Poemas neste tema
Outros
Abul ʿAla Al-Maʿarri
teus sonhos de grande empresa
Vãos, teus sonhos de grande empresa,
De forma vã, tu velejas espaços novos,
Vão, ancorar nesse mundo só de rostos
Se é outro fim que o mundo te reserva.
De forma vã, tu velejas espaços novos,
Vão, ancorar nesse mundo só de rostos
Se é outro fim que o mundo te reserva.
657
Ghérasim Luca
20 de novembro de 19..
Prezado,
E no entanto no momento em que pronuncio o seu nome, faço de você quase uma orquestra e eis-nos de volta ao ponto em que éramos ainda surdos senão separados. Com efeito, uma cisão é uma relação que serve para explicar aquilo que não pode ser senão catanrolado, murmurado, cochichado...
Você se abandonou ao erro de me considerar como uma realidade objetiva definida pelo horizonte de seu mundo.
Eu não sei o que você quer dizer. Eu não vejo ninguém, eu não vejo nada, eu nunca vi nada. Quanto mais eu reflito, menos eu vejo coisas, e menos eu vejo coisas, mais elas me arrepiam. Eu não posso dizer aquilo que não vejo.
Nós o sabemos bem, nós, não é, meu amigo. Tudo isso, é um erro, é tormento e zombaria, e vamos cessar o mais depressa possível.
:
20 novembre 19..
Monsieur,
Et pourtant au moment où je prononce votre nom, je fais de vous presque un orchestre et nous voilà ramenés au point où nous étions encore sourds sinon separes. En effet, ine scission c’est une relation servant à expliquer ce quin e peut qu’être fredonné, murmuré, chuchoté...
Vous vous êtes laissé aller à l’erreur de me considérer comme une réalité objective définie par l’horizon de votre monde.
Je ne sais pas ce que vous voulez dire. Je ne vois personne, je ne vois rien, je n’ai jamais rien vu. Plus j’y réfléchis, moins je vois de choses, et moins je vois de choses, plus elles me font fremir. Je ne puis dire ce que je ne vois pas.
Nous le savons bien, nous, n’est-ce pas, mona mi. Tout ça, c’est une erreur, c’est du tourment et des plaisanteries, et nous allons cesser le plus vite possible.
734
Juan Gelman
Limites
Quem disse alguma vez: até aqui a sede,
até aqui a água?
Quem disse alguma vez: até aqui o ar,
até aqui o fogo?
Quem disse alguma vez: até aqui o amor,
até aqui o ódio?
Quem disse alguma vez: até aqui o homem,
até aqui não?
Somente a esperança tem joelhos nítidos.
Sangram.
(tradução de Antonio Miranda)
:
Límites
¿Quién dijo alguna vez: hasa aquí la sed,
hasta aquí el agua?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el aire,
hasta aquí el fuego?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el amor,
hasta aquí el odio?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el hombre,
hasta aquí no?
Sólo la esperanza tiene las rodillas nítidas.
Sangran.
até aqui a água?
Quem disse alguma vez: até aqui o ar,
até aqui o fogo?
Quem disse alguma vez: até aqui o amor,
até aqui o ódio?
Quem disse alguma vez: até aqui o homem,
até aqui não?
Somente a esperança tem joelhos nítidos.
Sangram.
(tradução de Antonio Miranda)
:
Límites
¿Quién dijo alguna vez: hasa aquí la sed,
hasta aquí el agua?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el aire,
hasta aquí el fuego?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el amor,
hasta aquí el odio?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el hombre,
hasta aquí no?
Sólo la esperanza tiene las rodillas nítidas.
Sangran.
1 956
Helmut Heissenbüttel
o negro da água
o negro da água e o pontilhado das luzes
o negro da água e o ocasional dos reflexos
regiões e regiões e paisagens
paisagens que eu tingi e paisagens que eu
.......não tingi
o ocasional das sombras e a cromática da claridade
o negro da negrura e a cromática da clara mancha
amarelo vermelho amarelho e vermelho vermelho
regiões e paisagens e ou
ou e ou ou
die Schwärze des Wassers und das Punktuelle der Lichter
die Schwärze des Wassers und das Gelegentliche der Reflexe
Gegenden und Gegenden und Landschaften
Landschaften die ich gefärbt habe und Landschaften die ich
.......nicht gefärbt habe
das Gelegentliche der Schatten und die Chromatik des Hellen
die Schwärze des Schwarzen und die Chromatik der hellen Flecke
gelb rot rotgelb und rot rot rot
Gegenden und Landschaften und oder
oder und oder oder
o negro da água e o ocasional dos reflexos
regiões e regiões e paisagens
paisagens que eu tingi e paisagens que eu
.......não tingi
o ocasional das sombras e a cromática da claridade
o negro da negrura e a cromática da clara mancha
amarelo vermelho amarelho e vermelho vermelho
regiões e paisagens e ou
ou e ou ou
die Schwärze des Wassers und das Punktuelle der Lichter
die Schwärze des Wassers und das Gelegentliche der Reflexe
Gegenden und Gegenden und Landschaften
Landschaften die ich gefärbt habe und Landschaften die ich
.......nicht gefärbt habe
das Gelegentliche der Schatten und die Chromatik des Hellen
die Schwärze des Schwarzen und die Chromatik der hellen Flecke
gelb rot rotgelb und rot rot rot
Gegenden und Landschaften und oder
oder und oder oder
795
Helmut Heissenbüttel
o negro da água
o negro da água e o pontilhado das luzes
o negro da água e o ocasional dos reflexos
regiões e regiões e paisagens
paisagens que eu tingi e paisagens que eu
.......não tingi
o ocasional das sombras e a cromática da claridade
o negro da negrura e a cromática da clara mancha
amarelo vermelho amarelho e vermelho vermelho
regiões e paisagens e ou
ou e ou ou
die Schwärze des Wassers und das Punktuelle der Lichter
die Schwärze des Wassers und das Gelegentliche der Reflexe
Gegenden und Gegenden und Landschaften
Landschaften die ich gefärbt habe und Landschaften die ich
.......nicht gefärbt habe
das Gelegentliche der Schatten und die Chromatik des Hellen
die Schwärze des Schwarzen und die Chromatik der hellen Flecke
gelb rot rotgelb und rot rot rot
Gegenden und Landschaften und oder
oder und oder oder
o negro da água e o ocasional dos reflexos
regiões e regiões e paisagens
paisagens que eu tingi e paisagens que eu
.......não tingi
o ocasional das sombras e a cromática da claridade
o negro da negrura e a cromática da clara mancha
amarelo vermelho amarelho e vermelho vermelho
regiões e paisagens e ou
ou e ou ou
die Schwärze des Wassers und das Punktuelle der Lichter
die Schwärze des Wassers und das Gelegentliche der Reflexe
Gegenden und Gegenden und Landschaften
Landschaften die ich gefärbt habe und Landschaften die ich
.......nicht gefärbt habe
das Gelegentliche der Schatten und die Chromatik des Hellen
die Schwärze des Schwarzen und die Chromatik der hellen Flecke
gelb rot rotgelb und rot rot rot
Gegenden und Landschaften und oder
oder und oder oder
795
Jorge de Sena
Glosa à chegada do outono
O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera: este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
.
.
.
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera: este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
.
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1 602
Affonso Ávila
Cantiga de Nossa Senhora da Modéstia
do nicho elipse ontem fresta
sem coroa ou aura à sobretesta
sem louvor barroco à testa
cheia de graça em enfesta
lindeira de urbe e floresta
névoa ao olho imanifesta
oculta por imolesta
flor ou bem que se requesta
coração que se empresta
a nenhum juro infunesta
em seu sol tarde seresta
de som noite que se apresta
ao ardor deste à ânsia desta
dada mão furtiva ou presta
príncipes de brim voile em véstía
rímel pó rouge à arte honesta
na esquina de amor ou festa
ao cadente beijo da hora é esta
sua luz vertia em réstia
nossa senhora da modéstia
deCantigas do Falso Alfonso El Sábio, 2002.
931
Affonso Ávila
Cantiga de Nossa Senhora da Modéstia
do nicho elipse ontem fresta
sem coroa ou aura à sobretesta
sem louvor barroco à testa
cheia de graça em enfesta
lindeira de urbe e floresta
névoa ao olho imanifesta
oculta por imolesta
flor ou bem que se requesta
coração que se empresta
a nenhum juro infunesta
em seu sol tarde seresta
de som noite que se apresta
ao ardor deste à ânsia desta
dada mão furtiva ou presta
príncipes de brim voile em véstía
rímel pó rouge à arte honesta
na esquina de amor ou festa
ao cadente beijo da hora é esta
sua luz vertia em réstia
nossa senhora da modéstia
deCantigas do Falso Alfonso El Sábio, 2002.
931
Ghérasim Luca
Seu corpo leve
Seu corpo leve
será o fim do mundo?
é um erro
é uma delícia deslizando
entre os meus lábios
perto do espelho
mas o outro pensava:
é apenas uma pomba que respira
seja o que for
onde estou
algo acontece
numa posição delimitada pelo temporal
Perto do espelho é um erro
onde estou é apenas uma pomba
mas o outro pensava:
algo acontece
numa posição delimitada
deslizando entre os meus lábios
será o fim do mundo?
é uma delícia seja o que for
seu corpo leve respira pelo temporal
Numa posição delimitada
perto do gelo que respira
seu corpo leve deslizando entre os meus lábios
será o fim do mundo?
mas o outro pensava: é uma delícia
algo acontece seja o que for
pelo temporal é apenas uma pomba
onde estou é um erro
Será o fim do mundo que respira
seu corpo leve? Mas o outro pensava:
onde estou perto do espelho
é uma delícia numa posição delimitada
seja o que for é um erro
algo acontece pelo temporal
é apenas uma pomba
deslizando entre os meus lábios
É apenas uma pomba
numa posição delimitada
onde estou pelo temporal
mas o outro pensava:
quem respira perto do espelho
será o fim do mundo?
seja o que for é uma delícia
algo acontece
deslizando entre os meus lábios
seu corpo leve
(tradução de Laura Erber)
:
Son corps léger
est-il la fin du monde?
c’est une erreur
c’est une délice glissant
entre mes lèvres
près de la glace
mais l’autre pensait:
ce n’est qu’une colombe qui respire
quoi qu’il en soit
là où je suis
il se passe quelque chose
dans une position délimitée par l’orage
Près de la glace c’est une erreur
là où je suis ce n’est qu’une colombe
mais l’autre pensait:
il se passe quelque chose
dans une position délimitée
glissant entre mes lèvres
est-ce la fin du monde?
c’est une délice quoi qu’il en soit
sons corps léger respire par l’orage
Dans une position délimitée
près de la glace qui respire
sons corps léger glissant entre mes lèvres
est-ce la fin du monde?
mais l’autre pensait: c’est une délice
il se passe quelque chose quoi qu’il en soit
par l’orage ce n’est qu’une colombe
là où je suis c’est une erreur
Est-ce la fin du monde qui respire
son corps léger? mais l’autre pensait:
là où je suis près de la glace
c’est une délice dans une position délimitée
quoi qu’il en soit c’est une erreur
il se passe quelque chose par l’orage
ce n’est qu’une colombe
glissant entre mes lèvres
Ce n’est qu’une colombe
dans une position délimitée
là où je suis par l’orage
mais l’autre pensait:
qui respire près de la glace
est-ce la fin du monde?
Quoi qu’il en soit c’est une délice
Il se passe quelque chose
c’est une erreur
glissant entre mes lèvres
son corps léger
Os editores da Modo de Usar & Co. agradecem à poeta carioca Laura Erber por ter gentilmente permitido a publicação destas traduções.
.
.
.
1 395
En Hedu'anna
Inanna e a Essência Divina
Senhora de toda essência, luz plena,
mulher generosa vestida em radiância,
amada pelo céu e pela terra,
amiga templária de An,
tu vestes grandes ornamentos,
tu desejas a tiara da alta sacerdotisa
cujas mãos tomam as sete essências.
Oh minha Senhora, guardiã de toda essência,
tu as colheste e penduraste
nas mãos.
Tu recolheras as essências sagradas e as vestiste
tesas em teus seios.
1 081
En Hedu'anna
Inanna e a Essência Divina
Senhora de toda essência, luz plena,
mulher generosa vestida em radiância,
amada pelo céu e pela terra,
amiga templária de An,
tu vestes grandes ornamentos,
tu desejas a tiara da alta sacerdotisa
cujas mãos tomam as sete essências.
Oh minha Senhora, guardiã de toda essência,
tu as colheste e penduraste
nas mãos.
Tu recolheras as essências sagradas e as vestiste
tesas em teus seios.
1 081
Abul ʿAla Al-Maʿarri
Abandona a mesquita e evita louvor
Abandona a mesquita e evita louvor,
Preces inúteis, sacrifício de ovelhas,
Pois o Destino trará cálice de sono
Ou cálice de insônia. O que vier, beba.
Preces inúteis, sacrifício de ovelhas,
Pois o Destino trará cálice de sono
Ou cálice de insônia. O que vier, beba.
736
Abul ʿAla Al-Maʿarri
Abandona a mesquita e evita louvor
Abandona a mesquita e evita louvor,
Preces inúteis, sacrifício de ovelhas,
Pois o Destino trará cálice de sono
Ou cálice de insônia. O que vier, beba.
Preces inúteis, sacrifício de ovelhas,
Pois o Destino trará cálice de sono
Ou cálice de insônia. O que vier, beba.
736
Juan Gelman
a mão
não ponha a mão na água
porque se vai como peixe
não ponha a água em sua mão
porque virá o oceano
e a margem depois
deixa sua mão assim
em seu ar
nela
sem começo
nem fim.
(tradução de Leo Gonçalves e Andityas Soares de Moura)
la mano
no pongas la mano en el agua
porque se irá de pez/
no pongas agua en tu mano
porque vendrá el océano
y la orilla después/
dejá tu mano así/
en su aire
en ella/
sin comienzo/
ni fin
porque se vai como peixe
não ponha a água em sua mão
porque virá o oceano
e a margem depois
deixa sua mão assim
em seu ar
nela
sem começo
nem fim.
(tradução de Leo Gonçalves e Andityas Soares de Moura)
la mano
no pongas la mano en el agua
porque se irá de pez/
no pongas agua en tu mano
porque vendrá el océano
y la orilla después/
dejá tu mano así/
en su aire
en ella/
sin comienzo/
ni fin
1 290
Joseph Brodsky
Odisseu a Telêmaco
Caro Telêmaco,
encerrou-se a Guerra
de Tróia. Quem venceu, não lembro. Gregos,
sem dúvida: só gregos deixariam
tantos defuntos longe de seu lar.
Mesmo assim, o caminho para casa
mostrou-se demasiado longo, como
se Posseidon, enquanto ali perdíamos
nosso tempo, tivesse ampliado o espaço.
Não sei nem onde estou nem o que tenho
diante de mim, que suja ilhota é esta,
que moitas, casas, porcos a grunhir,
jardins abandonados, que rainha,
capim, raízes, pedras. Meu Telêmaco,
as ilhas todas se parecem quando
já se viaja há tanto tempo, o cérebro
confunde-se contando as ondas, o olho
chora entulhado de horizonte e a carne
das águas nos entope enfim o ouvido.
Não lembro como terminou a guerra
e quantos anos tens, tampouco lembro.
Cresce, Telêmaco meu filho, os deuses,
só eles sabem se nos reveremos.
Não és mais o garoto em frente a quem
contive touros bravos. Viveríamos
juntos os dois, não fosse Palamedes,*
que estava, talvez, certo, pois, sem mim,
podes, liberto das paixões de Édipo,
ter sonhos, meu Telêmaco, impolutos.
Tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher. Quase uma elegia (Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996).
encerrou-se a Guerra
de Tróia. Quem venceu, não lembro. Gregos,
sem dúvida: só gregos deixariam
tantos defuntos longe de seu lar.
Mesmo assim, o caminho para casa
mostrou-se demasiado longo, como
se Posseidon, enquanto ali perdíamos
nosso tempo, tivesse ampliado o espaço.
Não sei nem onde estou nem o que tenho
diante de mim, que suja ilhota é esta,
que moitas, casas, porcos a grunhir,
jardins abandonados, que rainha,
capim, raízes, pedras. Meu Telêmaco,
as ilhas todas se parecem quando
já se viaja há tanto tempo, o cérebro
confunde-se contando as ondas, o olho
chora entulhado de horizonte e a carne
das águas nos entope enfim o ouvido.
Não lembro como terminou a guerra
e quantos anos tens, tampouco lembro.
Cresce, Telêmaco meu filho, os deuses,
só eles sabem se nos reveremos.
Não és mais o garoto em frente a quem
contive touros bravos. Viveríamos
juntos os dois, não fosse Palamedes,*
que estava, talvez, certo, pois, sem mim,
podes, liberto das paixões de Édipo,
ter sonhos, meu Telêmaco, impolutos.
Tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher. Quase uma elegia (Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996).
1 269
Abu Ishaq Ibrahim Ibn Sahl al-Isra’ili al-Ishbili
Um belo rapaz
Muitas vezes um belo rapaz de lábios rubros
me pergunta sorrindo: – qual a tua religião?
Eu lhe respondo: em teu amor encontro minha fé,
meu paraíso, meu Deus e minha eternidade.
Tradução de Paulo Azevedo Chaves, in "Nus" (Editora Comunicarte, 1991).
me pergunta sorrindo: – qual a tua religião?
Eu lhe respondo: em teu amor encontro minha fé,
meu paraíso, meu Deus e minha eternidade.
Tradução de Paulo Azevedo Chaves, in "Nus" (Editora Comunicarte, 1991).
863
Juan Gelman
Chega
chega
não quero mais morte
não quero mais dor ou sombras chega
meu coração é esplêndido como uma palavra
meu coração tornou-se belo como o sol
que sai voa canta meu coração
é cedo um passarinho
e depois teu nome
teu nome sobe todas as manhãs
aquece o mundo e se põe
só em meu coração
sol em meu coração
(Tradução de Ricardo Domeneck)
Basta
basta
no quiero más de muerte
no quiero más de dolor o sombras basta
mi corazón es espléndido como una palabra
mi corazón se há vuelto bello como el sol
que sale vuela canta mi corazón
es de temprano un pajarito
y después es tu nombre
tu nombre sube todas las mañanas
calienta el mundo y se pone
solo en mi corazón
sol en mi corazón.
.
.
.
não quero mais morte
não quero mais dor ou sombras chega
meu coração é esplêndido como uma palavra
meu coração tornou-se belo como o sol
que sai voa canta meu coração
é cedo um passarinho
e depois teu nome
teu nome sobe todas as manhãs
aquece o mundo e se põe
só em meu coração
sol em meu coração
(Tradução de Ricardo Domeneck)
Basta
basta
no quiero más de muerte
no quiero más de dolor o sombras basta
mi corazón es espléndido como una palabra
mi corazón se há vuelto bello como el sol
que sale vuela canta mi corazón
es de temprano un pajarito
y después es tu nombre
tu nombre sube todas las mañanas
calienta el mundo y se pone
solo en mi corazón
sol en mi corazón.
.
.
.
1 427
Richard Minne
Gogol
Leio Gogol. É grande, forte.
Ele fala de vida e morte,
e diz que os homens valem pouco
e são veneno uns para os outros,
mas que esta vida, não obstante,
lhes é muitíssimo importante.
(tradução de José Paulo Paes)
:
Ik lees Gogol. Hij is groot.
Hij spreekt van liefde en dood,
en dat de mensen klein zijn
en voor elkaar venijn zijn
en dat, trots alles, dit leven
nog hoog staat aangeschreven.
.
.
.
719
Richard Minne
Gogol
Leio Gogol. É grande, forte.
Ele fala de vida e morte,
e diz que os homens valem pouco
e são veneno uns para os outros,
mas que esta vida, não obstante,
lhes é muitíssimo importante.
(tradução de José Paulo Paes)
:
Ik lees Gogol. Hij is groot.
Hij spreekt van liefde en dood,
en dat de mensen klein zijn
en voor elkaar venijn zijn
en dat, trots alles, dit leven
nog hoog staat aangeschreven.
.
.
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719
Abul ʿAla Al-Maʿarri
Erram todos – judeus, cristãos,
Erram todos – judeus, cristãos,
muçulmanos e masdeístas:
A humanidade segue duas seitas:
Uma: pensadores sem religião,
Outra: religiosos sem cabeça.
735
Helmut Heissenbüttel
Manchas de tinta fogem céleres
manchas de tinta fogem céleres sobre o conceito
.......da tarde de setembro
um Miró de 1931 com o título Silence
o poço dos pássaros migratórios está em movimento
a lâmpada da escrivaninha resolve enigma nenhum
em vão Miró estica seus braços de Heidegger
.......a Wittgenstein
a amarelada luz pluvial da tarde de setembro cola-se
.......ao vidro da janela
os braços amarelados da tarde de setembro aconchegam
.......-me a si
a amarelada luz de setembro da tarde chuvosa golpeia
.......como um projétil de silêncio
Tintenflecke fliehen rasch über das Konzept des Septemberabends
ein Miró von 1931 mit dem Titel Silence
der Springbrunnen der Schwalben ist unterwegs
die Schreibtischlampe löst keine Rätsel
vergeblich streckt der Miró seine Arme von Heidegger
.......bis Wittgenstein
das gelbe Regenlicht des Septemberabends klebt
.......an der Fensterscheibe
die gelben Arme des Septemberabends pressen mich an sich
das gelbe Septemberlicht des Regenabends schlägt lautlos ein
.......wie ein Geschoss aus Schweigen
.......da tarde de setembro
um Miró de 1931 com o título Silence
o poço dos pássaros migratórios está em movimento
a lâmpada da escrivaninha resolve enigma nenhum
em vão Miró estica seus braços de Heidegger
.......a Wittgenstein
a amarelada luz pluvial da tarde de setembro cola-se
.......ao vidro da janela
os braços amarelados da tarde de setembro aconchegam
.......-me a si
a amarelada luz de setembro da tarde chuvosa golpeia
.......como um projétil de silêncio
Tintenflecke fliehen rasch über das Konzept des Septemberabends
ein Miró von 1931 mit dem Titel Silence
der Springbrunnen der Schwalben ist unterwegs
die Schreibtischlampe löst keine Rätsel
vergeblich streckt der Miró seine Arme von Heidegger
.......bis Wittgenstein
das gelbe Regenlicht des Septemberabends klebt
.......an der Fensterscheibe
die gelben Arme des Septemberabends pressen mich an sich
das gelbe Septemberlicht des Regenabends schlägt lautlos ein
.......wie ein Geschoss aus Schweigen
789
Helmut Heissenbüttel
Manchas de tinta fogem céleres
manchas de tinta fogem céleres sobre o conceito
.......da tarde de setembro
um Miró de 1931 com o título Silence
o poço dos pássaros migratórios está em movimento
a lâmpada da escrivaninha resolve enigma nenhum
em vão Miró estica seus braços de Heidegger
.......a Wittgenstein
a amarelada luz pluvial da tarde de setembro cola-se
.......ao vidro da janela
os braços amarelados da tarde de setembro aconchegam
.......-me a si
a amarelada luz de setembro da tarde chuvosa golpeia
.......como um projétil de silêncio
Tintenflecke fliehen rasch über das Konzept des Septemberabends
ein Miró von 1931 mit dem Titel Silence
der Springbrunnen der Schwalben ist unterwegs
die Schreibtischlampe löst keine Rätsel
vergeblich streckt der Miró seine Arme von Heidegger
.......bis Wittgenstein
das gelbe Regenlicht des Septemberabends klebt
.......an der Fensterscheibe
die gelben Arme des Septemberabends pressen mich an sich
das gelbe Septemberlicht des Regenabends schlägt lautlos ein
.......wie ein Geschoss aus Schweigen
.......da tarde de setembro
um Miró de 1931 com o título Silence
o poço dos pássaros migratórios está em movimento
a lâmpada da escrivaninha resolve enigma nenhum
em vão Miró estica seus braços de Heidegger
.......a Wittgenstein
a amarelada luz pluvial da tarde de setembro cola-se
.......ao vidro da janela
os braços amarelados da tarde de setembro aconchegam
.......-me a si
a amarelada luz de setembro da tarde chuvosa golpeia
.......como um projétil de silêncio
Tintenflecke fliehen rasch über das Konzept des Septemberabends
ein Miró von 1931 mit dem Titel Silence
der Springbrunnen der Schwalben ist unterwegs
die Schreibtischlampe löst keine Rätsel
vergeblich streckt der Miró seine Arme von Heidegger
.......bis Wittgenstein
das gelbe Regenlicht des Septemberabends klebt
.......an der Fensterscheibe
die gelben Arme des Septemberabends pressen mich an sich
das gelbe Septemberlicht des Regenabends schlägt lautlos ein
.......wie ein Geschoss aus Schweigen
789
Helmut Heissenbüttel
Manchas de tinta fogem céleres
manchas de tinta fogem céleres sobre o conceito
.......da tarde de setembro
um Miró de 1931 com o título Silence
o poço dos pássaros migratórios está em movimento
a lâmpada da escrivaninha resolve enigma nenhum
em vão Miró estica seus braços de Heidegger
.......a Wittgenstein
a amarelada luz pluvial da tarde de setembro cola-se
.......ao vidro da janela
os braços amarelados da tarde de setembro aconchegam
.......-me a si
a amarelada luz de setembro da tarde chuvosa golpeia
.......como um projétil de silêncio
Tintenflecke fliehen rasch über das Konzept des Septemberabends
ein Miró von 1931 mit dem Titel Silence
der Springbrunnen der Schwalben ist unterwegs
die Schreibtischlampe löst keine Rätsel
vergeblich streckt der Miró seine Arme von Heidegger
.......bis Wittgenstein
das gelbe Regenlicht des Septemberabends klebt
.......an der Fensterscheibe
die gelben Arme des Septemberabends pressen mich an sich
das gelbe Septemberlicht des Regenabends schlägt lautlos ein
.......wie ein Geschoss aus Schweigen
.......da tarde de setembro
um Miró de 1931 com o título Silence
o poço dos pássaros migratórios está em movimento
a lâmpada da escrivaninha resolve enigma nenhum
em vão Miró estica seus braços de Heidegger
.......a Wittgenstein
a amarelada luz pluvial da tarde de setembro cola-se
.......ao vidro da janela
os braços amarelados da tarde de setembro aconchegam
.......-me a si
a amarelada luz de setembro da tarde chuvosa golpeia
.......como um projétil de silêncio
Tintenflecke fliehen rasch über das Konzept des Septemberabends
ein Miró von 1931 mit dem Titel Silence
der Springbrunnen der Schwalben ist unterwegs
die Schreibtischlampe löst keine Rätsel
vergeblich streckt der Miró seine Arme von Heidegger
.......bis Wittgenstein
das gelbe Regenlicht des Septemberabends klebt
.......an der Fensterscheibe
die gelben Arme des Septemberabends pressen mich an sich
das gelbe Septemberlicht des Regenabends schlägt lautlos ein
.......wie ein Geschoss aus Schweigen
789
Ghérasim Luca
19 de novembro de 19..
Prezado,
Bem, uma espécie de resposta não tardou a se fazer ouvir e vejo a confirmação na percepção aguçada de uma espécie de emissão de vogais que acabo de captar e que me foi indicada como proveniente de suas luzes. Parece-me realmente que você encontrou uma nova e delicada maneira de facilitar nossa relação. Esse envio esclarecedor, que na minha solidão a dois ganha um brilho singular e nunca antes atingido, não traria a palavra segunda?
Esse envio que seria absurdo – dado que a oportunidade, a preciosa oportunidade enfim chegou – de recusar…
Assim você continua sendo pra mim o único interlocutor possível quando tento me desencaminhar. Esse objetivo eu não o alcanço abrindo-me a você, a menos que seja por uma via enviesada que, se assim o for, é intransponível.
Estar a caminho, procurar e mesmo encontrar um chave, não passam de passatempos de serralheiros.
Você deve pois se justificar. E precisamente, é impossível.
:
19 novembre 19..
Monsieur,
Eh bien, une espèce de réponse n’a pas tardé à se faire entendre et j’en trouve la confirmation dans la perception aiguisée d’une sorte d’émission de voyelles que je viens de capter et qui m’a été signalée comme provenant de vos lumières. Il semble vraiment que avez trouvé une nouvelle et délicate manière de faciliter nos rapports. Cet envoi éclairant, qui dans ma solitude à deux prend un rayonnement particulier encore jamais atteint, n’apporterait-il pas la parole seconde? cet envoi qu’il serait absurde – puisque l’occasion, la précieuse occasion est enfin là – de réfuser...
Ainsi vous restez pour moi lê seul interlocuteur possible quand je tente de me dérouter. Ce but je ne l’atteints pas en m’ouvrant à vous, à moins que ce ne soit par une voie détournée qui, si elle en est une, est infranchissable.
Être en route, chercher et même trouver une clef, ce ne sont là que de passe-temps de serruriers.
Vous devez donc vous justifier. Et précisement, c’est impossible.
Bem, uma espécie de resposta não tardou a se fazer ouvir e vejo a confirmação na percepção aguçada de uma espécie de emissão de vogais que acabo de captar e que me foi indicada como proveniente de suas luzes. Parece-me realmente que você encontrou uma nova e delicada maneira de facilitar nossa relação. Esse envio esclarecedor, que na minha solidão a dois ganha um brilho singular e nunca antes atingido, não traria a palavra segunda?
Esse envio que seria absurdo – dado que a oportunidade, a preciosa oportunidade enfim chegou – de recusar…
Assim você continua sendo pra mim o único interlocutor possível quando tento me desencaminhar. Esse objetivo eu não o alcanço abrindo-me a você, a menos que seja por uma via enviesada que, se assim o for, é intransponível.
Estar a caminho, procurar e mesmo encontrar um chave, não passam de passatempos de serralheiros.
Você deve pois se justificar. E precisamente, é impossível.
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19 novembre 19..
Monsieur,
Eh bien, une espèce de réponse n’a pas tardé à se faire entendre et j’en trouve la confirmation dans la perception aiguisée d’une sorte d’émission de voyelles que je viens de capter et qui m’a été signalée comme provenant de vos lumières. Il semble vraiment que avez trouvé une nouvelle et délicate manière de faciliter nos rapports. Cet envoi éclairant, qui dans ma solitude à deux prend un rayonnement particulier encore jamais atteint, n’apporterait-il pas la parole seconde? cet envoi qu’il serait absurde – puisque l’occasion, la précieuse occasion est enfin là – de réfuser...
Ainsi vous restez pour moi lê seul interlocuteur possible quand je tente de me dérouter. Ce but je ne l’atteints pas en m’ouvrant à vous, à moins que ce ne soit par une voie détournée qui, si elle en est une, est infranchissable.
Être en route, chercher et même trouver une clef, ce ne sont là que de passe-temps de serruriers.
Vous devez donc vous justifier. Et précisement, c’est impossible.
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