Poemas neste tema
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Paulo Leminski
DONNA MI PRIEGA 88
se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
2 384
Paulo Leminski
DONNA MI PRIEGA 88
se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
2 384
Paulo Leminski
sim
sim
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
1 945
Paulo Leminski
sim
sim
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
1 945
Paulo Leminski
sim
sim
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
1 945
Paulo Leminski
sim
sim
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
eu quis a prosa
essa deusa
só diz besteiras
fala das coisas
como se novas
não quis a prosa
apenas a idéia
uma idéia de prosa
em esperma de trova
um gozo
uma gosma
uma poesia porosa
1 945
Stéphane Mallarmé
LES PURS ONGLES
As puras unhas do alto dedicando o onix
A angústia, meia-noite, sustem, lampadófora,
Vário vesperal sonho ardido p'la Fênix
Que não recolhe alguma cinerária ânfora.
Nas crede;ncias da sala vazia: nem ptix,
Abolido bib'lô de vaidade sonora
(Que o Mestre foi buscar, suas lágrimas ao Stix
Com tal único objeto que ao se Nada enflora),
Mas perto da janela ao norte aberta algo áureo
Agoniza segundo talvez o cenário
De licornes ruivando fogo contra a nixe,
Ela, defunta nua em espelho, apesar de ora,
Nesse esquecer que o fecha quadro, já se fixe
De só cintilações o septimimo agora.
(Tradução de Jorge de Sena)
A angústia, meia-noite, sustem, lampadófora,
Vário vesperal sonho ardido p'la Fênix
Que não recolhe alguma cinerária ânfora.
Nas crede;ncias da sala vazia: nem ptix,
Abolido bib'lô de vaidade sonora
(Que o Mestre foi buscar, suas lágrimas ao Stix
Com tal único objeto que ao se Nada enflora),
Mas perto da janela ao norte aberta algo áureo
Agoniza segundo talvez o cenário
De licornes ruivando fogo contra a nixe,
Ela, defunta nua em espelho, apesar de ora,
Nesse esquecer que o fecha quadro, já se fixe
De só cintilações o septimimo agora.
(Tradução de Jorge de Sena)
2 080
Stéphane Mallarmé
LES PURS ONGLES
As puras unhas do alto dedicando o onix
A angústia, meia-noite, sustem, lampadófora,
Vário vesperal sonho ardido p'la Fênix
Que não recolhe alguma cinerária ânfora.
Nas crede;ncias da sala vazia: nem ptix,
Abolido bib'lô de vaidade sonora
(Que o Mestre foi buscar, suas lágrimas ao Stix
Com tal único objeto que ao se Nada enflora),
Mas perto da janela ao norte aberta algo áureo
Agoniza segundo talvez o cenário
De licornes ruivando fogo contra a nixe,
Ela, defunta nua em espelho, apesar de ora,
Nesse esquecer que o fecha quadro, já se fixe
De só cintilações o septimimo agora.
(Tradução de Jorge de Sena)
A angústia, meia-noite, sustem, lampadófora,
Vário vesperal sonho ardido p'la Fênix
Que não recolhe alguma cinerária ânfora.
Nas crede;ncias da sala vazia: nem ptix,
Abolido bib'lô de vaidade sonora
(Que o Mestre foi buscar, suas lágrimas ao Stix
Com tal único objeto que ao se Nada enflora),
Mas perto da janela ao norte aberta algo áureo
Agoniza segundo talvez o cenário
De licornes ruivando fogo contra a nixe,
Ela, defunta nua em espelho, apesar de ora,
Nesse esquecer que o fecha quadro, já se fixe
De só cintilações o septimimo agora.
(Tradução de Jorge de Sena)
2 080
Cruz e Sousa
VOZ FUGITIVA
Últimos Sonetos
Às vezes na tu'alma, que adormece
tanto e tão fundo, alguma voz escuto
de timbre emocional, claro, impoluto
que uma voz bem amiga me parece.
E fico mudo a ouvi-la, como a prece
de um meigo coração que está de luto
e livre, já, de todo o mal corrupto,
mesmo as afrontas mais cruéis esquece.
Mas outras vezes, sempre em vão, procuro
dessa voz singular o timbre puro,
as essências do céu maravilhosas.
Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,
mas tudo na tu'alma está calado,
no silêncio fatal das nebulosas.
Às vezes na tu'alma, que adormece
tanto e tão fundo, alguma voz escuto
de timbre emocional, claro, impoluto
que uma voz bem amiga me parece.
E fico mudo a ouvi-la, como a prece
de um meigo coração que está de luto
e livre, já, de todo o mal corrupto,
mesmo as afrontas mais cruéis esquece.
Mas outras vezes, sempre em vão, procuro
dessa voz singular o timbre puro,
as essências do céu maravilhosas.
Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,
mas tudo na tu'alma está calado,
no silêncio fatal das nebulosas.
1 698
Cruz e Sousa
VOZ FUGITIVA
Últimos Sonetos
Às vezes na tu'alma, que adormece
tanto e tão fundo, alguma voz escuto
de timbre emocional, claro, impoluto
que uma voz bem amiga me parece.
E fico mudo a ouvi-la, como a prece
de um meigo coração que está de luto
e livre, já, de todo o mal corrupto,
mesmo as afrontas mais cruéis esquece.
Mas outras vezes, sempre em vão, procuro
dessa voz singular o timbre puro,
as essências do céu maravilhosas.
Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,
mas tudo na tu'alma está calado,
no silêncio fatal das nebulosas.
Às vezes na tu'alma, que adormece
tanto e tão fundo, alguma voz escuto
de timbre emocional, claro, impoluto
que uma voz bem amiga me parece.
E fico mudo a ouvi-la, como a prece
de um meigo coração que está de luto
e livre, já, de todo o mal corrupto,
mesmo as afrontas mais cruéis esquece.
Mas outras vezes, sempre em vão, procuro
dessa voz singular o timbre puro,
as essências do céu maravilhosas.
Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,
mas tudo na tu'alma está calado,
no silêncio fatal das nebulosas.
1 698
Paulo Leminski
você está tão longe
você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
2 538
Paulo Leminski
desta vez não vai ter neve como em
desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando
nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando
não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado
[aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando
nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando
nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando
não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado
[aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando
nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo
1 851
Paulo Leminski
desta vez não vai ter neve como em
desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando
nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando
não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado
[aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando
nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando
nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando
não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado
[aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando
nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo
1 851
Cruz e Sousa
O GRANDE MOMENTO
Últimos Sonetos
Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
para entrares sereno e majestoso
num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
oh! vai, entra na posse de ti mesma,
quebra os selos augustos do Mistério!
Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
para entrares sereno e majestoso
num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
oh! vai, entra na posse de ti mesma,
quebra os selos augustos do Mistério!
2 592
Cruz e Sousa
O GRANDE MOMENTO
Últimos Sonetos
Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
para entrares sereno e majestoso
num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
oh! vai, entra na posse de ti mesma,
quebra os selos augustos do Mistério!
Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
para entrares sereno e majestoso
num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
oh! vai, entra na posse de ti mesma,
quebra os selos augustos do Mistério!
2 592
Cruz e Sousa
O GRANDE MOMENTO
Últimos Sonetos
Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
para entrares sereno e majestoso
num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
oh! vai, entra na posse de ti mesma,
quebra os selos augustos do Mistério!
Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
para entrares sereno e majestoso
num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
oh! vai, entra na posse de ti mesma,
quebra os selos augustos do Mistério!
2 592
Cruz e Sousa
MADONA DA TRISTEZA
Últimos Sonetos
Quando te escuto e te olho reverente
e sinto a tua graça triste e bela
de ave medrosa, tímida, singela,
fico a cismar enternecidamente.
Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
toda a delicadeza ideal revela
e de sonhos e lágrimas estrela
o meu ser comovido e penitente.
Com que mágoa te adoro e te contemplo,
ó da Piedade soberano exemplo,
flor divina e secreta da Beleza!
Os meus soluços enchem os espaços,
quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!
Quando te escuto e te olho reverente
e sinto a tua graça triste e bela
de ave medrosa, tímida, singela,
fico a cismar enternecidamente.
Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
toda a delicadeza ideal revela
e de sonhos e lágrimas estrela
o meu ser comovido e penitente.
Com que mágoa te adoro e te contemplo,
ó da Piedade soberano exemplo,
flor divina e secreta da Beleza!
Os meus soluços enchem os espaços,
quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!
3 141
Cruz e Sousa
MADONA DA TRISTEZA
Últimos Sonetos
Quando te escuto e te olho reverente
e sinto a tua graça triste e bela
de ave medrosa, tímida, singela,
fico a cismar enternecidamente.
Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
toda a delicadeza ideal revela
e de sonhos e lágrimas estrela
o meu ser comovido e penitente.
Com que mágoa te adoro e te contemplo,
ó da Piedade soberano exemplo,
flor divina e secreta da Beleza!
Os meus soluços enchem os espaços,
quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!
Quando te escuto e te olho reverente
e sinto a tua graça triste e bela
de ave medrosa, tímida, singela,
fico a cismar enternecidamente.
Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
toda a delicadeza ideal revela
e de sonhos e lágrimas estrela
o meu ser comovido e penitente.
Com que mágoa te adoro e te contemplo,
ó da Piedade soberano exemplo,
flor divina e secreta da Beleza!
Os meus soluços enchem os espaços,
quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!
3 141
Cruz e Sousa
PRESA DO ÓDIO
Últimos Sonetos
Da tu'alma a funda galeria
descendo às vezes, eu às vezes sinto
que como o mais feroz lobo faminto
teu ódio baixo de alcatéia espia.
Do desespero a noite cava e fria,
de boêmias vis o pérfido absinto
pôs no teu ser um negro labirinto,
desencadeou sinistra ventania.
Desencadeou a ventania rouca,
surda, tremenda, desvairada, louca,
que a tu'alma abalou de lado a lado.
Que te inflamou de cóleras supremas
e deixou-te nas trágicas algemas
do teu ódio sangrento acorrentado!
Da tu'alma a funda galeria
descendo às vezes, eu às vezes sinto
que como o mais feroz lobo faminto
teu ódio baixo de alcatéia espia.
Do desespero a noite cava e fria,
de boêmias vis o pérfido absinto
pôs no teu ser um negro labirinto,
desencadeou sinistra ventania.
Desencadeou a ventania rouca,
surda, tremenda, desvairada, louca,
que a tu'alma abalou de lado a lado.
Que te inflamou de cóleras supremas
e deixou-te nas trágicas algemas
do teu ódio sangrento acorrentado!
2 445
Bocage
Sobre estas duras, cavernosas fragas
Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n'alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas;
Razão feroz, o coração me indagas.
De meus erros a sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas.
Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo.
Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro.
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n'alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas;
Razão feroz, o coração me indagas.
De meus erros a sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas.
Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo.
Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro.
5 569
Eloise Petter
Egos-branon
Nas profundas mistificações de minha alma sangrando
Entrementes as vertentes do Rio Poseidon
Na longínqua galáxia imaginária de Egos-branon
Encontrei o que sou:
Viajante indelével de alguém que sonhou
Viajante indelével por entre mundos vazios
Flutuações cosmológicas e novembros frios
Viajante do estranho mito
Amálgama de caveiras sorridentes
Supercordas de um violino
E astronautas amarelos
Amálgama de partículas e desejos
Visões esculpidas em buracos negros
Cérebros falantes e macacos pequenos
Universos perdidos como bolhas ao vento
Em genes partidos
Em quantuns vendidos
Em ondas corpóreas
Que andam paradas
Viajante indelével da terra alada
Para além das estrelas
De várias dimensões
De ofuscantes teatros
E flamejantes paixões
Onde elétrons e prótons
Se beijam em atos
E as belas comédias
São homens que falam
Viajante indelével
Andarilho de corpos
Quarks de quasares
Que explodem e saltam
Nesta boca vermelha
Que toca meus lábios
Na longínqua galáxia imaginária de Egos-branon
Entrementes as vertentes do Rio Poseidon
Encontrei o que sou:
Espectro holográfico de alguém que sonhou
Entrementes as vertentes do Rio Poseidon
Na longínqua galáxia imaginária de Egos-branon
Encontrei o que sou:
Viajante indelével de alguém que sonhou
Viajante indelével por entre mundos vazios
Flutuações cosmológicas e novembros frios
Viajante do estranho mito
Amálgama de caveiras sorridentes
Supercordas de um violino
E astronautas amarelos
Amálgama de partículas e desejos
Visões esculpidas em buracos negros
Cérebros falantes e macacos pequenos
Universos perdidos como bolhas ao vento
Em genes partidos
Em quantuns vendidos
Em ondas corpóreas
Que andam paradas
Viajante indelével da terra alada
Para além das estrelas
De várias dimensões
De ofuscantes teatros
E flamejantes paixões
Onde elétrons e prótons
Se beijam em atos
E as belas comédias
São homens que falam
Viajante indelével
Andarilho de corpos
Quarks de quasares
Que explodem e saltam
Nesta boca vermelha
Que toca meus lábios
Na longínqua galáxia imaginária de Egos-branon
Entrementes as vertentes do Rio Poseidon
Encontrei o que sou:
Espectro holográfico de alguém que sonhou
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