Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Deborah Brennand
Claridade
Afortunados são os bosques
onde sem bridas
a luz campeia
entre as folhagens
suas crinas douradas
Tão leve se lustra a água
na medida exata
que os rebanhos bebem
junto às raposas
sem temor selvagem.
Por que só a mim discrimina a claridade?
onde sem bridas
a luz campeia
entre as folhagens
suas crinas douradas
Tão leve se lustra a água
na medida exata
que os rebanhos bebem
junto às raposas
sem temor selvagem.
Por que só a mim discrimina a claridade?
1 394
Deborah Brennand
Só Alguns Cravos
Nada sei de tílias e carvalhos
agapantos, tulipas, jasmins do Cairo.
Conheço bem urtiga, as locas, o mato
algemas de cipós, liana em laços.
Por sorte, só por sorte ainda guardo,
naquele pote a colônia macerada
— dói a alma, dói e não passa —
lembrando a timidez dos bredos
selvagens.
E, agora para enfeitar uma casa
alva casa entre gramas sem trato
vôo pousado, varanda em asas
eu escolhi, só alguns cravos.
Cravos sem sangue, mas... encarnados.
agapantos, tulipas, jasmins do Cairo.
Conheço bem urtiga, as locas, o mato
algemas de cipós, liana em laços.
Por sorte, só por sorte ainda guardo,
naquele pote a colônia macerada
— dói a alma, dói e não passa —
lembrando a timidez dos bredos
selvagens.
E, agora para enfeitar uma casa
alva casa entre gramas sem trato
vôo pousado, varanda em asas
eu escolhi, só alguns cravos.
Cravos sem sangue, mas... encarnados.
1 215
Deborah Brennand
Sempre Algumas Léguas Restam
Em todos os sítios
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
1 147
Deborah Brennand
Sempre Algumas Léguas Restam
Em todos os sítios
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
1 147
Carlos Queirós
Varina
Ó Varina, passa,
Passa tu primeiro...
Que és a flor da raça,
A mais séria graça
Do pais inteiro!
Teu orgulho seja
Sonora fanfarra,
Zimbório de igreja!
Que logo te veja
Quem entra na barra.
Lisboa, esquecida
Que é porto de mar,
Fica esclarecida
E reconhecida
Se te vê passar.
Dá-lhe a tua graça
Clássica e sadia,
Ó Varina, passa...
Na noite da raça
Teu pregão faz dia!
Vê que toda a gente
Ao ver-te, sorri.
Não sabe o que sente,
Mas fica contente
De olhar para ti.
E sobre o que pensa
Quem te vê passar,
Eterna, suspensa,
Acena a imensa
Presença do Mar!
Passa tu primeiro...
Que és a flor da raça,
A mais séria graça
Do pais inteiro!
Teu orgulho seja
Sonora fanfarra,
Zimbório de igreja!
Que logo te veja
Quem entra na barra.
Lisboa, esquecida
Que é porto de mar,
Fica esclarecida
E reconhecida
Se te vê passar.
Dá-lhe a tua graça
Clássica e sadia,
Ó Varina, passa...
Na noite da raça
Teu pregão faz dia!
Vê que toda a gente
Ao ver-te, sorri.
Não sabe o que sente,
Mas fica contente
De olhar para ti.
E sobre o que pensa
Quem te vê passar,
Eterna, suspensa,
Acena a imensa
Presença do Mar!
2 598
António Manuel Couto Viana
Camilo Pessanha I
Um aroma subtil. Um lume. Um fumo leve.
Um delicado ritual.
O impulso breve que se descreve
Quase indiscreto, quase sensual.
A música interior apenas murmurada.
A luz difusa. Trémulas imagens.
Ondas de lua. Exílio. A flor despetalada.
Viagens.
Onde singra o navio sombreado de tédio?
Oscila. O servedouro de uma esteira.
A súbita emoção. O clarim do assédio
Desenrola a bandeira.
O ópio envolve o sonho num afago.
Já tudo tão distante! Tão inútil! Tão vago!
Um delicado ritual.
O impulso breve que se descreve
Quase indiscreto, quase sensual.
A música interior apenas murmurada.
A luz difusa. Trémulas imagens.
Ondas de lua. Exílio. A flor despetalada.
Viagens.
Onde singra o navio sombreado de tédio?
Oscila. O servedouro de uma esteira.
A súbita emoção. O clarim do assédio
Desenrola a bandeira.
O ópio envolve o sonho num afago.
Já tudo tão distante! Tão inútil! Tão vago!
1 263
António Manuel Couto Viana
No Farol da Guia
Pedi ao Farol da Guia,
Pra que a nau não naufragasse
Na noite que fôr o dia,
Que fosse luz e a guiasse.
E pedi mais:
Que baloiçasse no ar
Os sinais
Do tufão que vai chegar,
Pra que ao abrigo do cais
A nau achasse lugar.
E o primeiro farol
De aviso à navegação
No mundo onde nasce o Sol,
Não me disse sim nem não.
Mas a âncora ancorada,
Como fanal de bonança,
Entre os muros da esplanada,
Disse, sem me dizer nada:
- Tem esperança!
Pra que a nau não naufragasse
Na noite que fôr o dia,
Que fosse luz e a guiasse.
E pedi mais:
Que baloiçasse no ar
Os sinais
Do tufão que vai chegar,
Pra que ao abrigo do cais
A nau achasse lugar.
E o primeiro farol
De aviso à navegação
No mundo onde nasce o Sol,
Não me disse sim nem não.
Mas a âncora ancorada,
Como fanal de bonança,
Entre os muros da esplanada,
Disse, sem me dizer nada:
- Tem esperança!
1 598
Carvalho Nogueira
Madrugada Pura
Ah, madrugada pura dos meus sonhos,
que seria de mim sem teus minutos,
sem tuas ruas longas e caladas
para o passeio do meu pensamento?
Se não fosse a certeza de que vens
depois de cada noite, que faria
de tanta solidão que enche o meu quarto
de tanta angústia que não cabe em mim?
Ah, se não fosses tu, quem me daria
os beijos que alimentam minha boca
nos momentos de fome de minhalma?
Além de beijos, madrugada pura,
que seria de mim, se não me desses
o mel para a colmeia dos meus versos?
que seria de mim sem teus minutos,
sem tuas ruas longas e caladas
para o passeio do meu pensamento?
Se não fosse a certeza de que vens
depois de cada noite, que faria
de tanta solidão que enche o meu quarto
de tanta angústia que não cabe em mim?
Ah, se não fosses tu, quem me daria
os beijos que alimentam minha boca
nos momentos de fome de minhalma?
Além de beijos, madrugada pura,
que seria de mim, se não me desses
o mel para a colmeia dos meus versos?
936
Carlos Newton Júnior
Gato
Leveza, pulo
um quase vôo
mas porém sem as asas
do que noutro instante comeu.
O sempre-alerta:
estar e não estar mais.
O lúcido instante
entre o eterno e o fugaz.
Mesmo em grave momento
de fome à beira do prato
bebe o leite à margem
da fuga, do salto.
um quase vôo
mas porém sem as asas
do que noutro instante comeu.
O sempre-alerta:
estar e não estar mais.
O lúcido instante
entre o eterno e o fugaz.
Mesmo em grave momento
de fome à beira do prato
bebe o leite à margem
da fuga, do salto.
1 009
Cunha Santos Filho
Motel
O mênstruo da aurora em tom vermelho
repete-me abatido na vidraça
minha imagem em dó, ré, mi, coalha no espelho
o sol, lavando o resto, vê e passa
é a manhã, rebento do meu sono, afoito
me mudo para a lâmpada que, acesa,
crava minha sombra sobre a mesa
caneta e eu, poema, eterno coito
saudades dela em mim como estrias
na pele. E como é dura removê-las
devassos nós dormimos quando é dia
que às noites, como cães lassos de orgia
se ela faz suruba com as estrelas
eu vivo em coito anal com a poesia
repete-me abatido na vidraça
minha imagem em dó, ré, mi, coalha no espelho
o sol, lavando o resto, vê e passa
é a manhã, rebento do meu sono, afoito
me mudo para a lâmpada que, acesa,
crava minha sombra sobre a mesa
caneta e eu, poema, eterno coito
saudades dela em mim como estrias
na pele. E como é dura removê-las
devassos nós dormimos quando é dia
que às noites, como cães lassos de orgia
se ela faz suruba com as estrelas
eu vivo em coito anal com a poesia
1 220
Otacílio Colares
Unicamente
Amor, desperta... Há um luar, lá fora,
por tal forma tranqüilo e derramado
que é crime adormecer assim, agora,
podendo estar-se, a dois, inda acordado.
Pensando bem, o sono me apavora
pelo que tem da morte assemelhado.
Vamos fluir da vida a cada hora
— olhar no olhar, silentes, lado a lado.
A lua é irmã, a lua é casta e pura.
Façamos dela a doce confidente
deste amor que é doença e não tem cura.
Quando o sol sobreviver, inconseqüente,
fechemos a janela e a alcova escura
será só de nós dois, unicamente...
por tal forma tranqüilo e derramado
que é crime adormecer assim, agora,
podendo estar-se, a dois, inda acordado.
Pensando bem, o sono me apavora
pelo que tem da morte assemelhado.
Vamos fluir da vida a cada hora
— olhar no olhar, silentes, lado a lado.
A lua é irmã, a lua é casta e pura.
Façamos dela a doce confidente
deste amor que é doença e não tem cura.
Quando o sol sobreviver, inconseqüente,
fechemos a janela e a alcova escura
será só de nós dois, unicamente...
964
Carlos Nejar
Abandonei-me ao Vento
Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro livre, que me sabe
quando me levantar e o corpo solte
o meu despojo vão. Em toda parte
o vento há-de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.
E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.
Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro livre, que me sabe
quando me levantar e o corpo solte
o meu despojo vão. Em toda parte
o vento há-de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.
E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.
Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.
1 544
Sosigenes Costa
Case Comigo, Mariá
Case comigo, Mariá,
que ou te dou, Mariá,
que ou te dou, Meriá,
meu coração.
(Cantiga de roda)
O mar também é casado,
o mar também tem mulher.
É casado com a areia.
Dá-lhe beijos quando quer.
(Quadra popular]
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
Se até o peixlnho é casado...
Não sabes que o mar é casado
com uma filha do rei?
Mariá, o mar é casado
com a filha loura do rei.
Mariá, por que não te casas
se o próprio mar é casado?
Ouem é a mulher do mar?
É a sereia?
É a areia, Mariá.
É a princesa dos seios de concha.
Mandei ao mar uma rosa, Mariá,
porque ele vai se casar.
O mar pediu que a sereia, Mariá,
viesse me visitar
e agradecer o presente.
Ouando foi isto? No passado, Mariá.
Sabes que fez a sereia, Mariá?
Deu-me um punhado de areia;
esta cidade de areia,
nossa terra, Mariá.
Aquela moça da praia, Mariá,
é namorada do mar.
Só vive olhando pra as ondas
e o mar vive a suspirar.
Aquela areia da praia
veio do Engenho de Areia, Mariá.
Que bela é a mulher do mar,
em cima daquela coroa!
Areia da Pedra Branca
desceste o rio correndo.
Tu viste a Ilha das Pombas,
ah! tu viste Mariá.
Adeus, Coroa da Palha,
que eu vou aos tombos da sorte,
rolando aos tombos da vida,
caindo e me levantando.
Só me salvo se cair
nos braços de Mariá.
Donde viria esta areia?
Da serra da Pedra Redonda.
Veio de Minas, Mariá,
rolando no Rio das Pedras
e só entrou na Bahia
quando passou dando um pulo
na cachoeira do Salto.
Deu um pulo no Salto Grande
a areia, a mulher do mar.
Em cima do Salto, está Minas.
Embaixo do Salto a Bahia.
Lá em cima a água é mineira,
caindo embaixo é baiana, Mariá.
Ah! como é linda esta roda
às sete horas da noite,
à hora em que a lua cheia
acabou de sair do mar,
iluminando Belmonte
com todas as suas ruas de areia.
A lua nasce chorando
lágrimas de prata na areia.
Apanhem numa redoma este pranto,
guardem bem guardada esta jóia
que um dia será adorada.
É a lágrima azul da saudade.
Que foi? O que teve? Nada.
Apenas uma lágrima salgada
caiu dos meus olhos na areia.
Marlá, por que não te casas?
Me diga; por que não te casas
comigo, se eu quero te dar,
se eu quero te dar, Mariá,
num beijo o meu coração?
Crianças cantando roda
nas ruas brancas da areia,
naquelas ruas tão longas
como as estradas de areia.
Cantando desde a Atalaia
até a Ponta de areia.
Cantando lá na Biela,
na rua do Camba e nas Baixas
e em todas as ruas de areia.
Ah! lá no Pontal da Barra
é que brilha a lua na areia,
nas areias da Barrinha
e na estrada da Barra Velha.
Mariá, por que não te casas?
Se tu casares comigo,
sabes o que te darei, Mariá?
Sabes o que te darei, Mariá?
Quantos beijos tu quiseres,
cem beijos se tu quiseres,
Mariá, meu coração.
Deitado dontigo na areia,
dar-te-ei meu coração.
Não é só o mar que é casado, Mariá.
O peixinho também é casado.
E o passarinho é casado.
Também quero ser casado
mas contigo, Mariá.
Mariá. case comigo,
já que o mar casou com a areia.
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
que ou te dou, Mariá,
que ou te dou, Meriá,
meu coração.
(Cantiga de roda)
O mar também é casado,
o mar também tem mulher.
É casado com a areia.
Dá-lhe beijos quando quer.
(Quadra popular]
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
Se até o peixlnho é casado...
Não sabes que o mar é casado
com uma filha do rei?
Mariá, o mar é casado
com a filha loura do rei.
Mariá, por que não te casas
se o próprio mar é casado?
Ouem é a mulher do mar?
É a sereia?
É a areia, Mariá.
É a princesa dos seios de concha.
Mandei ao mar uma rosa, Mariá,
porque ele vai se casar.
O mar pediu que a sereia, Mariá,
viesse me visitar
e agradecer o presente.
Ouando foi isto? No passado, Mariá.
Sabes que fez a sereia, Mariá?
Deu-me um punhado de areia;
esta cidade de areia,
nossa terra, Mariá.
Aquela moça da praia, Mariá,
é namorada do mar.
Só vive olhando pra as ondas
e o mar vive a suspirar.
Aquela areia da praia
veio do Engenho de Areia, Mariá.
Que bela é a mulher do mar,
em cima daquela coroa!
Areia da Pedra Branca
desceste o rio correndo.
Tu viste a Ilha das Pombas,
ah! tu viste Mariá.
Adeus, Coroa da Palha,
que eu vou aos tombos da sorte,
rolando aos tombos da vida,
caindo e me levantando.
Só me salvo se cair
nos braços de Mariá.
Donde viria esta areia?
Da serra da Pedra Redonda.
Veio de Minas, Mariá,
rolando no Rio das Pedras
e só entrou na Bahia
quando passou dando um pulo
na cachoeira do Salto.
Deu um pulo no Salto Grande
a areia, a mulher do mar.
Em cima do Salto, está Minas.
Embaixo do Salto a Bahia.
Lá em cima a água é mineira,
caindo embaixo é baiana, Mariá.
Ah! como é linda esta roda
às sete horas da noite,
à hora em que a lua cheia
acabou de sair do mar,
iluminando Belmonte
com todas as suas ruas de areia.
A lua nasce chorando
lágrimas de prata na areia.
Apanhem numa redoma este pranto,
guardem bem guardada esta jóia
que um dia será adorada.
É a lágrima azul da saudade.
Que foi? O que teve? Nada.
Apenas uma lágrima salgada
caiu dos meus olhos na areia.
Marlá, por que não te casas?
Me diga; por que não te casas
comigo, se eu quero te dar,
se eu quero te dar, Mariá,
num beijo o meu coração?
Crianças cantando roda
nas ruas brancas da areia,
naquelas ruas tão longas
como as estradas de areia.
Cantando desde a Atalaia
até a Ponta de areia.
Cantando lá na Biela,
na rua do Camba e nas Baixas
e em todas as ruas de areia.
Ah! lá no Pontal da Barra
é que brilha a lua na areia,
nas areias da Barrinha
e na estrada da Barra Velha.
Mariá, por que não te casas?
Se tu casares comigo,
sabes o que te darei, Mariá?
Sabes o que te darei, Mariá?
Quantos beijos tu quiseres,
cem beijos se tu quiseres,
Mariá, meu coração.
Deitado dontigo na areia,
dar-te-ei meu coração.
Não é só o mar que é casado, Mariá.
O peixinho também é casado.
E o passarinho é casado.
Também quero ser casado
mas contigo, Mariá.
Mariá. case comigo,
já que o mar casou com a areia.
Mariá, por que não te casas,
se o mar também é casado?
1 471
Cludia Nobre de Oliveira
O Sol
(em homenagem ao verão)
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
999
Cludia Nobre de Oliveira
O Sol
(em homenagem ao verão)
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
999
Cludia Nobre de Oliveira
O Sol
(em homenagem ao verão)
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
999
António Manuel Couto Viana
António Patrício
Não teve tempo de escrever a poesia
Que poderia começar: Em Macau, um Estio…
Estava aqui havia um dia.
Era-lhe tudo, ainda, uma mancha, um vazio.
Talvez quisesse ver, sentir, mais do que a mancha
(Em seda baça, ténues tons esquivos),
Porém, o coração, em Santa Sancha,
Fechou-lhe, pra Macau, os olhos sensitivos.
Cantor do mar e da morte
Que os seus versos souberam envolver, respirar,
Teve a suprema sorte
De achar a morte frente ao mar.
Que poderia começar: Em Macau, um Estio…
Estava aqui havia um dia.
Era-lhe tudo, ainda, uma mancha, um vazio.
Talvez quisesse ver, sentir, mais do que a mancha
(Em seda baça, ténues tons esquivos),
Porém, o coração, em Santa Sancha,
Fechou-lhe, pra Macau, os olhos sensitivos.
Cantor do mar e da morte
Que os seus versos souberam envolver, respirar,
Teve a suprema sorte
De achar a morte frente ao mar.
1 363
António Manuel Couto Viana
António Patrício
Não teve tempo de escrever a poesia
Que poderia começar: Em Macau, um Estio…
Estava aqui havia um dia.
Era-lhe tudo, ainda, uma mancha, um vazio.
Talvez quisesse ver, sentir, mais do que a mancha
(Em seda baça, ténues tons esquivos),
Porém, o coração, em Santa Sancha,
Fechou-lhe, pra Macau, os olhos sensitivos.
Cantor do mar e da morte
Que os seus versos souberam envolver, respirar,
Teve a suprema sorte
De achar a morte frente ao mar.
Que poderia começar: Em Macau, um Estio…
Estava aqui havia um dia.
Era-lhe tudo, ainda, uma mancha, um vazio.
Talvez quisesse ver, sentir, mais do que a mancha
(Em seda baça, ténues tons esquivos),
Porém, o coração, em Santa Sancha,
Fechou-lhe, pra Macau, os olhos sensitivos.
Cantor do mar e da morte
Que os seus versos souberam envolver, respirar,
Teve a suprema sorte
De achar a morte frente ao mar.
1 363
Chico Noronha
Jacumã
antes que o orvalho lave teu rosto
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
927
Clóvis Ramos
Humilde Estrebaria
Um fenômeno estranho acontecia
nas terras de Judá. Eis que os pastores
ouviram vozes de anjos em louvores
ao pequenino filho de Maria.
A noite era de místicos fulgores,
noite serena, noite de poesia.
Sobre as palhas de humilde estrebaria,
dormitava Jesus por entre flores.
Uma estrela de brilho nunca visto,
aparecera nessa noite e os Magos
vieram de longe em caravanas de ouro...
"Glória a Deus nas alturas!" Glória ao Cristo!
Maria — Mãe — porém, em pranto e afagos,
temia a sorte do seu filho louro.
nas terras de Judá. Eis que os pastores
ouviram vozes de anjos em louvores
ao pequenino filho de Maria.
A noite era de místicos fulgores,
noite serena, noite de poesia.
Sobre as palhas de humilde estrebaria,
dormitava Jesus por entre flores.
Uma estrela de brilho nunca visto,
aparecera nessa noite e os Magos
vieram de longe em caravanas de ouro...
"Glória a Deus nas alturas!" Glória ao Cristo!
Maria — Mãe — porém, em pranto e afagos,
temia a sorte do seu filho louro.
863
Carlos Newton Júnior
Peixe
O peixe
e sua inquietação de faca
no rio
vivo corpo frágil
que ele
(já que viver é ferir)
a todo instante
ataca
o rio
banhado de sol
e seus reflexos
minúsculos pontos
de ouro e prata.
e sua inquietação de faca
no rio
vivo corpo frágil
que ele
(já que viver é ferir)
a todo instante
ataca
o rio
banhado de sol
e seus reflexos
minúsculos pontos
de ouro e prata.
994
Carlos Newton Júnior
Peixe
O peixe
e sua inquietação de faca
no rio
vivo corpo frágil
que ele
(já que viver é ferir)
a todo instante
ataca
o rio
banhado de sol
e seus reflexos
minúsculos pontos
de ouro e prata.
e sua inquietação de faca
no rio
vivo corpo frágil
que ele
(já que viver é ferir)
a todo instante
ataca
o rio
banhado de sol
e seus reflexos
minúsculos pontos
de ouro e prata.
994
Christiano Nunes Fernandes
Cinco sonetos para um passarinho
I
SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor
dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.
Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...
Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................
II
O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto
das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.
Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola
em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.
III
POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.
Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.
Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,
ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.
.....................................................................
IV
DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam
pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.
E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...
revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.
......................................
V
SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos
aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.
Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia
o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.
SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor
dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.
Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...
Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................
II
O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto
das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.
Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola
em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.
III
POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.
Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.
Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,
ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.
.....................................................................
IV
DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam
pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.
E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...
revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.
......................................
V
SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos
aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.
Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia
o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.
446
Christiano Nunes Fernandes
Cinco sonetos para um passarinho
I
SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor
dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.
Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...
Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................
II
O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto
das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.
Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola
em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.
III
POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.
Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.
Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,
ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.
.....................................................................
IV
DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam
pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.
E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...
revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.
......................................
V
SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos
aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.
Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia
o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.
SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor
dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.
Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...
Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................
II
O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto
das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.
Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola
em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.
III
POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.
Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.
Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,
ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.
.....................................................................
IV
DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam
pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.
E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...
revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.
......................................
V
SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos
aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.
Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia
o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.
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