Sílvio Romero

Sílvio Romero

1851–1914 · viveu 63 anos BR BR

Silvio Romero foi um escritor, crítico literário, historiador e político brasileiro. Destacou-se como um dos principais expoentes do Romantismo no Brasil, com uma obra que aborda temas como a identidade nacional, a escravidão e a cultura popular. Foi um intelectual influente no cenário brasileiro do século XIX, com uma atuação multifacetada.

n. 1851-04-21, Lagarto · m. 1914-06-18, Rio de Janeiro

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Cravo e a Rosa

(Sergipe)

O cravo tem vinte folhas,
A rosa tem vinte e uma;
Anda o cravo em demanda,
Porque a rosa tem mais uma.

O cravo brigou co'a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido,
E a rosa espinicada.

Viva o cravo, viva a rosa,
Viva o palácio do rei;
Viva o primeiro amor
Que nesta terra tomei!

O cravo caiu doente,
A rosa o foi visitar;
O cravo deu um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.181. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
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Biografia

Identificação e contexto básico

Sílvio Romero (nome completo: Meira Sílvio Romero de Aragão) foi um escritor, crítico literário, historiador, professor e político brasileiro. É considerado uma das figuras mais importantes do Romantismo no Brasil, especialmente no que diz respeito à crítica literária e à consolidação de uma identidade nacional na literatura.

Infância e formação

Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro. Teve uma formação intelectual sólida, embora marcada pelas instabilidades políticas e sociais do Brasil Imperial. Estudou Direito, formando-se pela Faculdade de Direito do Recife, um centro intelectual e cultural de grande relevância na época.

Percurso literário

O percurso literário de Romero foi extenso e diversificado. Iniciou-se na crítica literária, onde se destacou pela sua visão nacionalista e pela defesa de uma literatura brasileira autônoma. Sua obra abrange poesia, prosa e ensaios históricos e críticos. Foi um ativo colaborador de jornais e revistas, participando ativamente do debate intelectual do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Sua obra mais conhecida é "História das Letras Brasileiras" (1888), um marco na crítica literária nacional. Outras obras importantes incluem "Contos Populares do Brasil" (1882) e "Pátria" (poesia). O estilo de Romero é marcado por um forte nacionalismo, pela valorização da cultura brasileira, incluindo elementos indígenas e africanos, e por uma linguagem vibrante e por vezes combativa. Abordou temas como a escravidão, a identidade nacional, a história do Brasil e a crítica social.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sílvio Romero viveu durante o Segundo Reinado e o início da República no Brasil. Foi um período de intensas discussões sobre a identidade nacional, a abolição da escravatura e a modernização do país. Romero participou ativamente desses debates, defendendo posições políticas e culturais relevantes. Foi contemporâneo de importantes figuras intelectuais e políticas da época.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Além de sua carreira literária e acadêmica, Romero teve uma vida política ativa, tendo sido deputado e ocupado cargos públicos. Suas convicções e sua personalidade forte geraram tanto admiração quanto controvérsias.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Sílvio Romero foi um intelectual de grande projeção em seu tempo, sendo reconhecido como um dos principais críticos literários do Brasil. Sua obra "História das Letras Brasileiras" é fundamental para o estudo da literatura brasileira. No entanto, como muitos intelectuais de sua época, sua recepção crítica tem sido objeto de reavaliações ao longo do tempo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Romero foi influenciado por pensadores e escritores que buscavam definir a identidade cultural brasileira. Seu legado reside na sua contribuição para a formação de uma consciência crítica sobre a literatura e a cultura do Brasil, incentivando a valorização do que era genuinamente nacional.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Romero é vista como um reflexo do nacionalismo romântico brasileiro, buscando consolidar uma voz literária própria para o país. Sua análise crítica frequentemente buscava identificar os elementos formadores da brasilidade na literatura.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sílvio Romero é lembrado por suas posições polêmicas e por seu vigor argumentativo, que o tornaram uma figura central no debate intelectual brasileiro do século XIX.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Faleceu no Rio de Janeiro. Sua memória é preservada como a de um dos intelectuais mais influentes e ativos do Brasil Imperial e do início da República.

Poemas

26

Cravo e a Rosa

(Sergipe)

O cravo tem vinte folhas,
A rosa tem vinte e uma;
Anda o cravo em demanda,
Porque a rosa tem mais uma.

O cravo brigou co'a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido,
E a rosa espinicada.

Viva o cravo, viva a rosa,
Viva o palácio do rei;
Viva o primeiro amor
Que nesta terra tomei!

O cravo caiu doente,
A rosa o foi visitar;
O cravo deu um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.181. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
24 190

O Tango-Lo-Mango

(Sergipe e Rio de Janeiro)

Eram nove irmãs numa casa,
Uma foi fazer biscoito;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão oito.

Destas oito, meu bem, que ficaram
Uma foi amolar canivete;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão sete.

Destas sete, meu bem, que ficaram
Uma foi falar francês;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão seis.

Destas seis, meu bem, que ficaram
Uma foi pelar um pinto;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão cinco.

Destas cinco, meu bem que ficaram
Uma foi para o teatro;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão quatro.

Destas quatro, meu bem, que ficaram
Uma casou c'um português;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão três.

Destas três, meu bem, que ficaram
Uma foi passear nas ruas;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão duas.

Destas duas, meu bem, que ficaram
Uma não fez cousa alguma;
Deu o tango-lo-mango nela,
Não ficaram senão uma.

Essa uma, meu bem, que ficou
Meteu-se a comer feijão;
Deu o tango-lo-mango nela,
Acabou-se a geração.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.296-297. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
5 243

Reisado do Cavalo-Marinho e Bumba-meu-Boi

(Pernambuco)

CENA I

(O Cavalo-marinho a dançar, e o Coro)

Coro:

Cavalo-marinho
Vem se apresentar,
A pedir licença
Para dançar.

Cavalo-marinho,
Por tua atenção
Faz uma mesura
A seu capitão.

Cavalo-marinho
Dança muito bem;
Pode-se chamar
Maricas meu bem.

Cavalo-marinho
Dança bem baiano;
Bem parece ser
Um pernambucano

Cavalo-marinho
Vai para a escola
Aprender a ler
E a tocar viola.

Cavalo-marinho
Sabe conviver;
Dança o teu balanço
Que eu quero ver.

Cavalo-marinho,
Dança no terreiro;
Que o dono da casa
Tem muito dinheiro.

Cavalo-marinho,
Dança na calçada;
Que o dono da casa
Tem galinha assada.

Cavalo-marinho,
Você já dançou:
Mas porém lá vai,
Tome que eu lhe dou.

Cavalo-marinho,
Vamo-nos embora;
Faze uma mesura
À tua senhora.

Cavalo-marinho,
Por tua mercê,
Manda vir o boi
Para o povo ver.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.157-158. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86)

NOTA: Na edição consultada, o poema não apresenta divisão em estrofes. Tratando-se de transcrição de poema da tradição oral, fizemos a divisão estrófica, que nos parece evident
3 515

Quem canta seu mal espanta

Quem canta seu mal espanta,
Quem chora seu mal aumenta,
Eu canto para disfarçar
Uma dor que me atormenta.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.251. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
3 486

Parlendas

(Pernambuco)

Bão-ba-la-lão,
Sinhô capitão,
Na terra do mouro
Morreu seu irmão,
Cozido e assado
No seu caldeirão.
Meio-dia,
Panela ao fogo,
Barriga vazia;
Macaco torrado
Que veio da Bahia,
Pra dar taponas
Em siá dona Maria.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.293-294. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
3 274

Oh Ciranda, Oh Cirandinha

(Pernambuco)

Oh, ciranda, oh cirandinha,
Vamos todos cirandar;
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar;
Vamos dar a volta inteira,
Cavaleiro, troque o par.

Rua abaixo, rua acima,
Sempre com o chapéu na mão,
Namorando as casadas,
Que as solteiras minhas são.

Aqui estou na vossa porta
Feito um feixinho de lenha,
Esperando pela resposta
Que da vossa boca venha.

Caranguejo não é peixe,
Caranguejo peixe é;
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré.

Dá-ri-rá-lá-lá-lá-lá.
Dá-ri-rá-lá-lá-lá-lé ...
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré

Atirei com o limãozinho
Na mocinha da janela;
Deu no cravo, deu na rosa
Bateu nos peitinhos dela.

Craveiro, me dá uma cravo,
Roseira, dá-me um botão;
Menina, me dá um beijo
Qu'eu te dou meu coração.

Minha mãe bem que me disse
Que eu não fosse à fonção,
Qu'eu tinha meu nariz torto,
Servia de mangação.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.210-211. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
2 479

VI - A Modinha

A festa fervia!... Que voltas ligeiras
Os corpos adestros lá davam sutis!...
Que risos, que galas, que formas faceiras
Das jovens matutas nos lindos perfis!...

Gemia a viola nos seus devaneios,
No ar se perdiam das cordas os sons...
Nos olhos quebrados, nos trêmulos seios
Que graças, que sustos, que mimos, que tons!...

Na dança em vertigem, as frontes pendidas,
Aos meigos requebros, volvia-se um par;
Dos trenos suaves, das notas sentidas
Nas almas caía sereno orvalhar...

E os olhos falavam de gozos celestes —
Brotados nos seios dos sonhos em flor: —
Cochichos, carinhos... ruídos de vestes...
Mas lá do recato sentia-se o olor.

Que doces sonidos de passos sonoros,
Que belas miragens revolvem-se então!...
Aos bons desafios dos peitos canoros
A dança redobra no seu turbilhão...

Recresce o baiano; nos seus refervidos,
Em tais rodopios um céu se desfaz...
Um céu de desejos, de sons, de gemidos,
De sonhos, de cismas que a vida nos traz...

Cansadas as notas, estanque a loquela,
Deixadas as danças, o par se assentou:
"Agora a modinha!..." "Sim, vamos a ela!..."
"Quem canta, que chegue!..." "Se querem eu vou!"

Disse um da festa: e, pondo os dedos trépidos
No violão que geme ao seu ardor,
Dá começo, ao depois que ledo o empalma,
"Às belas por quem minh'alma
Empalidece de amor!..."

E cresce o canto alegre, suavíssimo
Como puras manhãs todas em flor...
O ruído do mundo lá se acalma
"Nas belas por quem minh'alma
Empalidece de amor!..."

E das notas que vibra ali dulcíssimas
Sonora a voz do lúcido cantor,
Do belo e da saudade cabe a palma
"Às belas por quem minh'alma
Empalidece de amor!..."

São sonhos palpitantes, ameníssimos
Que ao peito nos imergem seu candor;
Transparece do céu a vida calma
"Nas belas por quem minh'alma
Empalidece de amor..."


Poema integrante da série Recordações.

In: ROMERO, Sílvio. Últimos harpejos: fragmentos poéticos. Pelotas: Carlos Pinto, 1883
2 078

Reisado da Borboleta, do Maracujá e do Pica-Pau

CENA 2a.

(Aparece uma figura representando a borboleta)

Coro:

Borboleta bonitinha,
Saia fora do rosal,
Venha cantar doces hinos
Hoje noite de Natal.

Borboleta:

Deus lhe dê mui boa noite,
Boa noite lhe dê Deus;
Que eu não sou mal ensinada,
Ensino meu pai me deu.

Coro:

Borboleta bonitinha,
Saia fora do rosal;
Venha cantar doces hinos,
Hoje noite de Natal.

Borboleta:

Eu sou uma borboleta,
Sou linda, sou feiticeira;
Ando no meio da casa,
Procurando quem me queira.

Coro:

Borboleta bonitinha,
Saia fora do rosal, etc.

Borboleta:

Eu sou uma borboleta,
Verde da cor da esperança,
Ando no meio da casa,
Com alegria e bonança.

Coro:

Borboleta bonitinha,
Saia fora do rosal, etc..

Borboleta:

Eu sou uma borboleta,
Vivo de ar e de luz;
Ando no meio da casa
Com minhas asas azuis.

Coro:

Borboleta bonitinha,
Saia fora do rosal, etc..

Borboleta:

Adeus, senhores, adeus,
Já são horas de partir;
Entre a bonina e a açucena
Já são horas de dormir.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.150-151. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
2 474

Batatinha quando nasce

Batatinha quando nasce
Deita rama pelo chão;
Mulatinha quando deita
Bota a mão no coração.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.247. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
10 213

A Moura

(Pernambuco)

Estava a moura
Em seu lugar,
Foi a mosca
Lhe fazer mal;
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava a mosca
Em seu lugar,
Foi a aranha
Lhe fazer mal;
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava,
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava a aranha
Em seu lugar,
Foi o rato
Lhe fazer mal;
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava o rato
Em seu lugar,
Foi o gato
Lhe fazer mal;
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia,
Inquietar!

Estava o gato
Em seu lugar,
Foi o cachorro
Lhe fazer mal;
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava o cachorro
Em seu lugar,
Foi o pau
Lhe fazer mal;
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava o pau
No seu lugar,
Foi o fogo
Lhe fazer mal;
O fogo no pau,
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava o fogo
Em seu lugar,
Foi a água
Lhe fazer mal;
A água no fogo,
O fogo no pau,
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava a água
Em seu lugar,
Foi o boi
Lhe fazer mal;
O boi na água,
A água no fogo,
O fogo no pau,
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava o boi
Em seu lugar
Foi a faca
Lhe fazer mal;
A faca no boi,
O boi na água,
A água no fogo,
O fogo no pau,
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava a faca
Em seu lugar,
Foi o homem
Lhe fazer mal;
O homem na faca,
A faca no boi,
O boi na água,
A água no fogo,
O fogo no pau,
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!

Estava o homem
Em seu lugar,
Foi a morte
Lhe fazer mal;
A morte no homem,
O homem na faca,
A faca no boi,
O boi na água,
A água no fogo,
O fogo no pau,
O pau no cachorro,
O cachorro no gato,
O gato no rato,
O rato na aranha,
A aranha na mosca,
A mosca na moura,
A moura fiava;
Coitada da moura,
Que tudo a ia
Inquietar!


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.86-88. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
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Comentários (3)

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`felipe neto
`felipe neto

nossa ajudou muito parabens [3

mkuftu
mkuftu

ameiiii kfjkldnviruvklcn

vinicius luis
vinicius luis

ajudou bastante valeu!!!!!!!!!!!!!