Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Eduardo Valente da Fonseca
Deve-se amar o perto
O homem
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
954
Eduardo Valente da Fonseca
Deve-se amar o perto
O homem
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
954
Angela Santos
Casual
É
noite
uma casa ao longe,
pequenos olhos acesos
favos de gesso suspensos
na vertical
Azulejo púrpura
telhado de uniforme
laranja
E aqui tão perto
o miar de um felino…
fome ou cio?
noite
uma casa ao longe,
pequenos olhos acesos
favos de gesso suspensos
na vertical
Azulejo púrpura
telhado de uniforme
laranja
E aqui tão perto
o miar de um felino…
fome ou cio?
1 123
Angela Santos
Casual
É
noite
uma casa ao longe,
pequenos olhos acesos
favos de gesso suspensos
na vertical
Azulejo púrpura
telhado de uniforme
laranja
E aqui tão perto
o miar de um felino…
fome ou cio?
noite
uma casa ao longe,
pequenos olhos acesos
favos de gesso suspensos
na vertical
Azulejo púrpura
telhado de uniforme
laranja
E aqui tão perto
o miar de um felino…
fome ou cio?
1 123
Angela Santos
Paradoxo
Na
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
1 033
Angela Santos
Paradoxo
Na
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
1 033
Angela Santos
Entrelinhas
Ali
naquele instante em que não paramos,
não vimos
que não há dias iguais
no seu aparente igual suceder
Um banco de jardim
um sol morno
a tarde que lenta cai,
rodopiando em correrias
uma criança, um cão
e lá longe a linha do horizonte
fundindo tons de azul
Aqui, fixando um sol laranja
dois amantes se entreolham
e tocam num gesto subtil,
seus dedos se enlaçam
e de repente o corpo respira desejo.
E enchem a vida
os quotidianos, vulgares, ínfimos sinais
passamos, e passamos adiante
sem decifrar na superfície do acontecer
que nada se repete,
que não há dias iguais.
naquele instante em que não paramos,
não vimos
que não há dias iguais
no seu aparente igual suceder
Um banco de jardim
um sol morno
a tarde que lenta cai,
rodopiando em correrias
uma criança, um cão
e lá longe a linha do horizonte
fundindo tons de azul
Aqui, fixando um sol laranja
dois amantes se entreolham
e tocam num gesto subtil,
seus dedos se enlaçam
e de repente o corpo respira desejo.
E enchem a vida
os quotidianos, vulgares, ínfimos sinais
passamos, e passamos adiante
sem decifrar na superfície do acontecer
que nada se repete,
que não há dias iguais.
1 029
Angela Santos
Ao Sul
Nas
terras do sul
há uma lonjura que entra pelos olhos
Instala-se na alma e deixa-se ficar
Nas terras do sul
há homens cansados, colados às paredes
brancas de cal lisa
A planície entende-se e lembra o mar
outras vezes lembra
um deserto vasto a perder de vista
E os homens do sul
cansados de olhar o que foi planície
e parece mar
quando o sol abrasa perdem-se na miragem
que os desertos guardam
Nas terras do sul
há um destino vago e dias de incerteza
e é junto às árvores
que se erguem a prumo e a sombra espelham
que param cansados e choram a terra
com seu olhar vago, seu olhar sem rumo
E na corda a prumo que à arvore se enlaça
em silencio acenam um ultimo adeus
ao sol, à planície, ao vazio ao mundo.
terras do sul
há uma lonjura que entra pelos olhos
Instala-se na alma e deixa-se ficar
Nas terras do sul
há homens cansados, colados às paredes
brancas de cal lisa
A planície entende-se e lembra o mar
outras vezes lembra
um deserto vasto a perder de vista
E os homens do sul
cansados de olhar o que foi planície
e parece mar
quando o sol abrasa perdem-se na miragem
que os desertos guardam
Nas terras do sul
há um destino vago e dias de incerteza
e é junto às árvores
que se erguem a prumo e a sombra espelham
que param cansados e choram a terra
com seu olhar vago, seu olhar sem rumo
E na corda a prumo que à arvore se enlaça
em silencio acenam um ultimo adeus
ao sol, à planície, ao vazio ao mundo.
994
Angela Santos
Os Cinco Sentidos
Olho a nuvem
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
679
Angela Santos
Ímpeto
Espraiam-se
os olhos
lonjura de mar que acerca
o infinito
Pendentes no ondear
os sentidos adormecem
a saudade de azul e sal
abrem-se os mastros
ao sol
a nave inteira reflectida
funde-se no movimento das marés,
nas velas e na proa
o ímpeto que a viagem anuncia.
Gasto o momento
de permanências ancoradas
os remos ensaiam o gesto
de asas
rasgando o espaço e o tempo
da demora.
os olhos
lonjura de mar que acerca
o infinito
Pendentes no ondear
os sentidos adormecem
a saudade de azul e sal
abrem-se os mastros
ao sol
a nave inteira reflectida
funde-se no movimento das marés,
nas velas e na proa
o ímpeto que a viagem anuncia.
Gasto o momento
de permanências ancoradas
os remos ensaiam o gesto
de asas
rasgando o espaço e o tempo
da demora.
1 039
Angela Santos
Presença
Danam-se
os ventos da alma
e tudo se agita e confunde
no seio do turbilhão
Ainda que eu não saiba
Vou
levada na tempestade
o que me leva não se diz
ou sabe
vou porque sim, sem perguntas
levada vou.
Grandes as presenças
da vida e da morte
abraçamos uma
rechaçamos a outra
sem nada saber…
Que outro olhar
ou dimensão do ver
pode acercar a infinita presença,
vida e morte
morte e vida
tão extremas tão unidas...
Pudesse a vida
ser só celebração, cores, aromas
terra, húmus , simples sentir
e a morte
essa dimensão maior
que aceitássemos não saber.
os ventos da alma
e tudo se agita e confunde
no seio do turbilhão
Ainda que eu não saiba
Vou
levada na tempestade
o que me leva não se diz
ou sabe
vou porque sim, sem perguntas
levada vou.
Grandes as presenças
da vida e da morte
abraçamos uma
rechaçamos a outra
sem nada saber…
Que outro olhar
ou dimensão do ver
pode acercar a infinita presença,
vida e morte
morte e vida
tão extremas tão unidas...
Pudesse a vida
ser só celebração, cores, aromas
terra, húmus , simples sentir
e a morte
essa dimensão maior
que aceitássemos não saber.
992
Angela Santos
Canto Diáfano
Chegam
diáfanas vozes
buscando de si o eco perdido,
ou quem sabe
em descaminho
e falam de um sonho antigo
que lá longe eu vi desfazer-se
contra as falésias
que ergui sem saber
Suspensa uma estrela
Brilha e aponta o caminho de volta
aos sonhos que eu inventar
E erguem-se da noite sussurros e suspiros
e pressinto que chegam para me encantar,
entoo a compasso o canto diáfano
e deixo-me ir nas asas
do sonho maior que eu quis sonhar.
diáfanas vozes
buscando de si o eco perdido,
ou quem sabe
em descaminho
e falam de um sonho antigo
que lá longe eu vi desfazer-se
contra as falésias
que ergui sem saber
Suspensa uma estrela
Brilha e aponta o caminho de volta
aos sonhos que eu inventar
E erguem-se da noite sussurros e suspiros
e pressinto que chegam para me encantar,
entoo a compasso o canto diáfano
e deixo-me ir nas asas
do sonho maior que eu quis sonhar.
1 071
Angela Santos
Fragilidade
Como
uma borboleta
frágil
apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo
assim me sinto
Borboleta
instante de ser alado
meu breve instante de infinito
lembras-me o tempo
fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio
na luz, minha armadilha,
e só me detenho se chega a exaustão
sabendo que ali é o fim do voo
anseio ainda minhas leves asas
para me lançar na imensidão.
uma borboleta
frágil
apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo
assim me sinto
Borboleta
instante de ser alado
meu breve instante de infinito
lembras-me o tempo
fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio
na luz, minha armadilha,
e só me detenho se chega a exaustão
sabendo que ali é o fim do voo
anseio ainda minhas leves asas
para me lançar na imensidão.
1 271
Angela Santos
Spring Cleaning
Há
dias em que se acorda com o ímpeto da limpeza e ordenação
do espaço que nos rodeia. De repente nos damos conta do que ao
longo do tempo sem têm acumulado ao nosso redor, silenciosamente
e já sem utilidade, papeis e objetos.
E sem saber
como nem porquê, despertamos para as coisas mais ou menos inúteis
que por esquecimento, preguiça, ou pelo simples hábito
de as ver naquele lugar, fomos deixando invadir o nosso espaço,
isso que agora só vemos como lixo.
Até
as idéias viram lixo e nesses momentos em que a irreprimível
vontade de colocar as coisas no seu lugar reaparece, sentimos que é
necessário agendar, priorizar, limpar os gavetões mesmo
os da memória e da vida.
Abrindo
os armários, damos conta de que aquele vestido já não
condiz com a cor que trazemos por dentro, e aquele amontoado de papeis
com informação, só foi útil num determinado
momento; aquele outro objeto que alguém nos ofereceu, juntamente
com outros que fomos acumulando, ao longo do tempo, hoje os olhamos
e sentimos estarem somente ocupando espaço, fora da gente.
Até
o odor de coisas velhas assoma, e no ambiente que nos rodeia parece
estar faltando alguma coisa. Dá vontade de queimar incenso, colocar
flores por toda a casa.
E olhando
as estantes onde repousam meus livros, meus velhos discos de vinil e
os modernos Cds, me pareceu não ser aquele o local ideal para
os deixar e logo ali imaginei o espaço ideal para onde gostaria
de transladá-los. Assim acontece a quem compartilhando o espaço
onde vive, precisa se habituar a todos esses objetos que não
chegam pela sua própria mão ou escolha. Conviver é
ceder e a partilha de espaço nos obriga a respeitar a forma como
os outros o ocupam também.
Organizar
o espaço...ordenar a vida. Naquele momento isso me pareceu importante
movida pela vontade de refrescar e renovar. Aqui onde estou a desorganização,
é um estado quase permanente. Me incomoda a organização
excessiva. É como se um certo "fora de ordem" se tenha tornado
imprescindível ao meu equilíbrio. A organização
rígida é algo que afronto dentro de mim. Inconscientemente
vejo nessa excessiva ordenação das coisas, um modo de
ficar presa aos lugares, e eu sei que ainda não piso o lugar
onde quero criar raízes. Vivo numa dimensão "inter-espacial",
entre o lugar real e o lugar das projeções. Entre os dois
procuro lançar a ponte que torne o espaço da projeção
nesse outro o lugar : o da realidade vivida.
E porque
de limpeza, de ordenação de refrescar, se pretendia aludir,
me vem á memória a muito comum frase entre os ingleses
: "Spring Cleaning", a refrescada geral a dar a tudo com o anuncio
da Primavera. Tudo isto vem ao caso, porque neste lado do mundo, já
se sente que a Primavera em breve se anunciará e com ela chegará
o emergir silencioso das coisas em germinação, aguardando
o momento de irromperem.
"Spring
Cleaning", poderia ser esse o nome a dar a esse ímpeto que
despertou comigo, hoje: refrescar, renovar, retirar do caminho objetos
que nos prendem ao ontem, sobretudo ao ontem que murchou, desimpedir
o caminho de impecilhos que nos tolhem o caminhar , mudar atitudes,
romper com indecisões, olhar as pessoas nos olhos, colocar os
pingos nos "is", escrever preto no branco e mais importante que tudo
: cumprir o inadiável, com a mesma força misteriosa com
que irrompem as coisas acoitadas no seio da terra, que explodem com
a chegada da Primavera.
dias em que se acorda com o ímpeto da limpeza e ordenação
do espaço que nos rodeia. De repente nos damos conta do que ao
longo do tempo sem têm acumulado ao nosso redor, silenciosamente
e já sem utilidade, papeis e objetos.
E sem saber
como nem porquê, despertamos para as coisas mais ou menos inúteis
que por esquecimento, preguiça, ou pelo simples hábito
de as ver naquele lugar, fomos deixando invadir o nosso espaço,
isso que agora só vemos como lixo.
Até
as idéias viram lixo e nesses momentos em que a irreprimível
vontade de colocar as coisas no seu lugar reaparece, sentimos que é
necessário agendar, priorizar, limpar os gavetões mesmo
os da memória e da vida.
Abrindo
os armários, damos conta de que aquele vestido já não
condiz com a cor que trazemos por dentro, e aquele amontoado de papeis
com informação, só foi útil num determinado
momento; aquele outro objeto que alguém nos ofereceu, juntamente
com outros que fomos acumulando, ao longo do tempo, hoje os olhamos
e sentimos estarem somente ocupando espaço, fora da gente.
Até
o odor de coisas velhas assoma, e no ambiente que nos rodeia parece
estar faltando alguma coisa. Dá vontade de queimar incenso, colocar
flores por toda a casa.
E olhando
as estantes onde repousam meus livros, meus velhos discos de vinil e
os modernos Cds, me pareceu não ser aquele o local ideal para
os deixar e logo ali imaginei o espaço ideal para onde gostaria
de transladá-los. Assim acontece a quem compartilhando o espaço
onde vive, precisa se habituar a todos esses objetos que não
chegam pela sua própria mão ou escolha. Conviver é
ceder e a partilha de espaço nos obriga a respeitar a forma como
os outros o ocupam também.
Organizar
o espaço...ordenar a vida. Naquele momento isso me pareceu importante
movida pela vontade de refrescar e renovar. Aqui onde estou a desorganização,
é um estado quase permanente. Me incomoda a organização
excessiva. É como se um certo "fora de ordem" se tenha tornado
imprescindível ao meu equilíbrio. A organização
rígida é algo que afronto dentro de mim. Inconscientemente
vejo nessa excessiva ordenação das coisas, um modo de
ficar presa aos lugares, e eu sei que ainda não piso o lugar
onde quero criar raízes. Vivo numa dimensão "inter-espacial",
entre o lugar real e o lugar das projeções. Entre os dois
procuro lançar a ponte que torne o espaço da projeção
nesse outro o lugar : o da realidade vivida.
E porque
de limpeza, de ordenação de refrescar, se pretendia aludir,
me vem á memória a muito comum frase entre os ingleses
: "Spring Cleaning", a refrescada geral a dar a tudo com o anuncio
da Primavera. Tudo isto vem ao caso, porque neste lado do mundo, já
se sente que a Primavera em breve se anunciará e com ela chegará
o emergir silencioso das coisas em germinação, aguardando
o momento de irromperem.
"Spring
Cleaning", poderia ser esse o nome a dar a esse ímpeto que
despertou comigo, hoje: refrescar, renovar, retirar do caminho objetos
que nos prendem ao ontem, sobretudo ao ontem que murchou, desimpedir
o caminho de impecilhos que nos tolhem o caminhar , mudar atitudes,
romper com indecisões, olhar as pessoas nos olhos, colocar os
pingos nos "is", escrever preto no branco e mais importante que tudo
: cumprir o inadiável, com a mesma força misteriosa com
que irrompem as coisas acoitadas no seio da terra, que explodem com
a chegada da Primavera.
665
Angela Santos
Fontes
No
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
1 025
Angela Santos
Fontes
No
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
1 025
Angela Santos
Fontes
No
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
1 025
Angela Santos
Farol do Tempo
Traço
em movimento
um navio a horizonte
onde se prende o olhar
e lembro
Portos sem amarras
praias longínquas
de um mar que eu mesma
invento
E uma centelha
vinda não sei de onde
emerge fugaz de uma tempestade,
qual farol do tempo
a lembrar viagens que não começaram.
Fixo os olhos no poente
que lá de longe me chama
e sinto que lá só chega
quem o oceano rompe
e abre as velas ao vento
para o alcançar.
em movimento
um navio a horizonte
onde se prende o olhar
e lembro
Portos sem amarras
praias longínquas
de um mar que eu mesma
invento
E uma centelha
vinda não sei de onde
emerge fugaz de uma tempestade,
qual farol do tempo
a lembrar viagens que não começaram.
Fixo os olhos no poente
que lá de longe me chama
e sinto que lá só chega
quem o oceano rompe
e abre as velas ao vento
para o alcançar.
1 074
Angela Santos
Farol do Tempo
Traço
em movimento
um navio a horizonte
onde se prende o olhar
e lembro
Portos sem amarras
praias longínquas
de um mar que eu mesma
invento
E uma centelha
vinda não sei de onde
emerge fugaz de uma tempestade,
qual farol do tempo
a lembrar viagens que não começaram.
Fixo os olhos no poente
que lá de longe me chama
e sinto que lá só chega
quem o oceano rompe
e abre as velas ao vento
para o alcançar.
em movimento
um navio a horizonte
onde se prende o olhar
e lembro
Portos sem amarras
praias longínquas
de um mar que eu mesma
invento
E uma centelha
vinda não sei de onde
emerge fugaz de uma tempestade,
qual farol do tempo
a lembrar viagens que não começaram.
Fixo os olhos no poente
que lá de longe me chama
e sinto que lá só chega
quem o oceano rompe
e abre as velas ao vento
para o alcançar.
1 074
Angela Santos
Aguarela
Matizes
cinza suspensos,
em eco passos e risos
mistura de fumo
e nuvens
que se cruzam apressadas
Gritos, ecos e latidos
a lembrar a vida , breve……
e a suave batida do gotejar
da água
sobre os remendos de musgo
que cresceram nos beirais…
Contínuo o som da chuva
é um adagio na vidraça,
como cinzento é o dia
que o sopro da tarde arrasta
e lentas se desprendendo
de um relógio de parede
as horas gastam o dia,
escoando devagar o tempo.
Da varanda da memória
colhem-se pedaços de azul.
e um quadro de girassóis
lembra estios passados,
enquanto a palavra emerge
e vai traçando os contornos
que compõem a aguarela
que com o dia se vai.
cinza suspensos,
em eco passos e risos
mistura de fumo
e nuvens
que se cruzam apressadas
Gritos, ecos e latidos
a lembrar a vida , breve……
e a suave batida do gotejar
da água
sobre os remendos de musgo
que cresceram nos beirais…
Contínuo o som da chuva
é um adagio na vidraça,
como cinzento é o dia
que o sopro da tarde arrasta
e lentas se desprendendo
de um relógio de parede
as horas gastam o dia,
escoando devagar o tempo.
Da varanda da memória
colhem-se pedaços de azul.
e um quadro de girassóis
lembra estios passados,
enquanto a palavra emerge
e vai traçando os contornos
que compõem a aguarela
que com o dia se vai.
1 026
Angela Santos
Anunciação
Pior
que tudo
foi o inverno ter chegado
assim de repente,
quando ansiava ainda
manhãs de estio
Pior que tudo, este vento
varrendo dos sentidos
toda a volúpia
Pior que tudo
é este sentir-me estrangeira,
estar dentro e fora da festa…
Lá ao longe eu oiço
musica.. rufares.. alarido
e os convivas chamando
a entrar na dança
e a beber da taça
que colheu o dia.
que tudo
foi o inverno ter chegado
assim de repente,
quando ansiava ainda
manhãs de estio
Pior que tudo, este vento
varrendo dos sentidos
toda a volúpia
Pior que tudo
é este sentir-me estrangeira,
estar dentro e fora da festa…
Lá ao longe eu oiço
musica.. rufares.. alarido
e os convivas chamando
a entrar na dança
e a beber da taça
que colheu o dia.
988
Angela Santos
Nau das Descobertas
Cantar
o agri-doce fado
dos que por destino têm
vastíssimos
os campos do mar
Velas, quilhas, mastros,
oceano a condição,
mas na bruma se perdeu
a seda, o ópio a canela
e o sonho imperial que no tempo
se esfumou.
Olhos de fogo cravados
no adensar dos nevoeiros
filhos deste mar tão perto
na orla das praias cansamos
as viagens adiadas,
e a espera do Encoberto
Navegar é preciso!
por dentro do corpo que respira
rente a este chão que somos
nova Nau das Descobertas
rumo a si, porto e destino…
Ausentes a Cruz de Cristo
o arcabuz e os grilhões
encontraremos ainda
esse longe que buscámos,
não na lança do inimigo
mas no regresso ao destino
da língua- mater e o mar
nos tornar tão só iguais.
o agri-doce fado
dos que por destino têm
vastíssimos
os campos do mar
Velas, quilhas, mastros,
oceano a condição,
mas na bruma se perdeu
a seda, o ópio a canela
e o sonho imperial que no tempo
se esfumou.
Olhos de fogo cravados
no adensar dos nevoeiros
filhos deste mar tão perto
na orla das praias cansamos
as viagens adiadas,
e a espera do Encoberto
Navegar é preciso!
por dentro do corpo que respira
rente a este chão que somos
nova Nau das Descobertas
rumo a si, porto e destino…
Ausentes a Cruz de Cristo
o arcabuz e os grilhões
encontraremos ainda
esse longe que buscámos,
não na lança do inimigo
mas no regresso ao destino
da língua- mater e o mar
nos tornar tão só iguais.
1 130
Angela Santos
Hic et Nunc
Agora
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
1 136
Angela Santos
Hic et Nunc
Agora
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
1 136