Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Al Berto
Truque do Meu Amigo da Rua
ao acaso encontrei-te encostado a uma esquina
olhar vazio varrendo a multidão, parei
sorri e tu vieste, fomos andando
os ombros tocavam-se, em direcção a casa
pediste-me para tomar um duche, eu deitei-me
ouvi o barulho da água resvalando pelo teu corpo sujo da cidade e de engates
sujo pelos dias e noites e mais dias que não tive
esperei-te deitado, outro cigarro
e ainda espero
gosto dos corpos que riem, frescos
rasgam-se à ternura nocturna dos dedos, e ao desejo
húmido da boca, que sempre percorre e descobre
tacteio-te de alto a baixo
reconhecendo-te num gemido que também me pertence, no escuro
contaste-me uma improvável aventura de tarzan, ouvia-te
e no silêncio do quarto fulguravam aves que só eu via
sorri ao enumerar os restos que a manhã encontraria pelo chão
manchas de esperma, ténis esburacados, calças sujíssimas, blusão cheio
de autocolantes,
peúgas encortiçadas pelo suor
as cuecas rotas, sujas de merda
e tuas mãos, recordo-me
sobretudo de tuas mãos imensas sobre o peito
teu corpo nu, à beira da cama, no sossegado sono.
olhar vazio varrendo a multidão, parei
sorri e tu vieste, fomos andando
os ombros tocavam-se, em direcção a casa
pediste-me para tomar um duche, eu deitei-me
ouvi o barulho da água resvalando pelo teu corpo sujo da cidade e de engates
sujo pelos dias e noites e mais dias que não tive
esperei-te deitado, outro cigarro
e ainda espero
gosto dos corpos que riem, frescos
rasgam-se à ternura nocturna dos dedos, e ao desejo
húmido da boca, que sempre percorre e descobre
tacteio-te de alto a baixo
reconhecendo-te num gemido que também me pertence, no escuro
contaste-me uma improvável aventura de tarzan, ouvia-te
e no silêncio do quarto fulguravam aves que só eu via
sorri ao enumerar os restos que a manhã encontraria pelo chão
manchas de esperma, ténis esburacados, calças sujíssimas, blusão cheio
de autocolantes,
peúgas encortiçadas pelo suor
as cuecas rotas, sujas de merda
e tuas mãos, recordo-me
sobretudo de tuas mãos imensas sobre o peito
teu corpo nu, à beira da cama, no sossegado sono.
7 098
3
Gilka Machado
Ser mulher
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
4 672
3
Gilka Machado
Ser mulher
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
4 672
3
Gilka Machado
Ser mulher
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
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3
Zélia Duncan
Não tem volta
Se você vai por muito tempo
você nunca volta.
Você retorna,
Você contorna
mas não tem volta
a estrada te sopra pro alto
pra outro lado
enquanto
aquele tempo
vai mudando.
Aí, de quando
em quando você lembra
aquele beijo,
aquele medo
mas você sabe
que tudo ficou antigo
e você não volta
nem com escolta
nem amarrado
porque o passado
já te perdeu
e o perigo
muda mesmo de endereço
Não existe pretexto.
O dia mudou
o carteiro não veio
o principio é o meio
e você retorna
mas não tem volta.
você nunca volta.
Você retorna,
Você contorna
mas não tem volta
a estrada te sopra pro alto
pra outro lado
enquanto
aquele tempo
vai mudando.
Aí, de quando
em quando você lembra
aquele beijo,
aquele medo
mas você sabe
que tudo ficou antigo
e você não volta
nem com escolta
nem amarrado
porque o passado
já te perdeu
e o perigo
muda mesmo de endereço
Não existe pretexto.
O dia mudou
o carteiro não veio
o principio é o meio
e você retorna
mas não tem volta.
1 097
3
António Ramos Rosa
Tu Pensas que os Cardeais
Tu pensas
que os cardeais
não se masturbam,
que não vêem
as telenovelas,
que vêem, quando muito, os filmes de Bergman
e o Evangelho segundo São Mateus de Pasolini.
Não, eles nunca lêem os livros pornográficos
e nunca pensaram em ter amantes.
Eles não conhecem o turbilhão das visões
das figuras eróticas,
eles lêem os exercícios espirituais
de Santo Inácio
e têm o odor da santidade
e irão para o céu porque nunca pecaram,
nunca acariciaram um pénis,
nunca o desejaram túmido e ardente
na sua boca casta.
Ah os cardeais como são exemplares
mesmo quando os espelhos os perseguem
com os membros e órgãos de mulheres
na fulguração da nudez liquida e candente!
Todavia eu conheço a obstinada chama
do desejo,
a sua glauca ondulação,
os seus olhos deslumbrados pela oceânica
vertigem
de um corpo embriagado pela sua simetria
e pela volúvel coerência
dos seus astros dispersos.
Não, eu não creio na inocência imaculada
dos solenes cardeais.
Eu sei que a sua carne é a mesma argila
incandescente e turva
de que o meu corpo frágil é composto.
Eles conhecem o sofrimento de ser duplos,
o vazio do desejo,
a violência nua das imagens monstruosas,
a adolescência do fogo nos labirintos negros.
Mas eu sei que os cardeais não gritam,
nem levantam a voz,
nem atravessam a fronteira do pudor
e adormecem ao rumor das orações.
É esta imagem que eu quero conservar
na religiosa monotonia do meu sono.
que os cardeais
não se masturbam,
que não vêem
as telenovelas,
que vêem, quando muito, os filmes de Bergman
e o Evangelho segundo São Mateus de Pasolini.
Não, eles nunca lêem os livros pornográficos
e nunca pensaram em ter amantes.
Eles não conhecem o turbilhão das visões
das figuras eróticas,
eles lêem os exercícios espirituais
de Santo Inácio
e têm o odor da santidade
e irão para o céu porque nunca pecaram,
nunca acariciaram um pénis,
nunca o desejaram túmido e ardente
na sua boca casta.
Ah os cardeais como são exemplares
mesmo quando os espelhos os perseguem
com os membros e órgãos de mulheres
na fulguração da nudez liquida e candente!
Todavia eu conheço a obstinada chama
do desejo,
a sua glauca ondulação,
os seus olhos deslumbrados pela oceânica
vertigem
de um corpo embriagado pela sua simetria
e pela volúvel coerência
dos seus astros dispersos.
Não, eu não creio na inocência imaculada
dos solenes cardeais.
Eu sei que a sua carne é a mesma argila
incandescente e turva
de que o meu corpo frágil é composto.
Eles conhecem o sofrimento de ser duplos,
o vazio do desejo,
a violência nua das imagens monstruosas,
a adolescência do fogo nos labirintos negros.
Mas eu sei que os cardeais não gritam,
nem levantam a voz,
nem atravessam a fronteira do pudor
e adormecem ao rumor das orações.
É esta imagem que eu quero conservar
na religiosa monotonia do meu sono.
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3
Joaquim Namorado
Fábula
No tempo em que os animais falavam.
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
2 531
3
Joaquim Namorado
Fábula
No tempo em que os animais falavam.
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
2 531
3
Joaquim Namorado
Fábula
No tempo em que os animais falavam.
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
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3
Terêncio Anahory
Porto Grande
Porto Grande
baía largada no meio do mar...
(Tem lotação para cem vapores!)
O perfil montanhoso de Stº. Antão
é um tapume dos ventos do noroeste.
Monte-Cara e Monte-Verde aguentam firme
toda a maresia do Atlântico.
Se o mar em crista entra por João Ribeiro e S. Pedro
logo vai morrer manso no afago irresistível to teu porto.
O ilhéu ficou indeciso
a meio caminho do canal
como que a querer ser o ponto de ligação
entre duas ilhas irmãs.
(Sonho de uma ponte majestosa passando ali...)
Vapores do norte
Vapores do sul
Vêm e vão...
(Haverá ainda o sino da Companhia?
Uma badalada: Vapor de norte
Duas badaladas: Vapor do sul.)
As luzes de navegação
as lâmpadas a néon dos grandes paquetes
e as lanternas a petróleo dos veleiros
são uma sinfonia de cor...
Pirilampos nas noites da baía!
Vozes
ecoando no meio do mar
saindo do fundo das embarcações...
Um apito um assobio
tomam sonoridades estranhas
evocam histórias antigas...
De longe em longe um cão ladra
e o cholop cholop dos barcos ancorados
enche com a sua melodia os espaços vazios.
Quando chega a madrugada
e os contornos do dia se vão definindo
imprecisamente
no meio da baía um galo canta a sua canção de aurora.
baía largada no meio do mar...
(Tem lotação para cem vapores!)
O perfil montanhoso de Stº. Antão
é um tapume dos ventos do noroeste.
Monte-Cara e Monte-Verde aguentam firme
toda a maresia do Atlântico.
Se o mar em crista entra por João Ribeiro e S. Pedro
logo vai morrer manso no afago irresistível to teu porto.
O ilhéu ficou indeciso
a meio caminho do canal
como que a querer ser o ponto de ligação
entre duas ilhas irmãs.
(Sonho de uma ponte majestosa passando ali...)
Vapores do norte
Vapores do sul
Vêm e vão...
(Haverá ainda o sino da Companhia?
Uma badalada: Vapor de norte
Duas badaladas: Vapor do sul.)
As luzes de navegação
as lâmpadas a néon dos grandes paquetes
e as lanternas a petróleo dos veleiros
são uma sinfonia de cor...
Pirilampos nas noites da baía!
Vozes
ecoando no meio do mar
saindo do fundo das embarcações...
Um apito um assobio
tomam sonoridades estranhas
evocam histórias antigas...
De longe em longe um cão ladra
e o cholop cholop dos barcos ancorados
enche com a sua melodia os espaços vazios.
Quando chega a madrugada
e os contornos do dia se vão definindo
imprecisamente
no meio da baía um galo canta a sua canção de aurora.
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3
Antero de Quental
O Inconsciente
O espectro familiar que anda comigo
Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto...
E outras muitas ansioso espreito e sigo,
É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascético e composto,
Mil vezes abro a boca ... e nada digo.
Só uma vez ousei interrogá-lo:
Quem és, (lhe perguntei com grande abalo)
Fantasma a quem odeio e a quem amo?
- Teus irmãos, (respondei) os vãos humanos,
chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo..
Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto...
E outras muitas ansioso espreito e sigo,
É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascético e composto,
Mil vezes abro a boca ... e nada digo.
Só uma vez ousei interrogá-lo:
Quem és, (lhe perguntei com grande abalo)
Fantasma a quem odeio e a quem amo?
- Teus irmãos, (respondei) os vãos humanos,
chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo..
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3
Edimilson de Almeida Pereira
Família Lugar
Um rio não divide
duas margens.
O que se planta nos lados
é que o separa.
Aqui o cemitério
lá lagoa da trindade.
Aqui os entregues
lá os escolhidos
em severa matemática.
Para um devoto
tudo é muitas coisas.
Uma ravina de águas
que envolve
vivos e mortos.
Por isso é direito
passar a um lado do rio
a capela
e o cemitério.
Em ambos se viaja
bem vestido e forro.
Em ambos espera
um domingo
de várias línguas.
Aqui no cemitério
homens multiplicam.
E o que fazem
está na oficina
do entendimento.
Essa é a margem
silenciosa do rio.
E mal permite
a ruga do tamboril.
Lá a capela
nave sem instrumentos.
Nela o que inspira
é a música os santos
no reinado.
Um negro do rosário
faz uma as outras coisas.
Na ravina do rio
lá e aqui são capela
e cemitério.
Estamos nós, os Bianos,
de enigma resolvido.
A lagoa onde somos
tem idéias de rio.
Aqui e lá peças
dos olhos em movimento.
Como são na diferença
os mesmos Deus
e Zambiapungo.
duas margens.
O que se planta nos lados
é que o separa.
Aqui o cemitério
lá lagoa da trindade.
Aqui os entregues
lá os escolhidos
em severa matemática.
Para um devoto
tudo é muitas coisas.
Uma ravina de águas
que envolve
vivos e mortos.
Por isso é direito
passar a um lado do rio
a capela
e o cemitério.
Em ambos se viaja
bem vestido e forro.
Em ambos espera
um domingo
de várias línguas.
Aqui no cemitério
homens multiplicam.
E o que fazem
está na oficina
do entendimento.
Essa é a margem
silenciosa do rio.
E mal permite
a ruga do tamboril.
Lá a capela
nave sem instrumentos.
Nela o que inspira
é a música os santos
no reinado.
Um negro do rosário
faz uma as outras coisas.
Na ravina do rio
lá e aqui são capela
e cemitério.
Estamos nós, os Bianos,
de enigma resolvido.
A lagoa onde somos
tem idéias de rio.
Aqui e lá peças
dos olhos em movimento.
Como são na diferença
os mesmos Deus
e Zambiapungo.
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3
Gregório de Matos
Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia
A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
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3
Gregório de Matos
Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia
A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
5 874
3
Gregório de Matos
Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia
A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
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3
Vera Romariz
Penúltima Edição
A linguagem espreita
e ataca
livro é sempre
penúltima edição
da estória da rua
A criança toca o próprio corpo
e constrói poemas sem letra
no proibido desejo
e o diário é parte pequena
do gozo primeiro
que conta sem levar em conta
incontável
A penúltima edição
é mais que a antepenúltima
parcela, apenas, da linguagem
que espreita e ataca
na tela dos loucos
asilados e libertos
que pintam demônios
com as mãos impregnadas
de barbitúricos
no silêncio dos olhos arregalados
da vítima de estupro
Livro é sempre
penúltima edição da estória da rua
e do corpo inteiro
olhos apenas vêem
a edição antiga
e ataca
livro é sempre
penúltima edição
da estória da rua
A criança toca o próprio corpo
e constrói poemas sem letra
no proibido desejo
e o diário é parte pequena
do gozo primeiro
que conta sem levar em conta
incontável
A penúltima edição
é mais que a antepenúltima
parcela, apenas, da linguagem
que espreita e ataca
na tela dos loucos
asilados e libertos
que pintam demônios
com as mãos impregnadas
de barbitúricos
no silêncio dos olhos arregalados
da vítima de estupro
Livro é sempre
penúltima edição da estória da rua
e do corpo inteiro
olhos apenas vêem
a edição antiga
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3
Gregório de Matos
Anjo Bento
Destes que campam no mundo
Sem ter engenho profundo
E, entre gabos dos amigos,
Os vemos em papafigos
Sem tempestade, nem vento:
Anjo Bento!
De quem com letras secretas
Tudo o que alcança é por tretas,
Baculejando sem pejo,
Por matar o seu desejo,
Desde a manhã té à tarde:
Deus me guarde!
Do que passeia farfante,
Muito prezado de amante,
Por fora luvas, galões,
Insígnias, armas, bastões,
Por dentro pão bolorento:
Anjo Bento!
Destes beatos fingidos,
Cabisbaixos, encolhidos,
Por dentro fatais maganos,
Sendo nas caras uns Janos:
Que fazem do vício alarde:
Deus me guarde!
Que vejamos teso andar
Quem mal sabe engatinhar,
Muito inteiro e presumido,
Ficando o outro abatido
Com maior merecimento:
Anjo Bento!
Destes avaros mofinos,
Que põem na mesa pepinos,
De toda a iguaria isenta,
Com seu limão e pimenta,
Porque diz que o queima e arde:
Deus me guarde!
Sem ter engenho profundo
E, entre gabos dos amigos,
Os vemos em papafigos
Sem tempestade, nem vento:
Anjo Bento!
De quem com letras secretas
Tudo o que alcança é por tretas,
Baculejando sem pejo,
Por matar o seu desejo,
Desde a manhã té à tarde:
Deus me guarde!
Do que passeia farfante,
Muito prezado de amante,
Por fora luvas, galões,
Insígnias, armas, bastões,
Por dentro pão bolorento:
Anjo Bento!
Destes beatos fingidos,
Cabisbaixos, encolhidos,
Por dentro fatais maganos,
Sendo nas caras uns Janos:
Que fazem do vício alarde:
Deus me guarde!
Que vejamos teso andar
Quem mal sabe engatinhar,
Muito inteiro e presumido,
Ficando o outro abatido
Com maior merecimento:
Anjo Bento!
Destes avaros mofinos,
Que põem na mesa pepinos,
De toda a iguaria isenta,
Com seu limão e pimenta,
Porque diz que o queima e arde:
Deus me guarde!
7 312
3
Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
5 131
3
Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
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3
Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
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Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
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Papiniano Carlos
Caminhemos Serenos
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
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Papiniano Carlos
Caminhemos Serenos
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
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Oswald de Andrade
A Descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
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