Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Augusto de Campos
Dodecassílabos
Estala na mudez universal das coisas
estrídulo tropel de cascos sobre pedras
e naquela assonância ilhada no silêncio
o cataclismo irrompe arrebatadamente.
O doer infernal das folhas urticantes
corta a região maninha das caatingas
fazendo vacilar a marcha dos exércitos
sob uma irradiação de golpes e de tiros.
Por fim tudo se esgota e a situação não muda,
lembrando um bracejar imenso, de tortura,
em longo apelo triste, que parece um choro.
Num prodigalizar inútil de bravura
desaparecem sob as formações calcáreas
as linhas essenciais do crime e da loucura.
estrídulo tropel de cascos sobre pedras
e naquela assonância ilhada no silêncio
o cataclismo irrompe arrebatadamente.
O doer infernal das folhas urticantes
corta a região maninha das caatingas
fazendo vacilar a marcha dos exércitos
sob uma irradiação de golpes e de tiros.
Por fim tudo se esgota e a situação não muda,
lembrando um bracejar imenso, de tortura,
em longo apelo triste, que parece um choro.
Num prodigalizar inútil de bravura
desaparecem sob as formações calcáreas
as linhas essenciais do crime e da loucura.
1 415
Alfred Edward Housman
THE FAIRIES BREAK
As fadas param a dança,
Dos prados somem agora.
E já do Oriente se avança
A nau de prata da aurora.
Velas queimam castiçais.
Começa o dia a espreitar.
E o bolso apalpa o rapaz:
Será que tem de pagar?
Dos prados somem agora.
E já do Oriente se avança
A nau de prata da aurora.
Velas queimam castiçais.
Começa o dia a espreitar.
E o bolso apalpa o rapaz:
Será que tem de pagar?
1 088
Jonathan Griffin
COM ESTES OLHOS
Quem cruza o extremo sul da Groenlândia
a cinco mil metros visibilidade boa
vê, enchendo o norte azul, uma manada em susto
de chifres brancos detida por oceano.
Grenhas
se enrolando sobre
a
quietude deles.
Mas
quando se olha para baixo vêem-se
longas pardas
-
tentáculos do oceano
é o que parece,
penetrantes águas sem sol
entre
as frontes de prata -
agudas enseadas (um calafrio como que sobe desde
o pardo - a gente, numa nave tépida,
estremece).
Há uma esbranquiçada monótona sarna sobre as águas tristes
Presas nela
dispersas
lascas
de pureza -
Minha mãe em jovem ouviu no Spitzbergue
trovões, o
nascer de icebergues
Num relance
dos olhos e pensar
vi
o
ciclo
vi os
ventos para sempre
de sobre a
curva do mundo
trazendo nuvens para os chifres de rocha rasgarem em neve -
e para
baixo
devagar
os glaciares fluem
e estalando
caem em fiordes -
e, primeiro apertadas na massa, altivamente
as ninfas
de gelo as graves fúrias
soltam-se livres
só para
seguirem a corrente chupada
pela
seca do Equador -
as longas
garras do sol -
para
o sul
vi
o aberto
uma corrente levando
entes esquisitos - esmeraldas sobre
o
mar -
só que mais pálidas, intensidades pálidas cada uma
com
uma
fina fímbria de branco -
jóias de doce água primeva
perpétua frota.
navios
de
água
a cinco mil metros visibilidade boa
vê, enchendo o norte azul, uma manada em susto
de chifres brancos detida por oceano.
Grenhas
se enrolando sobre
a
quietude deles.
Mas
quando se olha para baixo vêem-se
longas pardas
-
tentáculos do oceano
é o que parece,
penetrantes águas sem sol
entre
as frontes de prata -
agudas enseadas (um calafrio como que sobe desde
o pardo - a gente, numa nave tépida,
estremece).
Há uma esbranquiçada monótona sarna sobre as águas tristes
Presas nela
dispersas
lascas
de pureza -
Minha mãe em jovem ouviu no Spitzbergue
trovões, o
nascer de icebergues
Num relance
dos olhos e pensar
vi
o
ciclo
vi os
ventos para sempre
de sobre a
curva do mundo
trazendo nuvens para os chifres de rocha rasgarem em neve -
e para
baixo
devagar
os glaciares fluem
e estalando
caem em fiordes -
e, primeiro apertadas na massa, altivamente
as ninfas
de gelo as graves fúrias
soltam-se livres
só para
seguirem a corrente chupada
pela
seca do Equador -
as longas
garras do sol -
para
o sul
vi
o aberto
uma corrente levando
entes esquisitos - esmeraldas sobre
o
mar -
só que mais pálidas, intensidades pálidas cada uma
com
uma
fina fímbria de branco -
jóias de doce água primeva
perpétua frota.
navios
de
água
643
Jonathan Griffin
COM ESTES OLHOS
Quem cruza o extremo sul da Groenlândia
a cinco mil metros visibilidade boa
vê, enchendo o norte azul, uma manada em susto
de chifres brancos detida por oceano.
Grenhas
se enrolando sobre
a
quietude deles.
Mas
quando se olha para baixo vêem-se
longas pardas
-
tentáculos do oceano
é o que parece,
penetrantes águas sem sol
entre
as frontes de prata -
agudas enseadas (um calafrio como que sobe desde
o pardo - a gente, numa nave tépida,
estremece).
Há uma esbranquiçada monótona sarna sobre as águas tristes
Presas nela
dispersas
lascas
de pureza -
Minha mãe em jovem ouviu no Spitzbergue
trovões, o
nascer de icebergues
Num relance
dos olhos e pensar
vi
o
ciclo
vi os
ventos para sempre
de sobre a
curva do mundo
trazendo nuvens para os chifres de rocha rasgarem em neve -
e para
baixo
devagar
os glaciares fluem
e estalando
caem em fiordes -
e, primeiro apertadas na massa, altivamente
as ninfas
de gelo as graves fúrias
soltam-se livres
só para
seguirem a corrente chupada
pela
seca do Equador -
as longas
garras do sol -
para
o sul
vi
o aberto
uma corrente levando
entes esquisitos - esmeraldas sobre
o
mar -
só que mais pálidas, intensidades pálidas cada uma
com
uma
fina fímbria de branco -
jóias de doce água primeva
perpétua frota.
navios
de
água
a cinco mil metros visibilidade boa
vê, enchendo o norte azul, uma manada em susto
de chifres brancos detida por oceano.
Grenhas
se enrolando sobre
a
quietude deles.
Mas
quando se olha para baixo vêem-se
longas pardas
-
tentáculos do oceano
é o que parece,
penetrantes águas sem sol
entre
as frontes de prata -
agudas enseadas (um calafrio como que sobe desde
o pardo - a gente, numa nave tépida,
estremece).
Há uma esbranquiçada monótona sarna sobre as águas tristes
Presas nela
dispersas
lascas
de pureza -
Minha mãe em jovem ouviu no Spitzbergue
trovões, o
nascer de icebergues
Num relance
dos olhos e pensar
vi
o
ciclo
vi os
ventos para sempre
de sobre a
curva do mundo
trazendo nuvens para os chifres de rocha rasgarem em neve -
e para
baixo
devagar
os glaciares fluem
e estalando
caem em fiordes -
e, primeiro apertadas na massa, altivamente
as ninfas
de gelo as graves fúrias
soltam-se livres
só para
seguirem a corrente chupada
pela
seca do Equador -
as longas
garras do sol -
para
o sul
vi
o aberto
uma corrente levando
entes esquisitos - esmeraldas sobre
o
mar -
só que mais pálidas, intensidades pálidas cada uma
com
uma
fina fímbria de branco -
jóias de doce água primeva
perpétua frota.
navios
de
água
643
Friedrich Hölderlin
Lembrança
Sopra o nordeste,
O mais grato dos ventos:
Grato a mim porque é cálido, e aos marujos
Porque promete fácil travessia.
Eia, saúda agora
O formoso Garona
E os jardins de Bordéus
Lá coleia na íngreme ribeira
A vereda, e no rio
Se despenha o regato; mas acima
Olha o par generoso
De álamos e carvalhos.
Ainda me lembro bem e como
As largas copas curva
O olmedo sobre o moinho.
No pátio há uma figueira.
E nos dias feriados,
Pisando o chão sedoso
Passeiam mulheres morenas
No mês de março
Quanto o dia é igual à noite
E nos lentos caminhos
De áureos sonhos pejados
Sopram brisas embaladoras.
Mas estenda-me alguém,
Da escura luz repleto
O aromado copo
Para que eu possa descansar; pois doce
Seria o sono à sombra.
Também não fora bem
Privar-se de mortais
Pensamentos, que bom
É conversar; dizer
O que se sente, ouvir falar de amores,
De coisas passadas.
Porém que é dos amigos? Belarmino
E o companheiro? Muitos
Têm medo de ir à fonte.
É que a riqueza principia
No mar. Ora, eles
Reúnem como pintores
As belezas da terra e não desprezam
A alada guerra não,
Nem desdenham morar anos a fio
Sob o mastro sem folhas, onde à noite
Não há as luminárias da cidade,
Nem dança e música nativa.
Mas hoje aos Índios
Foram-se os homens,
Ali, na extremidade
Das montanhas cobertas de vinhas
Donde baixa o Dordonha,
Acaba o rio no Garona
Largo como o Oceano. Todavia
O mar toma e devolve a lembrança.
O amor também demora a olhar debalde.
O que perdura porém, fundam-no os poetas.
(Tradução de Manuel Bandeira)
O mais grato dos ventos:
Grato a mim porque é cálido, e aos marujos
Porque promete fácil travessia.
Eia, saúda agora
O formoso Garona
E os jardins de Bordéus
Lá coleia na íngreme ribeira
A vereda, e no rio
Se despenha o regato; mas acima
Olha o par generoso
De álamos e carvalhos.
Ainda me lembro bem e como
As largas copas curva
O olmedo sobre o moinho.
No pátio há uma figueira.
E nos dias feriados,
Pisando o chão sedoso
Passeiam mulheres morenas
No mês de março
Quanto o dia é igual à noite
E nos lentos caminhos
De áureos sonhos pejados
Sopram brisas embaladoras.
Mas estenda-me alguém,
Da escura luz repleto
O aromado copo
Para que eu possa descansar; pois doce
Seria o sono à sombra.
Também não fora bem
Privar-se de mortais
Pensamentos, que bom
É conversar; dizer
O que se sente, ouvir falar de amores,
De coisas passadas.
Porém que é dos amigos? Belarmino
E o companheiro? Muitos
Têm medo de ir à fonte.
É que a riqueza principia
No mar. Ora, eles
Reúnem como pintores
As belezas da terra e não desprezam
A alada guerra não,
Nem desdenham morar anos a fio
Sob o mastro sem folhas, onde à noite
Não há as luminárias da cidade,
Nem dança e música nativa.
Mas hoje aos Índios
Foram-se os homens,
Ali, na extremidade
Das montanhas cobertas de vinhas
Donde baixa o Dordonha,
Acaba o rio no Garona
Largo como o Oceano. Todavia
O mar toma e devolve a lembrança.
O amor também demora a olhar debalde.
O que perdura porém, fundam-no os poetas.
(Tradução de Manuel Bandeira)
1 273
Konstantínos Kaváfis
NUM LIVRO VELHO
NUM LIVRO VELHO
Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».
Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».
Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.
Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».
Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».
Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.
1 448
Konstantínos Kaváfis
NUM LIVRO VELHO
NUM LIVRO VELHO
Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».
Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».
Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.
Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».
Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».
Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.
1 448
Marcial
V, 59-A ESTELA
Se prata não, e se ouro te não mando,
Discreta Estela, é só para teu bem.
O que dá muito, algo deseja em troca.
Estes de barro vasos, não te obrigam.
Discreta Estela, é só para teu bem.
O que dá muito, algo deseja em troca.
Estes de barro vasos, não te obrigam.
782
Marcial
V, 81 - A EMILIANO
Sempre pobre serás, se tu és pobre.
Ninguém dá hoje que o não dê aos ricos.
Ninguém dá hoje que o não dê aos ricos.
1 017
Marcial
V, 81 - A EMILIANO
Sempre pobre serás, se tu és pobre.
Ninguém dá hoje que o não dê aos ricos.
Ninguém dá hoje que o não dê aos ricos.
1 017
Alfred Edward Housman
FAREWELL TO A NAME
Adeus a um número e um nome
Que foi chamado
À treva, silêncio e sono
Do sangue derramado.
Assim cessa em acto
E volta ao fim.
Soldado à pátria barato
E caro para mim.
Assim em sangue se afoga
O chamejante açoite
De uma verdade que volta
Ao pó e à noite.
Que foi chamado
À treva, silêncio e sono
Do sangue derramado.
Assim cessa em acto
E volta ao fim.
Soldado à pátria barato
E caro para mim.
Assim em sangue se afoga
O chamejante açoite
De uma verdade que volta
Ao pó e à noite.
1 253
Alfred Edward Housman
FAREWELL TO A NAME
Adeus a um número e um nome
Que foi chamado
À treva, silêncio e sono
Do sangue derramado.
Assim cessa em acto
E volta ao fim.
Soldado à pátria barato
E caro para mim.
Assim em sangue se afoga
O chamejante açoite
De uma verdade que volta
Ao pó e à noite.
Que foi chamado
À treva, silêncio e sono
Do sangue derramado.
Assim cessa em acto
E volta ao fim.
Soldado à pátria barato
E caro para mim.
Assim em sangue se afoga
O chamejante açoite
De uma verdade que volta
Ao pó e à noite.
1 253
Robert Graves
BOMBARDEAMENTO NA ALVORADA
Canhões do mar atiram sobre nós:
Na casamata o fumo oscila opaco
E um clamor de perdição ascende.
Contamos, bendizemos cada novo abalo -
Cativos aguardando ser libertos.
Anjo visitador de cabeleira em fogo,
O qual em sonhos vinha às noites consolar-nos
Lá onde éramos a ferros,
De nós se ri, ao acordarmos - rostos
Tão tensos de esperança: as lágrimas os descem.
Na casamata o fumo oscila opaco
E um clamor de perdição ascende.
Contamos, bendizemos cada novo abalo -
Cativos aguardando ser libertos.
Anjo visitador de cabeleira em fogo,
O qual em sonhos vinha às noites consolar-nos
Lá onde éramos a ferros,
De nós se ri, ao acordarmos - rostos
Tão tensos de esperança: as lágrimas os descem.
1 053
Robert Graves
BOMBARDEAMENTO NA ALVORADA
Canhões do mar atiram sobre nós:
Na casamata o fumo oscila opaco
E um clamor de perdição ascende.
Contamos, bendizemos cada novo abalo -
Cativos aguardando ser libertos.
Anjo visitador de cabeleira em fogo,
O qual em sonhos vinha às noites consolar-nos
Lá onde éramos a ferros,
De nós se ri, ao acordarmos - rostos
Tão tensos de esperança: as lágrimas os descem.
Na casamata o fumo oscila opaco
E um clamor de perdição ascende.
Contamos, bendizemos cada novo abalo -
Cativos aguardando ser libertos.
Anjo visitador de cabeleira em fogo,
O qual em sonhos vinha às noites consolar-nos
Lá onde éramos a ferros,
De nós se ri, ao acordarmos - rostos
Tão tensos de esperança: as lágrimas os descem.
1 053
Alfred Edward Housman
EPITÁFIO PARA UM EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS
Estes, no dia em qual o céu tombava,
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.
Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.
Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.
1 441
Alfred Edward Housman
EPITÁFIO PARA UM EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS
Estes, no dia em qual o céu tombava,
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.
Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.
Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.
1 441
Alfred Edward Housman
EPITÁFIO PARA UM EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS
Estes, no dia em qual o céu tombava,
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.
Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.
Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.
1 441
Jonathan Griffin
O CREDO AGNÓSTICO
Meu timbre a dúvida. Acredito
no credo agnóstico - duvidar até estar morto
e contudo viver para acolher
não fugir ao dar-se do acto da fé,
não fugir a desconfiar dele, até que a morte
aqui está, alisou a fé e a dúvida.
no credo agnóstico - duvidar até estar morto
e contudo viver para acolher
não fugir ao dar-se do acto da fé,
não fugir a desconfiar dele, até que a morte
aqui está, alisou a fé e a dúvida.
948
Emily Dickinson
À PORTA DE DEUS
Duas vezes perdi tudo
E foi debaixo da terra.
Duas vezes parei mendiga
Á porta de Deus.
Duas vezes os anjos, descendo dos céus,
Reembolsaram-me de minhas provisões.
Ladrão, banqueiro, pai,
Estou pobre mais uma vez!
E foi debaixo da terra.
Duas vezes parei mendiga
Á porta de Deus.
Duas vezes os anjos, descendo dos céus,
Reembolsaram-me de minhas provisões.
Ladrão, banqueiro, pai,
Estou pobre mais uma vez!
1 932
Emily Dickinson
À PORTA DE DEUS
Duas vezes perdi tudo
E foi debaixo da terra.
Duas vezes parei mendiga
Á porta de Deus.
Duas vezes os anjos, descendo dos céus,
Reembolsaram-me de minhas provisões.
Ladrão, banqueiro, pai,
Estou pobre mais uma vez!
E foi debaixo da terra.
Duas vezes parei mendiga
Á porta de Deus.
Duas vezes os anjos, descendo dos céus,
Reembolsaram-me de minhas provisões.
Ladrão, banqueiro, pai,
Estou pobre mais uma vez!
1 932
Alfred Edward Housman
THE LAWS OF GOD
Lei de Deus e lei humana,
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
1 206
Alfred Edward Housman
THE LAWS OF GOD
Lei de Deus e lei humana,
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
1 206
Alfred Edward Housman
THE LAWS OF GOD
Lei de Deus e lei humana,
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
1 206
Alfred Edward Housman
THE LAWS OF GOD
Lei de Deus e lei humana,
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
Que as respeite quem se dana.
Eu não: os homens e Deus
Façam as leis para os seus.
E se como eles não sou,
VáCHse à vida como eu vou.
Condeno tanto os seus feitos!
Quando foi que os quis direitos?
Que se avenham. Não gostando,
Voltem cara e vão andando.
Mas qual! Não largam ninguém
Até quebrá-lo por bem.
E prendem-me em suas teias,
Infernos, forcas, cadeias.
E ser mais duro alguém há-de
Que diva e humana maldade?
Estranho e em terror, que farei
Num mundo que não criei?
São senhores de grande porte,
Cada qual mais asno e forte.
Ó minhalma, se é uma treta
Voar para outro planeta,
Respeite-se o que nos dana:
Lei de Deus e lei humana.
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