Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Cludia Nobre de Oliveira
O Sol
(em homenagem ao verão)
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
1 008
Cludia Nobre de Oliveira
O Sol
(em homenagem ao verão)
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
Em tempo de sol abre uma flor que não é primavera.....
cai uma folha que não é outono ...
o pássaro voa e sorri, o homem relaxa..
Em tempo de sol meu dia é alegre, meu dia é o mar,
é a esperança de abraçar o céu, pular, cantar...
Em tempo de sol minha vida é leve é alegre...
porque é em tempo de sol que a natureza mais se enaltece
comandando tudo com a energia do astro maior
a luz eterna a luz Divina
para todos irmãos
1 008
Chico Noronha
Jacumã
antes que o orvalho lave teu rosto
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
936
Clinio Jorge de Souza
Haicai
Seca... urubus
na vida vazia o vento
assobia blues
Cigarra vadia:
vida-melodia escorrida
da casca vazia
na vida vazia o vento
assobia blues
Cigarra vadia:
vida-melodia escorrida
da casca vazia
1 174
Carlos Newton Júnior
Gato
Leveza, pulo
um quase vôo
mas porém sem as asas
do que noutro instante comeu.
O sempre-alerta:
estar e não estar mais.
O lúcido instante
entre o eterno e o fugaz.
Mesmo em grave momento
de fome à beira do prato
bebe o leite à margem
da fuga, do salto.
um quase vôo
mas porém sem as asas
do que noutro instante comeu.
O sempre-alerta:
estar e não estar mais.
O lúcido instante
entre o eterno e o fugaz.
Mesmo em grave momento
de fome à beira do prato
bebe o leite à margem
da fuga, do salto.
1 019
Cláudio Aguiar
Três Sonetos Metafísicos
A José Bonifácio Câmara
I
Por que gostamos tanto do passado?
A interrogante leva-me a pensar
no segredo que fica em si guardado,
que não sei se algum dia vou achar.
Perdido na palavra ou termo dado,
sempre o presente vive a deslizar
em busca do impossível já pensado
ou do que não se pode desvendar:
os três instantes num sopro da vida,
que poderia até vê-la esquecida,
no que será ou já foi existente.
O melhor é não mais perder o tempo,
ainda que eu resuma num momento
o passado e o futuro no presente.
II
Quanto mistério tem a flor guardado,
pois, desde sempre, desafia a mente
dos que desejam descobrir o dado
oculto no desvão duma semente.
E como o pólen nela está cravado,
dele o áspide mau tira somente
o venenoso, enquanto o mel levado
por uma abelha logo se pressente.
Quem tudo sabe pouco talvez veja.
Quem nada sabe afronta sua verdade
ou seu direito de bem percebê-la.
Que o mistério segredo sempre seja
para que nunca o mal vença a bondade,
impondo a morte à vida sem querê-la.
III
Algo há nas flores que acalentam feras,
chamando abelhas vivas do sereno
para as tocarem, há perdidas eras,
nunca alterando forma nem aceno.
É preciso viver as primaveras
para sentir o gestual e ameno,
esforço feito, sol florindo esperas,
elaborando o bom mel e o veneno.
Há nelas algo que esconde o mistério,
fazendo com que a abelha encontre o mel
no mesmo pólen que o áspide tira
o veneno letal, momento sério,
grito de morte, do holocausto ao fel,
que cega os olhos, apagando a pira.
I
Por que gostamos tanto do passado?
A interrogante leva-me a pensar
no segredo que fica em si guardado,
que não sei se algum dia vou achar.
Perdido na palavra ou termo dado,
sempre o presente vive a deslizar
em busca do impossível já pensado
ou do que não se pode desvendar:
os três instantes num sopro da vida,
que poderia até vê-la esquecida,
no que será ou já foi existente.
O melhor é não mais perder o tempo,
ainda que eu resuma num momento
o passado e o futuro no presente.
II
Quanto mistério tem a flor guardado,
pois, desde sempre, desafia a mente
dos que desejam descobrir o dado
oculto no desvão duma semente.
E como o pólen nela está cravado,
dele o áspide mau tira somente
o venenoso, enquanto o mel levado
por uma abelha logo se pressente.
Quem tudo sabe pouco talvez veja.
Quem nada sabe afronta sua verdade
ou seu direito de bem percebê-la.
Que o mistério segredo sempre seja
para que nunca o mal vença a bondade,
impondo a morte à vida sem querê-la.
III
Algo há nas flores que acalentam feras,
chamando abelhas vivas do sereno
para as tocarem, há perdidas eras,
nunca alterando forma nem aceno.
É preciso viver as primaveras
para sentir o gestual e ameno,
esforço feito, sol florindo esperas,
elaborando o bom mel e o veneno.
Há nelas algo que esconde o mistério,
fazendo com que a abelha encontre o mel
no mesmo pólen que o áspide tira
o veneno letal, momento sério,
grito de morte, do holocausto ao fel,
que cega os olhos, apagando a pira.
857
Cleonice Rainho
Vaivém
Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
1 612
Cleonice Rainho
Vaivém
Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
1 612
Cleonice Rainho
Vaivém
Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
1 612
Cid Saboia de Carvalho
Plenilúnio
Plenilúnio, oh plena lua
de meu avô e de minha avó.
Leio versos dele nas velhas coletâneas
enquanto os recortes amarelecidos
fazem queixas e promessas,
queixas, promessas e esperanças.
Tudo de ti me fala, eis que confessa
nas canções plenas de luas cheias,
cheias de todas as luas.
Ao pé do soneto publicado
o anúncio do livro que se perdeu,
cujas páginas quase não restaram.
E agora, perto de um século depois,
tomo o plenilúnio ao meu cuidado
com um livro sem graça,
mas cheio de emoção como seria o seu.
Meu avô Eduardo declamava com voz cheia
os versos que fez como padeiro
para Mimosa, minha avó.
Tudo restou acontecido,
inclusive as mortes no caminho.
a dele, a dela e a partida
dos filhos todos que tiveram.
O velho álbum guarda recortes amarelos
e é a própria lua cheia que me ilumina
com seculares emoções,
jovens emoções que se renovam a cada lua.
Os dedos de minha Mãe pregaram esses papéis
que jazem pregados em mim.
Oh plenilúnio, oh lua plena, plena lua
lua de cem anos, lua cheia
de uma saudade sem fim.
Plenilúnio da saudade,
oh plenilúnio de mim.
de meu avô e de minha avó.
Leio versos dele nas velhas coletâneas
enquanto os recortes amarelecidos
fazem queixas e promessas,
queixas, promessas e esperanças.
Tudo de ti me fala, eis que confessa
nas canções plenas de luas cheias,
cheias de todas as luas.
Ao pé do soneto publicado
o anúncio do livro que se perdeu,
cujas páginas quase não restaram.
E agora, perto de um século depois,
tomo o plenilúnio ao meu cuidado
com um livro sem graça,
mas cheio de emoção como seria o seu.
Meu avô Eduardo declamava com voz cheia
os versos que fez como padeiro
para Mimosa, minha avó.
Tudo restou acontecido,
inclusive as mortes no caminho.
a dele, a dela e a partida
dos filhos todos que tiveram.
O velho álbum guarda recortes amarelos
e é a própria lua cheia que me ilumina
com seculares emoções,
jovens emoções que se renovam a cada lua.
Os dedos de minha Mãe pregaram esses papéis
que jazem pregados em mim.
Oh plenilúnio, oh lua plena, plena lua
lua de cem anos, lua cheia
de uma saudade sem fim.
Plenilúnio da saudade,
oh plenilúnio de mim.
1 032
Cleonice Rainho
Gaivotas
Vêm e voam,
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
911
Cleonice Rainho
Gaivotas
Vêm e voam,
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
911
Cleonice Rainho
Gaivotas
Vêm e voam,
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
911
Cleonice Rainho
Gaivotas
Vêm e voam,
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.
911
Cleonice Rainho
O Banho do Beija-Flor
De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
931
Cleonice Rainho
O Banho do Beija-Flor
De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
931
Cleonice Rainho
O Banho do Beija-Flor
De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
931
Cleonice Rainho
A Água
Subterrânea e purificada
por um filtro natural,
a água vem,
jorra nas fontes,
faz gluglu nas torneiras
para nosso bem.
Água de silêncio
dos remansos e lagos,
mar, rio, cachoeira
que se despenha
em borbotões —
força motriz
e energia também.
Na pia batismal,
no corpo e no campo,
na flor e no fruto,
na seiva e no sumo,
no orvalho e no vinho,
a água
faz leito e caminho
de bela missão.
por um filtro natural,
a água vem,
jorra nas fontes,
faz gluglu nas torneiras
para nosso bem.
Água de silêncio
dos remansos e lagos,
mar, rio, cachoeira
que se despenha
em borbotões —
força motriz
e energia também.
Na pia batismal,
no corpo e no campo,
na flor e no fruto,
na seiva e no sumo,
no orvalho e no vinho,
a água
faz leito e caminho
de bela missão.
936
Cid Saboia de Carvalho
Cantiga
Eu sou o olhar que contempla
o amor que rebenta em ti;
sou o pássaro cativo
que canta enternecido
na paisagem tão terna
que há em ti e por mim.
Depois de nossos caminhos
sou o descanso maduro,
a sombra, o fruto morno,
o vento nos teus cabelos.
Sou o canto que desperta,
a voz que canta e chora;
sou percussão dos sentidos
e cordas do meu amor;
nunca vou morrer depois,
embora sigamos juntos
pela vida para a morte.
Falo a língua esquecida,
verbo que o mundo esqueceu,
mas canto minha cantiga
do amor que nunca morreu...
o amor que rebenta em ti;
sou o pássaro cativo
que canta enternecido
na paisagem tão terna
que há em ti e por mim.
Depois de nossos caminhos
sou o descanso maduro,
a sombra, o fruto morno,
o vento nos teus cabelos.
Sou o canto que desperta,
a voz que canta e chora;
sou percussão dos sentidos
e cordas do meu amor;
nunca vou morrer depois,
embora sigamos juntos
pela vida para a morte.
Falo a língua esquecida,
verbo que o mundo esqueceu,
mas canto minha cantiga
do amor que nunca morreu...
944
Cleonice Rainho
Da Janela
O mar
de repente
mudou de cor.
Rolam as águas
às rajadas de vento,
altas e bravas as ondas
se rebentam e
sobem, explodem
montes de espuma.
Rugindo, raivoso,
varre o mar
barcos e homens
e peixes — até baleias!
Turbulento e feio,
o mar tormentoso
é um monstro dágua
que transtorna a paisagem
e escurece meus olhos.
Não faz mal, da janela
espero as nuvens azuis.
de repente
mudou de cor.
Rolam as águas
às rajadas de vento,
altas e bravas as ondas
se rebentam e
sobem, explodem
montes de espuma.
Rugindo, raivoso,
varre o mar
barcos e homens
e peixes — até baleias!
Turbulento e feio,
o mar tormentoso
é um monstro dágua
que transtorna a paisagem
e escurece meus olhos.
Não faz mal, da janela
espero as nuvens azuis.
899
Cleonice Rainho
Da Janela
O mar
de repente
mudou de cor.
Rolam as águas
às rajadas de vento,
altas e bravas as ondas
se rebentam e
sobem, explodem
montes de espuma.
Rugindo, raivoso,
varre o mar
barcos e homens
e peixes — até baleias!
Turbulento e feio,
o mar tormentoso
é um monstro dágua
que transtorna a paisagem
e escurece meus olhos.
Não faz mal, da janela
espero as nuvens azuis.
de repente
mudou de cor.
Rolam as águas
às rajadas de vento,
altas e bravas as ondas
se rebentam e
sobem, explodem
montes de espuma.
Rugindo, raivoso,
varre o mar
barcos e homens
e peixes — até baleias!
Turbulento e feio,
o mar tormentoso
é um monstro dágua
que transtorna a paisagem
e escurece meus olhos.
Não faz mal, da janela
espero as nuvens azuis.
899
Cleonice Rainho
ABC da Flor
Flor-abelha
Flor-alegria
Flor-alimento
Flor-amor
Flor-beleza
Flor-borboleta
Flor-colibri
Flor-orvalho
Flor-perfume
Flor-silêncio
Flor-sonho
Flor-vida,
Vida de flor.
Flor-alegria
Flor-alimento
Flor-amor
Flor-beleza
Flor-borboleta
Flor-colibri
Flor-orvalho
Flor-perfume
Flor-silêncio
Flor-sonho
Flor-vida,
Vida de flor.
1 855
Cleonice Rainho
Poesia e Flor
Uma rosa de alegria
não pode durar um dia.
Um lírio de haste frágil
precisa de um braço ágil.
Margarida branca ou amarela
— exemplo de vida singela.
Um cravo não nos embala
só pelo perfume que exala.
Amor-perfeito, nome e flor
lembram um bem superior.
Nem tudo uma flor nos diz
apenas pelo seu matiz.
Cai a tarde, a noite vem
e a flor repousa também.
Veja a flor como é feliz
quando alimenta os colibris.
Anjos sobrevoaram a natureza
trazendo às flores beleza.
E nesse momento de amor
Deus uniu Poesia e Flor.
não pode durar um dia.
Um lírio de haste frágil
precisa de um braço ágil.
Margarida branca ou amarela
— exemplo de vida singela.
Um cravo não nos embala
só pelo perfume que exala.
Amor-perfeito, nome e flor
lembram um bem superior.
Nem tudo uma flor nos diz
apenas pelo seu matiz.
Cai a tarde, a noite vem
e a flor repousa também.
Veja a flor como é feliz
quando alimenta os colibris.
Anjos sobrevoaram a natureza
trazendo às flores beleza.
E nesse momento de amor
Deus uniu Poesia e Flor.
1 111