Poemas neste tema
Noite e Lua
Felipe Vianna
VIDA
Dança dourado luar
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
913
Luís Vianna
CÉU
Sentado nesta pedra
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
768
Ricardo Miró
A última gaivota
Como uma franja agitada, rasgada
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
919
Elvio Romero
Tormenta
A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
1 166
Sylvia Plath
Auge
A mulher está perfeita.
Morto,
Seu corpo mostra um sorriso de satisfação
A ilusão de uma necessidade grega
Flui pelas dobras de sua toga,
Nus, seus pés
Parecem dizer:
Fomos tão longe, é o fim.
Cada criança morta, uma serpente branca
Em volta de cada
Vasilha de leite, agora vazia.
Ela abraçou
Todas em seu selo como pétalas
De uma rosa que se fecha quando o jardim
Se espessa e odores sangram
Da garganta profunda e doce de uma flor noturna.
A lua não tem nada que estar triste,
Espiando tudo de seu capuz de osso.
Ela já está acostumada a isso.
Seu lado negro avança e draga
(5 fevereiro 1963)
Morto,
Seu corpo mostra um sorriso de satisfação
A ilusão de uma necessidade grega
Flui pelas dobras de sua toga,
Nus, seus pés
Parecem dizer:
Fomos tão longe, é o fim.
Cada criança morta, uma serpente branca
Em volta de cada
Vasilha de leite, agora vazia.
Ela abraçou
Todas em seu selo como pétalas
De uma rosa que se fecha quando o jardim
Se espessa e odores sangram
Da garganta profunda e doce de uma flor noturna.
A lua não tem nada que estar triste,
Espiando tudo de seu capuz de osso.
Ela já está acostumada a isso.
Seu lado negro avança e draga
(5 fevereiro 1963)
1 374
Yeda Prates Bernis
Hai-kais
Lavadeiras de beira-rio.
Nas águas, boiando,
cores e cantos.
Na poça dágua
o gato lambe
a gota de lua.
Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.
Noite no jasmineiro.
Sobre o muro,
estrelas perfumadas.
Inúltil. A gaiola
nunca aprisiona
as penas do canto.
No porta-retrato
um tempo respira,
morto.
Nas águas, boiando,
cores e cantos.
Na poça dágua
o gato lambe
a gota de lua.
Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.
Noite no jasmineiro.
Sobre o muro,
estrelas perfumadas.
Inúltil. A gaiola
nunca aprisiona
as penas do canto.
No porta-retrato
um tempo respira,
morto.
1 054
Maria Teresa M. Carrilho
Como uma flor vermelha, a abrir
Na noite pálida
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
802
Eliana Mora
Noite de mendigo
Fui seqüestrada nas entranhas
desta noite
por uma espécie de Senhor
da madrugada
Era meu corpo a implorar
por um abrigo
tal qual imensa ilha
desgarrada
Ele insistia em relembrar mistérios
entumecia agredia
(desterrava)
E evocava um outro tipo
de tremor
Algo que fosse o avesso
(uma morada)
Amanhecia
e as plantas já secavam
daquelas gotas tão iguais às
do meu corpo
E a viagem (ante o sol)
se transformava
em mais algum delírio que
desponta
de uma louca (e tão mendiga)
madrugada
(25 de março de 1999)
desta noite
por uma espécie de Senhor
da madrugada
Era meu corpo a implorar
por um abrigo
tal qual imensa ilha
desgarrada
Ele insistia em relembrar mistérios
entumecia agredia
(desterrava)
E evocava um outro tipo
de tremor
Algo que fosse o avesso
(uma morada)
Amanhecia
e as plantas já secavam
daquelas gotas tão iguais às
do meu corpo
E a viagem (ante o sol)
se transformava
em mais algum delírio que
desponta
de uma louca (e tão mendiga)
madrugada
(25 de março de 1999)
929
Irene Lisboa
Jeito de escrever
Não sei que diga.
E a quem o dizer?
Não sei que pense.
Nada jamais soube.
Nem de mim, nem dos outros.
Nem do tempo, do céu e da terra, das coisas...
Seja do que for ou do que fosse.
Não sei que diga, não sei que pense.
Oiço os ralos queixosos, arrastados.
Ralos serão?
Horas da noite.
Noite começada ou adiantada, noite.
Como é bonito escrever!
Com este longo aparo, bonitas as letras e o gesto - o jeito.
Ao acaso, sem âncora, vago no tempo.
No tempo vago...
Ele vago e eu sem amparo.
Piam pássaros, trespassam o luto do espaço, este sereno luto das horas.
Mortas!
E por mais não ter que relatar me cerro.
Expressão antiga, epistolar: me cerro.
Tão grato é o velho, inopinado e novo.
Me cerro!
Assim: uma das mãos no papel, dedos fincados,
solta a outra, de pena expectante.
Uma que agarra, a outra que espera...
Ó ilusão!
E tudo acabou, acaba.
Para quê a busca das coisas novas, à toa e à roda?
Silêncio.
Nem pássaros já, noite morta.
Me cerro.
Ó minha derradeira composição! Do não, do nem, do nada, da ausência e
solidão.
Da indiferença.
Quero eu que o seja! da indiferença ilimitada.
Noite vasta e contínua, caminha, caminha.
Alonga-te.
A ribeira acordou.
E a quem o dizer?
Não sei que pense.
Nada jamais soube.
Nem de mim, nem dos outros.
Nem do tempo, do céu e da terra, das coisas...
Seja do que for ou do que fosse.
Não sei que diga, não sei que pense.
Oiço os ralos queixosos, arrastados.
Ralos serão?
Horas da noite.
Noite começada ou adiantada, noite.
Como é bonito escrever!
Com este longo aparo, bonitas as letras e o gesto - o jeito.
Ao acaso, sem âncora, vago no tempo.
No tempo vago...
Ele vago e eu sem amparo.
Piam pássaros, trespassam o luto do espaço, este sereno luto das horas.
Mortas!
E por mais não ter que relatar me cerro.
Expressão antiga, epistolar: me cerro.
Tão grato é o velho, inopinado e novo.
Me cerro!
Assim: uma das mãos no papel, dedos fincados,
solta a outra, de pena expectante.
Uma que agarra, a outra que espera...
Ó ilusão!
E tudo acabou, acaba.
Para quê a busca das coisas novas, à toa e à roda?
Silêncio.
Nem pássaros já, noite morta.
Me cerro.
Ó minha derradeira composição! Do não, do nem, do nada, da ausência e
solidão.
Da indiferença.
Quero eu que o seja! da indiferença ilimitada.
Noite vasta e contínua, caminha, caminha.
Alonga-te.
A ribeira acordou.
1 734
Angela Santos
Noite
Do
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo
meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito
Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…
Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo
meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito
Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…
Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.
1 079
Angela Santos
Volúpia
Noite
mansamente me convidas…
e um instante mágico
te transforma num enlace
de mulher…
E por dentro de mim
oiço só o coração…
e agitada abandono-me
à volúpia do amor na noite.
na noite…
mansamente me convidas…
e um instante mágico
te transforma num enlace
de mulher…
E por dentro de mim
oiço só o coração…
e agitada abandono-me
à volúpia do amor na noite.
na noite…
1 158
Lúcia Villares
Lua
Lua,
me ensina essa calma
branca,
sua.
Lua,
me beija a polpa da carne,
me inscreve
a maré.
(Iluminar areia
estender a onda,
é lua.)
Lua,
me ensina
essa tua cara aberta
descosida e nua.
Sua.
Lua,
me mostra
a estação das vindas,
os cestos de trigo,
a multidão dos bóias-frias.
me ensina essa calma
branca,
sua.
Lua,
me beija a polpa da carne,
me inscreve
a maré.
(Iluminar areia
estender a onda,
é lua.)
Lua,
me ensina
essa tua cara aberta
descosida e nua.
Sua.
Lua,
me mostra
a estação das vindas,
os cestos de trigo,
a multidão dos bóias-frias.
1 089
Angela Santos
Estrela Guia
Vem
comigo
descobrir a estrela
que brilha num lugar
que não sabemos
Vem
a tua mão está quente
(é bom senti-la)
sinto-me nela…
Vem
a hora tarda, cedo cai a noite
e a lua não luz
na noite que atravessamos
Olho-te,
tu foges dos meus olhos
só a tua mão me diz que estás
aqui…
Eu,
eu estou lá longe
e aqui também,
já que firme a tua
minha mão presa tem.
comigo
descobrir a estrela
que brilha num lugar
que não sabemos
Vem
a tua mão está quente
(é bom senti-la)
sinto-me nela…
Vem
a hora tarda, cedo cai a noite
e a lua não luz
na noite que atravessamos
Olho-te,
tu foges dos meus olhos
só a tua mão me diz que estás
aqui…
Eu,
eu estou lá longe
e aqui também,
já que firme a tua
minha mão presa tem.
891
Angela Santos
Lua
Nocturna
silenciosamente vens
ò Lua
deitar-te sobre o meu corpo
límpida e nua
Banhada de luar, assim
Já de mim não sou
mas tua
Ò lua, longe, miragem
digo o quê quando te digo?…
A que há-de vir
viva latejante
ao compasso do coração
descompassado
que vibra em mim
silenciosamente vens
ò Lua
deitar-te sobre o meu corpo
límpida e nua
Banhada de luar, assim
Já de mim não sou
mas tua
Ò lua, longe, miragem
digo o quê quando te digo?…
A que há-de vir
viva latejante
ao compasso do coração
descompassado
que vibra em mim
1 135
Angela Santos
Lua Prateada
Lua
poderosa, prateada lua
como um diadema
sobre a minha fronte
Lua que eu amo e me quer também
e dançando nua a dança da lua
é luz que ilumina minha noite fria
E sobre os que a amam
aos cachos derrama branca a sua luz ,
Lua prateada onde vou beber
os últimos raios que ainda
emanam ao amanhecer
poderosa, prateada lua
como um diadema
sobre a minha fronte
Lua que eu amo e me quer também
e dançando nua a dança da lua
é luz que ilumina minha noite fria
E sobre os que a amam
aos cachos derrama branca a sua luz ,
Lua prateada onde vou beber
os últimos raios que ainda
emanam ao amanhecer
1 372
Angela Santos
Vaga-lume
Se
um vaga-lume
no seu bater de asas de seda
chegasse junto da tua janela
e nesse som imperceptível que notasses
te dissesse:
Amor aqui me tens, Vaga-lume feita
adornando a tua noite cortando o silencio
com meu leve bater de asas
olhando a clara luz que me vem de ti
me atrai, cega e extenua
quando perdida na luz do meu rodopiar constante
sou vaga-lume na noite
vaga-lume, feita amante.
um vaga-lume
no seu bater de asas de seda
chegasse junto da tua janela
e nesse som imperceptível que notasses
te dissesse:
Amor aqui me tens, Vaga-lume feita
adornando a tua noite cortando o silencio
com meu leve bater de asas
olhando a clara luz que me vem de ti
me atrai, cega e extenua
quando perdida na luz do meu rodopiar constante
sou vaga-lume na noite
vaga-lume, feita amante.
1 154
Angela Santos
Lua de Prata
Sobre
areias finas,
num lugar distante
te amarei...
desaguando no teu mar
minha longa espera
e sob um por de sol,
nesse lugar que eu sei
me amarás...
Do enleio dos teus braços
cativa ser,
do teu corpo a extensão.
no teu sexo estremecer,
no teu colo repousar
adormecer.....
E se uma lua de prata
vier reflectir-se no nosso olhar,
achas acesas na noite seremos ..
e depois do amor dois lagos serenos…
dois corpos amantes espelhando à luz
almas de mulher.
areias finas,
num lugar distante
te amarei...
desaguando no teu mar
minha longa espera
e sob um por de sol,
nesse lugar que eu sei
me amarás...
Do enleio dos teus braços
cativa ser,
do teu corpo a extensão.
no teu sexo estremecer,
no teu colo repousar
adormecer.....
E se uma lua de prata
vier reflectir-se no nosso olhar,
achas acesas na noite seremos ..
e depois do amor dois lagos serenos…
dois corpos amantes espelhando à luz
almas de mulher.
1 090
Angela Santos
Dança da
Lua
No
meio da noite de uma lua prenhe,
me embalarás, cobrirás com teu corpo
e nele deixarás o sabor do teu abraço
que eu quis e esperei.
Numa noite de luar, ainda que não seja cheia
sob a clara luz das estrelas
eu dançarei para ti e beijarei tua boca
com toque de pedra rara,
incendiando o teu ser
e a noite de lua e prata.
Vi-te, não sei como e quando
e gravei em mim os contornos
que um dia me foram dados
ao jeito de revelação
Guardei-te para sempre em mim
na forma de cheiro e sabores,
tesouro que procurei nas alamedas da vida,
na escuridão dos meus dias
noutras almas que cruzei
só quero saber agora
porque ficamos à espera
de nos olharmos e ter e desvendar o mistério
do que seja o espaço e o tempo
nessa outra dimensão
em que por inteiro estejas
tu… e eu.
No
meio da noite de uma lua prenhe,
me embalarás, cobrirás com teu corpo
e nele deixarás o sabor do teu abraço
que eu quis e esperei.
Numa noite de luar, ainda que não seja cheia
sob a clara luz das estrelas
eu dançarei para ti e beijarei tua boca
com toque de pedra rara,
incendiando o teu ser
e a noite de lua e prata.
Vi-te, não sei como e quando
e gravei em mim os contornos
que um dia me foram dados
ao jeito de revelação
Guardei-te para sempre em mim
na forma de cheiro e sabores,
tesouro que procurei nas alamedas da vida,
na escuridão dos meus dias
noutras almas que cruzei
só quero saber agora
porque ficamos à espera
de nos olharmos e ter e desvendar o mistério
do que seja o espaço e o tempo
nessa outra dimensão
em que por inteiro estejas
tu… e eu.
1 095
Angela Santos
Enluarada
Meus
olhos sacodem
poeiras de sono e estrelas
que sobram da noite, suspensa na memória
onde vibram palavras surgidas da tela
como pirilampos mágicos
atravessando o ar.
E nos meus olhos mal dormidos
passam voláteis as letras,
compondo palavras, gerando emoções
como notas musicais que bailam e ecoam
nocturnas cantatas que me lembram a Lua.....
E esse dia de sol, fica enluarado....
Meus olhos cansados, esquecem seu cansaço
e aguardam de novo a noite que há - de vir,
como deusa milenar do nada surgindo
trazendo em seu seio o enlace de amantes,
que longe e tão perto
em sonhos se abraçam.
olhos sacodem
poeiras de sono e estrelas
que sobram da noite, suspensa na memória
onde vibram palavras surgidas da tela
como pirilampos mágicos
atravessando o ar.
E nos meus olhos mal dormidos
passam voláteis as letras,
compondo palavras, gerando emoções
como notas musicais que bailam e ecoam
nocturnas cantatas que me lembram a Lua.....
E esse dia de sol, fica enluarado....
Meus olhos cansados, esquecem seu cansaço
e aguardam de novo a noite que há - de vir,
como deusa milenar do nada surgindo
trazendo em seu seio o enlace de amantes,
que longe e tão perto
em sonhos se abraçam.
945
Angela Santos
Templo
Terá
que ser e acontecer
o amor que assim é
o amor que assim quer...
Terá que ser e acontecer
esse amor que do fundo vem
que nos consome e alimenta
que nos abriga, e é ninho
água de fonte que brota.
Terá que ser e acontecer
esse amor de pedras raras
de noites sem sono
enluaradas,
onde o amor que fazemos é quase oração...
E no altar o que vemos?
a alma e o corpo deitados,
unidos sem culpas, sem medos,
porque o que for amor
será sagrado!
que ser e acontecer
o amor que assim é
o amor que assim quer...
Terá que ser e acontecer
esse amor que do fundo vem
que nos consome e alimenta
que nos abriga, e é ninho
água de fonte que brota.
Terá que ser e acontecer
esse amor de pedras raras
de noites sem sono
enluaradas,
onde o amor que fazemos é quase oração...
E no altar o que vemos?
a alma e o corpo deitados,
unidos sem culpas, sem medos,
porque o que for amor
será sagrado!
1 119
Angela Santos
Flores Orvalhadas
De
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
1 150
Angela Santos
Enquanto a tarde
cai...
Ao meu lado,
na placidez da tarde que finda
Num quarto qualquer , de uma qualquer cidade
Dormes, serenamente, esquecida de tudo
(quiça de mim também)....
Fico atenta aos resquícios de claridade
Que não me deixam cair nesse torpor
Que desce até ti, decifro os ruídos
Que invadem o quarto, onde me sinto estrangeira
Não durmo, mergulho nos sinais
Que chegam do lado de fora ...
Neles procuro as coisas pequenas
Que afastam de mim os fantasmas
Que invadem a vigília
Prefiro a vida, os minúsculos
Sinais da vida, a qualquer não
no teu silencio, nas minhas omissões...
salvar a vida nesse gesto inoportuno
de rir até da tristeza que escorre das ausências.
Ao meu lado,
na placidez da tarde que finda
Num quarto qualquer , de uma qualquer cidade
Dormes, serenamente, esquecida de tudo
(quiça de mim também)....
Fico atenta aos resquícios de claridade
Que não me deixam cair nesse torpor
Que desce até ti, decifro os ruídos
Que invadem o quarto, onde me sinto estrangeira
Não durmo, mergulho nos sinais
Que chegam do lado de fora ...
Neles procuro as coisas pequenas
Que afastam de mim os fantasmas
Que invadem a vigília
Prefiro a vida, os minúsculos
Sinais da vida, a qualquer não
no teu silencio, nas minhas omissões...
salvar a vida nesse gesto inoportuno
de rir até da tristeza que escorre das ausências.
954
Angela Santos
Ancoragem
É à noite,
a noite de latidos e silêncios,
que me chega a paz possível...
A noite de estrelas que vigiam
os olhos semi-cerrados
onde repousam os sonhos
de agora e os que hei sonhado
É á noite
que me aconchego ao tempo
flutuante da memória
e ensaio o futuro
num lanço ousado
de acrobata...
É à noite,
que o navio ancorado
aos meus dias
rompe as amarras e ao largo,
pelo vento que vem do Sul,
enfuna as velas e ruma
ao lugar de onde partiu
À noite
emerge a voz que me traz
o nome de um porto antigo
onde há-de fundear a alma
e finalmente cumprir
a rota que em si traçou.
a noite de latidos e silêncios,
que me chega a paz possível...
A noite de estrelas que vigiam
os olhos semi-cerrados
onde repousam os sonhos
de agora e os que hei sonhado
É á noite
que me aconchego ao tempo
flutuante da memória
e ensaio o futuro
num lanço ousado
de acrobata...
É à noite,
que o navio ancorado
aos meus dias
rompe as amarras e ao largo,
pelo vento que vem do Sul,
enfuna as velas e ruma
ao lugar de onde partiu
À noite
emerge a voz que me traz
o nome de um porto antigo
onde há-de fundear a alma
e finalmente cumprir
a rota que em si traçou.
1 067
Angela Santos
Trans-Via
A noite caiu....
Ele desce a calçada
salto alto em equilíbrio
lábios de carmim....
e o desenho da boca
simulando o beijo
Num gesto estudado
aconchega os seios
requebra o andar
insinuando prazer
a quem passa....
A noite se alonga
na calçada fétida....
e num recanto escuro
acertado o preço
o seu corpo vende
aquele que passa..
Recompõe o vestido
retoca o carmim
espera quem passa
em busca do lado
que transgride a noite....
.. e sob um vestido
vermelho cintado
os prazeres proibidos
num recanto fétido
goza apressado.
Ele desce a calçada
salto alto em equilíbrio
lábios de carmim....
e o desenho da boca
simulando o beijo
Num gesto estudado
aconchega os seios
requebra o andar
insinuando prazer
a quem passa....
A noite se alonga
na calçada fétida....
e num recanto escuro
acertado o preço
o seu corpo vende
aquele que passa..
Recompõe o vestido
retoca o carmim
espera quem passa
em busca do lado
que transgride a noite....
.. e sob um vestido
vermelho cintado
os prazeres proibidos
num recanto fétido
goza apressado.
971