Poemas neste tema
Desejo
Carlos Lúcio Gontijo
Concerto dos órgãos
Orgasmo, janela do corpo
Espasmo da carne
Êxtase da alma
Libido na palma da mão
Cálido tato que nos conduz
Pele aberta em flor
Órgão executando luz
Coração sem pecado original
Alvejado em duas fontes
Que se molham de amor....
Espasmo da carne
Êxtase da alma
Libido na palma da mão
Cálido tato que nos conduz
Pele aberta em flor
Órgão executando luz
Coração sem pecado original
Alvejado em duas fontes
Que se molham de amor....
931
Paulo Netho
Olhos nus
Seu corpo nu
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.
1 088
Allen Ginsberg
Poema de amor sobre um tema de Whitman
Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.
3 544
Ernesto de Melo e Castro
Hermafrodita
De Hermes e de Afrodite o filho esbelto e amado,
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...
Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...
Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.
Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...
Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:
– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...
Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...
Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.
Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...
Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:
– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!
1 805
João Silva Maia
Virtualidade
"Rends-moi fou, mon amour",
dizia o ardente gaulês
contemplando a lasciva nudez
da opulenta e enfática morena.
"Te quiero todo ahora mismo",
clamava ela olhando de perfil
e sem pudor a postura viril
daquele homem que valia a pena.
Foi-se abaixo a luz na rede de repente,
o que quando a paixão é carnal
costuma ser augúrio de bom sinal.
Só que neste caso infelizmente
ficou tudo errado, tudo mal,
porque os amantes eram de realidade virtual.
dizia o ardente gaulês
contemplando a lasciva nudez
da opulenta e enfática morena.
"Te quiero todo ahora mismo",
clamava ela olhando de perfil
e sem pudor a postura viril
daquele homem que valia a pena.
Foi-se abaixo a luz na rede de repente,
o que quando a paixão é carnal
costuma ser augúrio de bom sinal.
Só que neste caso infelizmente
ficou tudo errado, tudo mal,
porque os amantes eram de realidade virtual.
809
Luiz Cavalini Jr.
No capim
roça a barriga na grama
com graça
coça o corpo
esmaga o mato no peito
curvada na relva quente
abana os insetos impertinentes
e se entrega de quatro, aberta, alerta
moita de desejos, de clorofila, de espermas
com graça
coça o corpo
esmaga o mato no peito
curvada na relva quente
abana os insetos impertinentes
e se entrega de quatro, aberta, alerta
moita de desejos, de clorofila, de espermas
1 063
Djalma Filho
Ainda os lençóis
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas
Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas
Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.
826
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Morrer
língua
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor
línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços
seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios
ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto
chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados
ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera
morremos para o mundo...
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor
línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços
seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios
ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto
chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados
ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera
morremos para o mundo...
912
Márcio Jacinto
Corpos
Entre o corpo de uma mulher
E o de um homem
Há mais mistérios do que
O céu, a terra
(E Shakespeare!)
Poderiam imaginar.
E o de um homem
Há mais mistérios do que
O céu, a terra
(E Shakespeare!)
Poderiam imaginar.
892
Lúcia Afonso
Não há partes prediletas
Não há partes prediletas de teu corpo
que me excitem os sentidos
e me façam
as pupilas e a vagina mais molhadas,
como pedaços de um ícone quebrado.
Te quero pleno, inteiro e articulado
se enroscando em meus pedaços, a dar-me
uma visão inteira de mim mesma,
no espelho abissal de teu abraço.
Não há partes prediletas de teu corpo,
pois o que seria de mim, sob teu peso,
ao sentir teu pênis meu e teso
sem, antes, um afago nos cabelos?
Não há partes no todo predileto
de teu corpo, lábios, nuca,
a pequena marca sobre o peito,
mamilos, calcanhares, a garganta.
Partes...
e inteiro
me ficas, predileto,
no teu cheiro espalhado sobre a cama.
que me excitem os sentidos
e me façam
as pupilas e a vagina mais molhadas,
como pedaços de um ícone quebrado.
Te quero pleno, inteiro e articulado
se enroscando em meus pedaços, a dar-me
uma visão inteira de mim mesma,
no espelho abissal de teu abraço.
Não há partes prediletas de teu corpo,
pois o que seria de mim, sob teu peso,
ao sentir teu pênis meu e teso
sem, antes, um afago nos cabelos?
Não há partes no todo predileto
de teu corpo, lábios, nuca,
a pequena marca sobre o peito,
mamilos, calcanhares, a garganta.
Partes...
e inteiro
me ficas, predileto,
no teu cheiro espalhado sobre a cama.
899
Djalma Filho
Eclipse
Vem
menina vadia
te darei o meu dia
te farei sol nascer
Vem
menina moleca
te farei uma festa
te darei meu prazer
Vem
menina dengosa
te encantarei formosa
te enfeitarei com meu ser
Vem em ti
todas as meninas carentes
todas as mulheres santas
todos os amores proibidos
todas amantes desvairadas
Dispa
em definitivo teus pudores
deflore toda tua nudez
que arde... agora afoita
em avalanche de néctar
Abrace-me
sem culpas nem escrúpulos
penetre nessa loucura
que arde... agora ereto
vermelho a te querer
Fique-me
em eclipse... em
superposições de sóis
querendo e ardendo
definitivamente nós!!!
menina vadia
te darei o meu dia
te farei sol nascer
Vem
menina moleca
te farei uma festa
te darei meu prazer
Vem
menina dengosa
te encantarei formosa
te enfeitarei com meu ser
Vem em ti
todas as meninas carentes
todas as mulheres santas
todos os amores proibidos
todas amantes desvairadas
Dispa
em definitivo teus pudores
deflore toda tua nudez
que arde... agora afoita
em avalanche de néctar
Abrace-me
sem culpas nem escrúpulos
penetre nessa loucura
que arde... agora ereto
vermelho a te querer
Fique-me
em eclipse... em
superposições de sóis
querendo e ardendo
definitivamente nós!!!
1 023
Isabel Machado
Primeiro suspiro
Arromba!
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido...
Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido...
Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca...
E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
por viver...
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido...
Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido...
Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca...
E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
por viver...
1 080
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Fêmeas
Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.
Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.
Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.
1 076
Isabel Machado
Baratas freudianas
Falo que barata não é falo
ouso discordar do Freud-Deus
ao gerar polêmica, me calo!
Quem, perante Freud-Deus, sou eu?
Devo ter então medo de sexo
preciso ficar a meditar
Penso na barata e não tem nexo
mas insisto e volto a repensar...
Não devo berrar mais quando a vejo
nem com meu chinelo destruí-la.
Se a barata é meu puro desejo
devo então amá-la ou possuí-la...
Acho que é melhor eu consultar
quem melhor entende desse tema.
Ou profundamente pesquisar
a resposta desse vil dilema...
A resposta está profundamente
nas entranhas do meu "eu" profundo
que faz da barata, inconsciente,
o falo que mais amo nesse mundo!
ouso discordar do Freud-Deus
ao gerar polêmica, me calo!
Quem, perante Freud-Deus, sou eu?
Devo ter então medo de sexo
preciso ficar a meditar
Penso na barata e não tem nexo
mas insisto e volto a repensar...
Não devo berrar mais quando a vejo
nem com meu chinelo destruí-la.
Se a barata é meu puro desejo
devo então amá-la ou possuí-la...
Acho que é melhor eu consultar
quem melhor entende desse tema.
Ou profundamente pesquisar
a resposta desse vil dilema...
A resposta está profundamente
nas entranhas do meu "eu" profundo
que faz da barata, inconsciente,
o falo que mais amo nesse mundo!
1 076
João dos Sonhos
Ascensão
Beijava-te como se sobe uma escadaria:
pedra a pedra, do luminoso para o obscuro,
do mais visível para o mais recôndito
– até que os lábios fossem
não o ardor da sede, nem sequer a magia
da subida,
mas o tremor que é pétala do êxtase,
o lento desprender do sol do corpo
com o feliz quebranto dos meus dedos.
pedra a pedra, do luminoso para o obscuro,
do mais visível para o mais recôndito
– até que os lábios fossem
não o ardor da sede, nem sequer a magia
da subida,
mas o tremor que é pétala do êxtase,
o lento desprender do sol do corpo
com o feliz quebranto dos meus dedos.
964
Vera Maya
Self-service
Entre o desejo e o medo
de perdas irreparáveis,
a moralista e seu dedo
tornaram-se inseparáveis.
de perdas irreparáveis,
a moralista e seu dedo
tornaram-se inseparáveis.
1 046
Salomão Jorge
Pecadora
Ó pecadora de olhos langorosos,
quero pecar contigo alguns momentos,
beijar teus rubros lábios saborosos
como a polpa dos frutos sumarentos!
Sentir nos meus braços luxuriosos,
alvos braços que são os meus tormentos;
beijar teus olhos úmidos de gozos,
úmidos de volúpias, sonolentos...
A mim pouco me importa o teu futuro;
o teu corpo é que quero, puro ou impuro,
na súbita explosão dos meus desejos...
Nossas horas de amor serão bem poucas;
depois vai à procura de outras bocas
que irei também em busca de outros beijos!
quero pecar contigo alguns momentos,
beijar teus rubros lábios saborosos
como a polpa dos frutos sumarentos!
Sentir nos meus braços luxuriosos,
alvos braços que são os meus tormentos;
beijar teus olhos úmidos de gozos,
úmidos de volúpias, sonolentos...
A mim pouco me importa o teu futuro;
o teu corpo é que quero, puro ou impuro,
na súbita explosão dos meus desejos...
Nossas horas de amor serão bem poucas;
depois vai à procura de outras bocas
que irei também em busca de outros beijos!
1 161
Giuseppe Belli
A embocadura
Que esfregações, gemidos, desbaratos!
Que arremessos a seco, numa enfiada!
Todos no alvo, por Cristo, desde a entrada:
Ficam bufando os dois como dois gatos.
Olhos vidrados, pior que de insensatos:
Pêlo com pêlo, boca a boca atada,
E enfia e empurra e bate sem parada;
Vai e vem, põe e tira num só ato.
Descalabro se um pouco mais durasse!
Chegada a brincadeira ao seu final,
Ficamos feito pedras, inconscientes.
É muito bom foder! Mas o ideal
Seria nos tornarmos realmente
Gertrudes toda cona e eu todo pau.
Que arremessos a seco, numa enfiada!
Todos no alvo, por Cristo, desde a entrada:
Ficam bufando os dois como dois gatos.
Olhos vidrados, pior que de insensatos:
Pêlo com pêlo, boca a boca atada,
E enfia e empurra e bate sem parada;
Vai e vem, põe e tira num só ato.
Descalabro se um pouco mais durasse!
Chegada a brincadeira ao seu final,
Ficamos feito pedras, inconscientes.
É muito bom foder! Mas o ideal
Seria nos tornarmos realmente
Gertrudes toda cona e eu todo pau.
1 021
Eliane Stoducto
Pororocas
Os prazeres do corpo
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos. Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os
desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Newton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos. Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os
desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Newton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...
303
Naâmir
Égua
Égua
légua
correndo
deitada
é regra
é régua
de mão
mede anca
ânsia
seio
suor
cone
ciclone
indefeso
indeciso
entra
vem
sai
vai
cai
no poço
lodo
no visgo
de todas
as bocas
frouxas
força
na coxa
de louça
mordido
beiço
pêlo
lambido
agora
é mera
Mula
turra
nua
curra
surra
de porra
caldo
deitado
no rego
sebo
seco
nau
de carne
a pique
cozendo
no sal
da entranha:
sopa
de sexo
légua
correndo
deitada
é regra
é régua
de mão
mede anca
ânsia
seio
suor
cone
ciclone
indefeso
indeciso
entra
vem
sai
vai
cai
no poço
lodo
no visgo
de todas
as bocas
frouxas
força
na coxa
de louça
mordido
beiço
pêlo
lambido
agora
é mera
Mula
turra
nua
curra
surra
de porra
caldo
deitado
no rego
sebo
seco
nau
de carne
a pique
cozendo
no sal
da entranha:
sopa
de sexo
464
Cristiane Neder
Olhar consumista
Nestes nus
que tento seduzir
meus olhos ficam vazios
de tanto te invadir.
Os teus olhos
que saem da platéia
chegam a me contaminar
estragando
minhas idéias velhas,
que eu tinha no lugar
e pensava que eram valiosas
como um quadro de Picasso.
Todo amor
tem seu traço aberto
na hora ága de se apagar.
Minha vida consumista
faz do amor
um objeto vulgar,
cheio de coisas novas
numa vitrine sem par,
e meus olhos
cheios de desejo
querem te consumir
a qualquer preço.
que tento seduzir
meus olhos ficam vazios
de tanto te invadir.
Os teus olhos
que saem da platéia
chegam a me contaminar
estragando
minhas idéias velhas,
que eu tinha no lugar
e pensava que eram valiosas
como um quadro de Picasso.
Todo amor
tem seu traço aberto
na hora ága de se apagar.
Minha vida consumista
faz do amor
um objeto vulgar,
cheio de coisas novas
numa vitrine sem par,
e meus olhos
cheios de desejo
querem te consumir
a qualquer preço.
885
Mônica Banderas
Benditas mães de meus amantes
Marcar com ferro em brasa
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
905
Jorge de Sousa Braga
Escalada
Chamar-te colibri sussurrar-te
ao ouvido coisas acidas e ternas
Morder-te no pescoço, nos ombros, nas nadegas
Sentir a humidade entre as tuas pernas
Selar-te as palpebras com saliva
enquanto gritas que me odeias e me amas
as minhas mãos numa roda viva
entre as tuas nádegas e as tuas mamas
A minha língua, a tua língua o meu
pénis, o teu clitóris, a minha língua
o teu clitóris, o meu pénis, a tua língua
De joelhos como se implorasse
Enterra-lo bem fundo entre as tuas pernas
Deixar que um raio nos trespasse.
ao ouvido coisas acidas e ternas
Morder-te no pescoço, nos ombros, nas nadegas
Sentir a humidade entre as tuas pernas
Selar-te as palpebras com saliva
enquanto gritas que me odeias e me amas
as minhas mãos numa roda viva
entre as tuas nádegas e as tuas mamas
A minha língua, a tua língua o meu
pénis, o teu clitóris, a minha língua
o teu clitóris, o meu pénis, a tua língua
De joelhos como se implorasse
Enterra-lo bem fundo entre as tuas pernas
Deixar que um raio nos trespasse.
2 256
Dois Santos dos Santos
Mulher que ama fica úmida
Mulher que ama fica úmida
faz água
tem nos olhos um brilho molhado
de lágrima perdida
intenso como vidro lavado
No fundo da mulher que ama
há ternuras líquidas
desejos derretidos em doces resistências
afetos quentes escorrendo dentro
paredes meladas
rios invisíveis
que nascem da sensação de amar
Cristalizações se dissolvem
o que era duro passa a ser macio
o que era pesado leve
o áspero suave
Num certo ponto
mulher que ama arrebenta
vaza por tudo
faz água
tem nos olhos um brilho molhado
de lágrima perdida
intenso como vidro lavado
No fundo da mulher que ama
há ternuras líquidas
desejos derretidos em doces resistências
afetos quentes escorrendo dentro
paredes meladas
rios invisíveis
que nascem da sensação de amar
Cristalizações se dissolvem
o que era duro passa a ser macio
o que era pesado leve
o áspero suave
Num certo ponto
mulher que ama arrebenta
vaza por tudo
1 290