Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Ribeiro Couto
VII [E os trens que vêm de Bauru
E os trens que vêm de Bauru
Trazem cheia a segunda classe,
Com catingas de porão de navio,
Com choros de crianças embrulhadas em grossas lãs
européias,
Com caras rubras queimadas de sóis estrangeiros,
Famílias salubres e miseráveis
Que o Brasil chamava, miragem de ultramar.
Nesse amontôo de povo mal dormido
— Cabeças com lenços de cores, boinas de veludo negro —,
Nesses corpos fétidos que os beliches balançaram
Na travessia do vapor inglês,
Há uma poesia profunda,
Há uma poesia violenta,
Poesia das plebes agrícolas da Europa,
Poesia de raças antigas e obstinadas
Que qualquer coisa para este lado do Atlântico atrai;
Poesia da sorte desconhecida sobre o mar,
Poesia do porto de Santos,
Poesia da São Paulo Railway Company,
Poesia da Capital entrevista na bruma,
Poesia da imigração.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
Trazem cheia a segunda classe,
Com catingas de porão de navio,
Com choros de crianças embrulhadas em grossas lãs
européias,
Com caras rubras queimadas de sóis estrangeiros,
Famílias salubres e miseráveis
Que o Brasil chamava, miragem de ultramar.
Nesse amontôo de povo mal dormido
— Cabeças com lenços de cores, boinas de veludo negro —,
Nesses corpos fétidos que os beliches balançaram
Na travessia do vapor inglês,
Há uma poesia profunda,
Há uma poesia violenta,
Poesia das plebes agrícolas da Europa,
Poesia de raças antigas e obstinadas
Que qualquer coisa para este lado do Atlântico atrai;
Poesia da sorte desconhecida sobre o mar,
Poesia do porto de Santos,
Poesia da São Paulo Railway Company,
Poesia da Capital entrevista na bruma,
Poesia da imigração.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
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Ribeiro Couto
VII [E os trens que vêm de Bauru
E os trens que vêm de Bauru
Trazem cheia a segunda classe,
Com catingas de porão de navio,
Com choros de crianças embrulhadas em grossas lãs
européias,
Com caras rubras queimadas de sóis estrangeiros,
Famílias salubres e miseráveis
Que o Brasil chamava, miragem de ultramar.
Nesse amontôo de povo mal dormido
— Cabeças com lenços de cores, boinas de veludo negro —,
Nesses corpos fétidos que os beliches balançaram
Na travessia do vapor inglês,
Há uma poesia profunda,
Há uma poesia violenta,
Poesia das plebes agrícolas da Europa,
Poesia de raças antigas e obstinadas
Que qualquer coisa para este lado do Atlântico atrai;
Poesia da sorte desconhecida sobre o mar,
Poesia do porto de Santos,
Poesia da São Paulo Railway Company,
Poesia da Capital entrevista na bruma,
Poesia da imigração.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
Trazem cheia a segunda classe,
Com catingas de porão de navio,
Com choros de crianças embrulhadas em grossas lãs
européias,
Com caras rubras queimadas de sóis estrangeiros,
Famílias salubres e miseráveis
Que o Brasil chamava, miragem de ultramar.
Nesse amontôo de povo mal dormido
— Cabeças com lenços de cores, boinas de veludo negro —,
Nesses corpos fétidos que os beliches balançaram
Na travessia do vapor inglês,
Há uma poesia profunda,
Há uma poesia violenta,
Poesia das plebes agrícolas da Europa,
Poesia de raças antigas e obstinadas
Que qualquer coisa para este lado do Atlântico atrai;
Poesia da sorte desconhecida sobre o mar,
Poesia do porto de Santos,
Poesia da São Paulo Railway Company,
Poesia da Capital entrevista na bruma,
Poesia da imigração.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
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Junqueira Freire
O Jesuíta
Era longe — bem longe: e eu vim primeiro
Cindindo as ondas desse mar profundo.
E por amor da Cruz vaguei sozinho
Nas ínvias matas desse novo mundo.
O tamoio gentil ervava as setas,
Quando pelos vergéis, tão seus, me via:
E co'os olhos fosfóricos ardendo
A taquara fatal a mim tendia.
E tendia a taquara, — mas ao ver-me
Quão sem temor e quão inerme estava,
Trocando em doce o seu olhar fogoso,
O arco e a seta pelo chão rojava.
De mim as tribos bárbaras, indômitas,
De mim o verbo do evangelho ouviram.
E ergui a cruz nos píncaros dos montes,
E após o verbo os povos me seguiram!
Eu disse às tribos: — Todas vós sois ricas,
— Que o ouro e a prata o solo vosso esmalta.
Sois ricas tribos, — mas não sois felizes,
Porque uma crença de um só Deus vos falta.
E eu dei às tribos uma crença doce,
Qual uma chuva de maná celeste:
E as tribos foram desde então felizes,
Qual flor pomposa que os jardins reveste.
E quando os reis da terra se esqueceram
Das tribos dadas a seu cetro forte,
Eu levantei-me, e disse aos reis da terra,
— O povo geme: Transmudai-lhe a sorte. —
Eternos templos eu ergui sozinho,
Eternos como a duração da terra.
E sozinho sagrei altares tantos
Ao Deus que aos ímpios c'o trovão aterra.
Eu dei às tribos uma crença doce,
Eu levantei alcáceres eternos.
Deram-me os homens proscrição e morte,
Deram-me em prêmio as fezes dos infernos.
Publicado no livro Inspirações do Claustro (1855).
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.1
Cindindo as ondas desse mar profundo.
E por amor da Cruz vaguei sozinho
Nas ínvias matas desse novo mundo.
O tamoio gentil ervava as setas,
Quando pelos vergéis, tão seus, me via:
E co'os olhos fosfóricos ardendo
A taquara fatal a mim tendia.
E tendia a taquara, — mas ao ver-me
Quão sem temor e quão inerme estava,
Trocando em doce o seu olhar fogoso,
O arco e a seta pelo chão rojava.
De mim as tribos bárbaras, indômitas,
De mim o verbo do evangelho ouviram.
E ergui a cruz nos píncaros dos montes,
E após o verbo os povos me seguiram!
Eu disse às tribos: — Todas vós sois ricas,
— Que o ouro e a prata o solo vosso esmalta.
Sois ricas tribos, — mas não sois felizes,
Porque uma crença de um só Deus vos falta.
E eu dei às tribos uma crença doce,
Qual uma chuva de maná celeste:
E as tribos foram desde então felizes,
Qual flor pomposa que os jardins reveste.
E quando os reis da terra se esqueceram
Das tribos dadas a seu cetro forte,
Eu levantei-me, e disse aos reis da terra,
— O povo geme: Transmudai-lhe a sorte. —
Eternos templos eu ergui sozinho,
Eternos como a duração da terra.
E sozinho sagrei altares tantos
Ao Deus que aos ímpios c'o trovão aterra.
Eu dei às tribos uma crença doce,
Eu levantei alcáceres eternos.
Deram-me os homens proscrição e morte,
Deram-me em prêmio as fezes dos infernos.
Publicado no livro Inspirações do Claustro (1855).
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.1
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Junqueira Freire
O Jesuíta
Era longe — bem longe: e eu vim primeiro
Cindindo as ondas desse mar profundo.
E por amor da Cruz vaguei sozinho
Nas ínvias matas desse novo mundo.
O tamoio gentil ervava as setas,
Quando pelos vergéis, tão seus, me via:
E co'os olhos fosfóricos ardendo
A taquara fatal a mim tendia.
E tendia a taquara, — mas ao ver-me
Quão sem temor e quão inerme estava,
Trocando em doce o seu olhar fogoso,
O arco e a seta pelo chão rojava.
De mim as tribos bárbaras, indômitas,
De mim o verbo do evangelho ouviram.
E ergui a cruz nos píncaros dos montes,
E após o verbo os povos me seguiram!
Eu disse às tribos: — Todas vós sois ricas,
— Que o ouro e a prata o solo vosso esmalta.
Sois ricas tribos, — mas não sois felizes,
Porque uma crença de um só Deus vos falta.
E eu dei às tribos uma crença doce,
Qual uma chuva de maná celeste:
E as tribos foram desde então felizes,
Qual flor pomposa que os jardins reveste.
E quando os reis da terra se esqueceram
Das tribos dadas a seu cetro forte,
Eu levantei-me, e disse aos reis da terra,
— O povo geme: Transmudai-lhe a sorte. —
Eternos templos eu ergui sozinho,
Eternos como a duração da terra.
E sozinho sagrei altares tantos
Ao Deus que aos ímpios c'o trovão aterra.
Eu dei às tribos uma crença doce,
Eu levantei alcáceres eternos.
Deram-me os homens proscrição e morte,
Deram-me em prêmio as fezes dos infernos.
Publicado no livro Inspirações do Claustro (1855).
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.1
Cindindo as ondas desse mar profundo.
E por amor da Cruz vaguei sozinho
Nas ínvias matas desse novo mundo.
O tamoio gentil ervava as setas,
Quando pelos vergéis, tão seus, me via:
E co'os olhos fosfóricos ardendo
A taquara fatal a mim tendia.
E tendia a taquara, — mas ao ver-me
Quão sem temor e quão inerme estava,
Trocando em doce o seu olhar fogoso,
O arco e a seta pelo chão rojava.
De mim as tribos bárbaras, indômitas,
De mim o verbo do evangelho ouviram.
E ergui a cruz nos píncaros dos montes,
E após o verbo os povos me seguiram!
Eu disse às tribos: — Todas vós sois ricas,
— Que o ouro e a prata o solo vosso esmalta.
Sois ricas tribos, — mas não sois felizes,
Porque uma crença de um só Deus vos falta.
E eu dei às tribos uma crença doce,
Qual uma chuva de maná celeste:
E as tribos foram desde então felizes,
Qual flor pomposa que os jardins reveste.
E quando os reis da terra se esqueceram
Das tribos dadas a seu cetro forte,
Eu levantei-me, e disse aos reis da terra,
— O povo geme: Transmudai-lhe a sorte. —
Eternos templos eu ergui sozinho,
Eternos como a duração da terra.
E sozinho sagrei altares tantos
Ao Deus que aos ímpios c'o trovão aterra.
Eu dei às tribos uma crença doce,
Eu levantei alcáceres eternos.
Deram-me os homens proscrição e morte,
Deram-me em prêmio as fezes dos infernos.
Publicado no livro Inspirações do Claustro (1855).
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.1
5 440
Sérgio Milliet
Bailado Sueco
Para Blaise Cendrars
Floresta a três andares
As horas da noite pouco a pouco se vão indo
e as horas brancas se aproximam
Chovem desejos retorcidos
tentações em verde escuro
Zé Pereira
... bum... bum... bum...
bum... bum... bum... bum...
Brasil carnavalesco e feiticeiro
cheio de bruxas e de negros
dançando o samba
dos sensualismos nacionais
"O meu boi morreu
que será de mim!!!"
A lua muito grande
muito vermelha
viajando incógnita pela Europa
Sangue!
Todo esse sangue de mil raças
corre em minhas veias
Sou brasileiro
Mas do Brasil sem colarinho
do Brasil negro
do Brasil índio
Cendrars é um poeta brasileiro!
Publicado no livro Poemas Análogos (1927). Poema integrante da série Poemas Análogos.
In: MILLIET, Sérgio. Poesias. Porto Alegre: Livr. do Globo, 1946. p.50. (Autores brasileiros, 19
Floresta a três andares
As horas da noite pouco a pouco se vão indo
e as horas brancas se aproximam
Chovem desejos retorcidos
tentações em verde escuro
Zé Pereira
... bum... bum... bum...
bum... bum... bum... bum...
Brasil carnavalesco e feiticeiro
cheio de bruxas e de negros
dançando o samba
dos sensualismos nacionais
"O meu boi morreu
que será de mim!!!"
A lua muito grande
muito vermelha
viajando incógnita pela Europa
Sangue!
Todo esse sangue de mil raças
corre em minhas veias
Sou brasileiro
Mas do Brasil sem colarinho
do Brasil negro
do Brasil índio
Cendrars é um poeta brasileiro!
Publicado no livro Poemas Análogos (1927). Poema integrante da série Poemas Análogos.
In: MILLIET, Sérgio. Poesias. Porto Alegre: Livr. do Globo, 1946. p.50. (Autores brasileiros, 19
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Sérgio Milliet
Bailado Sueco
Para Blaise Cendrars
Floresta a três andares
As horas da noite pouco a pouco se vão indo
e as horas brancas se aproximam
Chovem desejos retorcidos
tentações em verde escuro
Zé Pereira
... bum... bum... bum...
bum... bum... bum... bum...
Brasil carnavalesco e feiticeiro
cheio de bruxas e de negros
dançando o samba
dos sensualismos nacionais
"O meu boi morreu
que será de mim!!!"
A lua muito grande
muito vermelha
viajando incógnita pela Europa
Sangue!
Todo esse sangue de mil raças
corre em minhas veias
Sou brasileiro
Mas do Brasil sem colarinho
do Brasil negro
do Brasil índio
Cendrars é um poeta brasileiro!
Publicado no livro Poemas Análogos (1927). Poema integrante da série Poemas Análogos.
In: MILLIET, Sérgio. Poesias. Porto Alegre: Livr. do Globo, 1946. p.50. (Autores brasileiros, 19
Floresta a três andares
As horas da noite pouco a pouco se vão indo
e as horas brancas se aproximam
Chovem desejos retorcidos
tentações em verde escuro
Zé Pereira
... bum... bum... bum...
bum... bum... bum... bum...
Brasil carnavalesco e feiticeiro
cheio de bruxas e de negros
dançando o samba
dos sensualismos nacionais
"O meu boi morreu
que será de mim!!!"
A lua muito grande
muito vermelha
viajando incógnita pela Europa
Sangue!
Todo esse sangue de mil raças
corre em minhas veias
Sou brasileiro
Mas do Brasil sem colarinho
do Brasil negro
do Brasil índio
Cendrars é um poeta brasileiro!
Publicado no livro Poemas Análogos (1927). Poema integrante da série Poemas Análogos.
In: MILLIET, Sérgio. Poesias. Porto Alegre: Livr. do Globo, 1946. p.50. (Autores brasileiros, 19
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Ribeiro Couto
XI [Noroeste, civilização na infância
Noroeste, civilização na infância,
Expansão incoercível de São Paulo,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Como é bela a poesia atrabiliária das tuas cidades
Em cujas estações uma turba heteróclita
Discute negócios e política municipal!
És São Paulo que caminha, ó Noroeste,
Como outrora,
Como no tempo das entradas incomparáveis!
És São Paulo que caminha,
São Paulo esportivo, ganhador e violento,
São Paulo de todas as indústrias humanas,
São Paulo que desconhece o ócio dormente das apólices,
São Paulo que arrisca, São Paulo que avança,
São Paulo da aventura austera do trabalho,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
Expansão incoercível de São Paulo,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Como é bela a poesia atrabiliária das tuas cidades
Em cujas estações uma turba heteróclita
Discute negócios e política municipal!
És São Paulo que caminha, ó Noroeste,
Como outrora,
Como no tempo das entradas incomparáveis!
És São Paulo que caminha,
São Paulo esportivo, ganhador e violento,
São Paulo de todas as indústrias humanas,
São Paulo que desconhece o ócio dormente das apólices,
São Paulo que arrisca, São Paulo que avança,
São Paulo da aventura austera do trabalho,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
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Ribeiro Couto
XI [Noroeste, civilização na infância
Noroeste, civilização na infância,
Expansão incoercível de São Paulo,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Como é bela a poesia atrabiliária das tuas cidades
Em cujas estações uma turba heteróclita
Discute negócios e política municipal!
És São Paulo que caminha, ó Noroeste,
Como outrora,
Como no tempo das entradas incomparáveis!
És São Paulo que caminha,
São Paulo esportivo, ganhador e violento,
São Paulo de todas as indústrias humanas,
São Paulo que desconhece o ócio dormente das apólices,
São Paulo que arrisca, São Paulo que avança,
São Paulo da aventura austera do trabalho,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
Expansão incoercível de São Paulo,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Como é bela a poesia atrabiliária das tuas cidades
Em cujas estações uma turba heteróclita
Discute negócios e política municipal!
És São Paulo que caminha, ó Noroeste,
Como outrora,
Como no tempo das entradas incomparáveis!
És São Paulo que caminha,
São Paulo esportivo, ganhador e violento,
São Paulo de todas as indústrias humanas,
São Paulo que desconhece o ócio dormente das apólices,
São Paulo que arrisca, São Paulo que avança,
São Paulo da aventura austera do trabalho,
Acima dos câmbios, acima das baixas, acima de todos
[os desastres.
Publicado no livro Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933). Poema integrante da série Noroeste.
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.24
1 085
Ronald de Carvalho
Sabedoria
Enquanto disputam os doutores gravemente
sobre a natureza
do bem e do mal, do erro e da verdade,
do consciente e do inconsciente;
enquanto disputam os doutores sutilíssimos,
aproveita o momento!
Faze da tua realidade
uma obra de beleza
Só uma vez amadurece,
efêmero imprudente,
o cacho de uvas que o acaso te oferece...
Publicado no livro Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922).
In: CARVALHO, Ronald de. O espelho de Ariel e poemas escolhidos. Pref. Antônio Carlos Villaça. Rio de Janeiro: Nova Aguilar; Brasília: INL, 1976. p.176. (Manancial, 44
sobre a natureza
do bem e do mal, do erro e da verdade,
do consciente e do inconsciente;
enquanto disputam os doutores sutilíssimos,
aproveita o momento!
Faze da tua realidade
uma obra de beleza
Só uma vez amadurece,
efêmero imprudente,
o cacho de uvas que o acaso te oferece...
Publicado no livro Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922).
In: CARVALHO, Ronald de. O espelho de Ariel e poemas escolhidos. Pref. Antônio Carlos Villaça. Rio de Janeiro: Nova Aguilar; Brasília: INL, 1976. p.176. (Manancial, 44
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Joaquim Cardozo
Autômatos
No barulho das usinas,
Na sombra áspera e pálida que desce dos sheds,
Um dia os homens desapareceram.
No entanto
Braços de ferro gesticulam enérgicos,
Bocas, abertas, de fogo vociferam,
Ouvem-se vozes telegráficas de comando.
Autômatos!
Os homens se encantaram,
Se enlearam, se perderam
Nas formas e movimentos dos grandes maquinismos?
Ou são as almas que trabalham,
Almas forçadas, almas perdidas, almas penadas?
Oh! Com certeza os homens morreram
E às máquinas legaram
O sopro divino.
Publicado no livro Poemas (1947).
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
Na sombra áspera e pálida que desce dos sheds,
Um dia os homens desapareceram.
No entanto
Braços de ferro gesticulam enérgicos,
Bocas, abertas, de fogo vociferam,
Ouvem-se vozes telegráficas de comando.
Autômatos!
Os homens se encantaram,
Se enlearam, se perderam
Nas formas e movimentos dos grandes maquinismos?
Ou são as almas que trabalham,
Almas forçadas, almas perdidas, almas penadas?
Oh! Com certeza os homens morreram
E às máquinas legaram
O sopro divino.
Publicado no livro Poemas (1947).
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
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Joaquim Cardozo
Autômatos
No barulho das usinas,
Na sombra áspera e pálida que desce dos sheds,
Um dia os homens desapareceram.
No entanto
Braços de ferro gesticulam enérgicos,
Bocas, abertas, de fogo vociferam,
Ouvem-se vozes telegráficas de comando.
Autômatos!
Os homens se encantaram,
Se enlearam, se perderam
Nas formas e movimentos dos grandes maquinismos?
Ou são as almas que trabalham,
Almas forçadas, almas perdidas, almas penadas?
Oh! Com certeza os homens morreram
E às máquinas legaram
O sopro divino.
Publicado no livro Poemas (1947).
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
Na sombra áspera e pálida que desce dos sheds,
Um dia os homens desapareceram.
No entanto
Braços de ferro gesticulam enérgicos,
Bocas, abertas, de fogo vociferam,
Ouvem-se vozes telegráficas de comando.
Autômatos!
Os homens se encantaram,
Se enlearam, se perderam
Nas formas e movimentos dos grandes maquinismos?
Ou são as almas que trabalham,
Almas forçadas, almas perdidas, almas penadas?
Oh! Com certeza os homens morreram
E às máquinas legaram
O sopro divino.
Publicado no livro Poemas (1947).
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
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Joaquim Cardozo
Aves de Rapina
Há muitos anos que os caminhos se arrastavam
Subindo para as montanhas.
Percorriam as florestas perseguindo a distância,
Lentos e longos deslizavam nas planícies.
Passaram chuvas, passaram ventos,
Passaram sombras aladas...
Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,
Os aviões desceram e levaram os caminhos.
Publicado no livro Poemas (1947).
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
Subindo para as montanhas.
Percorriam as florestas perseguindo a distância,
Lentos e longos deslizavam nas planícies.
Passaram chuvas, passaram ventos,
Passaram sombras aladas...
Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,
Os aviões desceram e levaram os caminhos.
Publicado no livro Poemas (1947).
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.1
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Alcides Villaça
A Língua Num Canto da Boca
Onde aprendi a ler foi Toddy
— com seus DD, com seu Y.
Quem me ensinou a ler foi ela,
seu papel de pão, seu lápis,
seu reino de mantimentos.
Muito mais tarde soube de multinacionais,
de Édipo, de poesia
que mancha o pardo simples do papel
com beabás.
In VILLAÇA, Alcides. Viagem de Trem. Il. Alberto A. Martins. São Paulo: Duas Cidades, 1988 (Claro enigma). Poema integrante da série Sala de Espera
— com seus DD, com seu Y.
Quem me ensinou a ler foi ela,
seu papel de pão, seu lápis,
seu reino de mantimentos.
Muito mais tarde soube de multinacionais,
de Édipo, de poesia
que mancha o pardo simples do papel
com beabás.
In VILLAÇA, Alcides. Viagem de Trem. Il. Alberto A. Martins. São Paulo: Duas Cidades, 1988 (Claro enigma). Poema integrante da série Sala de Espera
1 408
Lila Ripoll
Festejo
Foi num primeiro de maio,
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
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Lila Ripoll
Festejo
Foi num primeiro de maio,
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
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Lila Ripoll
Festejo
Foi num primeiro de maio,
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
2 033
Lila Ripoll
Festejo
Foi num primeiro de maio,
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
na cidade de Rio Grande.
(...)
O povo reuniu-se em festa,
pois a festa era do povo.
(...)
"Uni-vos, ó proletários,
ó povos de todo o mundo."
Unido estava em Rio Grande,
o povo simples cantando.
No peito de cada homem
uma esperança se abria.
Em qualquer parte do mundo
uma estrela respondia.
(...)
Foi quando a voz calma e séria,
no velho parque vibrou,
e um convite alviçareiro
o povo unido escutou:
"Amigos, a rua é larga.
Unidos, vamos partir.
A nossa 'União Operária'
nós hoje vamos abrir."
(...)
"A casa de nossa classe,
fechada, por que razão?
Amigos, vamos à rua,
e as portas se abrirão."
A onda humana agitou-se,
cresceu em intensidade.
Em coro as vozes subiram
clamando por liberdade.
"À rua, à rua, sem medo,
unidos, vamos marchar."
Foi como se uma rajada
de vento encrespasse o mar.
Publicado no livro Primeiro de Maio (1954).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1987. p.113-11
2 033
Lila Ripoll
A Gabriela Mistral
Um nome tão simples,
a força que tem.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
não custa dizer.
Joguemos o nome
por onde passarmos
e o nome tão simples
veremos crescer.
(...)
Veremos os homens
de todas as raças
de todas as línguas
na paz se encontrar.
Joguemos o nome
— ó sim, Gabriela —
por onde passarmos
e onde estivermos;
aos mais distraídos,
aos desesperados,
e todos um dia
nos hão de escutar.
(...)
A paz despontando
nos cantos do povo.
No canto dos ventos
a paz a cantar.
(...)
O nome brotando
de todas as bocas,
em todas as línguas,
na terra e no mar.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
um nome tão simples,
a força que tem.
Publicado no livro Novos Poemas (1951).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.109-11
a força que tem.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
não custa dizer.
Joguemos o nome
por onde passarmos
e o nome tão simples
veremos crescer.
(...)
Veremos os homens
de todas as raças
de todas as línguas
na paz se encontrar.
Joguemos o nome
— ó sim, Gabriela —
por onde passarmos
e onde estivermos;
aos mais distraídos,
aos desesperados,
e todos um dia
nos hão de escutar.
(...)
A paz despontando
nos cantos do povo.
No canto dos ventos
a paz a cantar.
(...)
O nome brotando
de todas as bocas,
em todas as línguas,
na terra e no mar.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
um nome tão simples,
a força que tem.
Publicado no livro Novos Poemas (1951).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.109-11
1 608
Lila Ripoll
A Gabriela Mistral
Um nome tão simples,
a força que tem.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
não custa dizer.
Joguemos o nome
por onde passarmos
e o nome tão simples
veremos crescer.
(...)
Veremos os homens
de todas as raças
de todas as línguas
na paz se encontrar.
Joguemos o nome
— ó sim, Gabriela —
por onde passarmos
e onde estivermos;
aos mais distraídos,
aos desesperados,
e todos um dia
nos hão de escutar.
(...)
A paz despontando
nos cantos do povo.
No canto dos ventos
a paz a cantar.
(...)
O nome brotando
de todas as bocas,
em todas as línguas,
na terra e no mar.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
um nome tão simples,
a força que tem.
Publicado no livro Novos Poemas (1951).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.109-11
a força que tem.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
não custa dizer.
Joguemos o nome
por onde passarmos
e o nome tão simples
veremos crescer.
(...)
Veremos os homens
de todas as raças
de todas as línguas
na paz se encontrar.
Joguemos o nome
— ó sim, Gabriela —
por onde passarmos
e onde estivermos;
aos mais distraídos,
aos desesperados,
e todos um dia
nos hão de escutar.
(...)
A paz despontando
nos cantos do povo.
No canto dos ventos
a paz a cantar.
(...)
O nome brotando
de todas as bocas,
em todas as línguas,
na terra e no mar.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
um nome tão simples,
a força que tem.
Publicado no livro Novos Poemas (1951).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.109-11
1 608
Lila Ripoll
A Gabriela Mistral
Um nome tão simples,
a força que tem.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
não custa dizer.
Joguemos o nome
por onde passarmos
e o nome tão simples
veremos crescer.
(...)
Veremos os homens
de todas as raças
de todas as línguas
na paz se encontrar.
Joguemos o nome
— ó sim, Gabriela —
por onde passarmos
e onde estivermos;
aos mais distraídos,
aos desesperados,
e todos um dia
nos hão de escutar.
(...)
A paz despontando
nos cantos do povo.
No canto dos ventos
a paz a cantar.
(...)
O nome brotando
de todas as bocas,
em todas as línguas,
na terra e no mar.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
um nome tão simples,
a força que tem.
Publicado no livro Novos Poemas (1951).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.109-11
a força que tem.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
não custa dizer.
Joguemos o nome
por onde passarmos
e o nome tão simples
veremos crescer.
(...)
Veremos os homens
de todas as raças
de todas as línguas
na paz se encontrar.
Joguemos o nome
— ó sim, Gabriela —
por onde passarmos
e onde estivermos;
aos mais distraídos,
aos desesperados,
e todos um dia
nos hão de escutar.
(...)
A paz despontando
nos cantos do povo.
No canto dos ventos
a paz a cantar.
(...)
O nome brotando
de todas as bocas,
em todas as línguas,
na terra e no mar.
Três letras apenas,
três letras pequenas,
um nome tão simples,
a força que tem.
Publicado no livro Novos Poemas (1951).
In: RIPOLL, Lila. Ilha difícil: antologia poética. Sel. e apres. Maria da Glória Bordini. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1987. p.109-11
1 608
Antonio Fernando De Franceschi
Capitão Blood
no assalto
em que me lanço
temeroso
ancas acima
desato ao vento
dorso e cabelos
mas teus velames
travo firme
sustenidos
em meu medo:
a que porto
afinal
me destina
esta viagem?
em que ilha
me socorro
se o mar
me der vertigem?
In: DE FRANCESCHI, Antonio Fernando. Caminho das águas: poemas. São Paulo: Brasiliense, 1987. Poema integrante da série Em Campo Aberto
em que me lanço
temeroso
ancas acima
desato ao vento
dorso e cabelos
mas teus velames
travo firme
sustenidos
em meu medo:
a que porto
afinal
me destina
esta viagem?
em que ilha
me socorro
se o mar
me der vertigem?
In: DE FRANCESCHI, Antonio Fernando. Caminho das águas: poemas. São Paulo: Brasiliense, 1987. Poema integrante da série Em Campo Aberto
1 107
Sílvio Romero
Chora, Mané, não Chora
(Pernambuco)
Chora, Mané, não chora,
Chora porque não vem
O limão...
O limão que anda na roda
É de Mané babão,
Bobalhão...
Ele vai, ele vem,
Inda cá não chegou!...
No meio do caminho
O francês o tomou...
In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.211. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
Chora, Mané, não chora,
Chora porque não vem
O limão...
O limão que anda na roda
É de Mané babão,
Bobalhão...
Ele vai, ele vem,
Inda cá não chegou!...
No meio do caminho
O francês o tomou...
In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.211. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
2 078
Ulisses Tavares
Conteúdo
No toque, a troca.
No ato, o salto.
No esfrega, a entrega.
Na mão, o coração.
No rir, o repartir.
No sangue, o bumerangue.
Na ida, a vida.
In: TAVARES, Ulisses. Pega gente. 2.ed. São Paulo: Núcleo Pindaíba Edições e Debates, 1978. p.71. (Coleção PF
No ato, o salto.
No esfrega, a entrega.
Na mão, o coração.
No rir, o repartir.
No sangue, o bumerangue.
Na ida, a vida.
In: TAVARES, Ulisses. Pega gente. 2.ed. São Paulo: Núcleo Pindaíba Edições e Debates, 1978. p.71. (Coleção PF
1 869
Santa Rita Durão
Canto IV [Se o sacro ardor, que ferve no meu peito
XXXIV
Se o sacro ardor, que ferve no meu peito,
Não me deixa enganar, vereis que um dia
(Vivendo esse impostor) por seu respeito
Se encherá de Imboabas a Bahia,
Pagarão os Tupis o insano feito,
E vereis entre a bélica porfia
Tomar-lhe esses estranhos, já vizinhos,
Escravas as mulheres cos filhinhos.
XXXV
Vereis as nossas gentes desterradas
Entre os tigres viver no sertão fundo,
Cativa a plebe, as tabas arrombadas;
Levando para além do mar profundo
Nossos filhos e filhas desgraçadas;
Ou, quando os deixem cá no nosso mundo,
Poderemos sofrer, Paiaiás bravos,
Ver filhos, mães e pais feitos escravos?
(...)
XXXIX
Su, valentes; su, bravos companheiros!
Tomai coragem! que será no extremo?
Embora seja um raio verdadeiro,
Senão é Deus que o lança, eu nada temo.
Seja quem quer que for o autor primeiro,
Como não seja o Criador Supremo,
Não há forças criadas que nos domem:
Que sobre tudo o mais domina o homem.
In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.103-104. (Série brasileiro-portuguesa, 30)
NOTA: O "Canto IV" é composto de 85 estrofe
Se o sacro ardor, que ferve no meu peito,
Não me deixa enganar, vereis que um dia
(Vivendo esse impostor) por seu respeito
Se encherá de Imboabas a Bahia,
Pagarão os Tupis o insano feito,
E vereis entre a bélica porfia
Tomar-lhe esses estranhos, já vizinhos,
Escravas as mulheres cos filhinhos.
XXXV
Vereis as nossas gentes desterradas
Entre os tigres viver no sertão fundo,
Cativa a plebe, as tabas arrombadas;
Levando para além do mar profundo
Nossos filhos e filhas desgraçadas;
Ou, quando os deixem cá no nosso mundo,
Poderemos sofrer, Paiaiás bravos,
Ver filhos, mães e pais feitos escravos?
(...)
XXXIX
Su, valentes; su, bravos companheiros!
Tomai coragem! que será no extremo?
Embora seja um raio verdadeiro,
Senão é Deus que o lança, eu nada temo.
Seja quem quer que for o autor primeiro,
Como não seja o Criador Supremo,
Não há forças criadas que nos domem:
Que sobre tudo o mais domina o homem.
In: DURÃO, Santa Rita. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, composto por Fr. José de Santa Rita Durão, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, natural da Cata Preta nas Minas Gerais. São Paulo: Cultura, 1945. p.103-104. (Série brasileiro-portuguesa, 30)
NOTA: O "Canto IV" é composto de 85 estrofe
2 696