Poemas neste tema
Outros
Helena Parente Cunha
Anel de Vidro
sob os arcos das arcadas
ocultei o meu anel
o anel que não te dei
sob o arco do arco-íris
armei a rede encantada
para o meu sono de vidro
por sobre as cordas em arco
recordei remotos tons
refleti perdidos fios
acordo sem meu anel
ecoei na última cor
me arqueio quebrado vidro
ocultei o meu anel
o anel que não te dei
sob o arco do arco-íris
armei a rede encantada
para o meu sono de vidro
por sobre as cordas em arco
recordei remotos tons
refleti perdidos fios
acordo sem meu anel
ecoei na última cor
me arqueio quebrado vidro
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1
Ildásio Tavares
Restos
Há um resto de noite pela rua
Que se dissolve em bruma e madrugada.
Há um resto de tédio inevitável
Que se evola na tênue antemanhã.
Há um resto de sonho em cada passo
Que antes de ser se foi, já não existe.
Há um resto de ontem nas calçadas
Que foi dia de festa e fantasia.
Há um resto de mim em toda a parte
Que nunca pude ser inteiramente.
Que se dissolve em bruma e madrugada.
Há um resto de tédio inevitável
Que se evola na tênue antemanhã.
Há um resto de sonho em cada passo
Que antes de ser se foi, já não existe.
Há um resto de ontem nas calçadas
Que foi dia de festa e fantasia.
Há um resto de mim em toda a parte
Que nunca pude ser inteiramente.
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1
José de Paula Ramos Jr.
Canção de Anquises
Não reflete o bronze polido
a imagem dos passados anos:
a fronte sem marca de cãs,
sem rugas, braços vigorosos,
luz no olhar, aprumado dorso,
o viço na pele rosada,
pernas firmes. Oh, juventude!
Um dia, no passado esplêndido,
subi ao leito de Afrodite.
Agora, vejo a decadente
massa deformada insinuar,
na comissura de meus lábios
pensos, a pena iniludível,
que aguarda a todo ser humano.
Ao pé das muralhas de Tróia
devastada, deponho a lança
inútil, que vibrou outrora.
a imagem dos passados anos:
a fronte sem marca de cãs,
sem rugas, braços vigorosos,
luz no olhar, aprumado dorso,
o viço na pele rosada,
pernas firmes. Oh, juventude!
Um dia, no passado esplêndido,
subi ao leito de Afrodite.
Agora, vejo a decadente
massa deformada insinuar,
na comissura de meus lábios
pensos, a pena iniludível,
que aguarda a todo ser humano.
Ao pé das muralhas de Tróia
devastada, deponho a lança
inútil, que vibrou outrora.
934
1
Izabel Bellini Zielinsky
Terror
Dominado, atado,
finalmente guardado
para existir
em outro pecado.
Vozes, murmúrios,
tin-tins,
gizos
de um arlequim.
Não são meus...
Meus, os terrores,
o peito que dói
em arritmia.
Terror de não estar
dentro de minha
sintonia,
querendo ganhar
a tranqüilidade
dos fantasmas.
finalmente guardado
para existir
em outro pecado.
Vozes, murmúrios,
tin-tins,
gizos
de um arlequim.
Não são meus...
Meus, os terrores,
o peito que dói
em arritmia.
Terror de não estar
dentro de minha
sintonia,
querendo ganhar
a tranqüilidade
dos fantasmas.
467
1
José Terra
Insegurança
Tenho medo de ti, ó meu irmão,
Dessas palavras mansas tenho medo,
Se até as pedras ouvem o segredo
Guardado nos confins do coração ...
Tenho receio, amor, dessa canção
Que tu me cantas, desse teu enredo
Será teu corpo a nau para o degredo.
Teus braços nus a grade da prisão?
Minha mãe! minha mãe! não te confio
O meu destino e é vão esse teu pranto!
Não trairás acaso o filho amado?
Não me conheço nessa voz que rio,
Espreitam-me os assassinos, e, no entanto,
É um criminoso o que ficar calado!
Dessas palavras mansas tenho medo,
Se até as pedras ouvem o segredo
Guardado nos confins do coração ...
Tenho receio, amor, dessa canção
Que tu me cantas, desse teu enredo
Será teu corpo a nau para o degredo.
Teus braços nus a grade da prisão?
Minha mãe! minha mãe! não te confio
O meu destino e é vão esse teu pranto!
Não trairás acaso o filho amado?
Não me conheço nessa voz que rio,
Espreitam-me os assassinos, e, no entanto,
É um criminoso o que ficar calado!
1 091
1
Isabel Vilhena
A Árvore
O pequenino vegetal que agora
Acabas de plantar, a vida encerra.
Sob as carícias maternais da aurora,
Ele há de erguer-se, em flores, sobre a terra.
Plantaste o lume e o mastro das bandeiras,
Plantaste o fruto, a sombra dos caminhos
E o repouso das horas derradeiras!...
Deste um novo aposento aos passarinhos!
Plantaste o berço. E, assim, essa alegria
Que à nossa vida todo o encanto empresta,
E até mesmo, o perfume que, num dia,
Hás de levar no lenço para a festa.
E quanta coisa mais há de te dar,
Pedindo em paga, apenas que a protejas!
Sob as bênçãos do céu, a farfalhar,
Tesouro vegetal, bendito sejas!
Acabas de plantar, a vida encerra.
Sob as carícias maternais da aurora,
Ele há de erguer-se, em flores, sobre a terra.
Plantaste o lume e o mastro das bandeiras,
Plantaste o fruto, a sombra dos caminhos
E o repouso das horas derradeiras!...
Deste um novo aposento aos passarinhos!
Plantaste o berço. E, assim, essa alegria
Que à nossa vida todo o encanto empresta,
E até mesmo, o perfume que, num dia,
Hás de levar no lenço para a festa.
E quanta coisa mais há de te dar,
Pedindo em paga, apenas que a protejas!
Sob as bênçãos do céu, a farfalhar,
Tesouro vegetal, bendito sejas!
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1
José Eustáquio da Silva
Quem sou?
Meu nome é José Eustáquio da Silva (Taquinho), natural de Bela Vista de Minas-MG, pequena cidade da zona da mata mineira, situada a 100 Km da capital Belo Horizonte.
Há aproximadamente 15 anos me identifiquei com a literatura, e hoje a tenho como minha melhor companheira.
Minhas primeiras ( e únicas ) investidas no ramo das letras, deram-se em meados da década de 80, onde atrevi-me a inscrever meus incautos e pueris poemas em alguns concursos literários da escola na qual estudei (sou formado em Metalurgia ).
Também nesta época, atiçado por alguns amigos, andei musicalizando alguns poemas, fazendo-os participar de alguns (bons) festivais de música da minha cidade, chegando, inclusive, talvez mais por insistência do que competência, a ganhar alguns prêmios.
Hoje, prismando-me em uma cosmovisão bem diferente, talvez menos inteligente e menos inocente , daquela de alguns anos atrás, sigo observando tudo, como se fosse tudo tão estranho e buscando um novo significado para o que, para muitos, parece óbvio.
Há aproximadamente 15 anos me identifiquei com a literatura, e hoje a tenho como minha melhor companheira.
Minhas primeiras ( e únicas ) investidas no ramo das letras, deram-se em meados da década de 80, onde atrevi-me a inscrever meus incautos e pueris poemas em alguns concursos literários da escola na qual estudei (sou formado em Metalurgia ).
Também nesta época, atiçado por alguns amigos, andei musicalizando alguns poemas, fazendo-os participar de alguns (bons) festivais de música da minha cidade, chegando, inclusive, talvez mais por insistência do que competência, a ganhar alguns prêmios.
Hoje, prismando-me em uma cosmovisão bem diferente, talvez menos inteligente e menos inocente , daquela de alguns anos atrás, sigo observando tudo, como se fosse tudo tão estranho e buscando um novo significado para o que, para muitos, parece óbvio.
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1
José Eustáquio da Silva
Quem sou?
Meu nome é José Eustáquio da Silva (Taquinho), natural de Bela Vista de Minas-MG, pequena cidade da zona da mata mineira, situada a 100 Km da capital Belo Horizonte.
Há aproximadamente 15 anos me identifiquei com a literatura, e hoje a tenho como minha melhor companheira.
Minhas primeiras ( e únicas ) investidas no ramo das letras, deram-se em meados da década de 80, onde atrevi-me a inscrever meus incautos e pueris poemas em alguns concursos literários da escola na qual estudei (sou formado em Metalurgia ).
Também nesta época, atiçado por alguns amigos, andei musicalizando alguns poemas, fazendo-os participar de alguns (bons) festivais de música da minha cidade, chegando, inclusive, talvez mais por insistência do que competência, a ganhar alguns prêmios.
Hoje, prismando-me em uma cosmovisão bem diferente, talvez menos inteligente e menos inocente , daquela de alguns anos atrás, sigo observando tudo, como se fosse tudo tão estranho e buscando um novo significado para o que, para muitos, parece óbvio.
Há aproximadamente 15 anos me identifiquei com a literatura, e hoje a tenho como minha melhor companheira.
Minhas primeiras ( e únicas ) investidas no ramo das letras, deram-se em meados da década de 80, onde atrevi-me a inscrever meus incautos e pueris poemas em alguns concursos literários da escola na qual estudei (sou formado em Metalurgia ).
Também nesta época, atiçado por alguns amigos, andei musicalizando alguns poemas, fazendo-os participar de alguns (bons) festivais de música da minha cidade, chegando, inclusive, talvez mais por insistência do que competência, a ganhar alguns prêmios.
Hoje, prismando-me em uma cosmovisão bem diferente, talvez menos inteligente e menos inocente , daquela de alguns anos atrás, sigo observando tudo, como se fosse tudo tão estranho e buscando um novo significado para o que, para muitos, parece óbvio.
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1
J.Cardia
Neste sol de sempre
Neste sol de sempre
folhas se acastanham
e chegam ao chão.
Todo instante, toda estação.
Eu não. Outono.
folhas se acastanham
e chegam ao chão.
Todo instante, toda estação.
Eu não. Outono.
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1
José Duro
Alvíssima
(Oração)
Como a Noite, Senhor,é linda
Com seus cabelos de luar…
Não chores mais, Lua bemvinda
Que me fazes também chorar…
Sorrisos do luar d’uma Caveira oca,
Sorrisos do luar enfeitiçando os brejos
Sorrisos do luar a angelizar a boca,
Sorrisos do luar onde escondi meus beijos…
Orações do luar dos lábios de nós ambos,
Orações do luar que os astros não rezaram,
Orações do luar a consagrar os tambos,
Orações do luar, das almas que noivaram.
Cabelos do luar, aveludados, frios,
Cabelos do luar em tranças latescentes;
Cabelos do luar — alvíssimas serpentes,
Cabelos do luar banhando-se nos rios…
Aromas do luar em revoadas francas,
Aromas do luar, a perfumar o céu…
Aromas do luar, sonâmbulos ao léu,
Aromas do luar, por noites todas brancas…
Brancuras do luar dispersas pelos montes…
Brancuras do luar — finos lençois de gelo…
Brancuras do luar, olhai o sete estrelo,
Brancuras do luar, a namorar as fontes…
Veludos do luar tecidos pela lua,
Veludos do luar, de lírios e de rosas…
Veludos do luar, ó vestes preciosas
Veludos do luar vestindo a noite nua…
Trémulos de luar — litanias peregrinas,
Trémulos de luar — ó harmonias cérulas,
Trémulos de luar, nas bocas aspérulas
Trémulos de luar, e lábios das boninas…
Tristezas do luar caindo-nos no peito,
Tristezas do luar, como um dobrar profundo…
Tristezas do luar anestisiando o Mundo,
Tristezas do luar, em lágrimas desfeito…
Lágrimas do luar da Lua aventureira,
Lágrimas do luar, da débil flor dos linhos…
Lágrimas do luar da mágua derradeira,
Lágrimas do luar, de moços e velhimhos…
Saudades do luar, na rama dos ciprestes,
Saudades do luar, há mochos a cantar…
Saudades do luar, são almas a chorar…
Saudades do luar, as podridões agrestes…
Velhinhos corações a verter sangue e máguas,
Velhinhos corações de mocidade negras,
Velhinhos corações — doridas toutinegras,
Velhinhos corações aos tombos pelas frágoas.
Vamos todos pedir à Lua sacrossanta
Na aspiração do Amor, na comunhão do Bem
Que o seu bendito olhar, o seu olhar de Santa,
Nos abençõe agora e para sempre amén!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
Como a Noite, Senhor,é linda
Com seus cabelos de luar…
Não chores mais, Lua bemvinda
Que me fazes também chorar…
Sorrisos do luar d’uma Caveira oca,
Sorrisos do luar enfeitiçando os brejos
Sorrisos do luar a angelizar a boca,
Sorrisos do luar onde escondi meus beijos…
Orações do luar dos lábios de nós ambos,
Orações do luar que os astros não rezaram,
Orações do luar a consagrar os tambos,
Orações do luar, das almas que noivaram.
Cabelos do luar, aveludados, frios,
Cabelos do luar em tranças latescentes;
Cabelos do luar — alvíssimas serpentes,
Cabelos do luar banhando-se nos rios…
Aromas do luar em revoadas francas,
Aromas do luar, a perfumar o céu…
Aromas do luar, sonâmbulos ao léu,
Aromas do luar, por noites todas brancas…
Brancuras do luar dispersas pelos montes…
Brancuras do luar — finos lençois de gelo…
Brancuras do luar, olhai o sete estrelo,
Brancuras do luar, a namorar as fontes…
Veludos do luar tecidos pela lua,
Veludos do luar, de lírios e de rosas…
Veludos do luar, ó vestes preciosas
Veludos do luar vestindo a noite nua…
Trémulos de luar — litanias peregrinas,
Trémulos de luar — ó harmonias cérulas,
Trémulos de luar, nas bocas aspérulas
Trémulos de luar, e lábios das boninas…
Tristezas do luar caindo-nos no peito,
Tristezas do luar, como um dobrar profundo…
Tristezas do luar anestisiando o Mundo,
Tristezas do luar, em lágrimas desfeito…
Lágrimas do luar da Lua aventureira,
Lágrimas do luar, da débil flor dos linhos…
Lágrimas do luar da mágua derradeira,
Lágrimas do luar, de moços e velhimhos…
Saudades do luar, na rama dos ciprestes,
Saudades do luar, há mochos a cantar…
Saudades do luar, são almas a chorar…
Saudades do luar, as podridões agrestes…
Velhinhos corações a verter sangue e máguas,
Velhinhos corações de mocidade negras,
Velhinhos corações — doridas toutinegras,
Velhinhos corações aos tombos pelas frágoas.
Vamos todos pedir à Lua sacrossanta
Na aspiração do Amor, na comunhão do Bem
Que o seu bendito olhar, o seu olhar de Santa,
Nos abençõe agora e para sempre amén!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
1 678
1
Ildásio Tavares
Partida ao Vento
Soltei meus braços ao vento
Numa noite ventivosa;
Esperei, sem ver o tempo,
Partir sem busca de volta.
Difíceis são as raízes,
Essas que sempre sugam,
Que se penetram nos mitos
Consolidados sem luta.
O vento, ventando força
Pelos tendões dos meus braços,
Irrompeu de muito arrojo,
Invadiu meu corpo, alçando.
Da partida, de repente,
Me senti no certo arranco,
As asas me deu o vento e
Se esfuracou vendavando.
Mas mil anos de raízes
Ficando ficaram surdas
Esmiuçando seus cílios
Na profundeza do inculto.
Numa noite ventivosa;
Esperei, sem ver o tempo,
Partir sem busca de volta.
Difíceis são as raízes,
Essas que sempre sugam,
Que se penetram nos mitos
Consolidados sem luta.
O vento, ventando força
Pelos tendões dos meus braços,
Irrompeu de muito arrojo,
Invadiu meu corpo, alçando.
Da partida, de repente,
Me senti no certo arranco,
As asas me deu o vento e
Se esfuracou vendavando.
Mas mil anos de raízes
Ficando ficaram surdas
Esmiuçando seus cílios
Na profundeza do inculto.
1 005
1
Ives Gandra da Silva Martins
Olhar do Tempo
Olhar do tempo. Como eu sinto a messe,
Safra da terra, sem semente fora!
Ceifem a messe, que a safra apodrece,
Tempo de sempre, que se faz de agora.
Olhar do tempo. Como eu sinto o rio,
Estrada líquida, sem outra estrada!
Bebam a estrada, que desponta o estio,
Tempo de todos, que se faz de cada.
Olhar do tempo. Como eu sinto o espaço,
Tapete imenso, sem limite ao norte!
Durmam o norte, norteando o passo,
Tempo de vida que se faz de morte.
Olhar do tempo, como eu sinto a cruz!
Tempo de sombra, que se faz de luz.
Safra da terra, sem semente fora!
Ceifem a messe, que a safra apodrece,
Tempo de sempre, que se faz de agora.
Olhar do tempo. Como eu sinto o rio,
Estrada líquida, sem outra estrada!
Bebam a estrada, que desponta o estio,
Tempo de todos, que se faz de cada.
Olhar do tempo. Como eu sinto o espaço,
Tapete imenso, sem limite ao norte!
Durmam o norte, norteando o passo,
Tempo de vida que se faz de morte.
Olhar do tempo, como eu sinto a cruz!
Tempo de sombra, que se faz de luz.
886
1
José Eustáquio da Silva
Opinião
opinião do poeta sem letras:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
879
1
José Eustáquio da Silva
Opinião
opinião do poeta sem letras:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
879
1
José Eustáquio da Silva
Opinião
opinião do poeta sem letras:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
879
1
José Eustáquio da Silva
Opinião
opinião do poeta sem letras:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos
opinião do poeta letrado:
a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos
opinião da poesia:
eu não começo, não termino e não eternizo.
sou apenas poesia...
opinião do leitor:
879
1
Capinan
Navegação Didática
Quis conhecer o rio, habituei-me às navegações.
(Se à curva não propões o barco, a preferência reta
vai dar em margens de flor ou pedra,
paralisando o curso.
Ao vôo se necessita consciência de muros.
Anterior a ser livre é experimentar limites
e daí ser projeto que se auto-edificasse
em corpo bomba que os destruísse
ou se descendo um rio, corpo sensível
que os evitasse) .
Viajando assim, vai surgir, limpa e forte,
a cidade, como nasce um dente: inevitável.
(Se à curva não propões o barco, a preferência reta
vai dar em margens de flor ou pedra,
paralisando o curso.
Ao vôo se necessita consciência de muros.
Anterior a ser livre é experimentar limites
e daí ser projeto que se auto-edificasse
em corpo bomba que os destruísse
ou se descendo um rio, corpo sensível
que os evitasse) .
Viajando assim, vai surgir, limpa e forte,
a cidade, como nasce um dente: inevitável.
1 385
1
Luiz Ademir Souza
Em meio grão de doçura e Pânico
Desencadeados em revoada e grito
os homens vêm à primeira caça livre
em quartelada e golpe
(exatamente como todos os dias nestes dez meses)
como se quisessem romper o óvulo maioraberto
verde
já entrelacrado de silêncio graúdo e grão postiço
em grão a meiotom de voz e cântico comprometedores
em terra sã porém estilizida de armação e arma
em meiogrão de doçura e pânico
Enésima- a vez -
a que o pássaro miúdo
de asa podada
pode ameaçar vôo ?
À opereta miúda da manhã e verde
o murmúrio em tumulto quieto
e gentevã
e grãodez
em pequetitas aves primeiras
em sessão calorosa de paz à dor.
os homens vêm à primeira caça livre
em quartelada e golpe
(exatamente como todos os dias nestes dez meses)
como se quisessem romper o óvulo maioraberto
verde
já entrelacrado de silêncio graúdo e grão postiço
em grão a meiotom de voz e cântico comprometedores
em terra sã porém estilizida de armação e arma
em meiogrão de doçura e pânico
Enésima- a vez -
a que o pássaro miúdo
de asa podada
pode ameaçar vôo ?
À opereta miúda da manhã e verde
o murmúrio em tumulto quieto
e gentevã
e grãodez
em pequetitas aves primeiras
em sessão calorosa de paz à dor.
873
1
Herrique Guerra
O Moringue
O sol que queima as folhas das palmeiras
E os pés caminhantes sobre a areia
O sol que traz o vento e afasta o peixe
Ele não esquentará a água do moringue.
Não há sol no canto desta casa
Há sombras dos luandos que fazem as paredes
A areia do chão traz a frescura da terra
Os caniços do luando têm a frescura
Que trouxeram das terras de Cabíri
Quando, de andar nas canoas, voltamos do mar
E a garganta vem a arder como se era sal
A água do moringue sabe-nos como nada mais.
E, a quem nos pede, com o coração alegre,
Nós a oferecemos, nas canecas de esmalte.
E os pés caminhantes sobre a areia
O sol que traz o vento e afasta o peixe
Ele não esquentará a água do moringue.
Não há sol no canto desta casa
Há sombras dos luandos que fazem as paredes
A areia do chão traz a frescura da terra
Os caniços do luando têm a frescura
Que trouxeram das terras de Cabíri
Quando, de andar nas canoas, voltamos do mar
E a garganta vem a arder como se era sal
A água do moringue sabe-nos como nada mais.
E, a quem nos pede, com o coração alegre,
Nós a oferecemos, nas canecas de esmalte.
1 729
1
H. Masuda Goga
Primavera
Um bem-te-vi na árvore,
canta e canta sem descanso:
outro canto ao longe.
Por sobre o gramado,
as borboletas em bando,
um caixão chegando...
Inúmeras flores
nos túmulos de finados
— na alma só saudade...
canta e canta sem descanso:
outro canto ao longe.
Por sobre o gramado,
as borboletas em bando,
um caixão chegando...
Inúmeras flores
nos túmulos de finados
— na alma só saudade...
1 048
1
José Blanc de Portugal
O Carpinteiro de Cenários
Sou um carpinteiro de cenários
Dum ballet russo ou doutro qualquer.
Guardo as ferramentas do ofício
Pregos, dobradiças, apetrechos vários;
Um ar canhestro de quem é sempre mandado
E a certeza do acaso quando quer
Que alguém nos tome pela mão numa aventura
Inesperada só do outro lado dessa pobre alma
("Pobre alma" vem do russo).
Ela ganha a certeza de que nada é por acaso
Perdendo a certeza de que nada dura
E alguma coisa fica do que era nada
Desespero da impossível calma
Esperança de que fique vício ou piedade
Em pedacinhos fragmentários
Pregos, dobradiças e a tinta escura ou viva
Que o sol ausente do teatro não comeu.
Cravo os pregos do amor por todo aquele armazém dos desperdícios
Que nenhuma vassoura limpará do pó das glórias mortas.
Fixo as dobradiças que me unirão pra sempre a tais memórias
Experimentando com cuidado e sem saber a serventia dessas portas
Que porão em cena novas glórias das ocasiões fatais
Pra eu sofrer do alto da urdidura.
Anos de acaso fizeram-me um perito
A que recorrem os que não têm coragem
De mostrarem que não se admiram a si próprios
Senão quando todos aplaudem
E se revoltam com a confiança dos maítres de ballet
que falam duro.
Mas, nos dias mornos, lhes é tudo indiferente.
A estrela untando as sapatilhas na resina
Olhou-me com os olhos a piscar, vermelhos.
Cairia se a não agarrasse e no escuro lhe dissesse
Porque atrasara o sexto fouetté do seu allegro.
Em cena todos os desculparam porque era estrela
Porque trinta e oito anos são uma idade perigosa
E amanhã não sucederia o mesmo
E há muitos anos não tinha amores a comentar e estava triste.
Mas eu sabia que onde ela passara o tablado tem sulcos que o tempo
Usou como fez para abrir as duas rugas
Que a pobre alma tem, como parênteses, em volta da pequena boca
Que floriu tantas Giselles e Odettes.
Não me casei porque vivo demais neste teatro
Que então já seria a minha casa que afinal não tenho.
Todos me tomam como uma parte desta casa.
E talvez sem o saberem me invejem
Tantos que nunca tiveram uma casa
Ou a que têm é apenas quanto dura
A Companhia ou a ligação de acaso.
As vezes é um grande sol de amor que a ilumina
Sol de teatro como os velhos arcos voltaicos
Choques e carvões sempre sujos que eu dantes ajudava a limpar.
Eu encontrei a casa que é minha por não ser.
Sabe-lo foi tudo o que encontrei.
Aquela rapariga que iria longe
E ao primeiro grand pas de deux classique
Partiu um braço porque julgara já poder esquivar-se
Aos desejos naturais do premier danseur
Foi pena ter esquecido depressa demais o tempo em que podia
Tomar comigo um café e achar-me um pouco filósofo.
É tarde. Tudo isto é escuro e amanhã
— Cedinho, é preciso que cá estejas... —
Bem sei. já não preciso dormir muito.
Guardo na caixa os pregos e as dobradiças.
Ao menos hoje a grande estrela
Aprendeu um segredo do palco.
Possa ela não se vingar aconselhando aquela diagonal
À pequena em que o diretor põe agora todas as esperanças
Só lhe direi o que ela quiser.
É tarde. É melhor ficar cá no teatro.
A única luz dá sobre a caixa da resina.
Basta-me apagá-la para adormecer.
Dum ballet russo ou doutro qualquer.
Guardo as ferramentas do ofício
Pregos, dobradiças, apetrechos vários;
Um ar canhestro de quem é sempre mandado
E a certeza do acaso quando quer
Que alguém nos tome pela mão numa aventura
Inesperada só do outro lado dessa pobre alma
("Pobre alma" vem do russo).
Ela ganha a certeza de que nada é por acaso
Perdendo a certeza de que nada dura
E alguma coisa fica do que era nada
Desespero da impossível calma
Esperança de que fique vício ou piedade
Em pedacinhos fragmentários
Pregos, dobradiças e a tinta escura ou viva
Que o sol ausente do teatro não comeu.
Cravo os pregos do amor por todo aquele armazém dos desperdícios
Que nenhuma vassoura limpará do pó das glórias mortas.
Fixo as dobradiças que me unirão pra sempre a tais memórias
Experimentando com cuidado e sem saber a serventia dessas portas
Que porão em cena novas glórias das ocasiões fatais
Pra eu sofrer do alto da urdidura.
Anos de acaso fizeram-me um perito
A que recorrem os que não têm coragem
De mostrarem que não se admiram a si próprios
Senão quando todos aplaudem
E se revoltam com a confiança dos maítres de ballet
que falam duro.
Mas, nos dias mornos, lhes é tudo indiferente.
A estrela untando as sapatilhas na resina
Olhou-me com os olhos a piscar, vermelhos.
Cairia se a não agarrasse e no escuro lhe dissesse
Porque atrasara o sexto fouetté do seu allegro.
Em cena todos os desculparam porque era estrela
Porque trinta e oito anos são uma idade perigosa
E amanhã não sucederia o mesmo
E há muitos anos não tinha amores a comentar e estava triste.
Mas eu sabia que onde ela passara o tablado tem sulcos que o tempo
Usou como fez para abrir as duas rugas
Que a pobre alma tem, como parênteses, em volta da pequena boca
Que floriu tantas Giselles e Odettes.
Não me casei porque vivo demais neste teatro
Que então já seria a minha casa que afinal não tenho.
Todos me tomam como uma parte desta casa.
E talvez sem o saberem me invejem
Tantos que nunca tiveram uma casa
Ou a que têm é apenas quanto dura
A Companhia ou a ligação de acaso.
As vezes é um grande sol de amor que a ilumina
Sol de teatro como os velhos arcos voltaicos
Choques e carvões sempre sujos que eu dantes ajudava a limpar.
Eu encontrei a casa que é minha por não ser.
Sabe-lo foi tudo o que encontrei.
Aquela rapariga que iria longe
E ao primeiro grand pas de deux classique
Partiu um braço porque julgara já poder esquivar-se
Aos desejos naturais do premier danseur
Foi pena ter esquecido depressa demais o tempo em que podia
Tomar comigo um café e achar-me um pouco filósofo.
É tarde. Tudo isto é escuro e amanhã
— Cedinho, é preciso que cá estejas... —
Bem sei. já não preciso dormir muito.
Guardo na caixa os pregos e as dobradiças.
Ao menos hoje a grande estrela
Aprendeu um segredo do palco.
Possa ela não se vingar aconselhando aquela diagonal
À pequena em que o diretor põe agora todas as esperanças
Só lhe direi o que ela quiser.
É tarde. É melhor ficar cá no teatro.
A única luz dá sobre a caixa da resina.
Basta-me apagá-la para adormecer.
1 769
1
José Blanc de Portugal
O Carpinteiro de Cenários
Sou um carpinteiro de cenários
Dum ballet russo ou doutro qualquer.
Guardo as ferramentas do ofício
Pregos, dobradiças, apetrechos vários;
Um ar canhestro de quem é sempre mandado
E a certeza do acaso quando quer
Que alguém nos tome pela mão numa aventura
Inesperada só do outro lado dessa pobre alma
("Pobre alma" vem do russo).
Ela ganha a certeza de que nada é por acaso
Perdendo a certeza de que nada dura
E alguma coisa fica do que era nada
Desespero da impossível calma
Esperança de que fique vício ou piedade
Em pedacinhos fragmentários
Pregos, dobradiças e a tinta escura ou viva
Que o sol ausente do teatro não comeu.
Cravo os pregos do amor por todo aquele armazém dos desperdícios
Que nenhuma vassoura limpará do pó das glórias mortas.
Fixo as dobradiças que me unirão pra sempre a tais memórias
Experimentando com cuidado e sem saber a serventia dessas portas
Que porão em cena novas glórias das ocasiões fatais
Pra eu sofrer do alto da urdidura.
Anos de acaso fizeram-me um perito
A que recorrem os que não têm coragem
De mostrarem que não se admiram a si próprios
Senão quando todos aplaudem
E se revoltam com a confiança dos maítres de ballet
que falam duro.
Mas, nos dias mornos, lhes é tudo indiferente.
A estrela untando as sapatilhas na resina
Olhou-me com os olhos a piscar, vermelhos.
Cairia se a não agarrasse e no escuro lhe dissesse
Porque atrasara o sexto fouetté do seu allegro.
Em cena todos os desculparam porque era estrela
Porque trinta e oito anos são uma idade perigosa
E amanhã não sucederia o mesmo
E há muitos anos não tinha amores a comentar e estava triste.
Mas eu sabia que onde ela passara o tablado tem sulcos que o tempo
Usou como fez para abrir as duas rugas
Que a pobre alma tem, como parênteses, em volta da pequena boca
Que floriu tantas Giselles e Odettes.
Não me casei porque vivo demais neste teatro
Que então já seria a minha casa que afinal não tenho.
Todos me tomam como uma parte desta casa.
E talvez sem o saberem me invejem
Tantos que nunca tiveram uma casa
Ou a que têm é apenas quanto dura
A Companhia ou a ligação de acaso.
As vezes é um grande sol de amor que a ilumina
Sol de teatro como os velhos arcos voltaicos
Choques e carvões sempre sujos que eu dantes ajudava a limpar.
Eu encontrei a casa que é minha por não ser.
Sabe-lo foi tudo o que encontrei.
Aquela rapariga que iria longe
E ao primeiro grand pas de deux classique
Partiu um braço porque julgara já poder esquivar-se
Aos desejos naturais do premier danseur
Foi pena ter esquecido depressa demais o tempo em que podia
Tomar comigo um café e achar-me um pouco filósofo.
É tarde. Tudo isto é escuro e amanhã
— Cedinho, é preciso que cá estejas... —
Bem sei. já não preciso dormir muito.
Guardo na caixa os pregos e as dobradiças.
Ao menos hoje a grande estrela
Aprendeu um segredo do palco.
Possa ela não se vingar aconselhando aquela diagonal
À pequena em que o diretor põe agora todas as esperanças
Só lhe direi o que ela quiser.
É tarde. É melhor ficar cá no teatro.
A única luz dá sobre a caixa da resina.
Basta-me apagá-la para adormecer.
Dum ballet russo ou doutro qualquer.
Guardo as ferramentas do ofício
Pregos, dobradiças, apetrechos vários;
Um ar canhestro de quem é sempre mandado
E a certeza do acaso quando quer
Que alguém nos tome pela mão numa aventura
Inesperada só do outro lado dessa pobre alma
("Pobre alma" vem do russo).
Ela ganha a certeza de que nada é por acaso
Perdendo a certeza de que nada dura
E alguma coisa fica do que era nada
Desespero da impossível calma
Esperança de que fique vício ou piedade
Em pedacinhos fragmentários
Pregos, dobradiças e a tinta escura ou viva
Que o sol ausente do teatro não comeu.
Cravo os pregos do amor por todo aquele armazém dos desperdícios
Que nenhuma vassoura limpará do pó das glórias mortas.
Fixo as dobradiças que me unirão pra sempre a tais memórias
Experimentando com cuidado e sem saber a serventia dessas portas
Que porão em cena novas glórias das ocasiões fatais
Pra eu sofrer do alto da urdidura.
Anos de acaso fizeram-me um perito
A que recorrem os que não têm coragem
De mostrarem que não se admiram a si próprios
Senão quando todos aplaudem
E se revoltam com a confiança dos maítres de ballet
que falam duro.
Mas, nos dias mornos, lhes é tudo indiferente.
A estrela untando as sapatilhas na resina
Olhou-me com os olhos a piscar, vermelhos.
Cairia se a não agarrasse e no escuro lhe dissesse
Porque atrasara o sexto fouetté do seu allegro.
Em cena todos os desculparam porque era estrela
Porque trinta e oito anos são uma idade perigosa
E amanhã não sucederia o mesmo
E há muitos anos não tinha amores a comentar e estava triste.
Mas eu sabia que onde ela passara o tablado tem sulcos que o tempo
Usou como fez para abrir as duas rugas
Que a pobre alma tem, como parênteses, em volta da pequena boca
Que floriu tantas Giselles e Odettes.
Não me casei porque vivo demais neste teatro
Que então já seria a minha casa que afinal não tenho.
Todos me tomam como uma parte desta casa.
E talvez sem o saberem me invejem
Tantos que nunca tiveram uma casa
Ou a que têm é apenas quanto dura
A Companhia ou a ligação de acaso.
As vezes é um grande sol de amor que a ilumina
Sol de teatro como os velhos arcos voltaicos
Choques e carvões sempre sujos que eu dantes ajudava a limpar.
Eu encontrei a casa que é minha por não ser.
Sabe-lo foi tudo o que encontrei.
Aquela rapariga que iria longe
E ao primeiro grand pas de deux classique
Partiu um braço porque julgara já poder esquivar-se
Aos desejos naturais do premier danseur
Foi pena ter esquecido depressa demais o tempo em que podia
Tomar comigo um café e achar-me um pouco filósofo.
É tarde. Tudo isto é escuro e amanhã
— Cedinho, é preciso que cá estejas... —
Bem sei. já não preciso dormir muito.
Guardo na caixa os pregos e as dobradiças.
Ao menos hoje a grande estrela
Aprendeu um segredo do palco.
Possa ela não se vingar aconselhando aquela diagonal
À pequena em que o diretor põe agora todas as esperanças
Só lhe direi o que ela quiser.
É tarde. É melhor ficar cá no teatro.
A única luz dá sobre a caixa da resina.
Basta-me apagá-la para adormecer.
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1
Helena Parente Cunha
Bloqueio
onde sopra agora o vento
que levava o que eu dizia?
onde se perderam os nomes
que tantas coisas tiveram?
onde ficaram as coisas
chamadas em minha voz?
e minha voz
como assim subtraída?
gosto de pedra
na saliva em minha língua
as palavras me emparedam
onde houvera minha boca
que levava o que eu dizia?
onde se perderam os nomes
que tantas coisas tiveram?
onde ficaram as coisas
chamadas em minha voz?
e minha voz
como assim subtraída?
gosto de pedra
na saliva em minha língua
as palavras me emparedam
onde houvera minha boca
1 471
1
Helena Parente Cunha
Bloqueio
onde sopra agora o vento
que levava o que eu dizia?
onde se perderam os nomes
que tantas coisas tiveram?
onde ficaram as coisas
chamadas em minha voz?
e minha voz
como assim subtraída?
gosto de pedra
na saliva em minha língua
as palavras me emparedam
onde houvera minha boca
que levava o que eu dizia?
onde se perderam os nomes
que tantas coisas tiveram?
onde ficaram as coisas
chamadas em minha voz?
e minha voz
como assim subtraída?
gosto de pedra
na saliva em minha língua
as palavras me emparedam
onde houvera minha boca
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