Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Marcelo Almeida de Oliveira
Podem tentar, mas o homem não cabe
Dr. Hermínio?
O melhor mindinhologista que conheço.
Francisco?
O melhor mecânico de corcel 73.
Afonso?
A melhor feijoada da cidade.
Manuel?
Campeão estadual de pinball.
Alfredo?
Pintava peixes como ninguém.
Ford?
Último modelo.
Da Vinci?
Desculpa, tô sem dinheiro.
Vida, competição.
Vence a menor alma.
O melhor mindinhologista que conheço.
Francisco?
O melhor mecânico de corcel 73.
Afonso?
A melhor feijoada da cidade.
Manuel?
Campeão estadual de pinball.
Alfredo?
Pintava peixes como ninguém.
Ford?
Último modelo.
Da Vinci?
Desculpa, tô sem dinheiro.
Vida, competição.
Vence a menor alma.
734
Marcelo Almeida de Oliveira
Podem tentar, mas o homem não cabe
Dr. Hermínio?
O melhor mindinhologista que conheço.
Francisco?
O melhor mecânico de corcel 73.
Afonso?
A melhor feijoada da cidade.
Manuel?
Campeão estadual de pinball.
Alfredo?
Pintava peixes como ninguém.
Ford?
Último modelo.
Da Vinci?
Desculpa, tô sem dinheiro.
Vida, competição.
Vence a menor alma.
O melhor mindinhologista que conheço.
Francisco?
O melhor mecânico de corcel 73.
Afonso?
A melhor feijoada da cidade.
Manuel?
Campeão estadual de pinball.
Alfredo?
Pintava peixes como ninguém.
Ford?
Último modelo.
Da Vinci?
Desculpa, tô sem dinheiro.
Vida, competição.
Vence a menor alma.
734
Marcelo Almeida de Oliveira
A parte e o todo
Seres-células,
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.
INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.
INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO
914
Majela Colares
A Sombra da Mão
Ferro
fogo
nau
e firmamento...
mentes de enxofre
olhos de laser
anjos de aço circundam a órbita
pairam no ar
bailam no ar
o céu é cinza
os homens, loucos, caem vorazmente
decepcionados com a sua própria crença
desesperados
recorrem, quem sabe, a Shakespeare:
Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
É tarde.
A humanidade implode graças a sua duvidosa crença
o último grito
(último lamento)
não chega a transcender à sua debilitada existência
não vai além dos seus rudimentares tímpanos
jamais chegará
ao aguçado ouvido do universo.
É tarde.
Muito tarde.
Coisa nenhuma subsiste,
bem dizia Lucrécio,
mas tudo flui.
Uma gota de orvalho
cai cristalina e lentamente
no eterno e abissal azul
a terra move-se
séculos recomeçam...
anjos de aço,
pairam no ar,
bailam no ar...
quousque tanden?
Quousque tanden?
fogo
nau
e firmamento...
mentes de enxofre
olhos de laser
anjos de aço circundam a órbita
pairam no ar
bailam no ar
o céu é cinza
os homens, loucos, caem vorazmente
decepcionados com a sua própria crença
desesperados
recorrem, quem sabe, a Shakespeare:
Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
É tarde.
A humanidade implode graças a sua duvidosa crença
o último grito
(último lamento)
não chega a transcender à sua debilitada existência
não vai além dos seus rudimentares tímpanos
jamais chegará
ao aguçado ouvido do universo.
É tarde.
Muito tarde.
Coisa nenhuma subsiste,
bem dizia Lucrécio,
mas tudo flui.
Uma gota de orvalho
cai cristalina e lentamente
no eterno e abissal azul
a terra move-se
séculos recomeçam...
anjos de aço,
pairam no ar,
bailam no ar...
quousque tanden?
Quousque tanden?
893
Majela Colares
A Sombra da Mão
Ferro
fogo
nau
e firmamento...
mentes de enxofre
olhos de laser
anjos de aço circundam a órbita
pairam no ar
bailam no ar
o céu é cinza
os homens, loucos, caem vorazmente
decepcionados com a sua própria crença
desesperados
recorrem, quem sabe, a Shakespeare:
Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
É tarde.
A humanidade implode graças a sua duvidosa crença
o último grito
(último lamento)
não chega a transcender à sua debilitada existência
não vai além dos seus rudimentares tímpanos
jamais chegará
ao aguçado ouvido do universo.
É tarde.
Muito tarde.
Coisa nenhuma subsiste,
bem dizia Lucrécio,
mas tudo flui.
Uma gota de orvalho
cai cristalina e lentamente
no eterno e abissal azul
a terra move-se
séculos recomeçam...
anjos de aço,
pairam no ar,
bailam no ar...
quousque tanden?
Quousque tanden?
fogo
nau
e firmamento...
mentes de enxofre
olhos de laser
anjos de aço circundam a órbita
pairam no ar
bailam no ar
o céu é cinza
os homens, loucos, caem vorazmente
decepcionados com a sua própria crença
desesperados
recorrem, quem sabe, a Shakespeare:
Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
É tarde.
A humanidade implode graças a sua duvidosa crença
o último grito
(último lamento)
não chega a transcender à sua debilitada existência
não vai além dos seus rudimentares tímpanos
jamais chegará
ao aguçado ouvido do universo.
É tarde.
Muito tarde.
Coisa nenhuma subsiste,
bem dizia Lucrécio,
mas tudo flui.
Uma gota de orvalho
cai cristalina e lentamente
no eterno e abissal azul
a terra move-se
séculos recomeçam...
anjos de aço,
pairam no ar,
bailam no ar...
quousque tanden?
Quousque tanden?
893
Murillo Araújo
Toada do Negro do Banzo
Negro —
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...
Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...
Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!
Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...
Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.
Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!
Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.
Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...
Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...
Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!
Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...
Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.
Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!
Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.
Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!
1 606
Murillo Araújo
Toada do Negro do Banzo
Negro —
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...
Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...
Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!
Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...
Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.
Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!
Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.
Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...
Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...
Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!
Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...
Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.
Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!
Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.
Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!
Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!
1 606
Marcelo Almeida de Oliveira
Só mais um
Mais um dia de concreto;
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
800
Marcelo Almeida de Oliveira
Só mais um
Mais um dia de concreto;
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
800
Marcelo Almeida de Oliveira
Só mais um
Mais um dia de concreto;
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
passos certos de quem tem destino;
olhos vão ao chão entre pés e sombras
que não ouvem a tempestade que ronda
na cabeça dos que são como eu,
ossos, carne e dor,
exalando palavras de amor
neste mundo que já se esqueceu
de quão bonito e perfeito poderia ser.
Mas no momento tenho que parar,
o sofrer agora é fadiga, e me consome.
Só nos braços dela encontro a cura.
Só os beijos dela podem me refazer.
Em passos tristes sigo
ao ver o irmão
que a fome roubou o orgulho;
por ele e por outros eu juro
que em breve retornarei mais forte;
mesmo que ainda me fira, ainda me corte,
deixar meu amor dormindo, no escuro,
depois de tudo...
Da esquina chegam notícias distantes,
do irmão que teve a paz tomada pela guerra;
que nem o silêncio nem a distância me deixem esquecer,
Mesmo depois de ser amado por ela,
muito perto agora, ouço você
me abre a porta e um sorriso
que me esquenta em paz e alegria;
a tempestade se vai salgada em teu colo;
agora sonho, sonho de seria, e será... um dia.
800
Moacir Amâncio
Beduíno
esses olhos nunca viram a chuva
eles navegam o vento
devassam o absoluto
- a ausência de portos -
de dentro de um sopro
eles navegam o vento
devassam o absoluto
- a ausência de portos -
de dentro de um sopro
1 117
Marcos A. P. Ribeiro
Minha Bermuda
A sujeira invisível que minha bermuda acumula
só aquele sabão-em-pó vê.
Sinto que novos atributos, de origem não-identificada,
lhe são lentamente agregados.
Ela adquire novo odor:
papelão velho, restos de comida,
líquidos orgânicos, pêlos de gato -
perfeita síntese odorífera
de horas lendo diante da TV
(fazer duas coisas ao mesmo tempo
é um prazer meu).
Então vem o momento
em que é preciso decidir não mais usá-la.
Está suja - conceito bastante elástico.
Volte-se ao início do processo.
Assim percebo a passagem do tempo,
quando se vive para a escolha do epitáfio.
só aquele sabão-em-pó vê.
Sinto que novos atributos, de origem não-identificada,
lhe são lentamente agregados.
Ela adquire novo odor:
papelão velho, restos de comida,
líquidos orgânicos, pêlos de gato -
perfeita síntese odorífera
de horas lendo diante da TV
(fazer duas coisas ao mesmo tempo
é um prazer meu).
Então vem o momento
em que é preciso decidir não mais usá-la.
Está suja - conceito bastante elástico.
Volte-se ao início do processo.
Assim percebo a passagem do tempo,
quando se vive para a escolha do epitáfio.
1 042
Marco Antônio de Souza
LIBER(ALI)DADE
Andar, andar,
nada a dizer,
só pensar !
Pensar no livre pensamento do louco e da criança,
sem meneios ou cerceios...
Integrar-se ao grande rebanho cósmico
e ser um dos corpos celestes,
o mais opaco, porém o mais livre
de todas as galáxias...
Fundir-se ao universo como uma teia do sistema,
e afinal declarar-se livre,
ao mundo e ao metamundo !
Livre do bem e do mal,
livre da dor e da fé,
livre do amor,
livre da presença
e livre de todas as ausências...
nada a dizer,
só pensar !
Pensar no livre pensamento do louco e da criança,
sem meneios ou cerceios...
Integrar-se ao grande rebanho cósmico
e ser um dos corpos celestes,
o mais opaco, porém o mais livre
de todas as galáxias...
Fundir-se ao universo como uma teia do sistema,
e afinal declarar-se livre,
ao mundo e ao metamundo !
Livre do bem e do mal,
livre da dor e da fé,
livre do amor,
livre da presença
e livre de todas as ausências...
897
Marcelo Almeida de Oliveira
Vomitei as trufas de chef Clement
Nomes estranhos
temperos esdrúxulos
talheres de prata
pra quê?
(pouco no prato!)
pato
(de nome estranho)
gesto
(mão na barriga)
indigesto...
Cadê o feijão de Dona Maria?
O acarajé da baiana?
O pastel com caldo de cana?
Pão para quem come com a mão,
e tem fome!
temperos esdrúxulos
talheres de prata
pra quê?
(pouco no prato!)
pato
(de nome estranho)
gesto
(mão na barriga)
indigesto...
Cadê o feijão de Dona Maria?
O acarajé da baiana?
O pastel com caldo de cana?
Pão para quem come com a mão,
e tem fome!
710
Marcelo Almeida de Oliveira
Vomitei as trufas de chef Clement
Nomes estranhos
temperos esdrúxulos
talheres de prata
pra quê?
(pouco no prato!)
pato
(de nome estranho)
gesto
(mão na barriga)
indigesto...
Cadê o feijão de Dona Maria?
O acarajé da baiana?
O pastel com caldo de cana?
Pão para quem come com a mão,
e tem fome!
temperos esdrúxulos
talheres de prata
pra quê?
(pouco no prato!)
pato
(de nome estranho)
gesto
(mão na barriga)
indigesto...
Cadê o feijão de Dona Maria?
O acarajé da baiana?
O pastel com caldo de cana?
Pão para quem come com a mão,
e tem fome!
710
Marcelo Almeida de Oliveira
Física insana
Verdade ou mentira,
dualidade onda-partícula;
cruel realidade,
relatividade da felicidade.
Se Erwin soubesse
que quando anoitece
seu gato zumbi anda
pra debaixo de minha cama...
Incertezas quânticas
em minhalma sub-atômica.
dualidade onda-partícula;
cruel realidade,
relatividade da felicidade.
Se Erwin soubesse
que quando anoitece
seu gato zumbi anda
pra debaixo de minha cama...
Incertezas quânticas
em minhalma sub-atômica.
859
Marcelo Almeida de Oliveira
Paradoxo racional
Determino universo preciso;
material, natural;
resumo, árido número;
amor químico, hormonal;
sem mágica, mito, ou rito;
nem + , nem - ; só = .
E da razão nasce o instinto:
para que respiro, afinal?
certa, reta, vem a resposta:
para satisfazer o animal.
Logo, amo...
rio...
choro...
sinto...
sentir por sentir,
sem razão...
Ah! Tudo é tão lógico!
material, natural;
resumo, árido número;
amor químico, hormonal;
sem mágica, mito, ou rito;
nem + , nem - ; só = .
E da razão nasce o instinto:
para que respiro, afinal?
certa, reta, vem a resposta:
para satisfazer o animal.
Logo, amo...
rio...
choro...
sinto...
sentir por sentir,
sem razão...
Ah! Tudo é tão lógico!
725
Marco Antônio de Souza
Respirar é Preciso
Já que antologia é
antologizemos o texto
trazendo à luz
as belezas do espírito conforme
..................................................
e, de conformidade com o inconformismo
que marca meus dias e noites
ressalto e revelo
aos presentes, aos ausentes, aos querentes,
e também aos carentes,
que ainda não morro
sem usufruir de todas as belezas
que o espírito conforma,
conforme nossa real e divina destinação...
Alerta geral
não ficarei na toca à vida toda
como as corujinhas do Tênis...
Ou lema, ou mote, ou até epitáfio
"EU QUERO AR..." .
antologizemos o texto
trazendo à luz
as belezas do espírito conforme
..................................................
e, de conformidade com o inconformismo
que marca meus dias e noites
ressalto e revelo
aos presentes, aos ausentes, aos querentes,
e também aos carentes,
que ainda não morro
sem usufruir de todas as belezas
que o espírito conforma,
conforme nossa real e divina destinação...
Alerta geral
não ficarei na toca à vida toda
como as corujinhas do Tênis...
Ou lema, ou mote, ou até epitáfio
"EU QUERO AR..." .
885
Marcia Agrau
Praça Saenz Pena
Sou poeta
e posso ser chamada de maluca
mas nasci na Tijuca
e hoje evito vir aqui.
porque a Praça Sáenz Peña que conheci
era bem diferente.
Da infância me lembro
me estão vivos na mente
os filmes que assisti,
os cinemas daqui...
o Carioca,o América,
o Metro, o Olinda,
Tijuquinha,"o poeira"...
A praça era tão linda
que a Tijuca inteira
se orgulhava daqui.
A Sloper onde comprei
meu colar de continhas
continhas e correntinhas
pelo qual me apaixonei
e no qual gastei todinho
o primeiro dinheiro que ganhei...
A Bella Itália, o palheta,
o Éden lá na esquina
onde hoje é o Banerj..
A praça era branca, preta,
tanto cheirava a grã-fina
quanto a salgueiro poeta...
E a sinuca, no sobrado,
enlevava os rapazotes
num ar de maioridade
mesmo que uns piparotes
os trouxessem à realidade.
O comércio emgeral
se enfeitava no Natal
e as árvores dessa praça
que já tinham sua graça
no estado natural
ficavam engalanadas
bolas grandes,coloridas
festões, luzes, nossa vida
se animava por igual.
A mangueira centenária
agradecia orgulhosa
enfeitada e toda prosa
em seu jeitão solidária.
Evito vir aqui.
porque a Praça Sáez Peña que conheci
era bem outra.
Mas me orgulho de vê-la renascida.
Quem sabe inda algum dia
a vejo parecida
com a mesma em que vivi?
Apenas parecida,
só isso, não quero mais
que sei que o tempo é incapaz
de voltar para trás.
Essa praça tão querida
que faz parte da minha vida
e de tantos demais,
tem resistido há tanto tempo,
a tantas agressões, atanto assédio,
que penso
que o que tem vindo em seu socorro
é o samba que embala seu sono descendo do morro...
e a janelinha da Granado que, à meia-noite, se abre
pra lhe dar remédio...
e posso ser chamada de maluca
mas nasci na Tijuca
e hoje evito vir aqui.
porque a Praça Sáenz Peña que conheci
era bem diferente.
Da infância me lembro
me estão vivos na mente
os filmes que assisti,
os cinemas daqui...
o Carioca,o América,
o Metro, o Olinda,
Tijuquinha,"o poeira"...
A praça era tão linda
que a Tijuca inteira
se orgulhava daqui.
A Sloper onde comprei
meu colar de continhas
continhas e correntinhas
pelo qual me apaixonei
e no qual gastei todinho
o primeiro dinheiro que ganhei...
A Bella Itália, o palheta,
o Éden lá na esquina
onde hoje é o Banerj..
A praça era branca, preta,
tanto cheirava a grã-fina
quanto a salgueiro poeta...
E a sinuca, no sobrado,
enlevava os rapazotes
num ar de maioridade
mesmo que uns piparotes
os trouxessem à realidade.
O comércio emgeral
se enfeitava no Natal
e as árvores dessa praça
que já tinham sua graça
no estado natural
ficavam engalanadas
bolas grandes,coloridas
festões, luzes, nossa vida
se animava por igual.
A mangueira centenária
agradecia orgulhosa
enfeitada e toda prosa
em seu jeitão solidária.
Evito vir aqui.
porque a Praça Sáez Peña que conheci
era bem outra.
Mas me orgulho de vê-la renascida.
Quem sabe inda algum dia
a vejo parecida
com a mesma em que vivi?
Apenas parecida,
só isso, não quero mais
que sei que o tempo é incapaz
de voltar para trás.
Essa praça tão querida
que faz parte da minha vida
e de tantos demais,
tem resistido há tanto tempo,
a tantas agressões, atanto assédio,
que penso
que o que tem vindo em seu socorro
é o samba que embala seu sono descendo do morro...
e a janelinha da Granado que, à meia-noite, se abre
pra lhe dar remédio...
806
Marcelo Almeida de Oliveira
A história se repete
Não se sabe quando, nem como.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
983
Marcelo Almeida de Oliveira
Sementemente
Do concreto armado rachado
nasceu a semente doente,
raízes sedentas cavaram o asfalto,
do esgoto fedido se fez nutriente.
E por milagre talvez, vingou a semente;
galhos tortos, mas fortes;
folhas disformes, mas verdes;
um pouco estranha, sem dúvida;
um tanto linda, sendo vida.
Do seu galho mais alto se abriu uma flor,
do lisérgico entardecer roubou sua cor,
farol fosforescente a noite ilumina,
esperando o beija-flor de alumínio;
cibernético (o beijo).
nasceu a semente doente,
raízes sedentas cavaram o asfalto,
do esgoto fedido se fez nutriente.
E por milagre talvez, vingou a semente;
galhos tortos, mas fortes;
folhas disformes, mas verdes;
um pouco estranha, sem dúvida;
um tanto linda, sendo vida.
Do seu galho mais alto se abriu uma flor,
do lisérgico entardecer roubou sua cor,
farol fosforescente a noite ilumina,
esperando o beija-flor de alumínio;
cibernético (o beijo).
823
Marcos A. P. Ribeiro
Família
Como na sala irreverente uma banana.
A lua basculha pela janela da rua,
a casa. Meu tio tentando
livrar-se dos maus espíritos;
a avó passa lírica pela sala;
a empregada espana.
A noite, como seu broche,
caminha indiferente à sorte do dia.
A lua basculha pela janela da rua,
a casa. Meu tio tentando
livrar-se dos maus espíritos;
a avó passa lírica pela sala;
a empregada espana.
A noite, como seu broche,
caminha indiferente à sorte do dia.
1 143
Márcio de Sousa Andrade
Outro Navio Negreiro
Embala o poema a bala da tragédia
testemunho supremo
murmúrio de vozes miúdas.
— Canta Castro Alves,
o lamento profundo
da lembrança covarde
filhos do acaso e da realidade.
Homens do mar, homens da terra
ocultos da vida
nos cultos desgraçados...
Apagaram as luzes da cidade
e dos campos sob antenas de TV.
Nos morros, nos alagados, nos becos
(os quilombos)
tremulam pálidas bandeiras
de onde virão outros palmares.
— Venha poeta!
mãos dadas, cantos unidos,
trompa certa e plena
a cantar para o grande povo
esses,
filhos da usura
perdidos na noite
comendo esperanças
pelos olhos,
chorando necessidades...
E as páginas da história
confessam a podre missão
estandarte macabro e sinistro
carregando o pranto de todos.
Deus,
Que águas navegamos
que turfas marés navegamos
que a brisa beija e balança
e morremos todos sem qualquer
esperança.
testemunho supremo
murmúrio de vozes miúdas.
— Canta Castro Alves,
o lamento profundo
da lembrança covarde
filhos do acaso e da realidade.
Homens do mar, homens da terra
ocultos da vida
nos cultos desgraçados...
Apagaram as luzes da cidade
e dos campos sob antenas de TV.
Nos morros, nos alagados, nos becos
(os quilombos)
tremulam pálidas bandeiras
de onde virão outros palmares.
— Venha poeta!
mãos dadas, cantos unidos,
trompa certa e plena
a cantar para o grande povo
esses,
filhos da usura
perdidos na noite
comendo esperanças
pelos olhos,
chorando necessidades...
E as páginas da história
confessam a podre missão
estandarte macabro e sinistro
carregando o pranto de todos.
Deus,
Que águas navegamos
que turfas marés navegamos
que a brisa beija e balança
e morremos todos sem qualquer
esperança.
957
Márcio de Sousa Andrade
Outro Navio Negreiro
Embala o poema a bala da tragédia
testemunho supremo
murmúrio de vozes miúdas.
— Canta Castro Alves,
o lamento profundo
da lembrança covarde
filhos do acaso e da realidade.
Homens do mar, homens da terra
ocultos da vida
nos cultos desgraçados...
Apagaram as luzes da cidade
e dos campos sob antenas de TV.
Nos morros, nos alagados, nos becos
(os quilombos)
tremulam pálidas bandeiras
de onde virão outros palmares.
— Venha poeta!
mãos dadas, cantos unidos,
trompa certa e plena
a cantar para o grande povo
esses,
filhos da usura
perdidos na noite
comendo esperanças
pelos olhos,
chorando necessidades...
E as páginas da história
confessam a podre missão
estandarte macabro e sinistro
carregando o pranto de todos.
Deus,
Que águas navegamos
que turfas marés navegamos
que a brisa beija e balança
e morremos todos sem qualquer
esperança.
testemunho supremo
murmúrio de vozes miúdas.
— Canta Castro Alves,
o lamento profundo
da lembrança covarde
filhos do acaso e da realidade.
Homens do mar, homens da terra
ocultos da vida
nos cultos desgraçados...
Apagaram as luzes da cidade
e dos campos sob antenas de TV.
Nos morros, nos alagados, nos becos
(os quilombos)
tremulam pálidas bandeiras
de onde virão outros palmares.
— Venha poeta!
mãos dadas, cantos unidos,
trompa certa e plena
a cantar para o grande povo
esses,
filhos da usura
perdidos na noite
comendo esperanças
pelos olhos,
chorando necessidades...
E as páginas da história
confessam a podre missão
estandarte macabro e sinistro
carregando o pranto de todos.
Deus,
Que águas navegamos
que turfas marés navegamos
que a brisa beija e balança
e morremos todos sem qualquer
esperança.
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