Angela Santos
Chão de
Mim
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
1 119
Angela Santos
Chão de
Mim
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
1 119
Angela Santos
Chão de
Mim
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
1 119
Cristina Lacerda
Tem uma outra cabeça
Tem uma outra cabeça
na minha cama
faz barulho de motor
às vezes ronrona
às vezes tem pesadelos
às vezes me estende a mão
tem uma outra cabeça
na minha cama
e me é às vezes desconhecida
tem barulho de gente
na minha cama
não é metade de mim
mas me acompanha
- e eu estou aqui
tem corpo conhecido
na minha cama
há séculos eu o escuto dormir
e isso
me emociona
na minha cama
faz barulho de motor
às vezes ronrona
às vezes tem pesadelos
às vezes me estende a mão
tem uma outra cabeça
na minha cama
e me é às vezes desconhecida
tem barulho de gente
na minha cama
não é metade de mim
mas me acompanha
- e eu estou aqui
tem corpo conhecido
na minha cama
há séculos eu o escuto dormir
e isso
me emociona
933