Poemas neste tema
Desejo
Rodrigo Otávio
Na Alcova da Sultana
Na azul e perfumada alcova em que ela dorme,
Dorme também aos pés da cama aurilavrada
De um urso branco a pele aveludada, enorme,
De pérolas azuis e gema entressachada.
Sai da rubra goela hiante, escancarada,
Pontiaguda, eriçada a dentadura informe,
Guardando noite e dia a azul e perfumada
Alcova em que a gentil sultana sonha e dorme.
Quando o sol de manhã no leito vem beijá-la,
As pálpebras descerra, os braços estendendo
No ar, aberto o roupão de linho cor de opala.
Sai do leito: no quarto entorna-se um perfume,
E os olhos de esmeralda o urso crava com ciúme,
No espelho, um outro olhar, cúpido a vê-la, vendo.
Dorme também aos pés da cama aurilavrada
De um urso branco a pele aveludada, enorme,
De pérolas azuis e gema entressachada.
Sai da rubra goela hiante, escancarada,
Pontiaguda, eriçada a dentadura informe,
Guardando noite e dia a azul e perfumada
Alcova em que a gentil sultana sonha e dorme.
Quando o sol de manhã no leito vem beijá-la,
As pálpebras descerra, os braços estendendo
No ar, aberto o roupão de linho cor de opala.
Sai do leito: no quarto entorna-se um perfume,
E os olhos de esmeralda o urso crava com ciúme,
No espelho, um outro olhar, cúpido a vê-la, vendo.
992
Américo Facó
Os Sátiros
De corpos nus, por entre a espessa mata, o bando
Dos Sátiros se interna em constante procura:
Ora um se adianta, além, na intrincada espessura,
E ora outro mais se afasta — olhos fitos, buscando...
Esse, que tem no lábio o rubescente e brando
E esplêndido frescor de uma fruta madura,
Abre o lábio a sorrir... Vendo aquele a frescura
De uma corrente, bebe a água que vai rolando...
Soa ao longe um rumor! o ardente bando, à espreita,
Aquieta-se. E por fim, loiras, nuas, aflantes;
Vêm as Ninfas, a rir, descuidosas, sem vê-los...
E os Sátiros, que à sombra esperavam na estreita
Passagem, de repente erguem-se, — e os mais amantes
As prendem, lhes cingindo a cintura e os cabelos...
Dos Sátiros se interna em constante procura:
Ora um se adianta, além, na intrincada espessura,
E ora outro mais se afasta — olhos fitos, buscando...
Esse, que tem no lábio o rubescente e brando
E esplêndido frescor de uma fruta madura,
Abre o lábio a sorrir... Vendo aquele a frescura
De uma corrente, bebe a água que vai rolando...
Soa ao longe um rumor! o ardente bando, à espreita,
Aquieta-se. E por fim, loiras, nuas, aflantes;
Vêm as Ninfas, a rir, descuidosas, sem vê-los...
E os Sátiros, que à sombra esperavam na estreita
Passagem, de repente erguem-se, — e os mais amantes
As prendem, lhes cingindo a cintura e os cabelos...
1 420
Antônio de Godói
Místico
Lua, noiva do azul, Verônica sombria,
Sobe à igreja do Céu para o eterno noivado...
Amplo e curvo cintila o espaço iluminado
Como um pálio de luz em funeral ao dia.
Tem volúpias o luar que roça à noite a fria
Face... Profano ser, feito para o Pecado,
Eu não posso beijar o teu rosto sagrado,
Santo, como, talvez, o rosto de Maria...
Deus as pálpebras fecha e fica a noite escura;
Sombras descem à terra e a noite doce e calma
Enche o peito de amor e põe sossego na alma.
Ah! se deres um beijo em minha boca impura,
Por glórias contarei os beijos que me deres,
Bela Nossa Senhora entre as outras mulheres...
Sobe à igreja do Céu para o eterno noivado...
Amplo e curvo cintila o espaço iluminado
Como um pálio de luz em funeral ao dia.
Tem volúpias o luar que roça à noite a fria
Face... Profano ser, feito para o Pecado,
Eu não posso beijar o teu rosto sagrado,
Santo, como, talvez, o rosto de Maria...
Deus as pálpebras fecha e fica a noite escura;
Sombras descem à terra e a noite doce e calma
Enche o peito de amor e põe sossego na alma.
Ah! se deres um beijo em minha boca impura,
Por glórias contarei os beijos que me deres,
Bela Nossa Senhora entre as outras mulheres...
829
Xavier de Carvalho
Flores do palco
Quando ela os braços, em feitiços, alça
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;
Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;
Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...
E ela acede... e, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;
Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;
Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...
E ela acede... e, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!
1 108
Eduardo Dominguez Trindade
Declaração
Quando vejo o teu rosto,
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
945
Vera Romariz
Sem Óculos
Na cama te quero
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
1 295
Valdir L. Queiroz
Dissertação III
Também te vi sobre a colisão
dos desejos;
te vi com aspecto de
amor imoral
te vi corroendo o orgulho
e alcançando a incógnita
te vi de sol pintada
de penumbra coberta e
de orgasmo sofrido
te vi de vontade imperfeita
e de amor engolida
também te vi, no meu espelho
inacabado naquela noite de sol
sem pincel e luar qual gaivota
sem mar.
te vi.
dos desejos;
te vi com aspecto de
amor imoral
te vi corroendo o orgulho
e alcançando a incógnita
te vi de sol pintada
de penumbra coberta e
de orgasmo sofrido
te vi de vontade imperfeita
e de amor engolida
também te vi, no meu espelho
inacabado naquela noite de sol
sem pincel e luar qual gaivota
sem mar.
te vi.
922
Valeria Braga
Poema
Poema
Imprimo no poema as minhas letras tatuadas,
letras vadias,
andarilhas,
ciganas sem baralhos.
Imprimo a letra da poesia por dentro do ventre
e dentro das gavetas, à chave.
Do poema, apenas imploro um olhar cheio de desejo,
que já sou lua
ou nem sei quem sou.
Pássaro colorido o poema que voa
por sobre os céus da minha cabeça,
por sobre o céu da minha boca.
E lá vou eu, mastigando as letras,
mastigando a palavra que nunca te disse,
passando a língua molhada em cada verso
de amor ou tristeza,
engolindo cada sílaba
como se sorve bebida, homem,
flor ou criança.
Bandida, a poesia
que dorme e acorda morta de sono
e não me deixa dormir
e não me deixa viver
e não me deixa.
Vem o poema e aperta o gatilho
e me fere no peito e me mata,
e me deixa mais tonta,
mais louca que sou.
E te aceito assim, te quero assim,
poema de todas as formas
como bicho, vida, sol e chão.
Imprimo no poema as minhas letras tatuadas,
letras vadias,
andarilhas,
ciganas sem baralhos.
Imprimo a letra da poesia por dentro do ventre
e dentro das gavetas, à chave.
Do poema, apenas imploro um olhar cheio de desejo,
que já sou lua
ou nem sei quem sou.
Pássaro colorido o poema que voa
por sobre os céus da minha cabeça,
por sobre o céu da minha boca.
E lá vou eu, mastigando as letras,
mastigando a palavra que nunca te disse,
passando a língua molhada em cada verso
de amor ou tristeza,
engolindo cada sílaba
como se sorve bebida, homem,
flor ou criança.
Bandida, a poesia
que dorme e acorda morta de sono
e não me deixa dormir
e não me deixa viver
e não me deixa.
Vem o poema e aperta o gatilho
e me fere no peito e me mata,
e me deixa mais tonta,
mais louca que sou.
E te aceito assim, te quero assim,
poema de todas as formas
como bicho, vida, sol e chão.
1 032
Vitor Casimiro
Se Antes Fosse, Aonde Iria?
Janela aberta
Brisa a dentro
Cortina, dança
feito um lamento
Antes fosse
Um barco a vela.
Aonde vais brisa?
Iria com ela
Brisa a dentro
Cortina, dança
feito um lamento
Antes fosse
Um barco a vela.
Aonde vais brisa?
Iria com ela
1 091
Salette Tavares
Espelho Cego
Eu leio o meu destino nos jornais.
Eu vejo os Signos do Domingo nos chifres do Carneiro
e creio
no regaço em que me leva algum planeta
a jogar no firmamento.
Osíres, ou sol da noite, ou estrela da terra
a vida é essa
que se esculpe na alma do poeta,
em ronde bosse,
em corpo inteiro...
e as mãos cegas
são só para saber mais devagar.
Minha cintura dorida
adeus supremo sem beijo
enche-me o peito de fome
geme silêncio o desejo.
Espreme-me frutas os braços
bebem-se vinho de março
grandes belos cabelos
com o vento no regaço
Alvorecer de um segredo
boca que a fruta pede
mar de ouro generoso
onde o meu barco se perde.
Eu vejo os Signos do Domingo nos chifres do Carneiro
e creio
no regaço em que me leva algum planeta
a jogar no firmamento.
Osíres, ou sol da noite, ou estrela da terra
a vida é essa
que se esculpe na alma do poeta,
em ronde bosse,
em corpo inteiro...
e as mãos cegas
são só para saber mais devagar.
Minha cintura dorida
adeus supremo sem beijo
enche-me o peito de fome
geme silêncio o desejo.
Espreme-me frutas os braços
bebem-se vinho de março
grandes belos cabelos
com o vento no regaço
Alvorecer de um segredo
boca que a fruta pede
mar de ouro generoso
onde o meu barco se perde.
1 882
Salette Tavares
Amor Silêncio
Amor silêncio amargo a roçar-me a morte
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
1 621
Teófilo Dias
A Matilha
Pendente a língua rubra, os sentidos atentos,
Inquieta, rastejando os vestígios sangrentos,
A matilha feroz persegue enfurecida,
Alucinadamente, a presa malferida.
Um, afitando o olhar, sonda a escura folhagem;
Outro consulta o vento; outro sorve a bafagem,
O fresco, vivo odor, cálido, penetrante,
Que, na rápida fuga, a vítima arquejante
Vai deixando no ar, pérfido e traiçoeiro;
Todos, num turbilhão fantástico, ligeiro,
Ora, em vórtice, aqui se agrupam, rodam, giram,
E, cheios de furor frenético, respiram,
Ora, cegos de raiva, afastados, disperses,
Arrojam-se a correr. Vão por trilhos diversos,
Esbraseando o olhar, dilatando as narinas.
Transpõem num momento os vales e as colinas,
Sobem aos alcantis, descem pelas encostas,
Recruzam-se febris em direções opostas,
Té que da presa, enfim, nos músculos cansados
Cravam com avidez os dentes afiados.
Não de outro modo, assim meus sôfregos desejos,
Em matilha voraz de alucinados beijos
Percorrem-te o primor às langorosas linhas,
As curvas juvenis, onde a volúpia aninhas,
Frescas ondulações de formas florescentes
Que o teu contorno imprime às roupas eloqüentes:
O dorso aveludado, elétrico, felino,
Que poreja um vapor aromático e fino;
O cabelo revolto em anéis perfumados,
Em fofos turbilhões, elásticos, pesados;
As fibrilhas sutis dos lindos braços brancos,
Feitos para apertar em nervosos arrancos;
A exata correção das azuladas veias,
Que palpitam, de fogo entumescidas, cheias,
— Tudo a matilha audaz perlustra, corre, aspira,
Sonda, esquadrinha, explora, e anelante respira,
Até que, finalmente, embriagada, louca,
Vai encontrar a presa — o gozo — em tua boca.
Inquieta, rastejando os vestígios sangrentos,
A matilha feroz persegue enfurecida,
Alucinadamente, a presa malferida.
Um, afitando o olhar, sonda a escura folhagem;
Outro consulta o vento; outro sorve a bafagem,
O fresco, vivo odor, cálido, penetrante,
Que, na rápida fuga, a vítima arquejante
Vai deixando no ar, pérfido e traiçoeiro;
Todos, num turbilhão fantástico, ligeiro,
Ora, em vórtice, aqui se agrupam, rodam, giram,
E, cheios de furor frenético, respiram,
Ora, cegos de raiva, afastados, disperses,
Arrojam-se a correr. Vão por trilhos diversos,
Esbraseando o olhar, dilatando as narinas.
Transpõem num momento os vales e as colinas,
Sobem aos alcantis, descem pelas encostas,
Recruzam-se febris em direções opostas,
Té que da presa, enfim, nos músculos cansados
Cravam com avidez os dentes afiados.
Não de outro modo, assim meus sôfregos desejos,
Em matilha voraz de alucinados beijos
Percorrem-te o primor às langorosas linhas,
As curvas juvenis, onde a volúpia aninhas,
Frescas ondulações de formas florescentes
Que o teu contorno imprime às roupas eloqüentes:
O dorso aveludado, elétrico, felino,
Que poreja um vapor aromático e fino;
O cabelo revolto em anéis perfumados,
Em fofos turbilhões, elásticos, pesados;
As fibrilhas sutis dos lindos braços brancos,
Feitos para apertar em nervosos arrancos;
A exata correção das azuladas veias,
Que palpitam, de fogo entumescidas, cheias,
— Tudo a matilha audaz perlustra, corre, aspira,
Sonda, esquadrinha, explora, e anelante respira,
Até que, finalmente, embriagada, louca,
Vai encontrar a presa — o gozo — em tua boca.
1 834
José Carlos Souza Santos
Poemeto I
Jamais eu ficaria quieto
exercendo o direito
de te olhar
a não ser
que aprisionássemos
o tempo
exercendo o direito
de te olhar
a não ser
que aprisionássemos
o tempo
1 062
Tatiana Ramminger
Espera
Espera
Aqui estou
de corpo e asas feridas
pernas e alma abertas
para você
Aqui estou
de corpo e asas feridas
pernas e alma abertas
para você
1 433
José Carlos Souza Santos
A Visão
Mirei-me na profundeza
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
dos teus olhos
negros
e desejei-me Senhor
do tempo
Vi-me alado nas tuas crinas
e o mar de desejos
por onde cavalgávamos
transformava cúmplice a branca espuma
em dossel carmin
894
Rodrigo Carvalho
Distante Perfeição
Há tempos,
sinto um desejo
que impulsiona-me a cada dia,
como agora.
Gostaria de ter tua presença,
mesmo que fosse somente para contemplar
toda esta tua beleza doce.
Não estabeleceria regras,
nem mediria as palavras.
Apenas expressaria-me para você
com todo o meu desejo.
Gostaria de por em prática
toda a perfeição do meu sentir.
Gostaria de deixar-me envolver por você
muito mais do que já estou.
E aí você já estaria envolvida.
Gostaria de ser capaz.
Apenas capaz.
Capaz de fazer com que você também sentisse o mesmo.
O mesmo sentimento que habita em mim.
Só assim você entenderia os meus desejos.
Desejos tais que não excerço domínio algum,
pois o poder deste domínio,
é só você quem possui.
Salvador, 16 maio de 1996
sinto um desejo
que impulsiona-me a cada dia,
como agora.
Gostaria de ter tua presença,
mesmo que fosse somente para contemplar
toda esta tua beleza doce.
Não estabeleceria regras,
nem mediria as palavras.
Apenas expressaria-me para você
com todo o meu desejo.
Gostaria de por em prática
toda a perfeição do meu sentir.
Gostaria de deixar-me envolver por você
muito mais do que já estou.
E aí você já estaria envolvida.
Gostaria de ser capaz.
Apenas capaz.
Capaz de fazer com que você também sentisse o mesmo.
O mesmo sentimento que habita em mim.
Só assim você entenderia os meus desejos.
Desejos tais que não excerço domínio algum,
pois o poder deste domínio,
é só você quem possui.
Salvador, 16 maio de 1996
905
Rodrigo Carvalho
Poema Quase Erótico
Começo agora a sentir.
A sentir-te,
num toque de lábios.
Sinto-te perto de mim,
com teus pequenos passos,
escorregadios,
a acariciar-me a face.
Os teus toques,
apesar de gélidos,
esquentam-me o corpo inteiro,
fazendo-me queimar,
de ternura.
E num simples tocar,
derreto-me, perco-me, distraio-me.
E tu continuas a tocar-me,
escorrendo-me pelo corpo,
fazendo-me cócegas,
excitantes.
Até que tu vais,
sem nem deixar-me saber
quem tu és.
Mas, agora,
percebendo e sentindo,
o mais íntimo dos teus toques,
começo a saber.
É como se fosse,
e é...
orvalho!
Salvador, 28 de outubro de 1996
A sentir-te,
num toque de lábios.
Sinto-te perto de mim,
com teus pequenos passos,
escorregadios,
a acariciar-me a face.
Os teus toques,
apesar de gélidos,
esquentam-me o corpo inteiro,
fazendo-me queimar,
de ternura.
E num simples tocar,
derreto-me, perco-me, distraio-me.
E tu continuas a tocar-me,
escorrendo-me pelo corpo,
fazendo-me cócegas,
excitantes.
Até que tu vais,
sem nem deixar-me saber
quem tu és.
Mas, agora,
percebendo e sentindo,
o mais íntimo dos teus toques,
começo a saber.
É como se fosse,
e é...
orvalho!
Salvador, 28 de outubro de 1996
935
Elíude Viana
Definição de Infinito:
O que dois pontos humanos
podem ser no universo dos Desejos?
Podem ser estrelas...
Podem ser bichos...
Podem ser areia...
Ou podem ser nada
- o que pode ser tudo.
podem ser no universo dos Desejos?
Podem ser estrelas...
Podem ser bichos...
Podem ser areia...
Ou podem ser nada
- o que pode ser tudo.
867
Elíude Viana
Duas Velas
Levo o infortúnio de não ter
- como os relógios -
horas eternas...
Nem a felicidade
que têm os faróis
de ficar à deriva, indefinidamente...
Sou uma Embarcação
- atracada -
querendo voar com as gaivotas.
- como os relógios -
horas eternas...
Nem a felicidade
que têm os faróis
de ficar à deriva, indefinidamente...
Sou uma Embarcação
- atracada -
querendo voar com as gaivotas.
1 046
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Poesia de Agosto
Foi em Agosto que descobri
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
1 560
Elíude Viana
Imigrante
Dos teus pés
a areia e o sal
misturam-se à água doce
em que me banho.
Chegas,
pedes paragem:
- Entra,
minha casa
não tem portas.
Atravessas-me as fronteiras...
Somes
por dentro de mim
rompendo-me a calma
e a disciplina.
a areia e o sal
misturam-se à água doce
em que me banho.
Chegas,
pedes paragem:
- Entra,
minha casa
não tem portas.
Atravessas-me as fronteiras...
Somes
por dentro de mim
rompendo-me a calma
e a disciplina.
1 067
Renato Russo
Eu sei
Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também
Eu sei
Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas
A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças e estórias
Somos pássaro novo longe do ninho
Eu sei
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também
Eu sei
Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas
A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças e estórias
Somos pássaro novo longe do ninho
Eu sei
1 460
Renato Russo
Feedback song for a dying friend
Soothe the young mans sweating forehead
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayssed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip
Tis not his hands those there but mine
And safe, my hands seek to gain
All knowledge of my masters manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone
His fiery eyes can slash savage skin
And force all seriousness away
He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival
- He will command our twin revival:
The same
Insane
Sustain
Again (the two of us so close to our own hearts)
I silenced and wrote
This is awe
Of the coincidence
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayssed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip
Tis not his hands those there but mine
And safe, my hands seek to gain
All knowledge of my masters manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone
His fiery eyes can slash savage skin
And force all seriousness away
He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival
- He will command our twin revival:
The same
Insane
Sustain
Again (the two of us so close to our own hearts)
I silenced and wrote
This is awe
Of the coincidence
1 343
Renato Russo
Daniel na cova dos leões
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo e então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão:
Teu corpo é o meu espelho e te navego
E sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo e então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão:
Teu corpo é o meu espelho e te navego
E sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.
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