Poemas neste tema
Alma
Luiz Nogueira Barros
Eu
Eu sou aquele
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mão de carícias
plantando sementes de sonhos.
Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue
e denso é o sonho !...
Eu sou aquele
que sempre chega
e que sempre parte
de mão vazias
sem ver os frutos
do seu trabalho :
- sou a utopia !...
O JORNAL - 14.04.96
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mão de carícias
plantando sementes de sonhos.
Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue
e denso é o sonho !...
Eu sou aquele
que sempre chega
e que sempre parte
de mão vazias
sem ver os frutos
do seu trabalho :
- sou a utopia !...
O JORNAL - 14.04.96
951
Loyola Rodrigues
Ângelo Monteiro
Subterrânea voz, então desperta
do silêncio da página esquecida,
qual da concha mais íntima, ferida,
áureas cordas vibrando em cada verso
que espadanas das mãos, como os cabelos
longos dos vossos príncipes esguios
aurifluindo, em seus ombros, como rios
de protesto ou em líricos novelos
de sol cristalizado ou, mais ainda,
tal cordas de algum morto violino
há muito sepultado nos teus seios
se secreta mulher ou musa extrema
valsando, sem cessar, seu destino
sem passar dos limites do poema.
do silêncio da página esquecida,
qual da concha mais íntima, ferida,
áureas cordas vibrando em cada verso
que espadanas das mãos, como os cabelos
longos dos vossos príncipes esguios
aurifluindo, em seus ombros, como rios
de protesto ou em líricos novelos
de sol cristalizado ou, mais ainda,
tal cordas de algum morto violino
há muito sepultado nos teus seios
se secreta mulher ou musa extrema
valsando, sem cessar, seu destino
sem passar dos limites do poema.
1 076
Luiz Pimenta
Safira
Safira
Saiu
Safira
em busca de
pedras semi-preciosas.
Passou a vida,
nada encontrou.
Provavelmente,
esqueceu de se olhar.
Rio, fevereiro de 91
Saiu
Safira
em busca de
pedras semi-preciosas.
Passou a vida,
nada encontrou.
Provavelmente,
esqueceu de se olhar.
Rio, fevereiro de 91
1 167
Luiz de Aquino
Precognição
Precognição
Gosto da vida e deixo
que a noite me vista
de escuro.
Nem sempre é de justo
mostrar-se às claras:
hoje sou como era
quando ainda sonhava
com o futuro.
Pode ser que ainda cresça,
mas é bom ser criança
de gris e de rugas.
Gosto da vida e deixo
que a noite me vista
de escuro.
Nem sempre é de justo
mostrar-se às claras:
hoje sou como era
quando ainda sonhava
com o futuro.
Pode ser que ainda cresça,
mas é bom ser criança
de gris e de rugas.
933
Luiz Pimenta
Nós
Nós
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
1 062
Luiz Carlos Freitas
Choro de Magoa
Teu choro baixinho,constante e doído,
Transforma tua face e quebra o encanto.
Tua tristeza na alma e teu coração partido,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, muda o rosto radiante,
Transforma tua aura, e esconde teu canto.
Toda lacrimejada, altera teu semblante,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, mostra teu sentimento,
Transforma tua beleza e te esconde num manto.
Toda amargurada, esboça um lamento,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te provoca soluço,
Transforma em mágoa ao mostrar teu pranto,
Toda a tristeza em teu rosto, se choras de bruço,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te traz solidão,
Tranforma tua vida e te causa espanto.
Toda " dengosa ", te enches de emoção,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Transforma tua face e quebra o encanto.
Tua tristeza na alma e teu coração partido,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, muda o rosto radiante,
Transforma tua aura, e esconde teu canto.
Toda lacrimejada, altera teu semblante,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, mostra teu sentimento,
Transforma tua beleza e te esconde num manto.
Toda amargurada, esboça um lamento,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te provoca soluço,
Transforma em mágoa ao mostrar teu pranto,
Toda a tristeza em teu rosto, se choras de bruço,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te traz solidão,
Tranforma tua vida e te causa espanto.
Toda " dengosa ", te enches de emoção,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
1 093
Luiz de Aquino
Alguém, se Não Vieres
Alguém, se Não Vieres
Eu preciso que me olhes nos olhos
e decifres a angústia
que te atrai e me tortura.
Eu preciso te dizer certas coisas
que se calaram em mim quando te vi
na manhã imprevista
e indecisa,
mas dizer estas coisas custa ânsias
incontroláveis.
Eu preciso de vez que te chegues a mim
e não me digas bom-dia
e nem me cobres os dias e noites
da nossa ausência.
Eu preciso de alguém
que converse comigo
no amanhecer.
Eu preciso que me olhes nos olhos
e decifres a angústia
que te atrai e me tortura.
Eu preciso te dizer certas coisas
que se calaram em mim quando te vi
na manhã imprevista
e indecisa,
mas dizer estas coisas custa ânsias
incontroláveis.
Eu preciso de vez que te chegues a mim
e não me digas bom-dia
e nem me cobres os dias e noites
da nossa ausência.
Eu preciso de alguém
que converse comigo
no amanhecer.
981
Luciano Matheus Tamiozzo
Deixo-me Perder
Deixo-me perder
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
1 008
Luciano Matheus Tamiozzo
Já Falei
Já falei tanto de amor,
De sonhos e palavras,
Já falei tanto de lágrimas,
Tritezas e sons.
Já falei de mim,
De ti e de nós,
Já falei de pensamentos
Luzes e sóis.
Já falei sobre tudo,
Mas o mais importante
Ainda não falei.
Pois as palavras
Para isto não achei.
De sonhos e palavras,
Já falei tanto de lágrimas,
Tritezas e sons.
Já falei de mim,
De ti e de nós,
Já falei de pensamentos
Luzes e sóis.
Já falei sobre tudo,
Mas o mais importante
Ainda não falei.
Pois as palavras
Para isto não achei.
1 027
Luiz Moraes
Limites
Vi sofrendo
Outro irmão
Em busca de pão e amor
Na rua deserta
Igual a um profeta
Ou um bicho qualquer
Mais bicho não o é
No céu já não pensa
Perdeu sua crença
No pátio da Sé
Nem um trocado
Sapato furado
E agora como é?
A fome lhe dói
O rato lhe rói
É um bicho ou não é?
Tem medo do escuro
Queria ser duro
Como foi José
No lixo sua mesa
A gula indefesa
Para saciar
Engole impurezas
Vomita tristeza
E começa a chorar
Cheguei mais perto
Para ver de certo
Se aquilo era um cão
Era um homem sem colo
Caído no solo
Dos homens sem mãos
Outro irmão
Em busca de pão e amor
Na rua deserta
Igual a um profeta
Ou um bicho qualquer
Mais bicho não o é
No céu já não pensa
Perdeu sua crença
No pátio da Sé
Nem um trocado
Sapato furado
E agora como é?
A fome lhe dói
O rato lhe rói
É um bicho ou não é?
Tem medo do escuro
Queria ser duro
Como foi José
No lixo sua mesa
A gula indefesa
Para saciar
Engole impurezas
Vomita tristeza
E começa a chorar
Cheguei mais perto
Para ver de certo
Se aquilo era um cão
Era um homem sem colo
Caído no solo
Dos homens sem mãos
975
Luiz Nogueira Barros
O fantasma e o vento
Pétalas sem cor
e sem perfume
da rosa
morta no ventre
da fantasia.
E no jardim
d’inesperado outono
ao sabor do vento
que passa leve
com passos de brisa
e sobre o chão
revolve os restos
do que foi sonho
há solidão.
E o vento diz
que ali um dia
houve uma rosa
que era a primeira,
tão grande e bela
mas só o projeto
que conheceu
no curto tempo
da duração
de ser botão.
E que ainda assim,
no tal jardim há o fantasma
de certo homem
que tenta em vão
compor com as pétalas
da rosa morta
o que foi sonho
de abrir-se ao mundo.
E que sempre fala
com a insistência
dos tresloucados
da morte inglória
do tal botão.
E em seus delírios
nas noites claras
chora a dor
da fantasia
que o enganou.
e sem perfume
da rosa
morta no ventre
da fantasia.
E no jardim
d’inesperado outono
ao sabor do vento
que passa leve
com passos de brisa
e sobre o chão
revolve os restos
do que foi sonho
há solidão.
E o vento diz
que ali um dia
houve uma rosa
que era a primeira,
tão grande e bela
mas só o projeto
que conheceu
no curto tempo
da duração
de ser botão.
E que ainda assim,
no tal jardim há o fantasma
de certo homem
que tenta em vão
compor com as pétalas
da rosa morta
o que foi sonho
de abrir-se ao mundo.
E que sempre fala
com a insistência
dos tresloucados
da morte inglória
do tal botão.
E em seus delírios
nas noites claras
chora a dor
da fantasia
que o enganou.
789
Luiz Nogueira Barros
Breves palavras sobre a poética deAntonio Massa
Antônio Massa me faz senti-lo como uma espécie de poeta do desencanto, no tocante ao seu canto e suas queixas sobre a condição humana. O poema Cartesianos é o mais expressivo dos versos que eu li. Nele o racionalismo é ponto de partida, e dentro do qual está, com toda a clareza, uma grande queixa, uma ode, um hino e, finalmente um manifesto pela liberdade, a liberdade que exigiria romper com os laços do convencionalismo racionalista das coisas institucionalizadas. Importa pois, sair das formas geométricas dentro das quais estamos perdidos, engradados, resignados a um teorema.
O racionalismo, então pré-racionalismo, com Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", estava assim expresso, no século III : "Intelligas ut creda; credi ut intelligas"( Ver para crer, crer para compreender). Mas tarde o santo diria " Se eu me engano é porque sou, pois quem não se engana não é" , num rompante próprio dos padres filósofos, da filosofia patrística que procurava explicar Deus não mais à luz dos dogmas e sim de um entendimento racional. René Descartes, século XIV, retoma as perquirições agostinianas e, com o " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ), passa à história como o criador do racionalismo, face aos seus conhecimentos das ciências matemáticas...
O racionalismo, portanto, foi apenas a busca das dimensões reais das coisas, quando a humanidade ainda se debatia entre a mitologia, a religião e as ciências. E não poderia ter nada a ver com convencionalismo, muito mais um categoria sócio-político e elemento fundamental das sociedades humanas que nos contiveram em números, datas, e um código de obrigações, forçando a que o poeta, angustiado, afirme em "Firma Reconhecida", com todos tons e matizes da alma que busca o sentido do existir, do homem que busca um papel humano, ou humanístico:
Está tudo no papel
e em todos os papéis
homens carimbados
buscando papel de gente.
Mas Antonio Massa, em Cartesianos, abre fogo contra o racionalismo
Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos.
E segue :
Nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto.
E prossegue falando das nossas preocupações sobre quantos raios o sol emite ou de quantos pelos há na pubis; da nossa incapacidade de separarmos o homem do lobisomen que há dentro de nós, insensível e incapaz de conceder, conceber, perdoar, empreender, etc, no tocante a certas necessidades e relações entre seres humanos, por vezes não institucionalizadas e por isto estranhas e condenadas...
Num crescendo, Antonio Massa pretende dar por encerrada sua queixa quando nos afirma:
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta ?
Quando imagino que o poema lembra uma ode á liberdade, lembro-me de Max Nordau, que escreveu sobre as mentiras convencionais do século XX. E até mesmo de Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que desteta os que se escondem por detrás de uma estrela e não lutam pela terra...
Quando tudo parece estar finalizando, então, Antonio Massa dá uma receita de como encerar o homem, na verdade a sua vaiade, o seu egoismo, a sua pretendida identidade, no fundo mesmo a sua caricatura, em Instruções para se Encerar um Homem. E depois de muitas peripécias chega ao topo do homem, a cabeça, afirmando:
Ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
e quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem perfeito.
...o que o poeta parece nos querer dizer, que o brilho, o polimento dado no homem tanto pode ser efêmero como necessário, por vezes, que a caricatura do homem que somos e temos sido é algo incômodo.
Mas quando menos se espera que o tema está terminado Antonio Massa nos informa, em Não há vagas, que o homem continua procurando vagas ( espaço ) em todos os lugares:
...nas casas, nas mágoas
no ofício de gente
no prato do irmão.
...nos muros , na arte
e nos arremates
de vida e de sorte.
...apesar de tudo, numa fatalidade dramática, se não estiver enganado. Mas agora um certo "darwinismo social" toma conta do tema do poeta
porque, feliz ou felizmente
...os senhores da Ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno.
...impedindo-nos mesmo de uma morte tranquila...
O que há de belo nos poetas e nas poesias são as suas afirmativas e negativas, as suas contraposições metafísicas, mas, de repente, a espiral dialética que lhes permitem sair no outro lado do túnel.
Continuo acreditando no Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que às vezes é preciso termos o caos dentro de nós para darmos à luz uma estrela cintilante.
Pode ter sido, não sei, o caos que Antonio Massa vê em torno do homem o motivo para que ele desse ao mundo a sua estrela cintilante, sob forma de poesia.
Quem sabe,finalmente, e também, não lhe moveu, inconscientemente, a alma de Gonçalves Dias, o poeta guerreiro que o convocou para não se intimidar diante do mundo e do homem, ordenando-lhe denunciar as prefigurações do ente que está mais próximo dele mesmo e sobre o qual ele tem algumas dúvidas...
O mundo é assim mesmo, meu caro poeta. Mas apesar de tudo estaremos sempre a sair do outro lado do túnel. E você saiu, com sua poesia, apesar das "dores do mundo", do melancólico mas extraordinário Schopenhauer...
Quando Nietzsche, do "Ecce Homo", trata do homem no tocante à "vontade do advento" nos afirma, categoricamente: "...aquilo que não o aniquila, torna-o bem mais forte..."
O advento da poesia, em sua vida, meu caro poeta, é a sua estrela cintilante.
Vá em frente...
Luiz Nogueira Barros
O racionalismo, então pré-racionalismo, com Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", estava assim expresso, no século III : "Intelligas ut creda; credi ut intelligas"( Ver para crer, crer para compreender). Mas tarde o santo diria " Se eu me engano é porque sou, pois quem não se engana não é" , num rompante próprio dos padres filósofos, da filosofia patrística que procurava explicar Deus não mais à luz dos dogmas e sim de um entendimento racional. René Descartes, século XIV, retoma as perquirições agostinianas e, com o " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ), passa à história como o criador do racionalismo, face aos seus conhecimentos das ciências matemáticas...
O racionalismo, portanto, foi apenas a busca das dimensões reais das coisas, quando a humanidade ainda se debatia entre a mitologia, a religião e as ciências. E não poderia ter nada a ver com convencionalismo, muito mais um categoria sócio-político e elemento fundamental das sociedades humanas que nos contiveram em números, datas, e um código de obrigações, forçando a que o poeta, angustiado, afirme em "Firma Reconhecida", com todos tons e matizes da alma que busca o sentido do existir, do homem que busca um papel humano, ou humanístico:
Está tudo no papel
e em todos os papéis
homens carimbados
buscando papel de gente.
Mas Antonio Massa, em Cartesianos, abre fogo contra o racionalismo
Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos.
E segue :
Nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto.
E prossegue falando das nossas preocupações sobre quantos raios o sol emite ou de quantos pelos há na pubis; da nossa incapacidade de separarmos o homem do lobisomen que há dentro de nós, insensível e incapaz de conceder, conceber, perdoar, empreender, etc, no tocante a certas necessidades e relações entre seres humanos, por vezes não institucionalizadas e por isto estranhas e condenadas...
Num crescendo, Antonio Massa pretende dar por encerrada sua queixa quando nos afirma:
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta ?
Quando imagino que o poema lembra uma ode á liberdade, lembro-me de Max Nordau, que escreveu sobre as mentiras convencionais do século XX. E até mesmo de Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que desteta os que se escondem por detrás de uma estrela e não lutam pela terra...
Quando tudo parece estar finalizando, então, Antonio Massa dá uma receita de como encerar o homem, na verdade a sua vaiade, o seu egoismo, a sua pretendida identidade, no fundo mesmo a sua caricatura, em Instruções para se Encerar um Homem. E depois de muitas peripécias chega ao topo do homem, a cabeça, afirmando:
Ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
e quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem perfeito.
...o que o poeta parece nos querer dizer, que o brilho, o polimento dado no homem tanto pode ser efêmero como necessário, por vezes, que a caricatura do homem que somos e temos sido é algo incômodo.
Mas quando menos se espera que o tema está terminado Antonio Massa nos informa, em Não há vagas, que o homem continua procurando vagas ( espaço ) em todos os lugares:
...nas casas, nas mágoas
no ofício de gente
no prato do irmão.
...nos muros , na arte
e nos arremates
de vida e de sorte.
...apesar de tudo, numa fatalidade dramática, se não estiver enganado. Mas agora um certo "darwinismo social" toma conta do tema do poeta
porque, feliz ou felizmente
...os senhores da Ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno.
...impedindo-nos mesmo de uma morte tranquila...
O que há de belo nos poetas e nas poesias são as suas afirmativas e negativas, as suas contraposições metafísicas, mas, de repente, a espiral dialética que lhes permitem sair no outro lado do túnel.
Continuo acreditando no Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que às vezes é preciso termos o caos dentro de nós para darmos à luz uma estrela cintilante.
Pode ter sido, não sei, o caos que Antonio Massa vê em torno do homem o motivo para que ele desse ao mundo a sua estrela cintilante, sob forma de poesia.
Quem sabe,finalmente, e também, não lhe moveu, inconscientemente, a alma de Gonçalves Dias, o poeta guerreiro que o convocou para não se intimidar diante do mundo e do homem, ordenando-lhe denunciar as prefigurações do ente que está mais próximo dele mesmo e sobre o qual ele tem algumas dúvidas...
O mundo é assim mesmo, meu caro poeta. Mas apesar de tudo estaremos sempre a sair do outro lado do túnel. E você saiu, com sua poesia, apesar das "dores do mundo", do melancólico mas extraordinário Schopenhauer...
Quando Nietzsche, do "Ecce Homo", trata do homem no tocante à "vontade do advento" nos afirma, categoricamente: "...aquilo que não o aniquila, torna-o bem mais forte..."
O advento da poesia, em sua vida, meu caro poeta, é a sua estrela cintilante.
Vá em frente...
Luiz Nogueira Barros
1 001
Luiz Pimenta
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
903
Luiz de Aquino
Harmonia
Harmonia
Essas mãos já se tocaram
antes
e se afagaram feito jeito
de criança sonolenta.
Essas mãos andaram juntas
muito tempo
e se desejaram tanto tempo.
Agora essas mãos se deram
de vez
e querem envelhecer
sempre unidas.
Essas mãos já se tocaram
antes
e se afagaram feito jeito
de criança sonolenta.
Essas mãos andaram juntas
muito tempo
e se desejaram tanto tempo.
Agora essas mãos se deram
de vez
e querem envelhecer
sempre unidas.
1 098
Lúcia Maria Leite Sousa
O Arco-íris da Terra
Como um arco-íris de enrgia e cor
um imenso facho de luz surgiu
e da imensidão dos raios,
nasceu o azul cristalino do céu...
que nos encanta e presenteia
com a suave pureza do luar...
que apaixona e enlouquece os enamorados.
Eu vi o mar...
que nasceu verde...ou azul...
como um arco-íris...vultoso,
inundando de emoção o nosso olhar.
Eu senti o melodioso sussurrar do vento
nas folhar verdes das árvores...
como um arco-íris...
num vôo de esperança,
no verde-esperança da vida.
Eu vi a cinza semente borbulhar
no seio da terra...num sublime renascer.
Eu vi no céu
o encontro do sol e da lua,
num maravilhoso entardecer,
de cores vermelhas e incandescentes...
como um arco-íris...
e os pássaros a entoar melodias,
enriquecendo a grandiosa coreografia.
Mas no dia-a-dia da vida,
eu vi o facho de luz se apagar
e na imensidão do céu
um buraco negro predominar.
E as nuvens de gases,
eu vi o arco-íris encobrir,
e o azul do céu sombrear,
e o verde do mar escurecer,
e o amarelo das folhas entristecer,
e o verde das árvores esvair,
e toda terra gritar...não me deixai morrer!
Quero ser com um arco-íris,
e resplandecer luz e cor
até o infinito...eternamente!
13.07.92, Maceió/AL
um imenso facho de luz surgiu
e da imensidão dos raios,
nasceu o azul cristalino do céu...
que nos encanta e presenteia
com a suave pureza do luar...
que apaixona e enlouquece os enamorados.
Eu vi o mar...
que nasceu verde...ou azul...
como um arco-íris...vultoso,
inundando de emoção o nosso olhar.
Eu senti o melodioso sussurrar do vento
nas folhar verdes das árvores...
como um arco-íris...
num vôo de esperança,
no verde-esperança da vida.
Eu vi a cinza semente borbulhar
no seio da terra...num sublime renascer.
Eu vi no céu
o encontro do sol e da lua,
num maravilhoso entardecer,
de cores vermelhas e incandescentes...
como um arco-íris...
e os pássaros a entoar melodias,
enriquecendo a grandiosa coreografia.
Mas no dia-a-dia da vida,
eu vi o facho de luz se apagar
e na imensidão do céu
um buraco negro predominar.
E as nuvens de gases,
eu vi o arco-íris encobrir,
e o azul do céu sombrear,
e o verde do mar escurecer,
e o amarelo das folhas entristecer,
e o verde das árvores esvair,
e toda terra gritar...não me deixai morrer!
Quero ser com um arco-íris,
e resplandecer luz e cor
até o infinito...eternamente!
13.07.92, Maceió/AL
956
Luciano Matheus Tamiozzo
Fim
É o fim...
Eu vim de um sonho
E para este sonho
Eu voltarei.
Não me procures
Pois contigo estarei
Povoando tua mente,
Teus sonhos de rei.
Estou desaparecendo,
Entre brumas e névoas
Eu vou sumir...
Me procure nos sonhos,
Lá sempre estarei,
Lá sempre ficarei.
Eu vim de um sonho
E para este sonho
Eu voltarei.
Não me procures
Pois contigo estarei
Povoando tua mente,
Teus sonhos de rei.
Estou desaparecendo,
Entre brumas e névoas
Eu vou sumir...
Me procure nos sonhos,
Lá sempre estarei,
Lá sempre ficarei.
1 020
Luciano Matheus Tamiozzo
Anjinho
Uma fraca luminosidade
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
973
Luiz Guimarães
Visita a Casa Paterna
Como a ave que volta ao ninho antigo,
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos — olhou-me grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto
Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos — olhou-me grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto
Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.
1 092
Luiz Nogueira Barros
Soneto à liberdade
Longa será, por certo, a estiagem:
fazem antever as nuvens e os ventos.
Que se encham pois as malas de viagem,
que a vida exige assim nesses momentos.
E é bom, também, que o "viver-tristonho",
tal um corcel alado e renovado,
salte do cerne universal do sonho
e voe pelas planícies - imaculado.
E que visões de cata-ventos e moinhos
encontrem o sentido exato desse agora
na selva de pedra dos caminhos.
E mude-se enfim o sonho de outrora,
que tem levado a vida aos descaminhos,
a cada passo, a cada instante e hora.
fazem antever as nuvens e os ventos.
Que se encham pois as malas de viagem,
que a vida exige assim nesses momentos.
E é bom, também, que o "viver-tristonho",
tal um corcel alado e renovado,
salte do cerne universal do sonho
e voe pelas planícies - imaculado.
E que visões de cata-ventos e moinhos
encontrem o sentido exato desse agora
na selva de pedra dos caminhos.
E mude-se enfim o sonho de outrora,
que tem levado a vida aos descaminhos,
a cada passo, a cada instante e hora.
874
Luiz de Aquino
Mudanças
Mudanças
Eu tenho uma vaga lembrança
deste prédio, desta casa.
Fui feliz aqui, eu sei,
mas me lembro pouco de ter estado aqui,
me lembro pouco de ter-te assim
tão próxima
e até de ter sido feliz.
Eu tenho uma vaga lembrança
de ter estado aqui
mas gosto de estar aqui.
E te convido para estar comigo
sempre
para estar comigo ao meu lado,
do meu lado,
onde estou daqui para sempre.
Eu tenho uma vaga lembrança
deste prédio, desta casa.
Fui feliz aqui, eu sei,
mas me lembro pouco de ter estado aqui,
me lembro pouco de ter-te assim
tão próxima
e até de ter sido feliz.
Eu tenho uma vaga lembrança
de ter estado aqui
mas gosto de estar aqui.
E te convido para estar comigo
sempre
para estar comigo ao meu lado,
do meu lado,
onde estou daqui para sempre.
968
Lourdes Cabral
Pensamentos
Meus pensamentos se estendem
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
810
Luiz Nogueira Barros
Milagre
E operou-se o milagre do silêncio
na boca que para o mundo se fechou.
E nos sentidos, que descobriram transparências
escondidas nas muralhas de argamassa e pedras:
que os sonhos inda imaturos não percebiam,
enganados - por séculos de mentiras...
na boca que para o mundo se fechou.
E nos sentidos, que descobriram transparências
escondidas nas muralhas de argamassa e pedras:
que os sonhos inda imaturos não percebiam,
enganados - por séculos de mentiras...
806
Luiz Pimenta
Pequenas Explosões
Pequenas Explosões
Meu coração é uma bomba relógio.
Escuta só!
Oh!
Viu?
Ele é um relógio porque bate.
É uma bomba porque é capaz de expressões.
Como esta.
Porto Alegre, março de 85
Meu coração é uma bomba relógio.
Escuta só!
Oh!
Viu?
Ele é um relógio porque bate.
É uma bomba porque é capaz de expressões.
Como esta.
Porto Alegre, março de 85
1 220
Luiz Nogueira Barros
Do partir e do voltar
Partir. Voltar.
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.
Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.
E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.
Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.
E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...
940