Poemas neste tema
Alma
Silvaney Paes
Órfã
Trazemos
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
918
Jorge Viegas
Antecipadamente escorregadia
Nas sombras
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
972
Regina Souza Vieira
Autocrítica
Aqui,
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...
Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...
Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!
Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...
Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...
Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!
Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
961
Ana Cristina Cesar
Dias Não
Menos Dias
Chora-se
com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde
e a tarde
pendurada ro raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.
Chora-se
com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde
e a tarde
pendurada ro raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.
1 749
Regina Souza Vieira
NJINGA
Com três palavras granito
Componho o teu poema
Força de penedo
Vontade do silex
Diplomacia rochosa
Do teu reinado
Entre o sólido magma
Defendias sem sabê-lo
Um quadrado imenso
De águas diamantinas
Areias vivas dispersas
Abismos de petróleo ensolarado
E povos
Povos verdes de futuro
Um só azul o berço
Em teu robusto colo
Veludo negro
Mulher de pedra eterna.
Componho o teu poema
Força de penedo
Vontade do silex
Diplomacia rochosa
Do teu reinado
Entre o sólido magma
Defendias sem sabê-lo
Um quadrado imenso
De águas diamantinas
Areias vivas dispersas
Abismos de petróleo ensolarado
E povos
Povos verdes de futuro
Um só azul o berço
Em teu robusto colo
Veludo negro
Mulher de pedra eterna.
836
Ana Cristina Cesar
Deus na Antecâmera
Mereço(merecemos,
meretrizes)
Perdão(perdoai-nos, patres conscripti)
Socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)
Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária
(sangue e amor se aconchegando
horas atrás de hora)
Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero parir ao repartir
Filho
Pai
E
Fogo
DE-LI-BE-RA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós(com a gente) se dando
HOMEM: ACORDA!
meretrizes)
Perdão(perdoai-nos, patres conscripti)
Socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)
Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária
(sangue e amor se aconchegando
horas atrás de hora)
Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero parir ao repartir
Filho
Pai
E
Fogo
DE-LI-BE-RA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós(com a gente) se dando
HOMEM: ACORDA!
1 667
Silvaney Paes
Crucificado
Abre a
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
1 073
Regina Souza Vieira
Árvore de Frutos
Cheiras
ao caju da minha infância
e tens a cor do barro vermelho molhado
de antigamente;
há sabor a manga a escorrer-te na boca
e dureza de maboque a saltar-te nos seios.
Misturo-te com a terra vermelha
e com as noites
de histórias antigas
ouvidas há muito.
No teu corpo
sons antigos dos batuques à minha porta,
com que me provocas,
enchem-me o cérebro de fogo incontido.
Amor, és o sonho feito carne
do meu bairro antigo do musseque!
ao caju da minha infância
e tens a cor do barro vermelho molhado
de antigamente;
há sabor a manga a escorrer-te na boca
e dureza de maboque a saltar-te nos seios.
Misturo-te com a terra vermelha
e com as noites
de histórias antigas
ouvidas há muito.
No teu corpo
sons antigos dos batuques à minha porta,
com que me provocas,
enchem-me o cérebro de fogo incontido.
Amor, és o sonho feito carne
do meu bairro antigo do musseque!
873
Silvaney Paes
Aquele Olhar
Clamei
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
850
Almandrade
VI
Agora devo
dormir
e deixar
o apetite
dos morcegos
devorar
as lágrimas noturnas
indiferentes
aos meus afetos
dormir
e deixar
o apetite
dos morcegos
devorar
as lágrimas noturnas
indiferentes
aos meus afetos
982
Regina Souza Vieira
Mensagem Impossível
Há palavras
que não se pronunciam
não se sibilam, sequer se murmuram
Com elas só pensamos, só dizemos
De nós para nós os nossos segredos
invioláveis a quaisquer ouvidos
que também em estando possuídos
de outros similares grandes enredos
não nos seriam de compreensão.
Há palavras imensas e caladas
No silêncio de nosso fundo interior
São palavras quase de grande horror
Nem seriam ouvidas, se ditas
Só interessam a nós mesmos.
Difícil é falar do homem, do ser
Que consigo mesmo, sozinho pensa
Num vocabulário que lhe é pessoal
Tendo de lhe ser todo especial
E só em seu coração ameniza
Tantas palavras estranhas e frias
que falando idioma estrangeiro.
Em tom solene de tão forasteiro
Desconhecem todas as nossas dores.
Há então no mundo um dicionário
De palavras, aos outros estranhas
Que em seus diferentes momentos
São ou de alegrias ou de tormentos
Mas são vocábulos particulares
Seres vivos em diferentes lares
Palavras chamadas a nos decifrar.
Mas nosso enigma é profundo
Difícil são idiomas se entenderem
Capazes de a nós nos decifrarem
Todos nós somos intraduzíveis.
que não se pronunciam
não se sibilam, sequer se murmuram
Com elas só pensamos, só dizemos
De nós para nós os nossos segredos
invioláveis a quaisquer ouvidos
que também em estando possuídos
de outros similares grandes enredos
não nos seriam de compreensão.
Há palavras imensas e caladas
No silêncio de nosso fundo interior
São palavras quase de grande horror
Nem seriam ouvidas, se ditas
Só interessam a nós mesmos.
Difícil é falar do homem, do ser
Que consigo mesmo, sozinho pensa
Num vocabulário que lhe é pessoal
Tendo de lhe ser todo especial
E só em seu coração ameniza
Tantas palavras estranhas e frias
que falando idioma estrangeiro.
Em tom solene de tão forasteiro
Desconhecem todas as nossas dores.
Há então no mundo um dicionário
De palavras, aos outros estranhas
Que em seus diferentes momentos
São ou de alegrias ou de tormentos
Mas são vocábulos particulares
Seres vivos em diferentes lares
Palavras chamadas a nos decifrar.
Mas nosso enigma é profundo
Difícil são idiomas se entenderem
Capazes de a nós nos decifrarem
Todos nós somos intraduzíveis.
719
Regina Souza Vieira
Luanda
Aqui reside tudo
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo
Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas
Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida
Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo
Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas
Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida
Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.
781
Regina Souza Vieira
Vôo com pouso certo
O sono
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração
Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.
O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.
Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.
E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração
Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.
O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.
Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.
E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
728
Jorge Viegas
Interlúdio
Partículas
de silêncio
Superficialmente emocionado
Florescem na noite das constelações
Ritmos inalteráveis
De fragmentos de luz
Resistem à reconciliação do vazio.
A cor dos significados
Irrompe deliciosamente
Pela fronteira do silêncio
A sede eterna
Venerável e temperamental
Invade a alegria transparente
No infinito lago azul celestial
Emergem gotas ofuscantes
Criando a luz do tempo apagado
Tu dentro de mim
Criaste o vermelho flamejante
Onde as emoções navegam triunfantes
de silêncio
Superficialmente emocionado
Florescem na noite das constelações
Ritmos inalteráveis
De fragmentos de luz
Resistem à reconciliação do vazio.
A cor dos significados
Irrompe deliciosamente
Pela fronteira do silêncio
A sede eterna
Venerável e temperamental
Invade a alegria transparente
No infinito lago azul celestial
Emergem gotas ofuscantes
Criando a luz do tempo apagado
Tu dentro de mim
Criaste o vermelho flamejante
Onde as emoções navegam triunfantes
1 079
Jorge Viegas
Pintando Emoções
Ao
som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Abraças íntimos desejos
E absorves calores adormecidos
Dentro de sonhos distantes.
Flutuam seduções na doce brisa do luar
Invadindo as sombras da humildade.
Desvanecem-se os segredos da noite estrelada
Indefinidamente subtis
Na corrente azulada do interior da felicidade.
Brilhos mágicos seduzem eternas ilusões,
Os sentidos deslizam delicadamente acordados,
Abertamente apaixonados,
Incendiando aveludados mistérios
Plantados nos jardins dos mitos.
Multiplicam-se melodias encantadas,
Recordações sem limites emergentes
Puras verdades inteligentes
No império das virtudes imperceptíveis.
Ao som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Dentro de sonhos distantes...
som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Abraças íntimos desejos
E absorves calores adormecidos
Dentro de sonhos distantes.
Flutuam seduções na doce brisa do luar
Invadindo as sombras da humildade.
Desvanecem-se os segredos da noite estrelada
Indefinidamente subtis
Na corrente azulada do interior da felicidade.
Brilhos mágicos seduzem eternas ilusões,
Os sentidos deslizam delicadamente acordados,
Abertamente apaixonados,
Incendiando aveludados mistérios
Plantados nos jardins dos mitos.
Multiplicam-se melodias encantadas,
Recordações sem limites emergentes
Puras verdades inteligentes
No império das virtudes imperceptíveis.
Ao som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Dentro de sonhos distantes...
1 395
Mariana Ianelli
Para amanhã
Faz tua
casa um fragmento de alma,
cobre o teu pensamento.
Vai, que estás em tempo de colher-te,
um minuto para ser teu.
Interrompe tuas regatas desbravadas,
saídas das marinas solitárias,
e retribui para terra a demonstração das tuas patas.
Que não há segunda vez,
um homem se esgalha da marga ou desiste.
Para terra dá teus domingos desagradáveis e os risíveis.
Fica lasso, pétala urdida no sol e na água.
Vai, capaz de crescer.
casa um fragmento de alma,
cobre o teu pensamento.
Vai, que estás em tempo de colher-te,
um minuto para ser teu.
Interrompe tuas regatas desbravadas,
saídas das marinas solitárias,
e retribui para terra a demonstração das tuas patas.
Que não há segunda vez,
um homem se esgalha da marga ou desiste.
Para terra dá teus domingos desagradáveis e os risíveis.
Fica lasso, pétala urdida no sol e na água.
Vai, capaz de crescer.
789
Emídia Felipe
Felicidade
Tudo
parece estar tranqüilo
as coisas estão tão calmas
até o céu se mostra mais amigo
deve ser por isso
Que as pessoas procuram o amor
Quando se é vazio
solitário e se vive com a dor
a felicidade se torna um sonho distante
onde se está é cinza e necessita ter cor
Olhando ao redor
uma dúvida a cada instante
Mas não é só isso
Ainda existem canções
e sonhos bons
Aparecem corações
que também procuram um rumo
Surgem horizontes
que fazem aumentar o tamanho do mundo
e ele passa a ser seu
Os olhos começam a ver tudo diferente
sem querer ou só por isso
esquece tudo que aconteceu
de repente
Até o ar parece ser mais puro
e o que de mais existe ainda fica
perto,
mas do outro lado do muro.
parece estar tranqüilo
as coisas estão tão calmas
até o céu se mostra mais amigo
deve ser por isso
Que as pessoas procuram o amor
Quando se é vazio
solitário e se vive com a dor
a felicidade se torna um sonho distante
onde se está é cinza e necessita ter cor
Olhando ao redor
uma dúvida a cada instante
Mas não é só isso
Ainda existem canções
e sonhos bons
Aparecem corações
que também procuram um rumo
Surgem horizontes
que fazem aumentar o tamanho do mundo
e ele passa a ser seu
Os olhos começam a ver tudo diferente
sem querer ou só por isso
esquece tudo que aconteceu
de repente
Até o ar parece ser mais puro
e o que de mais existe ainda fica
perto,
mas do outro lado do muro.
802
Susana Pestana
Uma Lágrima
Passou por mim uma voz
Um estoiro!
Equilibrado na luz do dia
derradeiras esperanças
mostradas pela realidade acordada
Um despertar sem aviso
Um olhar entreaberto nas metades agitadas.
de um dia adulto...
O brilho nos olhos
Infantilidades adormecidas!
Tu
Criança que espreitas às escondidas
dentro da minha vida num quarto pequeno.
De olhos arregalados
Congelados num momento de dor
em feridas que se deslizam
no despertar de uma lágrima que não rola.
Uma apenas!
Sabedora lágrima que és, minha amiga
foge desse olhar arranhado pelos anos
e sobrevoa por galhos rijos e carinhosos.
vultos aquecidos por momentos.
Cresce por fora
voa!
Um estoiro!
Equilibrado na luz do dia
derradeiras esperanças
mostradas pela realidade acordada
Um despertar sem aviso
Um olhar entreaberto nas metades agitadas.
de um dia adulto...
O brilho nos olhos
Infantilidades adormecidas!
Tu
Criança que espreitas às escondidas
dentro da minha vida num quarto pequeno.
De olhos arregalados
Congelados num momento de dor
em feridas que se deslizam
no despertar de uma lágrima que não rola.
Uma apenas!
Sabedora lágrima que és, minha amiga
foge desse olhar arranhado pelos anos
e sobrevoa por galhos rijos e carinhosos.
vultos aquecidos por momentos.
Cresce por fora
voa!
895
Rosa Leonor Pedro
Quero Palavras Antigas
Quero palavras antigas, muito antigas
as mais antigas de todo o sempre:
A primeira de todas, a mais sagrada;
a palavra mágica que deu vida ao universo
e inteligência aos "hanimais" que somos.
Aquela que fez as águas aparecer primeiro
e depois as separou da terra.
Quero aquela palavra
que era o verbo e se fez carne,
que disse que o dia era bom e a noite também,
aquela mesma palavra
que fez com que da grande mãe nascesses
e fosses para sempre a imagem sagrada da mulher
sobre este planeta.
as mais antigas de todo o sempre:
A primeira de todas, a mais sagrada;
a palavra mágica que deu vida ao universo
e inteligência aos "hanimais" que somos.
Aquela que fez as águas aparecer primeiro
e depois as separou da terra.
Quero aquela palavra
que era o verbo e se fez carne,
que disse que o dia era bom e a noite também,
aquela mesma palavra
que fez com que da grande mãe nascesses
e fosses para sempre a imagem sagrada da mulher
sobre este planeta.
1 263
Rosa Leonor Pedro
MA E MI
Meu amor, procuro o ritmo do teu corpo no meu corpo,
procuro o alento do teu peito no meu
o ar que a tua boca respira na minha.
Procuro em ti o ritmo interno, bem dentro,
no fundo de cada movimento, no centro do teu coração.
Quero-te inteira na minha vida na minha alma
quero dançar contigo esta harmonia de sentir
e saber-te em cada átomo, em cada elemento,
sentir-te bem fundo no meu ventre,
ser tua mãe e tua filha ao mesmo tempo, que é não ter tempo.
Quero ser a árvore e a semente, quero ser a terra lavrada
e por cima dela emergir para sempre:
como no mar me deitas e me embalas antes de nascer,
sempre nos teus braços,
recomeçar esta dança do ventre
da eterna bailarina
que neste mundo eu sou...
procuro o alento do teu peito no meu
o ar que a tua boca respira na minha.
Procuro em ti o ritmo interno, bem dentro,
no fundo de cada movimento, no centro do teu coração.
Quero-te inteira na minha vida na minha alma
quero dançar contigo esta harmonia de sentir
e saber-te em cada átomo, em cada elemento,
sentir-te bem fundo no meu ventre,
ser tua mãe e tua filha ao mesmo tempo, que é não ter tempo.
Quero ser a árvore e a semente, quero ser a terra lavrada
e por cima dela emergir para sempre:
como no mar me deitas e me embalas antes de nascer,
sempre nos teus braços,
recomeçar esta dança do ventre
da eterna bailarina
que neste mundo eu sou...
1 037
Hugo Pires
Milénio
Por dois mil calhaus subi,
Tropeçando nas suas arestas áridas.
Dois mil socalcos escavei,
Rasgando a terra com as minhas mãos.
Duas mil videiras plantei,
Regando seus pés com a minha esperança.
Dois mil frutos colhi,
E de seu sumo vinho fiz,
E em dois mil litros de desilusão,
Mergulhei enfim sem salvação.
Tropeçando nas suas arestas áridas.
Dois mil socalcos escavei,
Rasgando a terra com as minhas mãos.
Duas mil videiras plantei,
Regando seus pés com a minha esperança.
Dois mil frutos colhi,
E de seu sumo vinho fiz,
E em dois mil litros de desilusão,
Mergulhei enfim sem salvação.
1 074
Jorge Viegas
Navegando nas Emoções
Ao brilho
do luar
Abrem-se as campânulas de silencio
E o grito de alegria
Confunde-se com a magia das vagas quentes.
De súbito, o mar irrompe pelos sonhos
Transportando o olhar encantado
Da sereia bronzeada pela imensidão da noite.
Faz-se luz na enseada da vida
Os cânticos românticos
Vagueiam pelos recantos das grutas
Acordando aromas enfeitiçados
Acendem-se fogueiras de mitos
Aquecendo corações perdidos nas falésias do amor
E dança-se à volta da fronteira do desejo.
As estrelas iluminam a sensualidade dos actos
Inspira-se a pureza do universo
E na suavidade da corrente
Viajamos dentro da inocência dos sentidos
Reconstruindo sonhos antigos.
do luar
Abrem-se as campânulas de silencio
E o grito de alegria
Confunde-se com a magia das vagas quentes.
De súbito, o mar irrompe pelos sonhos
Transportando o olhar encantado
Da sereia bronzeada pela imensidão da noite.
Faz-se luz na enseada da vida
Os cânticos românticos
Vagueiam pelos recantos das grutas
Acordando aromas enfeitiçados
Acendem-se fogueiras de mitos
Aquecendo corações perdidos nas falésias do amor
E dança-se à volta da fronteira do desejo.
As estrelas iluminam a sensualidade dos actos
Inspira-se a pureza do universo
E na suavidade da corrente
Viajamos dentro da inocência dos sentidos
Reconstruindo sonhos antigos.
1 056
Agostina Akemi Sasaoka
Cântico
Abre-te,
anjo,
das asas que pendes
e rola vagaroso
entre os espinhos da coroa.
Sucumbe,
ainda tolo,
dentro do último riso
à espera do mar.
Nada cantará esta noite
- de crepúsculo inusitado -
Dos ossos que sustentam
teus olhos em sangue,
extraio, sem cuidado,
o único vestígio
da vida decadente.
Não mintas,
ainda que a boca
gravídica
tente o suicídio.
Dá a paz
a todos os insetos
abaixo de teu olhar.
Sepulta-me
entre as pétalas
do cárcere dos lobos.
Estás certo...
Ainda que o sol
se deteriore,
sou a porta.
anjo,
das asas que pendes
e rola vagaroso
entre os espinhos da coroa.
Sucumbe,
ainda tolo,
dentro do último riso
à espera do mar.
Nada cantará esta noite
- de crepúsculo inusitado -
Dos ossos que sustentam
teus olhos em sangue,
extraio, sem cuidado,
o único vestígio
da vida decadente.
Não mintas,
ainda que a boca
gravídica
tente o suicídio.
Dá a paz
a todos os insetos
abaixo de teu olhar.
Sepulta-me
entre as pétalas
do cárcere dos lobos.
Estás certo...
Ainda que o sol
se deteriore,
sou a porta.
844
Emídia Felipe
Os Muros
Deitado
no telhado vejo as estrelas
que as luzes da cidade escondem;
Com os pés no chão vou voando
Viajando só com o pensamento
Esbarrando nos montes de cimento;
A alma já acostumada com o breu;
O corpo já sabe de todas as dores;
A cabeça já cheia de tanta fumaça;
Os olhos já vacinados contra os horrores;
As mãos já grudadas na vidraça;
Olhe pra cima e agradeça;
È difícil buscar o que é bom;
Já basta de tanta maldade;
Pule os muros da cidade;
Vá buscar o que é bom;
Vá atrás do seu pássaro;
Vai menino do mundo;
Vai atrás do que é raro;
Vá buscar o que é bom.
no telhado vejo as estrelas
que as luzes da cidade escondem;
Com os pés no chão vou voando
Viajando só com o pensamento
Esbarrando nos montes de cimento;
A alma já acostumada com o breu;
O corpo já sabe de todas as dores;
A cabeça já cheia de tanta fumaça;
Os olhos já vacinados contra os horrores;
As mãos já grudadas na vidraça;
Olhe pra cima e agradeça;
È difícil buscar o que é bom;
Já basta de tanta maldade;
Pule os muros da cidade;
Vá buscar o que é bom;
Vá atrás do seu pássaro;
Vai menino do mundo;
Vai atrás do que é raro;
Vá buscar o que é bom.
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