Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Gilberto Gil
Procissão
Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
1 694
Gilberto Gil
Procissão
Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
1 694
Gilberto Gil
Procissão
Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
1 694
João Quental
Os Salmões
Olhos que pela primeira vez vêm: uma sala
onde sempre estiveram, encontrar perdida
entre montinhos de lixo e poeira uma fotografia
vender um carro usado amar uma mulher feia
ser fiel a um apartamento à beira-mar tudo o que
já tantas vezes foi feito refeito novamente feito
mansardas onde os mortos se encontram nos corredores
virei e comprarei mais um lote de sentimentos normais.
Encontrar uma mulher feia perdida no meio de um montinho
de fronhas e lençóis, vender um apartamento usado, amar
à visão de um carro encostado à beira-mar tudo isso são
novos motivos novas chances sítios distantes onde nada
acontece de verdade onde manchas castanhas sob os olhos
nada são além de cansaço, hora carmesim
dias vulgares o sol depositando pequeninas faces de perfil
duas peles insensíveis no alto das árvores.
Encontrei-me, olhos que olham, feio enroscado na cama
de algum apartamento à beira dágua com um carro
de segunda-mão encostado ao meio-fio movendo noites
pelo apalpar, a carne cede claro
sempre sede, encontrar um dia inteiro com você
uma navegação entre cachoeiras, proporções
estranhas de uma máxima realidade tudo
o que te menospreza.
Dias de fascínio, dias em que não mais
é ridículo falar de ti, lembrar os mortos
observar o que for quando for
o desovar infeliz, pobres salmões nostálgicos.
(1988)
onde sempre estiveram, encontrar perdida
entre montinhos de lixo e poeira uma fotografia
vender um carro usado amar uma mulher feia
ser fiel a um apartamento à beira-mar tudo o que
já tantas vezes foi feito refeito novamente feito
mansardas onde os mortos se encontram nos corredores
virei e comprarei mais um lote de sentimentos normais.
Encontrar uma mulher feia perdida no meio de um montinho
de fronhas e lençóis, vender um apartamento usado, amar
à visão de um carro encostado à beira-mar tudo isso são
novos motivos novas chances sítios distantes onde nada
acontece de verdade onde manchas castanhas sob os olhos
nada são além de cansaço, hora carmesim
dias vulgares o sol depositando pequeninas faces de perfil
duas peles insensíveis no alto das árvores.
Encontrei-me, olhos que olham, feio enroscado na cama
de algum apartamento à beira dágua com um carro
de segunda-mão encostado ao meio-fio movendo noites
pelo apalpar, a carne cede claro
sempre sede, encontrar um dia inteiro com você
uma navegação entre cachoeiras, proporções
estranhas de uma máxima realidade tudo
o que te menospreza.
Dias de fascínio, dias em que não mais
é ridículo falar de ti, lembrar os mortos
observar o que for quando for
o desovar infeliz, pobres salmões nostálgicos.
(1988)
841
Hermes Vieira
Trovador da Roça
Eu sou fio do alto do sertão
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquistei.
Muitos tigre valente, na floresta,
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquistei.
Muitos tigre valente, na floresta,
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
1 075
Hardi Filho
Esdrúxulo
A prata, o caviar, a mesa elástica,
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.
O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.
Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio
De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.
Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.
O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.
Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio
De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.
Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.
1 339
Hardi Filho
Esdrúxulo
A prata, o caviar, a mesa elástica,
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.
O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.
Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio
De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.
Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.
O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.
Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio
De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.
Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.
1 339
Hardi Filho
Esdrúxulo
A prata, o caviar, a mesa elástica,
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.
O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.
Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio
De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.
Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.
riem do pobre
e lhe pesam no vazio estômago.
O lustre, o veludo, o mármore,
esbofeteiam
a face do menino pálido.
Dói no seu corpo o sacrifício
da ingênua espera:
aberta mão ao desviado prêmio
De tanto conviver com áscaris
morre o menino
de alma e coração imáculos.
Uma paixão antiga, hoje única,
domina o mundo.
É torturante a dor sem número.
1 339
Jonas da Silva
Barro Amarelo
Do cemitério o chão, aqui, a cova,
Parece de oiro: é lindo este amarelo.
Aqui vieram fazer o seu castelo
Os que passaram pela Grande Prova.
Os que têm fome de oiro, os que uma trova
À auricídia cantaram com desvelo,
Aqui o têm sob a folha do cutelo
Da Morte, curvo como a Lua Nova.
As raízes das árvores tenazes
Não penetram no solo socalcado;
No entanto viçam rosas e lilases.
— Vais em visita a alguém que tua alma chora?
Liga-te a argila os pés ao chão... Cuidado!
Este barro amarelo te devora! ...
Parece de oiro: é lindo este amarelo.
Aqui vieram fazer o seu castelo
Os que passaram pela Grande Prova.
Os que têm fome de oiro, os que uma trova
À auricídia cantaram com desvelo,
Aqui o têm sob a folha do cutelo
Da Morte, curvo como a Lua Nova.
As raízes das árvores tenazes
Não penetram no solo socalcado;
No entanto viçam rosas e lilases.
— Vais em visita a alguém que tua alma chora?
Liga-te a argila os pés ao chão... Cuidado!
Este barro amarelo te devora! ...
1 316
José Costa Matos
A Vida
A vida não dá presentes.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
1 022
José Costa Matos
A Vida
A vida não dá presentes.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
1 022
José Costa Matos
A Vida
A vida não dá presentes.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
1 022
José Costa Matos
A Vida
A vida não dá presentes.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
Podemos até:
colher duas estrelas para reacender
os olhos de Jorge Luís Borges;
denunciar a Deus que os povos ricos
riscaram do dicionário
as moedas dos povos pobres;
revitalizar a esperança no milenarismo,
onde os utopistas de tantos séculos
marcam encontros
para falar mal da natureza humana;
entregar Fernando Pessoa à Polícia,
para protegê-lo dos assaltantes de idiossincrasias;
fundar pátrias, com bandeiras
e hinos de arrepios cívicos.
A vida não dá presentes.
Podemos até:
governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único
de Capistrano de Abreu;
pintar de saúde
os meninos doentes do Nordeste;
escutar as glórias das velhas prostitutas
do Cais de Santos;
entrar na guerra e salvar dos arranha-céus
as mangueiras de Fortaleza;
vestir a sotaina dos jesuítas
e aldear as lagostas no fundo do mar,
contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;
retroagir a Máquina do Tempo
e refazer o mundo
sem a semeadura de pavores
que assustou o nosso Pedro Nava;
levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro
para testemunhar que os índios não são bichos.
Mas a vida não dará presentes.
A plenitude humana
é trabalho de mineração,
com galerias cavadas no Infinito.
1 022
Emiliano Perneta
Solidão
Que bom se eu fosse aquele lavrador,
Que eu nunca pude ser e que eu não sou,
Que depois de lavrar os campos, flor,
Centeio, milho e trigo semeou...
Esse trabalho nunca lhe amargou,
Mas à hora doce e triste de sol-pôr,
Tanta canseira o pobre desfolhou,
Tanto fez, que semeou a própria dor...
E oh! que amargura, quando a noite vem,
Toda dum roxo frio de lilás...
Quem dera ser o lavrador, porém!
Entrar em casa, a mesa posta, os seus
Em derredor, a consciência em paz,
E tudo em paz, louvado seja Deus!
Que eu nunca pude ser e que eu não sou,
Que depois de lavrar os campos, flor,
Centeio, milho e trigo semeou...
Esse trabalho nunca lhe amargou,
Mas à hora doce e triste de sol-pôr,
Tanta canseira o pobre desfolhou,
Tanto fez, que semeou a própria dor...
E oh! que amargura, quando a noite vem,
Toda dum roxo frio de lilás...
Quem dera ser o lavrador, porém!
Entrar em casa, a mesa posta, os seus
Em derredor, a consciência em paz,
E tudo em paz, louvado seja Deus!
2 838
Cândido Rolim
Orfandade da Terra
por falta de justos
minha terra
é áspera de súplica
nem só a morte segrega
a carne da plebe
por falta de fuzis
meu povo
mastiga dor e extravio
nem só a noite arreda
a luz das lavouras
por falta de voz
canto
o prenúncio das foices
minha terra
é áspera de súplica
nem só a morte segrega
a carne da plebe
por falta de fuzis
meu povo
mastiga dor e extravio
nem só a noite arreda
a luz das lavouras
por falta de voz
canto
o prenúncio das foices
763
Cândido Rolim
Orfandade da Terra
por falta de justos
minha terra
é áspera de súplica
nem só a morte segrega
a carne da plebe
por falta de fuzis
meu povo
mastiga dor e extravio
nem só a noite arreda
a luz das lavouras
por falta de voz
canto
o prenúncio das foices
minha terra
é áspera de súplica
nem só a morte segrega
a carne da plebe
por falta de fuzis
meu povo
mastiga dor e extravio
nem só a noite arreda
a luz das lavouras
por falta de voz
canto
o prenúncio das foices
763
Cândido Rolim
Orfandade da Terra
por falta de justos
minha terra
é áspera de súplica
nem só a morte segrega
a carne da plebe
por falta de fuzis
meu povo
mastiga dor e extravio
nem só a noite arreda
a luz das lavouras
por falta de voz
canto
o prenúncio das foices
minha terra
é áspera de súplica
nem só a morte segrega
a carne da plebe
por falta de fuzis
meu povo
mastiga dor e extravio
nem só a noite arreda
a luz das lavouras
por falta de voz
canto
o prenúncio das foices
763
Edigar de Alencar
Balada do Cearense
— Mamãe, eu vou pro Amazonas,
não quero ficar aqui,
já estou cansado de tudo,
não suporto essa leseira.
— Meu filho, não diz besteira!
— Mamãe, eu quero embarcar,
vou pro Acre, vou pro diabo,
aqui eu não fico mais,
não posso viver assim,
sem dinheiro, maltrapilho,
isso aqui parece o inferno,
quero ir pro paraíso.
— Meu filho, toma juízo!
— Mamãe, tenha paciência,
vou-me embora pro Amazonas,
que me importa com sezões,
com maleita, com febrões,
aqui eu morro de fome,
não posso mais vender bicho
que a policia prende a gente.
Mamãe, não me dê conselho
que fala pra banda mouca.
— Meu filho, cala essa boca!
— Mamãe, é hoje o meu dia,
preparei minha tipóia,
vou ganhar muito dinheiro,
vou comprar um seringal,
um dia eu volto, mamãe,
e trago a felicidade!
— Nossa Senhora te ajude,
São José seja teu pai!
Vai com Deus, meu filho, vai...
não quero ficar aqui,
já estou cansado de tudo,
não suporto essa leseira.
— Meu filho, não diz besteira!
— Mamãe, eu quero embarcar,
vou pro Acre, vou pro diabo,
aqui eu não fico mais,
não posso viver assim,
sem dinheiro, maltrapilho,
isso aqui parece o inferno,
quero ir pro paraíso.
— Meu filho, toma juízo!
— Mamãe, tenha paciência,
vou-me embora pro Amazonas,
que me importa com sezões,
com maleita, com febrões,
aqui eu morro de fome,
não posso mais vender bicho
que a policia prende a gente.
Mamãe, não me dê conselho
que fala pra banda mouca.
— Meu filho, cala essa boca!
— Mamãe, é hoje o meu dia,
preparei minha tipóia,
vou ganhar muito dinheiro,
vou comprar um seringal,
um dia eu volto, mamãe,
e trago a felicidade!
— Nossa Senhora te ajude,
São José seja teu pai!
Vai com Deus, meu filho, vai...
947
Edigar de Alencar
Balada do Cearense
— Mamãe, eu vou pro Amazonas,
não quero ficar aqui,
já estou cansado de tudo,
não suporto essa leseira.
— Meu filho, não diz besteira!
— Mamãe, eu quero embarcar,
vou pro Acre, vou pro diabo,
aqui eu não fico mais,
não posso viver assim,
sem dinheiro, maltrapilho,
isso aqui parece o inferno,
quero ir pro paraíso.
— Meu filho, toma juízo!
— Mamãe, tenha paciência,
vou-me embora pro Amazonas,
que me importa com sezões,
com maleita, com febrões,
aqui eu morro de fome,
não posso mais vender bicho
que a policia prende a gente.
Mamãe, não me dê conselho
que fala pra banda mouca.
— Meu filho, cala essa boca!
— Mamãe, é hoje o meu dia,
preparei minha tipóia,
vou ganhar muito dinheiro,
vou comprar um seringal,
um dia eu volto, mamãe,
e trago a felicidade!
— Nossa Senhora te ajude,
São José seja teu pai!
Vai com Deus, meu filho, vai...
não quero ficar aqui,
já estou cansado de tudo,
não suporto essa leseira.
— Meu filho, não diz besteira!
— Mamãe, eu quero embarcar,
vou pro Acre, vou pro diabo,
aqui eu não fico mais,
não posso viver assim,
sem dinheiro, maltrapilho,
isso aqui parece o inferno,
quero ir pro paraíso.
— Meu filho, toma juízo!
— Mamãe, tenha paciência,
vou-me embora pro Amazonas,
que me importa com sezões,
com maleita, com febrões,
aqui eu morro de fome,
não posso mais vender bicho
que a policia prende a gente.
Mamãe, não me dê conselho
que fala pra banda mouca.
— Meu filho, cala essa boca!
— Mamãe, é hoje o meu dia,
preparei minha tipóia,
vou ganhar muito dinheiro,
vou comprar um seringal,
um dia eu volto, mamãe,
e trago a felicidade!
— Nossa Senhora te ajude,
São José seja teu pai!
Vai com Deus, meu filho, vai...
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Caetano Ximenes Aragão
Dia da Libertação
pelas vertentes da noite
a manhã já se fazia
quando Iansã abriu as grades
das cadeias da Bahia
pra ver Bárbara passar
por dentro da luz do dia
dia pleno de orixás
cavalgando a ventania
ogun oxum olorun
vento alvo alvenaria
de cabelos cor de cal
que de seu rosto escorria
do corpo dos encantados
a noite se fez em dia
tocaram todos os sinos
das igrejas da Bahia
pra ver Bárbara passar
por dentro da luz do dia
a manhã já se fazia
quando Iansã abriu as grades
das cadeias da Bahia
pra ver Bárbara passar
por dentro da luz do dia
dia pleno de orixás
cavalgando a ventania
ogun oxum olorun
vento alvo alvenaria
de cabelos cor de cal
que de seu rosto escorria
do corpo dos encantados
a noite se fez em dia
tocaram todos os sinos
das igrejas da Bahia
pra ver Bárbara passar
por dentro da luz do dia
1 068
Francisco Miguel de Moura
Militância
semente que tentou florir
na rocha impossível, aqui.
por trás da farda
de brim cáqui floriano
preso na hierarquia.
por trás do capacete duro
uma cabeça ágil,
fervente,
por trás da violência de escravo
(no dever?)
há um homem ferido e acorrentado
(seja paz, seja guerra)
por trás dos olhos ligeiros
de lince, de lança
há o homem-fome,
o homem-faz-medo-a-criança
por trás, os olhos feridos
de distância
e o comum dia-a-dia.
tu vês (por profissão)
o campo de batalha
no inimigo-irmão.
saber ser leal ao dono
e diferes do cão.
embora tudo isto,
a cachaça e a sífilis
(e a gota de sangue do coração).
na rocha impossível, aqui.
por trás da farda
de brim cáqui floriano
preso na hierarquia.
por trás do capacete duro
uma cabeça ágil,
fervente,
por trás da violência de escravo
(no dever?)
há um homem ferido e acorrentado
(seja paz, seja guerra)
por trás dos olhos ligeiros
de lince, de lança
há o homem-fome,
o homem-faz-medo-a-criança
por trás, os olhos feridos
de distância
e o comum dia-a-dia.
tu vês (por profissão)
o campo de batalha
no inimigo-irmão.
saber ser leal ao dono
e diferes do cão.
embora tudo isto,
a cachaça e a sífilis
(e a gota de sangue do coração).
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Francisco Miguel de Moura
Militância
semente que tentou florir
na rocha impossível, aqui.
por trás da farda
de brim cáqui floriano
preso na hierarquia.
por trás do capacete duro
uma cabeça ágil,
fervente,
por trás da violência de escravo
(no dever?)
há um homem ferido e acorrentado
(seja paz, seja guerra)
por trás dos olhos ligeiros
de lince, de lança
há o homem-fome,
o homem-faz-medo-a-criança
por trás, os olhos feridos
de distância
e o comum dia-a-dia.
tu vês (por profissão)
o campo de batalha
no inimigo-irmão.
saber ser leal ao dono
e diferes do cão.
embora tudo isto,
a cachaça e a sífilis
(e a gota de sangue do coração).
na rocha impossível, aqui.
por trás da farda
de brim cáqui floriano
preso na hierarquia.
por trás do capacete duro
uma cabeça ágil,
fervente,
por trás da violência de escravo
(no dever?)
há um homem ferido e acorrentado
(seja paz, seja guerra)
por trás dos olhos ligeiros
de lince, de lança
há o homem-fome,
o homem-faz-medo-a-criança
por trás, os olhos feridos
de distância
e o comum dia-a-dia.
tu vês (por profissão)
o campo de batalha
no inimigo-irmão.
saber ser leal ao dono
e diferes do cão.
embora tudo isto,
a cachaça e a sífilis
(e a gota de sangue do coração).
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Danilo Melo
Náuseas
Saltitante entre as marquises
O desespero revelado de cada dia
Aqui jaz a substância humana
Armazenada em programas de computador
E a carne meus amigos,
A carne finge que é bela.
Crônicas do massacre urbano e livre
O amor enlatado e vendido com etiquetas de 1a qualidade
Aqui descreve-se a moral do ocidente escrita em boas maneiras.
Promíscua continua a poesia procurando a existência
Deserto é o coração, o homem permanece cheio
Todo o cosmo ri de mim quando faço poemas
minha linguagem é de um mundo atrasado
Preocupado eternamente com a morte, em vez da vida.
Sente-se fome de si, e náusea.
O desespero revelado de cada dia
Aqui jaz a substância humana
Armazenada em programas de computador
E a carne meus amigos,
A carne finge que é bela.
Crônicas do massacre urbano e livre
O amor enlatado e vendido com etiquetas de 1a qualidade
Aqui descreve-se a moral do ocidente escrita em boas maneiras.
Promíscua continua a poesia procurando a existência
Deserto é o coração, o homem permanece cheio
Todo o cosmo ri de mim quando faço poemas
minha linguagem é de um mundo atrasado
Preocupado eternamente com a morte, em vez da vida.
Sente-se fome de si, e náusea.
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Danilo Melo
Náuseas
Saltitante entre as marquises
O desespero revelado de cada dia
Aqui jaz a substância humana
Armazenada em programas de computador
E a carne meus amigos,
A carne finge que é bela.
Crônicas do massacre urbano e livre
O amor enlatado e vendido com etiquetas de 1a qualidade
Aqui descreve-se a moral do ocidente escrita em boas maneiras.
Promíscua continua a poesia procurando a existência
Deserto é o coração, o homem permanece cheio
Todo o cosmo ri de mim quando faço poemas
minha linguagem é de um mundo atrasado
Preocupado eternamente com a morte, em vez da vida.
Sente-se fome de si, e náusea.
O desespero revelado de cada dia
Aqui jaz a substância humana
Armazenada em programas de computador
E a carne meus amigos,
A carne finge que é bela.
Crônicas do massacre urbano e livre
O amor enlatado e vendido com etiquetas de 1a qualidade
Aqui descreve-se a moral do ocidente escrita em boas maneiras.
Promíscua continua a poesia procurando a existência
Deserto é o coração, o homem permanece cheio
Todo o cosmo ri de mim quando faço poemas
minha linguagem é de um mundo atrasado
Preocupado eternamente com a morte, em vez da vida.
Sente-se fome de si, e náusea.
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