Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Manoel Elias Filho
Restos
Do amor intensoNa calada da noiteDo fogo do sexoSobraram restosVestígios, marcas.Do encontroSobrou a fuga.Da sociedadeRestou a insegurançaDo ser humanoRestou pedaçosTrapos de um serDivisão, confusão.Que da verdadeRestou a mentira.Que da razãoRestou a loucura.E da realidadeRestou a fantasiaPedaços de mimRestos de vocêSobras de todosRestos do mundo.
950
Ernani Sátyro
As Dunas
(Nos céus da Bahia)
As dunas não são dunas.
Só mesmo imaginando elas são dunas,
Que vistas do avião, ao sol,
Apenas são espelhos.
É preciso que à terra nós baixemos
Para que sejam dunas.
Baixemos, pois, mas não por muito tempo.
Deixemos que elas sejam o que do alto são.
As dunas não são dunas.
Só mesmo imaginando elas são dunas,
Que vistas do avião, ao sol,
Apenas são espelhos.
É preciso que à terra nós baixemos
Para que sejam dunas.
Baixemos, pois, mas não por muito tempo.
Deixemos que elas sejam o que do alto são.
896
Estrigas
Nossa Grande Civilização
As folhas das bananeiras movem-se
ao ritmo da ventania
um louco passa jogando pedra
na compulsão da sua fantasia.
O mundo é um imenso manicômio
loucos violentos que agridem, matam, torturam
loucos poderosos que dominam os outros
na ilusão dos seus interesses
na manutenção dos seus poderes
loucos inteligentes
que mandam os outros ao espaço
que tiram e salvam vidas
que divertem e instruem
loucos que matam e dão vida
loucos que destroem e constroem
a si e ao meio
O mundo é uma grande múltipla e diversificada loucura
há pessoas loucamente apaixonadas por ele
há pessoas loucamente revoltadas contra ele
há os que se apegam a ele
há os loucamente mansos e pacíficos
que buscam uma solução
porque suas loucuras
já não suportam mais tanta loucura
e são estes
a única luz no fim do túnel
sujeita ao ritmo da ventania
como as folhas da bananeira
ao ritmo da ventania
um louco passa jogando pedra
na compulsão da sua fantasia.
O mundo é um imenso manicômio
loucos violentos que agridem, matam, torturam
loucos poderosos que dominam os outros
na ilusão dos seus interesses
na manutenção dos seus poderes
loucos inteligentes
que mandam os outros ao espaço
que tiram e salvam vidas
que divertem e instruem
loucos que matam e dão vida
loucos que destroem e constroem
a si e ao meio
O mundo é uma grande múltipla e diversificada loucura
há pessoas loucamente apaixonadas por ele
há pessoas loucamente revoltadas contra ele
há os que se apegam a ele
há os loucamente mansos e pacíficos
que buscam uma solução
porque suas loucuras
já não suportam mais tanta loucura
e são estes
a única luz no fim do túnel
sujeita ao ritmo da ventania
como as folhas da bananeira
803
Estrigas
Nossa Grande Civilização
As folhas das bananeiras movem-se
ao ritmo da ventania
um louco passa jogando pedra
na compulsão da sua fantasia.
O mundo é um imenso manicômio
loucos violentos que agridem, matam, torturam
loucos poderosos que dominam os outros
na ilusão dos seus interesses
na manutenção dos seus poderes
loucos inteligentes
que mandam os outros ao espaço
que tiram e salvam vidas
que divertem e instruem
loucos que matam e dão vida
loucos que destroem e constroem
a si e ao meio
O mundo é uma grande múltipla e diversificada loucura
há pessoas loucamente apaixonadas por ele
há pessoas loucamente revoltadas contra ele
há os que se apegam a ele
há os loucamente mansos e pacíficos
que buscam uma solução
porque suas loucuras
já não suportam mais tanta loucura
e são estes
a única luz no fim do túnel
sujeita ao ritmo da ventania
como as folhas da bananeira
ao ritmo da ventania
um louco passa jogando pedra
na compulsão da sua fantasia.
O mundo é um imenso manicômio
loucos violentos que agridem, matam, torturam
loucos poderosos que dominam os outros
na ilusão dos seus interesses
na manutenção dos seus poderes
loucos inteligentes
que mandam os outros ao espaço
que tiram e salvam vidas
que divertem e instruem
loucos que matam e dão vida
loucos que destroem e constroem
a si e ao meio
O mundo é uma grande múltipla e diversificada loucura
há pessoas loucamente apaixonadas por ele
há pessoas loucamente revoltadas contra ele
há os que se apegam a ele
há os loucamente mansos e pacíficos
que buscam uma solução
porque suas loucuras
já não suportam mais tanta loucura
e são estes
a única luz no fim do túnel
sujeita ao ritmo da ventania
como as folhas da bananeira
803
Eliane Pantoja Vaidya
O que foi pendurado na árvore
O que foi pendurado na árvore é maldito de Deus
Deuteronômio 21:23
O que foi pendurado na árvore
é maldito entre os homens
que penduram pelo pé
como "Le Pendu"
os destituídos
de todas as idades.
Deuteronômio 21:23
O que foi pendurado na árvore
é maldito entre os homens
que penduram pelo pé
como "Le Pendu"
os destituídos
de todas as idades.
857
Adriano Espínola
Táxi
ou poema de amor passageiro
At the violet hour, when the eyes and back
turn upward from the desk, when the human engine waits
like a taxi throbbing waiting...
T.S. Eliot ("The waste land", 215-217)
Depois de tirar e enrolar no bolso minha gravata colorida;
depois do pique, atravessando ruas & portas,
bebendo a luz da tarde refletida em caras que nunca mais verei;
depois da ginástica bancária,
dos trambiques dados,
dos chopes na esquina;
de ter avistado as chapinhas de cerveja encravadas no asfalto
e o poema alucinado e cínico,
inscrito no corpo crivado de signos & senhas;
depois disso tudo:
de ter esquecido o dia,
sentir-me refeito e repleto, pronto para outra,
- me vejo aqui parado, esperando,
com o olhar atento, ansioso,
como se pela primeira vez,
à beira da calçada ou à beira de mim,
como se de repente
não pudesse perder o que exatamente não sei
nem saberia...
...TÁXI!
Êiii!... Aqui!
(Dou com a mão)
TUDO COMEÇA SUBITAMENTE ONDE ESTOU
- Ó Fortaleza, multidão de portas e postes batendo com sua luz
adolescente no olho da eternidade!
Fortaleza de 300 mil bocas ardentes como o sol,
famintas de amor e tragos de farinha.
Fortaleza de prédios mal-acabados, espetando a noite furiosa e redonda.
Fortaleza, avenida de neon, deslizando para todos os desejos.
Fortaleza, Bezerra de Menezes, seis mãos indo e voltando,
e uma dor viajando, num só sentido, no banco traseiro de um táxi,
para onde vamos?
Fortaleza, solidão escamosa, suor noturno, revelação.
EU TE PERCORRO
Eu, fiapo da mente de Deus que um dia avistei,
caminhando, sim, com o Universo inteiro,
que era sua própria cabeça iluminada,
pensando estrelas e galáxias
e as mais recôndidas nebulosas...
- Quem mais saberia disso?
(Este Táxi,
a rua rolando rente,
os telhados correndo, pensos, de um lado e outro,
a lata de lixo solitária,
as árvores caladas,
rostos e estrelas entrevistos da janela,
teu corpo passageiro,
tudo isso à tua frente ou dentro de ti,
que passa ou permanece no teu olhar-vida,
é o pensamento infinito de Deus
girando suas formas no espaço,
borbulhando mínimo e visível,
invisível e total,
surgindo
e desaparecendo,
transformando-se e ressurgindo
nas neuras insondáveis do tempo.)
Ó pensamento rugoso de Deus sobre os muros!
Sílabas soltas que são papéis pelas calçadas;
palavras, pés que transitam apressados
ruas, frases repentinas;
dias como sentenças cortando /
a cidade indiferente:
relâmpagos de sentido cruzando
o corpo
dentro da noite
dilacerantes
metáforas
dilaceradas
Balbucios
Orações entrecortadas
Gagueira fluente de tudo
- Ó áspera Linguagem em que viajamos sedentos de tradução!
No banco traseiro do carro, vamos nós, Moema e eu,
beijando já seus lábios levemente rachados
pelo sol da praia.
E porque em qualquer esquina posso me acabar
numa trombada,
e por certo sua dor será igual à minha,
{a alma espremida por entre ferragens}
- não importa onde,
você bem pode me entender, Steve,
lá na distante 175, Flower Rd., em Huntington, NY.
Ou se passo as mãos nas coxas de Moema
e percebo, excitado,
o tesão maior de Deus movendo as estrelas e todas as coisas,
você também me compreende, Affonso,
no alto de um edifício em Ipanema,
recitando Nietzsche, "a emoção é a vitória contra o tédio",
enquanto compõe para o JB a última crônica carnavalesca
da Nova República.
E você, metaleiro anônimo, lá de Cajazeiras, na Paraíba,
que não pôde ir ao Rock in Rio
curtir o Whitesnakes, o Queen, o heavymetal,
mas viu na TV,
e ficou ferido da maior solidão sonora do mundo,
- você também me entende, ó meu, no teu silêncio.
........................................................
Ok, minha filha, vamos nós,
zanzando neste Táxi muito louco,
por dentro da cidade,
rodando e girando,
girando e rodando
por aí, sempre.
Sim, passageiros somos,
turistas do instante.
Make it new, say. Sei.
Por isso, sinta minha língua afiada
sussurrando no teu ouvido,
enquanto dedilho sobre tua calcinha
uma ode que Arquíloco não fez
para sua esquiva Neóbula,
de cabeleira fugaz como essa noite.
Ah, tua mão direita, ávida borboleta esmaltada!
Sim, a mais pura sabedoria nasce do amor
entre um homem e uma mulher.
(Claro, há homovariações da verdade. Que importa?)
Os lábios ardentes, tocando-se, sabem mais;
abraçados, os corpos, idênticos ou não,
conhecem mais. Mais - o que seja: oh!
- fisgada de Deus adorando (de qualquer forma)
suas criaturas.
Confira o lance:
toda sabedoria passa pela carne;
toda iluminação atravessa os sentidos;
toda visão viaja pelo corpo,
- ponte de sangue sensitivo entre o céu e a terra,
vertigem da consciência esbarrando
nas paredes das costelas,
pequeno cais nervoso de todas as sensações
à beira do nada
- oceano calado te espreitando,
as amarras do corpo
partindo-se a cada minuto
do porto de si mesmo...
E eu aqui, sábio com as mãos entre tuas coxas,
soprando ávido
no teu ouvido
a lição luminosa:
sessenta e nove
E tua língua veloz: love
love
logos.
Mais depressa!
Direto para um motel na Praia do Futuro.
Por cima de tudo:
buracos,
quebra-molas,
pedras,
calçadas,
transeuntes,
principalmente por cima desta hora que atravesso
com um estremecimento súbito das portas e da alma.
Porque tudo é tremor, companheiro.
A vida treme onde bate - no centro ou nas bordas: - não importa.
Minha mão treme tocando de leve os peitos de Moema;
o carro treme transitando por entre trilhos e temores;
as luzes de neon estremecem ao golpear rostos súbitos pelas calçadas;
a avenida treme sob pneus e pensamentos sobressaltados;
a cidade toda estremece subindo pelos edifícios,
sacudida por ondas e gestos na maré das ruas;
treme a noite com suas estrelas pulsando solidão e distância.
Ruge e estremece a Via Láctea
feito um animal ferido (Ursa Maior?)
fugindo pelo infinito,
sangrando luz e abismos
por onde passa...
Porque o frio espreita
e o silêncio devora,
ESTREMECEMOS TODOS
a cada instante,
homens -
máquinas -
coisas -
com os músculos,
as fibras
e a febre dos circuitos
- em cruel expectativa...
Em frente, o Mercado São Sebastião
- fim e começo da avenida,
entrada e saída desta hora indiferente,
correndo pela pista de sentido duplo para o infinito.
Mercado São Sebastião por onde passo:
- bagaços de laranja, cascas de banana,
tocos de cigarro, papéis e jornais sujos,
rolando pelas coxias da lembrança.
Tudo ali - solto - gestos desgarrados do tempo.
Eu te penetro, suburbano labirinto, por entre acres
balcões, sentindo a respiração ofegante
das alfaces e frutas
- sobre minha pele -
querendo juntas docemente apodrecer ali.
E ver por trás das balanças homens de camiseta
At the violet hour, when the eyes and back
turn upward from the desk, when the human engine waits
like a taxi throbbing waiting...
T.S. Eliot ("The waste land", 215-217)
Depois de tirar e enrolar no bolso minha gravata colorida;
depois do pique, atravessando ruas & portas,
bebendo a luz da tarde refletida em caras que nunca mais verei;
depois da ginástica bancária,
dos trambiques dados,
dos chopes na esquina;
de ter avistado as chapinhas de cerveja encravadas no asfalto
e o poema alucinado e cínico,
inscrito no corpo crivado de signos & senhas;
depois disso tudo:
de ter esquecido o dia,
sentir-me refeito e repleto, pronto para outra,
- me vejo aqui parado, esperando,
com o olhar atento, ansioso,
como se pela primeira vez,
à beira da calçada ou à beira de mim,
como se de repente
não pudesse perder o que exatamente não sei
nem saberia...
...TÁXI!
Êiii!... Aqui!
(Dou com a mão)
TUDO COMEÇA SUBITAMENTE ONDE ESTOU
- Ó Fortaleza, multidão de portas e postes batendo com sua luz
adolescente no olho da eternidade!
Fortaleza de 300 mil bocas ardentes como o sol,
famintas de amor e tragos de farinha.
Fortaleza de prédios mal-acabados, espetando a noite furiosa e redonda.
Fortaleza, avenida de neon, deslizando para todos os desejos.
Fortaleza, Bezerra de Menezes, seis mãos indo e voltando,
e uma dor viajando, num só sentido, no banco traseiro de um táxi,
para onde vamos?
Fortaleza, solidão escamosa, suor noturno, revelação.
EU TE PERCORRO
Eu, fiapo da mente de Deus que um dia avistei,
caminhando, sim, com o Universo inteiro,
que era sua própria cabeça iluminada,
pensando estrelas e galáxias
e as mais recôndidas nebulosas...
- Quem mais saberia disso?
(Este Táxi,
a rua rolando rente,
os telhados correndo, pensos, de um lado e outro,
a lata de lixo solitária,
as árvores caladas,
rostos e estrelas entrevistos da janela,
teu corpo passageiro,
tudo isso à tua frente ou dentro de ti,
que passa ou permanece no teu olhar-vida,
é o pensamento infinito de Deus
girando suas formas no espaço,
borbulhando mínimo e visível,
invisível e total,
surgindo
e desaparecendo,
transformando-se e ressurgindo
nas neuras insondáveis do tempo.)
Ó pensamento rugoso de Deus sobre os muros!
Sílabas soltas que são papéis pelas calçadas;
palavras, pés que transitam apressados
ruas, frases repentinas;
dias como sentenças cortando /
a cidade indiferente:
relâmpagos de sentido cruzando
o corpo
dentro da noite
dilacerantes
metáforas
dilaceradas
Balbucios
Orações entrecortadas
Gagueira fluente de tudo
- Ó áspera Linguagem em que viajamos sedentos de tradução!
No banco traseiro do carro, vamos nós, Moema e eu,
beijando já seus lábios levemente rachados
pelo sol da praia.
E porque em qualquer esquina posso me acabar
numa trombada,
e por certo sua dor será igual à minha,
{a alma espremida por entre ferragens}
- não importa onde,
você bem pode me entender, Steve,
lá na distante 175, Flower Rd., em Huntington, NY.
Ou se passo as mãos nas coxas de Moema
e percebo, excitado,
o tesão maior de Deus movendo as estrelas e todas as coisas,
você também me compreende, Affonso,
no alto de um edifício em Ipanema,
recitando Nietzsche, "a emoção é a vitória contra o tédio",
enquanto compõe para o JB a última crônica carnavalesca
da Nova República.
E você, metaleiro anônimo, lá de Cajazeiras, na Paraíba,
que não pôde ir ao Rock in Rio
curtir o Whitesnakes, o Queen, o heavymetal,
mas viu na TV,
e ficou ferido da maior solidão sonora do mundo,
- você também me entende, ó meu, no teu silêncio.
........................................................
Ok, minha filha, vamos nós,
zanzando neste Táxi muito louco,
por dentro da cidade,
rodando e girando,
girando e rodando
por aí, sempre.
Sim, passageiros somos,
turistas do instante.
Make it new, say. Sei.
Por isso, sinta minha língua afiada
sussurrando no teu ouvido,
enquanto dedilho sobre tua calcinha
uma ode que Arquíloco não fez
para sua esquiva Neóbula,
de cabeleira fugaz como essa noite.
Ah, tua mão direita, ávida borboleta esmaltada!
Sim, a mais pura sabedoria nasce do amor
entre um homem e uma mulher.
(Claro, há homovariações da verdade. Que importa?)
Os lábios ardentes, tocando-se, sabem mais;
abraçados, os corpos, idênticos ou não,
conhecem mais. Mais - o que seja: oh!
- fisgada de Deus adorando (de qualquer forma)
suas criaturas.
Confira o lance:
toda sabedoria passa pela carne;
toda iluminação atravessa os sentidos;
toda visão viaja pelo corpo,
- ponte de sangue sensitivo entre o céu e a terra,
vertigem da consciência esbarrando
nas paredes das costelas,
pequeno cais nervoso de todas as sensações
à beira do nada
- oceano calado te espreitando,
as amarras do corpo
partindo-se a cada minuto
do porto de si mesmo...
E eu aqui, sábio com as mãos entre tuas coxas,
soprando ávido
no teu ouvido
a lição luminosa:
sessenta e nove
E tua língua veloz: love
love
logos.
Mais depressa!
Direto para um motel na Praia do Futuro.
Por cima de tudo:
buracos,
quebra-molas,
pedras,
calçadas,
transeuntes,
principalmente por cima desta hora que atravesso
com um estremecimento súbito das portas e da alma.
Porque tudo é tremor, companheiro.
A vida treme onde bate - no centro ou nas bordas: - não importa.
Minha mão treme tocando de leve os peitos de Moema;
o carro treme transitando por entre trilhos e temores;
as luzes de neon estremecem ao golpear rostos súbitos pelas calçadas;
a avenida treme sob pneus e pensamentos sobressaltados;
a cidade toda estremece subindo pelos edifícios,
sacudida por ondas e gestos na maré das ruas;
treme a noite com suas estrelas pulsando solidão e distância.
Ruge e estremece a Via Láctea
feito um animal ferido (Ursa Maior?)
fugindo pelo infinito,
sangrando luz e abismos
por onde passa...
Porque o frio espreita
e o silêncio devora,
ESTREMECEMOS TODOS
a cada instante,
homens -
máquinas -
coisas -
com os músculos,
as fibras
e a febre dos circuitos
- em cruel expectativa...
Em frente, o Mercado São Sebastião
- fim e começo da avenida,
entrada e saída desta hora indiferente,
correndo pela pista de sentido duplo para o infinito.
Mercado São Sebastião por onde passo:
- bagaços de laranja, cascas de banana,
tocos de cigarro, papéis e jornais sujos,
rolando pelas coxias da lembrança.
Tudo ali - solto - gestos desgarrados do tempo.
Eu te penetro, suburbano labirinto, por entre acres
balcões, sentindo a respiração ofegante
das alfaces e frutas
- sobre minha pele -
querendo juntas docemente apodrecer ali.
E ver por trás das balanças homens de camiseta
2 989
Eunaldo Costa
Olha aquela negra
Olha aquela negra, turbeculosa,
Estendida nas grama úmidas do canteiro do jardim.
A chuva e o vento caindo-lhe no corpo
Cansado da vida dos becos.
- Seu nome ?
- Pouco importa,
- Poderia ser Carlota
- ou outro qualquer.
Naquela negra, seminua, enferma,
Abandonada, o mundo só não sujou
A sua alma, que conserva a pureza inicial.
Nesta hora tardia da noite
O sono fechou as pálpebras da cidade,
Mas existem alguns olhos abertos
Vendo as luzes descendo sobre a negra
Que agoniza junto às rosas do canteiro do jardim.
Estendida nas grama úmidas do canteiro do jardim.
A chuva e o vento caindo-lhe no corpo
Cansado da vida dos becos.
- Seu nome ?
- Pouco importa,
- Poderia ser Carlota
- ou outro qualquer.
Naquela negra, seminua, enferma,
Abandonada, o mundo só não sujou
A sua alma, que conserva a pureza inicial.
Nesta hora tardia da noite
O sono fechou as pálpebras da cidade,
Mas existem alguns olhos abertos
Vendo as luzes descendo sobre a negra
Que agoniza junto às rosas do canteiro do jardim.
1 099
Eunaldo Costa
Olha aquela negra
Olha aquela negra, turbeculosa,
Estendida nas grama úmidas do canteiro do jardim.
A chuva e o vento caindo-lhe no corpo
Cansado da vida dos becos.
- Seu nome ?
- Pouco importa,
- Poderia ser Carlota
- ou outro qualquer.
Naquela negra, seminua, enferma,
Abandonada, o mundo só não sujou
A sua alma, que conserva a pureza inicial.
Nesta hora tardia da noite
O sono fechou as pálpebras da cidade,
Mas existem alguns olhos abertos
Vendo as luzes descendo sobre a negra
Que agoniza junto às rosas do canteiro do jardim.
Estendida nas grama úmidas do canteiro do jardim.
A chuva e o vento caindo-lhe no corpo
Cansado da vida dos becos.
- Seu nome ?
- Pouco importa,
- Poderia ser Carlota
- ou outro qualquer.
Naquela negra, seminua, enferma,
Abandonada, o mundo só não sujou
A sua alma, que conserva a pureza inicial.
Nesta hora tardia da noite
O sono fechou as pálpebras da cidade,
Mas existem alguns olhos abertos
Vendo as luzes descendo sobre a negra
Que agoniza junto às rosas do canteiro do jardim.
1 099
Eolo Yberê Líbera
Barroco de Minas
O espírito de Bach sobre Ouro Preto
Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo
(os três anjos do Aleijadinho saem correndo
chamando o mestre)
Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo
(os três anjos do Aleijadinho saem correndo
chamando o mestre)
957
Epitácio Mendes Silva
Santa Bomba
Nas novas gerações impera o medo
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
977
Epitácio Mendes Silva
Santa Bomba
Nas novas gerações impera o medo
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
977
Epitácio Mendes Silva
Santa Bomba
Nas novas gerações impera o medo
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
977
Epitácio Mendes Silva
Santa Bomba
Nas novas gerações impera o medo
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
E há indicações atônitas no mundo !
Hiroshima, o que foi:
Um mal, um necssário bem,
um bem, um necessário mal ?
Quem sabe, ao certo,
Se até homens que nas Nações
e gerações mandam e governam,
nas suas loucuras e nas suas guerras
não o sabem responder !...
Que rersponda pois a humanidade
que viu a negra chuva de Hiroshima
e os seus semelhantes projetados
como sombras nas pedras calcinadas
ante o horror do fogo apocalíptico.
Não mais a bomba. Não mais a bomba:
eis a respota ! Sábia resposta:
que a bomba de perversas dimensões
foi o próprio apocalípse, e dele
já nos sentimos livres para o dia
do sonhado paraíso sobre a terra.
E da bomba o que dizer senão
que a bomba foi uma santa,
uma santa bomba...
977
Emílio Burlamaqui
Ninguém
Saio à rua, ninguém fala comigo.
Entretanto, descuidado, não falo com ninguém.
Volto à casa, ninguém deixou recado.
Porém já é tarde, durmo, esqueço,
E não telefono para ninguém.
No cais, o lenço de ninguém se agita
Enquanto entre nós a distância se faz.
E eu, estranhamente, fico olhando o mar,
Sem atinar, sem acenar,
Sem adeus.
O trem chega, a distância se desfaz.
E, no meio de uma multidão indistinta
Que não me diz mais nada,
Distingo ninguém tentando me dizer alguma coisa.
Apesar disso, passo apressado sem escutar
Aquilo que ninguém queria me contar.
Por que será então que,
Mesmo eu não correspondendo a tanta fidelidade
E a tão exato desvelo,
A presença de ninguém persiste assim
Tão intensa e tão densa
Junto a mim?
Será que, qual ave preta
E tal como noutra história,
Ninguém se afastará de mim
Nunca mais?
Entretanto, descuidado, não falo com ninguém.
Volto à casa, ninguém deixou recado.
Porém já é tarde, durmo, esqueço,
E não telefono para ninguém.
No cais, o lenço de ninguém se agita
Enquanto entre nós a distância se faz.
E eu, estranhamente, fico olhando o mar,
Sem atinar, sem acenar,
Sem adeus.
O trem chega, a distância se desfaz.
E, no meio de uma multidão indistinta
Que não me diz mais nada,
Distingo ninguém tentando me dizer alguma coisa.
Apesar disso, passo apressado sem escutar
Aquilo que ninguém queria me contar.
Por que será então que,
Mesmo eu não correspondendo a tanta fidelidade
E a tão exato desvelo,
A presença de ninguém persiste assim
Tão intensa e tão densa
Junto a mim?
Será que, qual ave preta
E tal como noutra história,
Ninguém se afastará de mim
Nunca mais?
864
Douglas Eden Brotto
Primavera
No galpão, o ferreiro
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...
Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...
Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...
1 053
Egito Gonçalves
Os Vegetantes
Continuam aqui
roendo as unhas!
Substituem as unhas por poemas
(ou cafés, futebol, anedotário)
e estilhaçam espelhos que na luz
ao seu devolvem a cruel imagem.
Vidrado limo o rosto
de rugas sem memória
assistem à vida como um filme:
disparar sobre a tela é proibido
e além do mais inútil.
Curvam ao solo os ombros
escorjados; curvam-nos para
duradouras urtigas, seixos
sem horizontes, epitáfios
de lama, dezembros, poeira fria.
Se chovem as esperanças não acorrem
a apanhá-las na boca ao ar aberto.
Tijolo articulado a língua balbucia
"É a vida!". Sementes violadas
não germinam.
Em vão os bombardeiros os oráculos
com agulhas de sangue. Nada tentam
para vida à fala que utilizam,
ao país do cansaço que entre dentes
ressaca.
E fazem do amor essa triste umidade,
um delíquio formal logo amortalhado.
São dóceis, cibernéticos,
dia a dia premiados
de alguns gramas a mais
no chumbo do pescoço.
roendo as unhas!
Substituem as unhas por poemas
(ou cafés, futebol, anedotário)
e estilhaçam espelhos que na luz
ao seu devolvem a cruel imagem.
Vidrado limo o rosto
de rugas sem memória
assistem à vida como um filme:
disparar sobre a tela é proibido
e além do mais inútil.
Curvam ao solo os ombros
escorjados; curvam-nos para
duradouras urtigas, seixos
sem horizontes, epitáfios
de lama, dezembros, poeira fria.
Se chovem as esperanças não acorrem
a apanhá-las na boca ao ar aberto.
Tijolo articulado a língua balbucia
"É a vida!". Sementes violadas
não germinam.
Em vão os bombardeiros os oráculos
com agulhas de sangue. Nada tentam
para vida à fala que utilizam,
ao país do cansaço que entre dentes
ressaca.
E fazem do amor essa triste umidade,
um delíquio formal logo amortalhado.
São dóceis, cibernéticos,
dia a dia premiados
de alguns gramas a mais
no chumbo do pescoço.
1 585
Egito Gonçalves
Os Vegetantes
Continuam aqui
roendo as unhas!
Substituem as unhas por poemas
(ou cafés, futebol, anedotário)
e estilhaçam espelhos que na luz
ao seu devolvem a cruel imagem.
Vidrado limo o rosto
de rugas sem memória
assistem à vida como um filme:
disparar sobre a tela é proibido
e além do mais inútil.
Curvam ao solo os ombros
escorjados; curvam-nos para
duradouras urtigas, seixos
sem horizontes, epitáfios
de lama, dezembros, poeira fria.
Se chovem as esperanças não acorrem
a apanhá-las na boca ao ar aberto.
Tijolo articulado a língua balbucia
"É a vida!". Sementes violadas
não germinam.
Em vão os bombardeiros os oráculos
com agulhas de sangue. Nada tentam
para vida à fala que utilizam,
ao país do cansaço que entre dentes
ressaca.
E fazem do amor essa triste umidade,
um delíquio formal logo amortalhado.
São dóceis, cibernéticos,
dia a dia premiados
de alguns gramas a mais
no chumbo do pescoço.
roendo as unhas!
Substituem as unhas por poemas
(ou cafés, futebol, anedotário)
e estilhaçam espelhos que na luz
ao seu devolvem a cruel imagem.
Vidrado limo o rosto
de rugas sem memória
assistem à vida como um filme:
disparar sobre a tela é proibido
e além do mais inútil.
Curvam ao solo os ombros
escorjados; curvam-nos para
duradouras urtigas, seixos
sem horizontes, epitáfios
de lama, dezembros, poeira fria.
Se chovem as esperanças não acorrem
a apanhá-las na boca ao ar aberto.
Tijolo articulado a língua balbucia
"É a vida!". Sementes violadas
não germinam.
Em vão os bombardeiros os oráculos
com agulhas de sangue. Nada tentam
para vida à fala que utilizam,
ao país do cansaço que entre dentes
ressaca.
E fazem do amor essa triste umidade,
um delíquio formal logo amortalhado.
São dóceis, cibernéticos,
dia a dia premiados
de alguns gramas a mais
no chumbo do pescoço.
1 585
Edmundo de Bettencourt
A Máquina Prisioneira
A máquina acabava o dia a mastigar
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
997
Edmundo de Bettencourt
A Máquina Prisioneira
A máquina acabava o dia a mastigar
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
997
Edmundo de Bettencourt
A Máquina Prisioneira
A máquina acabava o dia a mastigar
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
e aos poucos os dentes lhe caíam
perdendo-se na espuma do ar negro,
ondulante, da fábrica.
Um desejo insubmisso
de cercar os átomos gigantes
vinha encher um braço
donde surgia um corpo
lacerado
sangrento!
e donde surgia um braço
cheio de sangue novo
que libertava a máquina!
A sorrir desdentada
a máquina adormecia...
997
Eliane Pantoja Vaidya
Amo estes gregos pagãos
Amo estes gregos pagãos
que amavam a vida
a partir de um céu azul
e um mar violeta.
Amo estas montanhas cabritas
onde Safo e companhia
a de belos tornozelos
galgavam o dia.
que amavam a vida
a partir de um céu azul
e um mar violeta.
Amo estas montanhas cabritas
onde Safo e companhia
a de belos tornozelos
galgavam o dia.
886
Efer Cilas dos Santos Junior
Cinema
John Ford,John Huston e também o Preminger,
Howard Hawks,Michael Curtiz,Henry King,
Billy Wilder,René Clement e Wyler,
Stanley Donen,Cukor,Victor Fleming,
Robert Wise,Coppola,Milos Forman,
King Vidor,B.Mile,Raoul Walsh,
Woody Allen,Sergio Leone e Kasdan
Stanley Kubrick,Buñuel,Aldrich.
Todos são nomes imortais,honrosos,
Assim como seus filmes grandiosos,
Que,para sempre,entre nós,ficarão.
E as gerações futuras encantadas,
Assistirão a tudo emocionadas
E aqueles nomes memorizarão!
Howard Hawks,Michael Curtiz,Henry King,
Billy Wilder,René Clement e Wyler,
Stanley Donen,Cukor,Victor Fleming,
Robert Wise,Coppola,Milos Forman,
King Vidor,B.Mile,Raoul Walsh,
Woody Allen,Sergio Leone e Kasdan
Stanley Kubrick,Buñuel,Aldrich.
Todos são nomes imortais,honrosos,
Assim como seus filmes grandiosos,
Que,para sempre,entre nós,ficarão.
E as gerações futuras encantadas,
Assistirão a tudo emocionadas
E aqueles nomes memorizarão!
888
Efer Cilas dos Santos Junior
Viver como um Médico
Viver como um Médico
Médico é amar o semelhante,
Nunca negar ajuda a quem precisa;
Conviver com a dor que martiriza,
Lutar contra percalços como um infante!
É uma vida muito desgastante.
Não é a que o estudante idealiza,
Quando sua exaustão ele ameniza,
Com visões de uma clínica brilhante.
Ser um médico é nunca ter hora;
É estar à vontade de quem chora;
É tentar salvar quem não quer morrer...
É uma vida muito dolorosa,
Mas premiada de uma forma honrosa,
Quando um sorriso vem agradecer!
Médico é amar o semelhante,
Nunca negar ajuda a quem precisa;
Conviver com a dor que martiriza,
Lutar contra percalços como um infante!
É uma vida muito desgastante.
Não é a que o estudante idealiza,
Quando sua exaustão ele ameniza,
Com visões de uma clínica brilhante.
Ser um médico é nunca ter hora;
É estar à vontade de quem chora;
É tentar salvar quem não quer morrer...
É uma vida muito dolorosa,
Mas premiada de uma forma honrosa,
Quando um sorriso vem agradecer!
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Efer Cilas dos Santos Junior
Viver como um Médico
Viver como um Médico
Médico é amar o semelhante,
Nunca negar ajuda a quem precisa;
Conviver com a dor que martiriza,
Lutar contra percalços como um infante!
É uma vida muito desgastante.
Não é a que o estudante idealiza,
Quando sua exaustão ele ameniza,
Com visões de uma clínica brilhante.
Ser um médico é nunca ter hora;
É estar à vontade de quem chora;
É tentar salvar quem não quer morrer...
É uma vida muito dolorosa,
Mas premiada de uma forma honrosa,
Quando um sorriso vem agradecer!
Médico é amar o semelhante,
Nunca negar ajuda a quem precisa;
Conviver com a dor que martiriza,
Lutar contra percalços como um infante!
É uma vida muito desgastante.
Não é a que o estudante idealiza,
Quando sua exaustão ele ameniza,
Com visões de uma clínica brilhante.
Ser um médico é nunca ter hora;
É estar à vontade de quem chora;
É tentar salvar quem não quer morrer...
É uma vida muito dolorosa,
Mas premiada de uma forma honrosa,
Quando um sorriso vem agradecer!
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