Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Olinda Marques de Azevedo
Verão
Suco de manga
a escorrer pelas mãos
pingos de ouro.
Sutis vaga-lumes
acendem suas luzes.
Baile na floresta.
a escorrer pelas mãos
pingos de ouro.
Sutis vaga-lumes
acendem suas luzes.
Baile na floresta.
913
Ona Gaia
O barco
O barco
e o nada
entre o ser sendo
sem nem ser o ser
terra ou mar
fogo ou ar
praia, brilho e Sol.
Mas floresta de estrelas
explodindo no céu
é música
não linear
e isto é legal
isto é natural !!!
e o nada
entre o ser sendo
sem nem ser o ser
terra ou mar
fogo ou ar
praia, brilho e Sol.
Mas floresta de estrelas
explodindo no céu
é música
não linear
e isto é legal
isto é natural !!!
727
Ona Gaia
O barco
O barco
e o nada
entre o ser sendo
sem nem ser o ser
terra ou mar
fogo ou ar
praia, brilho e Sol.
Mas floresta de estrelas
explodindo no céu
é música
não linear
e isto é legal
isto é natural !!!
e o nada
entre o ser sendo
sem nem ser o ser
terra ou mar
fogo ou ar
praia, brilho e Sol.
Mas floresta de estrelas
explodindo no céu
é música
não linear
e isto é legal
isto é natural !!!
727
Oldegar Vieira
Haicai
Revoadas
Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.
Alvorada
Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia
Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.
Alvorada
Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia
1 705
Oldegar Vieira
Haicai
Revoadas
Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.
Alvorada
Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia
Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.
Alvorada
Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia
1 705
Oldegar Vieira
Haicai
Revoadas
Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.
Alvorada
Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia
Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.
Alvorada
Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia
1 705
Olegário Mariano
O Enamorado das Rosas
Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
1 383
Olegário Mariano
O Enamorado das Rosas
Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
1 383
Ona Gaia
Água
Água
trilhões de gotas d’água
Terra
imenso planeta azul
Fogo
balé de salamandras
ar
o sopro da vida em nós
inconsciente
a luz da escuridão ativa:
ativem o lúdico e tragam
a velocidade instantânea
da imaginação.
trilhões de gotas d’água
Terra
imenso planeta azul
Fogo
balé de salamandras
ar
o sopro da vida em nós
inconsciente
a luz da escuridão ativa:
ativem o lúdico e tragam
a velocidade instantânea
da imaginação.
925
Newton de Freitas
Belo Exemplo
Olho a serra apontando para o céu
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
905
Newton de Freitas
Belo Exemplo
Olho a serra apontando para o céu
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
905
Newton de Freitas
Belo Exemplo
Olho a serra apontando para o céu
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
905
Natalício Barroso
O Mercador
Deus, como se fosse o artífice meticuloso
e um mercador de pedras preciosas,
bordou o Universo num tapete
enrolou-o
e saiu com ele pelas ruas de Nova York.
Tinha muitas estrelas para vender.
Cada uma delas valia milhões.
Mas como o Universo não é composto só de estrelas
mas de cometas, anéis e arco-íris
(para não falar nos meteoros, etc.)
Deus também bordou a sua sombra, como se fosse um halo de
luz,
em volta do Universo.
Em Nova York, Washington e Maryland
Deus carregou o tapete sobre os ombros
e anunciou-o levando uma lua cheia na cabeça
e um relâmpago tão enredado quanto uma serpente nos
braços;
mas ninguém quis comprar.
Nem mesmo os árabes, donos de camelos
petróleo
e oásis no deserto;
nem os turistas,
cada um mais atarefado do que o outro,
que todos os dias desembarcam em Miami.
Estavam todos muito preocupados
com a cotação da bolsa em Wall Street
e com o dsempenho de alguns pilotos na Fórmula 1.
O Universo, para eles,
não era precioso:
— nem o Universo
nem os astros;
por isso Deus sentou-se numa grande nuvem,
quando se sentiu cansado;
abriu o tapete e pensou:
"— A Lua", disse ele olhando para a Lua,
"não vale um dólar;
o Sol, que eu pensava valer alguma coisa,
não vale nada (nem um raio de atenção)
e os anéis de Saturno que, para mim,
eram incalculáveis nem mesmo suscitaram
atenção".
Deus ficou tão ofendido
quando percebeu isso que, no lugar de desenrolar
e guardar o Universo a seus pés,
enrolou e guardou a sua sombra.
e um mercador de pedras preciosas,
bordou o Universo num tapete
enrolou-o
e saiu com ele pelas ruas de Nova York.
Tinha muitas estrelas para vender.
Cada uma delas valia milhões.
Mas como o Universo não é composto só de estrelas
mas de cometas, anéis e arco-íris
(para não falar nos meteoros, etc.)
Deus também bordou a sua sombra, como se fosse um halo de
luz,
em volta do Universo.
Em Nova York, Washington e Maryland
Deus carregou o tapete sobre os ombros
e anunciou-o levando uma lua cheia na cabeça
e um relâmpago tão enredado quanto uma serpente nos
braços;
mas ninguém quis comprar.
Nem mesmo os árabes, donos de camelos
petróleo
e oásis no deserto;
nem os turistas,
cada um mais atarefado do que o outro,
que todos os dias desembarcam em Miami.
Estavam todos muito preocupados
com a cotação da bolsa em Wall Street
e com o dsempenho de alguns pilotos na Fórmula 1.
O Universo, para eles,
não era precioso:
— nem o Universo
nem os astros;
por isso Deus sentou-se numa grande nuvem,
quando se sentiu cansado;
abriu o tapete e pensou:
"— A Lua", disse ele olhando para a Lua,
"não vale um dólar;
o Sol, que eu pensava valer alguma coisa,
não vale nada (nem um raio de atenção)
e os anéis de Saturno que, para mim,
eram incalculáveis nem mesmo suscitaram
atenção".
Deus ficou tão ofendido
quando percebeu isso que, no lugar de desenrolar
e guardar o Universo a seus pés,
enrolou e guardou a sua sombra.
1 066
Noel Nascimento
Pesquisa Estética
À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
792
Nai Frossard
A Teus Pés
Deito-me sob o veludo azul
Profundo que não existe,
Para acreditar que suspiros são flores que brotam
Entre Deus e o Diabo.
O suor que me embriaga
Bebo-o a curtos tragos,
Saboreando cada nota da música
Dos pássaros sobre nós.
Emocionados - leio em teu corpo - com olhos,
Tropeçam em beijos de cílios,
Mergulhados na pupila de um gato.
A poesia que descansa
Debaixo de um lustre de papel
Grita agora furando os tímpanos da casa.
— O silêncio que herdo de um doce homem
me segue por onde me levam meus próprios passos.
Profundo que não existe,
Para acreditar que suspiros são flores que brotam
Entre Deus e o Diabo.
O suor que me embriaga
Bebo-o a curtos tragos,
Saboreando cada nota da música
Dos pássaros sobre nós.
Emocionados - leio em teu corpo - com olhos,
Tropeçam em beijos de cílios,
Mergulhados na pupila de um gato.
A poesia que descansa
Debaixo de um lustre de papel
Grita agora furando os tímpanos da casa.
— O silêncio que herdo de um doce homem
me segue por onde me levam meus próprios passos.
406
Natalício Barroso
De manhã eu sei que o sol vai morrer
De manhã eu sei que o sol vai morrer
depois das dezoito horas.
Mas não me apavoro.
Ele pode morrer antes, se quiser.
Há muito tempo que a minha vida é uma sucessão de expectativas.
Nenhuma delas realizada.
Por isso espero o sol morrer depois das dezoito horas
e ele morre.
Uma tarde, quando o sol era uma estrela cadente,
eu pedi para uma bailarina nascer no lugar da lua.
Mas não nasceu.
Primeiro porque nenhuma bailarina vai nascer no lugar da lua.
Depois porque, se nascesse, não seria uma bailarina.
Mas uma deusa. Eu ri. Não porque fosse impossível
uma deusa nascer no lugar da lua.
Mas porque as deusas não nascem mais.
Elas se afogaram nos Lusíadas e nunca mais emergiram.
Estão lá, no fundo de um poema,
presas às barbas e aos cabelos de Netuno.
Camões que o diga. Ele que teceu
os raios de luar no rosto de Netuno
e deu-lhe o nome de Vasco da Gama.
depois das dezoito horas.
Mas não me apavoro.
Ele pode morrer antes, se quiser.
Há muito tempo que a minha vida é uma sucessão de expectativas.
Nenhuma delas realizada.
Por isso espero o sol morrer depois das dezoito horas
e ele morre.
Uma tarde, quando o sol era uma estrela cadente,
eu pedi para uma bailarina nascer no lugar da lua.
Mas não nasceu.
Primeiro porque nenhuma bailarina vai nascer no lugar da lua.
Depois porque, se nascesse, não seria uma bailarina.
Mas uma deusa. Eu ri. Não porque fosse impossível
uma deusa nascer no lugar da lua.
Mas porque as deusas não nascem mais.
Elas se afogaram nos Lusíadas e nunca mais emergiram.
Estão lá, no fundo de um poema,
presas às barbas e aos cabelos de Netuno.
Camões que o diga. Ele que teceu
os raios de luar no rosto de Netuno
e deu-lhe o nome de Vasco da Gama.
1 008
Natalício Barroso
Os Outros Hóspedes
E afinal quem és tu? E de que país maior do que este chegaste?
E quem te trouxe a esse quarto de hospedaria
e te deitou na cama onde já dormimos e esquecemos? Quem?
A tua esperança é como a dos eremitas que sempre esperam algo de
novo
e o teu silêncio, no ressoar das escadarias desse prédio,é como a de um
castelo morto a tiros.
Mas quem te trouxe? E quem te deu esse ar misterioso de quem vem
de alguma experiência trágica ou de algum lugar sagrado? Quem?
Nada, fora estas indagações, te anuncia.
Apenas a chuva, sobre o teto alto, e a luz tênue sobre o basculante
te mantêm calado e só como uma estátua estupidamente viva.
Mas nós te sentimos. Nós, os que partiram antes de ti
e passaram por aqui em busca da mesma agonia.
E quem te trouxe a esse quarto de hospedaria
e te deitou na cama onde já dormimos e esquecemos? Quem?
A tua esperança é como a dos eremitas que sempre esperam algo de
novo
e o teu silêncio, no ressoar das escadarias desse prédio,é como a de um
castelo morto a tiros.
Mas quem te trouxe? E quem te deu esse ar misterioso de quem vem
de alguma experiência trágica ou de algum lugar sagrado? Quem?
Nada, fora estas indagações, te anuncia.
Apenas a chuva, sobre o teto alto, e a luz tênue sobre o basculante
te mantêm calado e só como uma estátua estupidamente viva.
Mas nós te sentimos. Nós, os que partiram antes de ti
e passaram por aqui em busca da mesma agonia.
934
Natércia Freire
O Rosto que não tem Rosto
Eu tinha uns olhos de neve
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
1 277
Natércia Freire
O Rosto que não tem Rosto
Eu tinha uns olhos de neve
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
1 277
Neide Archanjo
Noite adentro
Noite adentro
olhos ancorados em Deus
dormem os animais
as crianças as plantas
Ninguém mais.
olhos ancorados em Deus
dormem os animais
as crianças as plantas
Ninguém mais.
1 197
Natália Correia
Nictofagia
Se eu pudesse beber-te, ó noite,
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
1 839
Natália Correia
Nictofagia
Se eu pudesse beber-te, ó noite,
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
1 839
Noel Nascimento
RosAmor
Tenho um sentimento concreto,
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
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Noel de Arriaga
Rimance
Na esquina daquela rua,
Passaram duas irmãs,
Cada uma transportando
Um cestinho de maçãs.
Mais duas maçãs levavam
De cada lado do peito,
Que como as outras boliam
Ao mais pequeno trejeito.
Teriam dezoito anos
(Ou teriam dezesseis?),
Cabelos loiros caindo
Em desmanchados anéis.
O cestinho das maçãs
Para onde vai bem no sei —
Cheinho, a deitar por fora,
Para o palácio do Rei.
— "Senhor Rei — aqui nos tendes
Sem pecado e sem defeito,
No tabuleiro bolindo
Ao mais pequeno trejeito" ...
Eram verdes as maçãs.
Não se podiam tragar.
Mas os seios enfeitaram
Quatro noites de luar!
Passaram duas irmãs,
Cada uma transportando
Um cestinho de maçãs.
Mais duas maçãs levavam
De cada lado do peito,
Que como as outras boliam
Ao mais pequeno trejeito.
Teriam dezoito anos
(Ou teriam dezesseis?),
Cabelos loiros caindo
Em desmanchados anéis.
O cestinho das maçãs
Para onde vai bem no sei —
Cheinho, a deitar por fora,
Para o palácio do Rei.
— "Senhor Rei — aqui nos tendes
Sem pecado e sem defeito,
No tabuleiro bolindo
Ao mais pequeno trejeito" ...
Eram verdes as maçãs.
Não se podiam tragar.
Mas os seios enfeitaram
Quatro noites de luar!
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