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Poemas neste tema

Vida e Existência

Jorge Nascimento

Jorge Nascimento

Temporalidade do Desígnio

Já é tempo de construir o poema,
sentir que tudo foi exposto à crítica
e assim revisitar ocultos locais da mente.
Já é tempo de codificar o estilo,
confrontá-lo com as horas mortas
e reanimar todos os sentimentos vazios.
Já é tempo de atribuir-se condição
e sobrepor-se acima do tédio vital,
reanimando sozinho todas as vicissitudes.
Já é tempo de não contemporizar com os erros
e demonstrá-los na imperfeita tábua da lei,
feita para administrar os mais íntimos conflitos.
Já é tempo de renunciar ao medo e expor-se
aos desígnios do tempo magoados de esperanças.
Já é tempo de retornar ao amor das palavras impronunciadas,
readquirindo confiança na sabedoria das sílabas tortas
e novamente sentir a febre de quem recomeça a vida
com a certeza de estiolar novas e gradativas angústias
em meio ao torpor das inutilidades,
fazendo-se monge da solidão e confessor de si mesmo
e fugir para o desvão das ruas noturnas e becos absconsos.
Somente assim será possível a reconstrução tão almejada
de reflorescer no presente as esperanças mortas do passado
que ainda insistem em sobreviver de alegorias
e expectativas elementares que se iniciam
com a nitidez das auroras e fundam-se
com o ácido arrebol das ilusões partidas.
Já é tempo de recomeçar a viver mais uma vez
cultivando sonhos e recusando realidades
e deste modo retornar tranqüilo e confiante
ao deserto onírico das mágoas crepusculares
tão sábias em tecer enigmas e decifrar antigos sofrimentos.

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João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Dois mil e BUM

Dois mil e BUM

(12/96)
Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Sei que foi fatalidade, mas perdeste a identidade,
Em dois dígitos já não cabes mais. És a mazela,
Que nos computadores, gerou calamidade provocando dores,
Que ninguém duvide, universais.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
Disseram que de mil tu passarias,
E que a dois mil não chegarias,
Mesmo se um por todos e todos por um.
Já houve quem pensasse, antever o apocalipse,
Consequência derradeira de um eclipse,
Ou suicídio coletivo, numa guerra mundial.
Porém, ninguém, por mais que fosse visionário,
Pensaria ser possível, resultar tal corolário,
Nem Nostradamus vislumbrou final igual.
Acabar-se na clandestinidade, morto-vivo, que infelicidade
nos bancos de dados institucionais.

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João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

Dois mil e BUM

Dois mil e BUM

(12/96)
Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Sei que foi fatalidade, mas perdeste a identidade,
Em dois dígitos já não cabes mais. És a mazela,
Que nos computadores, gerou calamidade provocando dores,
Que ninguém duvide, universais.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
Disseram que de mil tu passarias,
E que a dois mil não chegarias,
Mesmo se um por todos e todos por um.
Já houve quem pensasse, antever o apocalipse,
Consequência derradeira de um eclipse,
Ou suicídio coletivo, numa guerra mundial.
Porém, ninguém, por mais que fosse visionário,
Pensaria ser possível, resultar tal corolário,
Nem Nostradamus vislumbrou final igual.
Acabar-se na clandestinidade, morto-vivo, que infelicidade
nos bancos de dados institucionais.

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