Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Manuel João Mansos
Rosas de Sangue
Os passarinhos não cantam,
perderam sua alegria.
Já não canta a cotovia,
voando sobre o arado.
Alentejo abandonado
oh terra afogada em dor,
diz-me lá terra queimada,
onde está o teu valor?
«Hoje estou escravizada,
estão meus campos solitários,
aldeias em agonia:
vieram os mercenários,
Já não canta a cotovia
a sua doce canção.
Agora só canta em mim
a Aldeia de Baleizão:
na sua voz derradeira
erguem-se clamores sem fim
àquela linda ceifeira;
Catarina,
que as tuas rosas de sangue
sejam um grito de alerta
por esta terra deserta
dos meus campos em ruína,
que os mercenários se vão!
Catarina,
das tuas rosas de sangue
as searas brotarão;
nascerá azeite e vinha
e voltará às avezinhas
a sua antiga alegria.
Então, soará de novo,
Alentejo, bem-amado,
a alta voz do teu povo:
— Esta é a Pátria minha,
onde canta a cotovia
voando sobre o arado!…»
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
perderam sua alegria.
Já não canta a cotovia,
voando sobre o arado.
Alentejo abandonado
oh terra afogada em dor,
diz-me lá terra queimada,
onde está o teu valor?
«Hoje estou escravizada,
estão meus campos solitários,
aldeias em agonia:
vieram os mercenários,
Já não canta a cotovia
a sua doce canção.
Agora só canta em mim
a Aldeia de Baleizão:
na sua voz derradeira
erguem-se clamores sem fim
àquela linda ceifeira;
Catarina,
que as tuas rosas de sangue
sejam um grito de alerta
por esta terra deserta
dos meus campos em ruína,
que os mercenários se vão!
Catarina,
das tuas rosas de sangue
as searas brotarão;
nascerá azeite e vinha
e voltará às avezinhas
a sua antiga alegria.
Então, soará de novo,
Alentejo, bem-amado,
a alta voz do teu povo:
— Esta é a Pátria minha,
onde canta a cotovia
voando sobre o arado!…»
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
1 051
Manuel João Mansos
Rosas de Sangue
Os passarinhos não cantam,
perderam sua alegria.
Já não canta a cotovia,
voando sobre o arado.
Alentejo abandonado
oh terra afogada em dor,
diz-me lá terra queimada,
onde está o teu valor?
«Hoje estou escravizada,
estão meus campos solitários,
aldeias em agonia:
vieram os mercenários,
Já não canta a cotovia
a sua doce canção.
Agora só canta em mim
a Aldeia de Baleizão:
na sua voz derradeira
erguem-se clamores sem fim
àquela linda ceifeira;
Catarina,
que as tuas rosas de sangue
sejam um grito de alerta
por esta terra deserta
dos meus campos em ruína,
que os mercenários se vão!
Catarina,
das tuas rosas de sangue
as searas brotarão;
nascerá azeite e vinha
e voltará às avezinhas
a sua antiga alegria.
Então, soará de novo,
Alentejo, bem-amado,
a alta voz do teu povo:
— Esta é a Pátria minha,
onde canta a cotovia
voando sobre o arado!…»
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
perderam sua alegria.
Já não canta a cotovia,
voando sobre o arado.
Alentejo abandonado
oh terra afogada em dor,
diz-me lá terra queimada,
onde está o teu valor?
«Hoje estou escravizada,
estão meus campos solitários,
aldeias em agonia:
vieram os mercenários,
Já não canta a cotovia
a sua doce canção.
Agora só canta em mim
a Aldeia de Baleizão:
na sua voz derradeira
erguem-se clamores sem fim
àquela linda ceifeira;
Catarina,
que as tuas rosas de sangue
sejam um grito de alerta
por esta terra deserta
dos meus campos em ruína,
que os mercenários se vão!
Catarina,
das tuas rosas de sangue
as searas brotarão;
nascerá azeite e vinha
e voltará às avezinhas
a sua antiga alegria.
Então, soará de novo,
Alentejo, bem-amado,
a alta voz do teu povo:
— Esta é a Pátria minha,
onde canta a cotovia
voando sobre o arado!…»
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
1 051
Marly de Oliveira
Perdi a capacidade de assombro
Perdi a capacidade de assombro
mas continuo perplexa:
esta cidade é minha, este espaço
que nunca se retrai,
mas onde o ardor da antiga
chama, que me movia no mínimo
gesto?
Esperei tanto, no entanto, esvaem-se
na relva, ao sol, no vento,
os sonhos desorbitados,
parte da minha natureza
sempre em luta com o fado.
Perdi também no contato
com o mundo, pérola radiosa, vão pecúlio,
uma certa inocência;
ficou a nostalgia de uma antiga
união com o que existe,
triste alfaia.
mas continuo perplexa:
esta cidade é minha, este espaço
que nunca se retrai,
mas onde o ardor da antiga
chama, que me movia no mínimo
gesto?
Esperei tanto, no entanto, esvaem-se
na relva, ao sol, no vento,
os sonhos desorbitados,
parte da minha natureza
sempre em luta com o fado.
Perdi também no contato
com o mundo, pérola radiosa, vão pecúlio,
uma certa inocência;
ficou a nostalgia de uma antiga
união com o que existe,
triste alfaia.
1 422
Milena Azevedo
As Guerreiras das Quadras
Quanta guarra,
quanta destreza,
são belas guerreiras
que lutam numa pequena fortaleza.
Cada lance,
cada cesta,
fazem a torcida vibrar
com assistências perfeitas que chegam a emocionar
à todos que estiverem a olhar.
É brilho, magia,
não dá para descrever tanta euforia,
tamanho talento e maestria
e nem como elas jogam com tanta energia.
É vontade de vencer,
é tão bom de torcer.
Quanto mais elas suam, mais querem aprender.
É só assim que elas sabem agradecer,
dando o que de melhor têm em seu ser.
quanta destreza,
são belas guerreiras
que lutam numa pequena fortaleza.
Cada lance,
cada cesta,
fazem a torcida vibrar
com assistências perfeitas que chegam a emocionar
à todos que estiverem a olhar.
É brilho, magia,
não dá para descrever tanta euforia,
tamanho talento e maestria
e nem como elas jogam com tanta energia.
É vontade de vencer,
é tão bom de torcer.
Quanto mais elas suam, mais querem aprender.
É só assim que elas sabem agradecer,
dando o que de melhor têm em seu ser.
874
Milena Azevedo
O povo de Morus
Povo perfeito
com um simples jeito
de viver e uma grande
vontade de aprender.
Leis de fácil acesso,
governantes corretos
e modestos;
lá nunca há protestos.
As mulheres têm direitos
igualitários.
Até na guerra são
solidários.
O jogo, a cobiça, a intolerância
não são sinônimos de bonança.
O respeito mútuo e a religião
do ser absoluto é que faz toda essa união.
com um simples jeito
de viver e uma grande
vontade de aprender.
Leis de fácil acesso,
governantes corretos
e modestos;
lá nunca há protestos.
As mulheres têm direitos
igualitários.
Até na guerra são
solidários.
O jogo, a cobiça, a intolerância
não são sinônimos de bonança.
O respeito mútuo e a religião
do ser absoluto é que faz toda essa união.
828
Milena Azevedo
O povo de Morus
Povo perfeito
com um simples jeito
de viver e uma grande
vontade de aprender.
Leis de fácil acesso,
governantes corretos
e modestos;
lá nunca há protestos.
As mulheres têm direitos
igualitários.
Até na guerra são
solidários.
O jogo, a cobiça, a intolerância
não são sinônimos de bonança.
O respeito mútuo e a religião
do ser absoluto é que faz toda essa união.
com um simples jeito
de viver e uma grande
vontade de aprender.
Leis de fácil acesso,
governantes corretos
e modestos;
lá nunca há protestos.
As mulheres têm direitos
igualitários.
Até na guerra são
solidários.
O jogo, a cobiça, a intolerância
não são sinônimos de bonança.
O respeito mútuo e a religião
do ser absoluto é que faz toda essa união.
828
Manoel Messias Santiago
Eu Te Amo e Era Uma Vez um Beijing
Vivo contigo e tento te aprender,
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
370
Manoel Messias Santiago
Eu Te Amo e Era Uma Vez um Beijing
Vivo contigo e tento te aprender,
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
370
Manoel Messias Santiago
Eu Te Amo e Era Uma Vez um Beijing
Vivo contigo e tento te aprender,
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
370
Maria Lucia Miranda Afonso
Bonsai
Bonsai
Enfaixei meu desejo como os pés das chinesas antigas.
Desde pequenino, envolto nas tiras apertadas de mistério.
De madrugada, eu ouvia os ossos trincando,
sentia o dorso do desejo se arquear, buscando ser no espaço mínimo.
Ao tentar andar, tropeçava. Correr? nem pensar.
Desejava asas com seus delicados pés curvos,
miniaturas de pássaros,
pequenas estruturas circulares.
Como uma árvore bonsai, que desde cedo moldam,
contendo-lhe o caule, podando-lhe as raízes,
meu desejo está plantado em um vaso ornamental,
belo e exótico,
cheio de significados e insólitas metáforas,
como os pés das chinesas antigas...
Enfaixei meu desejo como os pés das chinesas antigas.
Desde pequenino, envolto nas tiras apertadas de mistério.
De madrugada, eu ouvia os ossos trincando,
sentia o dorso do desejo se arquear, buscando ser no espaço mínimo.
Ao tentar andar, tropeçava. Correr? nem pensar.
Desejava asas com seus delicados pés curvos,
miniaturas de pássaros,
pequenas estruturas circulares.
Como uma árvore bonsai, que desde cedo moldam,
contendo-lhe o caule, podando-lhe as raízes,
meu desejo está plantado em um vaso ornamental,
belo e exótico,
cheio de significados e insólitas metáforas,
como os pés das chinesas antigas...
1 344
Milena Azevedo
Poesia Internetiana
São bits e bites,
chips e sites.
Agora homepages invadem
o campo da publicidade.
O mundo está plugado
através de um jogo de cabos
muito finos
e super estruturados.
Eles prendem a atenção,
hoje, também, o coração
da grande multidão
que navega nessa emoção.
Através de uma modesta tela,
fronteiras são abertas,
o conhecimento é ilimitado
e constantemente renovado.
chips e sites.
Agora homepages invadem
o campo da publicidade.
O mundo está plugado
através de um jogo de cabos
muito finos
e super estruturados.
Eles prendem a atenção,
hoje, também, o coração
da grande multidão
que navega nessa emoção.
Através de uma modesta tela,
fronteiras são abertas,
o conhecimento é ilimitado
e constantemente renovado.
849
Milena Azevedo
Poesia Internetiana
São bits e bites,
chips e sites.
Agora homepages invadem
o campo da publicidade.
O mundo está plugado
através de um jogo de cabos
muito finos
e super estruturados.
Eles prendem a atenção,
hoje, também, o coração
da grande multidão
que navega nessa emoção.
Através de uma modesta tela,
fronteiras são abertas,
o conhecimento é ilimitado
e constantemente renovado.
chips e sites.
Agora homepages invadem
o campo da publicidade.
O mundo está plugado
através de um jogo de cabos
muito finos
e super estruturados.
Eles prendem a atenção,
hoje, também, o coração
da grande multidão
que navega nessa emoção.
Através de uma modesta tela,
fronteiras são abertas,
o conhecimento é ilimitado
e constantemente renovado.
849
Milena Azevedo
Poesia Internetiana
São bits e bites,
chips e sites.
Agora homepages invadem
o campo da publicidade.
O mundo está plugado
através de um jogo de cabos
muito finos
e super estruturados.
Eles prendem a atenção,
hoje, também, o coração
da grande multidão
que navega nessa emoção.
Através de uma modesta tela,
fronteiras são abertas,
o conhecimento é ilimitado
e constantemente renovado.
chips e sites.
Agora homepages invadem
o campo da publicidade.
O mundo está plugado
através de um jogo de cabos
muito finos
e super estruturados.
Eles prendem a atenção,
hoje, também, o coração
da grande multidão
que navega nessa emoção.
Através de uma modesta tela,
fronteiras são abertas,
o conhecimento é ilimitado
e constantemente renovado.
849
Herculano Moraes
O rio de minha terra
O rio de minha terra é um deus estranho.
Ele tem braços, dentes, corpo, coração,
muitas vezes homicida,
foi ele quem levou o meu irmão.
É muito calmo o rio de minha terra.
Suas águas são feitas de argila e de mistérios.
Nas solidões das noites enluaradas
a maldição de Crispim desce
sobre as águas encrespadas.
O rio de minha terra é um deus estranho.
Um dia ele deixou o monótono caminhar de corpo mole
para subir as poucas rampas do seu cais.
Foi conhecendo o movimento da cidade,
a pobreza residente nas taperas marginais.
Pois tão irado e tão potente fez-se o rio
que todo um povo se juntou para enfrentá-lo.
Mas ele prosseguiu indiferente,
carregando no seu dorso bois e gente,
até roçados de arroz e de feijão.
Na sua obstinada e galopante caminhada,
destruiu paredes, casas, barricadas,
deixando no percurso mágoa e dor.
Depois subiu os degraus da igreja santa
e postou-se horas sob os pés do Criador.
E desceu devagarinho, até deitar-se
novamente no seu leito.
Mas toda noite o seu olhar de rio
fica boiando sob as luzes da cidade.
Ele tem braços, dentes, corpo, coração,
muitas vezes homicida,
foi ele quem levou o meu irmão.
É muito calmo o rio de minha terra.
Suas águas são feitas de argila e de mistérios.
Nas solidões das noites enluaradas
a maldição de Crispim desce
sobre as águas encrespadas.
O rio de minha terra é um deus estranho.
Um dia ele deixou o monótono caminhar de corpo mole
para subir as poucas rampas do seu cais.
Foi conhecendo o movimento da cidade,
a pobreza residente nas taperas marginais.
Pois tão irado e tão potente fez-se o rio
que todo um povo se juntou para enfrentá-lo.
Mas ele prosseguiu indiferente,
carregando no seu dorso bois e gente,
até roçados de arroz e de feijão.
Na sua obstinada e galopante caminhada,
destruiu paredes, casas, barricadas,
deixando no percurso mágoa e dor.
Depois subiu os degraus da igreja santa
e postou-se horas sob os pés do Criador.
E desceu devagarinho, até deitar-se
novamente no seu leito.
Mas toda noite o seu olhar de rio
fica boiando sob as luzes da cidade.
1 381
Mário Donizete Massari
Moeda
A moeda
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
1 050
Mário Donizete Massari
Moeda
A moeda
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
1 050
Mário Donizete Massari
Trilogia
nascimento
— nasceu nas horas
que precedem
a fome
vida
— cresceu com fome
morte
— morreu de fome
— nasceu nas horas
que precedem
a fome
vida
— cresceu com fome
morte
— morreu de fome
818
Mário Donizete Massari
Mãos
As mãos não falam
por si,
mas pelos gestos;
mãos que trabalham,
tecem sonhos,
acariciam,
se perdem na volúpia
de construir caminhos.
As mãos não falam
por si
e Porfírio assim o sabe;
suas mãos falam da seca
que enrustece a vida,
aridez de sentimentos
a povoar o mundo
Suas mãos desenham gestos,
perdidas na aridez do mundo.
por si,
mas pelos gestos;
mãos que trabalham,
tecem sonhos,
acariciam,
se perdem na volúpia
de construir caminhos.
As mãos não falam
por si
e Porfírio assim o sabe;
suas mãos falam da seca
que enrustece a vida,
aridez de sentimentos
a povoar o mundo
Suas mãos desenham gestos,
perdidas na aridez do mundo.
1 040
Micheliny Verunschk
Feira
Me comove o apurado capricho
Dos meninos carroceiros da feira:
Arrumam da melhor maneira
A mercadoria nas suas
Mais possantes carroças.
Dos meninos carroceiros da feira:
Arrumam da melhor maneira
A mercadoria nas suas
Mais possantes carroças.
1 058
Micheliny Verunschk
Feira
Me comove o apurado capricho
Dos meninos carroceiros da feira:
Arrumam da melhor maneira
A mercadoria nas suas
Mais possantes carroças.
Dos meninos carroceiros da feira:
Arrumam da melhor maneira
A mercadoria nas suas
Mais possantes carroças.
1 058
Mário Donizete Massari
Poesia louca
A ave voa
e pousa
sobre o ovo
e o povo?
o povo é o ovo.
És poeta,
pois se rimas?
Não. Sou uma rosa ferida
um sonho desfeito
um dia de fadiga,
e olho o povo
e sua vida.
e pousa
sobre o ovo
e o povo?
o povo é o ovo.
És poeta,
pois se rimas?
Não. Sou uma rosa ferida
um sonho desfeito
um dia de fadiga,
e olho o povo
e sua vida.
1 094
Mário Donizete Massari
Poesia louca
A ave voa
e pousa
sobre o ovo
e o povo?
o povo é o ovo.
És poeta,
pois se rimas?
Não. Sou uma rosa ferida
um sonho desfeito
um dia de fadiga,
e olho o povo
e sua vida.
e pousa
sobre o ovo
e o povo?
o povo é o ovo.
És poeta,
pois se rimas?
Não. Sou uma rosa ferida
um sonho desfeito
um dia de fadiga,
e olho o povo
e sua vida.
1 094
João Mello
Esta é a Cidade
Esta é a cidade. Quem caminha
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
1 206
João Mello
Esta é a Cidade
Esta é a cidade. Quem caminha
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
1 206