Poemas neste tema
Alma
Lúcia Maria Leite Sousa
O Arco-íris da Terra
Como um arco-íris de enrgia e cor
um imenso facho de luz surgiu
e da imensidão dos raios,
nasceu o azul cristalino do céu...
que nos encanta e presenteia
com a suave pureza do luar...
que apaixona e enlouquece os enamorados.
Eu vi o mar...
que nasceu verde...ou azul...
como um arco-íris...vultoso,
inundando de emoção o nosso olhar.
Eu senti o melodioso sussurrar do vento
nas folhar verdes das árvores...
como um arco-íris...
num vôo de esperança,
no verde-esperança da vida.
Eu vi a cinza semente borbulhar
no seio da terra...num sublime renascer.
Eu vi no céu
o encontro do sol e da lua,
num maravilhoso entardecer,
de cores vermelhas e incandescentes...
como um arco-íris...
e os pássaros a entoar melodias,
enriquecendo a grandiosa coreografia.
Mas no dia-a-dia da vida,
eu vi o facho de luz se apagar
e na imensidão do céu
um buraco negro predominar.
E as nuvens de gases,
eu vi o arco-íris encobrir,
e o azul do céu sombrear,
e o verde do mar escurecer,
e o amarelo das folhas entristecer,
e o verde das árvores esvair,
e toda terra gritar...não me deixai morrer!
Quero ser com um arco-íris,
e resplandecer luz e cor
até o infinito...eternamente!
13.07.92, Maceió/AL
um imenso facho de luz surgiu
e da imensidão dos raios,
nasceu o azul cristalino do céu...
que nos encanta e presenteia
com a suave pureza do luar...
que apaixona e enlouquece os enamorados.
Eu vi o mar...
que nasceu verde...ou azul...
como um arco-íris...vultoso,
inundando de emoção o nosso olhar.
Eu senti o melodioso sussurrar do vento
nas folhar verdes das árvores...
como um arco-íris...
num vôo de esperança,
no verde-esperança da vida.
Eu vi a cinza semente borbulhar
no seio da terra...num sublime renascer.
Eu vi no céu
o encontro do sol e da lua,
num maravilhoso entardecer,
de cores vermelhas e incandescentes...
como um arco-íris...
e os pássaros a entoar melodias,
enriquecendo a grandiosa coreografia.
Mas no dia-a-dia da vida,
eu vi o facho de luz se apagar
e na imensidão do céu
um buraco negro predominar.
E as nuvens de gases,
eu vi o arco-íris encobrir,
e o azul do céu sombrear,
e o verde do mar escurecer,
e o amarelo das folhas entristecer,
e o verde das árvores esvair,
e toda terra gritar...não me deixai morrer!
Quero ser com um arco-íris,
e resplandecer luz e cor
até o infinito...eternamente!
13.07.92, Maceió/AL
961
Luiz Pimenta
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
909
Luiz de Aquino
Harmonia
Harmonia
Essas mãos já se tocaram
antes
e se afagaram feito jeito
de criança sonolenta.
Essas mãos andaram juntas
muito tempo
e se desejaram tanto tempo.
Agora essas mãos se deram
de vez
e querem envelhecer
sempre unidas.
Essas mãos já se tocaram
antes
e se afagaram feito jeito
de criança sonolenta.
Essas mãos andaram juntas
muito tempo
e se desejaram tanto tempo.
Agora essas mãos se deram
de vez
e querem envelhecer
sempre unidas.
1 108
Luiz Carlos Freitas
Linda Mãe
Se entendesse tudo, e porque existe,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Alegre como a alma de alguém que insiste,
Em viver, setenta anos, para eu crer,
Consciente de que nem sempre te mereci,
Ter MÃE, é minha LINDA ainda viver !
A cansei, quando ainda pequenino,
Tive sorte ! Não tivestes só as meninas.
Teu sorriso, quando veio um , masculino,
Dependi tanto dessa, LINDA , heroína ,
Que ao impor seu instinto feminino,
Sem preferir, me fez, seu primeiro menino.
Se entendesse tudo, e porque existe,
Mesmo pequeno, não a faria, tanto sofrer,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Escolhido tendo de ti o que persiste,
Heroína prá setenta anos servir,
Sem nunca, um dos filhos preferir,
Te agradeço, LINDA, por nascer !
Luiz Carlos Freitas , 26 / 10 / 96
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Alegre como a alma de alguém que insiste,
Em viver, setenta anos, para eu crer,
Consciente de que nem sempre te mereci,
Ter MÃE, é minha LINDA ainda viver !
A cansei, quando ainda pequenino,
Tive sorte ! Não tivestes só as meninas.
Teu sorriso, quando veio um , masculino,
Dependi tanto dessa, LINDA , heroína ,
Que ao impor seu instinto feminino,
Sem preferir, me fez, seu primeiro menino.
Se entendesse tudo, e porque existe,
Mesmo pequeno, não a faria, tanto sofrer,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Escolhido tendo de ti o que persiste,
Heroína prá setenta anos servir,
Sem nunca, um dos filhos preferir,
Te agradeço, LINDA, por nascer !
Luiz Carlos Freitas , 26 / 10 / 96
1 044
Luiz Pinto d Albuquerque Bello
Mulher
Sussurros na sala
Perfume no ar
Mulher chegando
Farfalhar de roupas,
Brincos na mesinha
Mulher deitando
Beijo no rosto
Mãos viajando
Mulher amando
Chuveiro aberto
Escova de dentes
Mulher acordando
Perfume no ar
Sussurros na sala
Mulher saindo
Perfume no ar
Mulher chegando
Farfalhar de roupas,
Brincos na mesinha
Mulher deitando
Beijo no rosto
Mãos viajando
Mulher amando
Chuveiro aberto
Escova de dentes
Mulher acordando
Perfume no ar
Sussurros na sala
Mulher saindo
1 017
Loyola Rodrigues
Ângelo Monteiro
Subterrânea voz, então desperta
do silêncio da página esquecida,
qual da concha mais íntima, ferida,
áureas cordas vibrando em cada verso
que espadanas das mãos, como os cabelos
longos dos vossos príncipes esguios
aurifluindo, em seus ombros, como rios
de protesto ou em líricos novelos
de sol cristalizado ou, mais ainda,
tal cordas de algum morto violino
há muito sepultado nos teus seios
se secreta mulher ou musa extrema
valsando, sem cessar, seu destino
sem passar dos limites do poema.
do silêncio da página esquecida,
qual da concha mais íntima, ferida,
áureas cordas vibrando em cada verso
que espadanas das mãos, como os cabelos
longos dos vossos príncipes esguios
aurifluindo, em seus ombros, como rios
de protesto ou em líricos novelos
de sol cristalizado ou, mais ainda,
tal cordas de algum morto violino
há muito sepultado nos teus seios
se secreta mulher ou musa extrema
valsando, sem cessar, seu destino
sem passar dos limites do poema.
1 090
Luiz Nogueira Barros
Do Encontro
Qual paisagem acontecida, rosa,
surgiste ao meu olhar incrédulo.
E em azul - teus olhos - aves encantadas,
pousaram nos meus sonhos andarilhos.
Houve silêncio. E presenças, abolindo
desertos percorridos.Ee os sentidos,
arquitetos sutis desses instantes,
construíram invisível ponte entre nós.
E o olhar estremeceu as estruturas
ressentidas, da busca já suposta eterna
porquanto, a dúvida do existires
era tormento povoando a vida,
haurindo a seiva do amor
e receiando se extinguir sem conhecer-te.
surgiste ao meu olhar incrédulo.
E em azul - teus olhos - aves encantadas,
pousaram nos meus sonhos andarilhos.
Houve silêncio. E presenças, abolindo
desertos percorridos.Ee os sentidos,
arquitetos sutis desses instantes,
construíram invisível ponte entre nós.
E o olhar estremeceu as estruturas
ressentidas, da busca já suposta eterna
porquanto, a dúvida do existires
era tormento povoando a vida,
haurindo a seiva do amor
e receiando se extinguir sem conhecer-te.
1 023
Luciano Matheus Tamiozzo
Deixo-me Perder
Deixo-me perder
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
1 012
Loyola Rodrigues
Menino no Mundo
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
915
Luiz Pimenta
Barcos e Sonhos
Barcos & Sonhos
Menino,
os barcos de papel
são como os sonhos:
uma vez naufragados
não podem mais
ser sonhados
ou navegados.
Por isso,
faça-os
fortes,
firmes,
ágeis e
livres.
Os barcos, menino,
são como os sonhos...
Ouro Preto, fevereiro de 89
Menino,
os barcos de papel
são como os sonhos:
uma vez naufragados
não podem mais
ser sonhados
ou navegados.
Por isso,
faça-os
fortes,
firmes,
ágeis e
livres.
Os barcos, menino,
são como os sonhos...
Ouro Preto, fevereiro de 89
1 023
Luiz Nogueira Barros
Viagem
Parto pleno de ventura e na aventura
da viagem empreendida levo o que sobrou
da infância, da juventude e do agora :
fantasia que um dia foi futuro.
Palavras ditas e juradas serão tolas
quando os momentos são de indiferenças.
Mas se o pensar a fala justifica
o tempo é grave amigo e jamais falha.
Hei de seguir assim a antevisão do olhar
e no desenho das paisagens presumidas
serei tudo o que vi, sofri e aprendi.
E tudo será novo como o sempre:
que os sonhos inatingidos não abortam,
pois são gestações que sabem esperar.
da viagem empreendida levo o que sobrou
da infância, da juventude e do agora :
fantasia que um dia foi futuro.
Palavras ditas e juradas serão tolas
quando os momentos são de indiferenças.
Mas se o pensar a fala justifica
o tempo é grave amigo e jamais falha.
Hei de seguir assim a antevisão do olhar
e no desenho das paisagens presumidas
serei tudo o que vi, sofri e aprendi.
E tudo será novo como o sempre:
que os sonhos inatingidos não abortam,
pois são gestações que sabem esperar.
872
Luciano Matheus Tamiozzo
Fim
É o fim...
Eu vim de um sonho
E para este sonho
Eu voltarei.
Não me procures
Pois contigo estarei
Povoando tua mente,
Teus sonhos de rei.
Estou desaparecendo,
Entre brumas e névoas
Eu vou sumir...
Me procure nos sonhos,
Lá sempre estarei,
Lá sempre ficarei.
Eu vim de um sonho
E para este sonho
Eu voltarei.
Não me procures
Pois contigo estarei
Povoando tua mente,
Teus sonhos de rei.
Estou desaparecendo,
Entre brumas e névoas
Eu vou sumir...
Me procure nos sonhos,
Lá sempre estarei,
Lá sempre ficarei.
1 027
Luiz Pimenta
O Jardim de Geralda
O Jardim de Geralda
Para minha querida sogra
Tenho quase certeza que
o van Gogh
conheceu o jardim de Geralda,
antes mesmo
dele ter existido.
O jardim de Geralda
sempre foi uma explosão.
Tem lírio,
tem antúrio...
Tem brinco-de-princesa
plantado
dentro do pneu.
Tem buganvília,
tem até...
amor-perfeito.
Tem tudo,
bem misturado,
assim como
é a vida.
Cadê você Geralda,
para cuidar do nosso jardim?
BH 10/01/97
Para minha querida sogra
Tenho quase certeza que
o van Gogh
conheceu o jardim de Geralda,
antes mesmo
dele ter existido.
O jardim de Geralda
sempre foi uma explosão.
Tem lírio,
tem antúrio...
Tem brinco-de-princesa
plantado
dentro do pneu.
Tem buganvília,
tem até...
amor-perfeito.
Tem tudo,
bem misturado,
assim como
é a vida.
Cadê você Geralda,
para cuidar do nosso jardim?
BH 10/01/97
1 022
Luiz Nogueira Barros
Breves palavras sobre a poética deAntonio Massa
Antônio Massa me faz senti-lo como uma espécie de poeta do desencanto, no tocante ao seu canto e suas queixas sobre a condição humana. O poema Cartesianos é o mais expressivo dos versos que eu li. Nele o racionalismo é ponto de partida, e dentro do qual está, com toda a clareza, uma grande queixa, uma ode, um hino e, finalmente um manifesto pela liberdade, a liberdade que exigiria romper com os laços do convencionalismo racionalista das coisas institucionalizadas. Importa pois, sair das formas geométricas dentro das quais estamos perdidos, engradados, resignados a um teorema.
O racionalismo, então pré-racionalismo, com Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", estava assim expresso, no século III : "Intelligas ut creda; credi ut intelligas"( Ver para crer, crer para compreender). Mas tarde o santo diria " Se eu me engano é porque sou, pois quem não se engana não é" , num rompante próprio dos padres filósofos, da filosofia patrística que procurava explicar Deus não mais à luz dos dogmas e sim de um entendimento racional. René Descartes, século XIV, retoma as perquirições agostinianas e, com o " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ), passa à história como o criador do racionalismo, face aos seus conhecimentos das ciências matemáticas...
O racionalismo, portanto, foi apenas a busca das dimensões reais das coisas, quando a humanidade ainda se debatia entre a mitologia, a religião e as ciências. E não poderia ter nada a ver com convencionalismo, muito mais um categoria sócio-político e elemento fundamental das sociedades humanas que nos contiveram em números, datas, e um código de obrigações, forçando a que o poeta, angustiado, afirme em "Firma Reconhecida", com todos tons e matizes da alma que busca o sentido do existir, do homem que busca um papel humano, ou humanístico:
Está tudo no papel
e em todos os papéis
homens carimbados
buscando papel de gente.
Mas Antonio Massa, em Cartesianos, abre fogo contra o racionalismo
Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos.
E segue :
Nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto.
E prossegue falando das nossas preocupações sobre quantos raios o sol emite ou de quantos pelos há na pubis; da nossa incapacidade de separarmos o homem do lobisomen que há dentro de nós, insensível e incapaz de conceder, conceber, perdoar, empreender, etc, no tocante a certas necessidades e relações entre seres humanos, por vezes não institucionalizadas e por isto estranhas e condenadas...
Num crescendo, Antonio Massa pretende dar por encerrada sua queixa quando nos afirma:
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta ?
Quando imagino que o poema lembra uma ode á liberdade, lembro-me de Max Nordau, que escreveu sobre as mentiras convencionais do século XX. E até mesmo de Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que desteta os que se escondem por detrás de uma estrela e não lutam pela terra...
Quando tudo parece estar finalizando, então, Antonio Massa dá uma receita de como encerar o homem, na verdade a sua vaiade, o seu egoismo, a sua pretendida identidade, no fundo mesmo a sua caricatura, em Instruções para se Encerar um Homem. E depois de muitas peripécias chega ao topo do homem, a cabeça, afirmando:
Ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
e quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem perfeito.
...o que o poeta parece nos querer dizer, que o brilho, o polimento dado no homem tanto pode ser efêmero como necessário, por vezes, que a caricatura do homem que somos e temos sido é algo incômodo.
Mas quando menos se espera que o tema está terminado Antonio Massa nos informa, em Não há vagas, que o homem continua procurando vagas ( espaço ) em todos os lugares:
...nas casas, nas mágoas
no ofício de gente
no prato do irmão.
...nos muros , na arte
e nos arremates
de vida e de sorte.
...apesar de tudo, numa fatalidade dramática, se não estiver enganado. Mas agora um certo "darwinismo social" toma conta do tema do poeta
porque, feliz ou felizmente
...os senhores da Ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno.
...impedindo-nos mesmo de uma morte tranquila...
O que há de belo nos poetas e nas poesias são as suas afirmativas e negativas, as suas contraposições metafísicas, mas, de repente, a espiral dialética que lhes permitem sair no outro lado do túnel.
Continuo acreditando no Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que às vezes é preciso termos o caos dentro de nós para darmos à luz uma estrela cintilante.
Pode ter sido, não sei, o caos que Antonio Massa vê em torno do homem o motivo para que ele desse ao mundo a sua estrela cintilante, sob forma de poesia.
Quem sabe,finalmente, e também, não lhe moveu, inconscientemente, a alma de Gonçalves Dias, o poeta guerreiro que o convocou para não se intimidar diante do mundo e do homem, ordenando-lhe denunciar as prefigurações do ente que está mais próximo dele mesmo e sobre o qual ele tem algumas dúvidas...
O mundo é assim mesmo, meu caro poeta. Mas apesar de tudo estaremos sempre a sair do outro lado do túnel. E você saiu, com sua poesia, apesar das "dores do mundo", do melancólico mas extraordinário Schopenhauer...
Quando Nietzsche, do "Ecce Homo", trata do homem no tocante à "vontade do advento" nos afirma, categoricamente: "...aquilo que não o aniquila, torna-o bem mais forte..."
O advento da poesia, em sua vida, meu caro poeta, é a sua estrela cintilante.
Vá em frente...
Luiz Nogueira Barros
O racionalismo, então pré-racionalismo, com Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", estava assim expresso, no século III : "Intelligas ut creda; credi ut intelligas"( Ver para crer, crer para compreender). Mas tarde o santo diria " Se eu me engano é porque sou, pois quem não se engana não é" , num rompante próprio dos padres filósofos, da filosofia patrística que procurava explicar Deus não mais à luz dos dogmas e sim de um entendimento racional. René Descartes, século XIV, retoma as perquirições agostinianas e, com o " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ), passa à história como o criador do racionalismo, face aos seus conhecimentos das ciências matemáticas...
O racionalismo, portanto, foi apenas a busca das dimensões reais das coisas, quando a humanidade ainda se debatia entre a mitologia, a religião e as ciências. E não poderia ter nada a ver com convencionalismo, muito mais um categoria sócio-político e elemento fundamental das sociedades humanas que nos contiveram em números, datas, e um código de obrigações, forçando a que o poeta, angustiado, afirme em "Firma Reconhecida", com todos tons e matizes da alma que busca o sentido do existir, do homem que busca um papel humano, ou humanístico:
Está tudo no papel
e em todos os papéis
homens carimbados
buscando papel de gente.
Mas Antonio Massa, em Cartesianos, abre fogo contra o racionalismo
Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos.
E segue :
Nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto.
E prossegue falando das nossas preocupações sobre quantos raios o sol emite ou de quantos pelos há na pubis; da nossa incapacidade de separarmos o homem do lobisomen que há dentro de nós, insensível e incapaz de conceder, conceber, perdoar, empreender, etc, no tocante a certas necessidades e relações entre seres humanos, por vezes não institucionalizadas e por isto estranhas e condenadas...
Num crescendo, Antonio Massa pretende dar por encerrada sua queixa quando nos afirma:
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta ?
Quando imagino que o poema lembra uma ode á liberdade, lembro-me de Max Nordau, que escreveu sobre as mentiras convencionais do século XX. E até mesmo de Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que desteta os que se escondem por detrás de uma estrela e não lutam pela terra...
Quando tudo parece estar finalizando, então, Antonio Massa dá uma receita de como encerar o homem, na verdade a sua vaiade, o seu egoismo, a sua pretendida identidade, no fundo mesmo a sua caricatura, em Instruções para se Encerar um Homem. E depois de muitas peripécias chega ao topo do homem, a cabeça, afirmando:
Ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
e quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem perfeito.
...o que o poeta parece nos querer dizer, que o brilho, o polimento dado no homem tanto pode ser efêmero como necessário, por vezes, que a caricatura do homem que somos e temos sido é algo incômodo.
Mas quando menos se espera que o tema está terminado Antonio Massa nos informa, em Não há vagas, que o homem continua procurando vagas ( espaço ) em todos os lugares:
...nas casas, nas mágoas
no ofício de gente
no prato do irmão.
...nos muros , na arte
e nos arremates
de vida e de sorte.
...apesar de tudo, numa fatalidade dramática, se não estiver enganado. Mas agora um certo "darwinismo social" toma conta do tema do poeta
porque, feliz ou felizmente
...os senhores da Ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno.
...impedindo-nos mesmo de uma morte tranquila...
O que há de belo nos poetas e nas poesias são as suas afirmativas e negativas, as suas contraposições metafísicas, mas, de repente, a espiral dialética que lhes permitem sair no outro lado do túnel.
Continuo acreditando no Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que às vezes é preciso termos o caos dentro de nós para darmos à luz uma estrela cintilante.
Pode ter sido, não sei, o caos que Antonio Massa vê em torno do homem o motivo para que ele desse ao mundo a sua estrela cintilante, sob forma de poesia.
Quem sabe,finalmente, e também, não lhe moveu, inconscientemente, a alma de Gonçalves Dias, o poeta guerreiro que o convocou para não se intimidar diante do mundo e do homem, ordenando-lhe denunciar as prefigurações do ente que está mais próximo dele mesmo e sobre o qual ele tem algumas dúvidas...
O mundo é assim mesmo, meu caro poeta. Mas apesar de tudo estaremos sempre a sair do outro lado do túnel. E você saiu, com sua poesia, apesar das "dores do mundo", do melancólico mas extraordinário Schopenhauer...
Quando Nietzsche, do "Ecce Homo", trata do homem no tocante à "vontade do advento" nos afirma, categoricamente: "...aquilo que não o aniquila, torna-o bem mais forte..."
O advento da poesia, em sua vida, meu caro poeta, é a sua estrela cintilante.
Vá em frente...
Luiz Nogueira Barros
1 012
Leopoldo Neto
Coreaú
Coreaú , minha terra querida
Do mesmo nome, te banha um rio ,
Onde muito tomei banho e senti frio ,
Na aurora da minha vida !...
És tu bela, és forte, mas traída ,
Por alguém que há muito, viste nascer
Mas , ainda tem , quem te dê guarida
Para quem te traiu , te ver crescer !...
És tão bela, que trouxeste inspiração ,
Para com versos, partidos do coração
Teu filho humilde te ofertar.
Estes versos, são para ti, terra nobre
De um filho , que nasceu em berço pobre...
Mas não te traiu , nem te trairá jamais !...
Do mesmo nome, te banha um rio ,
Onde muito tomei banho e senti frio ,
Na aurora da minha vida !...
És tu bela, és forte, mas traída ,
Por alguém que há muito, viste nascer
Mas , ainda tem , quem te dê guarida
Para quem te traiu , te ver crescer !...
És tão bela, que trouxeste inspiração ,
Para com versos, partidos do coração
Teu filho humilde te ofertar.
Estes versos, são para ti, terra nobre
De um filho , que nasceu em berço pobre...
Mas não te traiu , nem te trairá jamais !...
1 316
Luiz Pimenta
Safira
Safira
Saiu
Safira
em busca de
pedras semi-preciosas.
Passou a vida,
nada encontrou.
Provavelmente,
esqueceu de se olhar.
Rio, fevereiro de 91
Saiu
Safira
em busca de
pedras semi-preciosas.
Passou a vida,
nada encontrou.
Provavelmente,
esqueceu de se olhar.
Rio, fevereiro de 91
1 177
Luiz de Aquino
Precognição
Precognição
Gosto da vida e deixo
que a noite me vista
de escuro.
Nem sempre é de justo
mostrar-se às claras:
hoje sou como era
quando ainda sonhava
com o futuro.
Pode ser que ainda cresça,
mas é bom ser criança
de gris e de rugas.
Gosto da vida e deixo
que a noite me vista
de escuro.
Nem sempre é de justo
mostrar-se às claras:
hoje sou como era
quando ainda sonhava
com o futuro.
Pode ser que ainda cresça,
mas é bom ser criança
de gris e de rugas.
942
Luiz Nogueira Barros
Milagre
E operou-se o milagre do silêncio
na boca que para o mundo se fechou.
E nos sentidos, que descobriram transparências
escondidas nas muralhas de argamassa e pedras:
que os sonhos inda imaturos não percebiam,
enganados - por séculos de mentiras...
na boca que para o mundo se fechou.
E nos sentidos, que descobriram transparências
escondidas nas muralhas de argamassa e pedras:
que os sonhos inda imaturos não percebiam,
enganados - por séculos de mentiras...
815
Luiz Nogueira Barros
Eu
Eu sou aquele
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mão de carícias
plantando sementes de sonhos.
Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue
e denso é o sonho !...
Eu sou aquele
que sempre chega
e que sempre parte
de mão vazias
sem ver os frutos
do seu trabalho :
- sou a utopia !...
O JORNAL - 14.04.96
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mão de carícias
plantando sementes de sonhos.
Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue
e denso é o sonho !...
Eu sou aquele
que sempre chega
e que sempre parte
de mão vazias
sem ver os frutos
do seu trabalho :
- sou a utopia !...
O JORNAL - 14.04.96
959
Luiz de Aquino
Mudanças
Mudanças
Eu tenho uma vaga lembrança
deste prédio, desta casa.
Fui feliz aqui, eu sei,
mas me lembro pouco de ter estado aqui,
me lembro pouco de ter-te assim
tão próxima
e até de ter sido feliz.
Eu tenho uma vaga lembrança
de ter estado aqui
mas gosto de estar aqui.
E te convido para estar comigo
sempre
para estar comigo ao meu lado,
do meu lado,
onde estou daqui para sempre.
Eu tenho uma vaga lembrança
deste prédio, desta casa.
Fui feliz aqui, eu sei,
mas me lembro pouco de ter estado aqui,
me lembro pouco de ter-te assim
tão próxima
e até de ter sido feliz.
Eu tenho uma vaga lembrança
de ter estado aqui
mas gosto de estar aqui.
E te convido para estar comigo
sempre
para estar comigo ao meu lado,
do meu lado,
onde estou daqui para sempre.
977
Luiz Carlos Freitas
Choro de Magoa
Teu choro baixinho,constante e doído,
Transforma tua face e quebra o encanto.
Tua tristeza na alma e teu coração partido,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, muda o rosto radiante,
Transforma tua aura, e esconde teu canto.
Toda lacrimejada, altera teu semblante,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, mostra teu sentimento,
Transforma tua beleza e te esconde num manto.
Toda amargurada, esboça um lamento,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te provoca soluço,
Transforma em mágoa ao mostrar teu pranto,
Toda a tristeza em teu rosto, se choras de bruço,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te traz solidão,
Tranforma tua vida e te causa espanto.
Toda " dengosa ", te enches de emoção,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Transforma tua face e quebra o encanto.
Tua tristeza na alma e teu coração partido,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, muda o rosto radiante,
Transforma tua aura, e esconde teu canto.
Toda lacrimejada, altera teu semblante,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, mostra teu sentimento,
Transforma tua beleza e te esconde num manto.
Toda amargurada, esboça um lamento,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te provoca soluço,
Transforma em mágoa ao mostrar teu pranto,
Toda a tristeza em teu rosto, se choras de bruço,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
Teu choro baixinho, te traz solidão,
Tranforma tua vida e te causa espanto.
Toda " dengosa ", te enches de emoção,
Te deixa feia. Por que chorar tanto ?
1 106
Tânia Regina
Sua Falta
Olhando para o céu
Consigo pensar em você
Com a brisa
Consigo sentir você
A cada dia que passa
A cada hora que voa
Sinto sua falta....
Olhando para o mar
Consigo pensar em você
Com o brilho da lua
Consigo enxergar você
Consigo pensar, enxergar
sentir,...
Só não consigo te tocar....
Olhando para o céu e o mar
Penso em algum dia te encontrar...
E quando meu sonho
Finalmente se realizar
Pretendo com você ficar
Nas alegrias e tristezas
Amando e sendo amada!!!!
Consigo pensar em você
Com a brisa
Consigo sentir você
A cada dia que passa
A cada hora que voa
Sinto sua falta....
Olhando para o mar
Consigo pensar em você
Com o brilho da lua
Consigo enxergar você
Consigo pensar, enxergar
sentir,...
Só não consigo te tocar....
Olhando para o céu e o mar
Penso em algum dia te encontrar...
E quando meu sonho
Finalmente se realizar
Pretendo com você ficar
Nas alegrias e tristezas
Amando e sendo amada!!!!
923
Torquato Neto
O Poeta é a Mãe das Armas
O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.
O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.
A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso:ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.
poetemos pois
torquato neto /8/11/71 & sempre.
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.
O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.
A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso:ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.
poetemos pois
torquato neto /8/11/71 & sempre.
2 155
Tomás Ribeiro
Carta que Estela Deixou à Filha
Fragmento do canto VIII do D. Jaime
...........................................................
A vítima infeliz de ímproba sorte,
vede o que ela escrevia à triste filha,
momentos antes de chegar a morte:
— "Filha! não posso agasalhar-te em vida;
rosa pendida que te vais finar!
quem te arrancara dessas mãos ferozes
dos meus algozes que te vão matar!
À campa vamos! Ai! depois da morte,
quem sabe a sorte a que estas almas vão!...
Que anseio! filha! que soldado abismo!
tu... sem batismo! e eu... sem confissão!
Não! Deus é pai! somente aos maus condena!
Foi por quem pena que penou Jesus!
Sejam meus prantos do batismo as águas!...
Deus! pelas mágoas que te deu a cruz!
Vai, filha! os anjos te recebem ledos!
guarda os segredos que me ouviste aqui.
Quando avistares do Senhor a sede,
por mim lhe pede, que também morri!
Vai! Dize aos anjos que te dêem seus cantos,
por estes prantos que meus olhos têm!
e se em mim perdes maternal ternura,
a Virgem pura que te seja mãe!...
Ai! flor de neve com dourada coma!
que alvor! que aroma! se não perde aqui!
Ai! rosa minha de matiz vestida;
que amor! que vida! que eu sonhei por ti!
Teu pai, rojado por inglória senda,
que vida horrenda viverá também!...
rico inda ontem, poderoso e nobre!
hoje tão pobre, que nem nome tem!
Eu fui a sombra que toldou de escuro
todo o futuro que o verá viver!...
Eu fui a estrela que em lugar do norte,
lhe aponta a morte que o fará morrer!
Aos meus perdôo, que me deram tratos;
raça de ingratos, com que eu vivi!
Não choro os dias que sonhei serenos...
que em paga ao menos morrerei por ti.
A ti, a ele, deixarei somente,
num beijo ardente o derradeiro adeus!...
Correi, algozes, já me não confranjo!
mártir e anjo, têm direito aos céus!"
...........................................................
A vítima infeliz de ímproba sorte,
vede o que ela escrevia à triste filha,
momentos antes de chegar a morte:
— "Filha! não posso agasalhar-te em vida;
rosa pendida que te vais finar!
quem te arrancara dessas mãos ferozes
dos meus algozes que te vão matar!
À campa vamos! Ai! depois da morte,
quem sabe a sorte a que estas almas vão!...
Que anseio! filha! que soldado abismo!
tu... sem batismo! e eu... sem confissão!
Não! Deus é pai! somente aos maus condena!
Foi por quem pena que penou Jesus!
Sejam meus prantos do batismo as águas!...
Deus! pelas mágoas que te deu a cruz!
Vai, filha! os anjos te recebem ledos!
guarda os segredos que me ouviste aqui.
Quando avistares do Senhor a sede,
por mim lhe pede, que também morri!
Vai! Dize aos anjos que te dêem seus cantos,
por estes prantos que meus olhos têm!
e se em mim perdes maternal ternura,
a Virgem pura que te seja mãe!...
Ai! flor de neve com dourada coma!
que alvor! que aroma! se não perde aqui!
Ai! rosa minha de matiz vestida;
que amor! que vida! que eu sonhei por ti!
Teu pai, rojado por inglória senda,
que vida horrenda viverá também!...
rico inda ontem, poderoso e nobre!
hoje tão pobre, que nem nome tem!
Eu fui a sombra que toldou de escuro
todo o futuro que o verá viver!...
Eu fui a estrela que em lugar do norte,
lhe aponta a morte que o fará morrer!
Aos meus perdôo, que me deram tratos;
raça de ingratos, com que eu vivi!
Não choro os dias que sonhei serenos...
que em paga ao menos morrerei por ti.
A ti, a ele, deixarei somente,
num beijo ardente o derradeiro adeus!...
Correi, algozes, já me não confranjo!
mártir e anjo, têm direito aos céus!"
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