Poemas neste tema
Amor Romântico
Caio Valério Catulo
85
Odeio e amo. Quiçá queiras saber por que:
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
1 390
Castro Alves
HINO AO SONO
Ó Sono! ó noivo pálido
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústia e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo.
E teu seio fecundo
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência,
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo de viver...
Ó sono! Unge-me as pálpebras..
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha...
Minhalma é uma andorinha...
Abre-lhe o seio teu.
Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras...
Sem Ela o que é a vida?
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.
O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno...
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade,
Apaga-me esta dor.
Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito...
É minha aurora linda...
Meu anjo... mais ainda...
É minha amante enfim!
Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu,
Ouve!... E se minhas súplicas
Em breve realizares...
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústia e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo.
E teu seio fecundo
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência,
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo de viver...
Ó sono! Unge-me as pálpebras..
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha...
Minhalma é uma andorinha...
Abre-lhe o seio teu.
Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras...
Sem Ela o que é a vida?
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.
O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno...
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade,
Apaga-me esta dor.
Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito...
É minha aurora linda...
Meu anjo... mais ainda...
É minha amante enfim!
Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu,
Ouve!... E se minhas súplicas
Em breve realizares...
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!
1 687
Simone Barbariz
Crime
Testemunhas: as quatro paredes.
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.
Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,
Onde qualquer erro milimétrico,
Compromete o sucesso da missão...
Missão cumprida...
A missão foi um sucesso total,
Pois dois corpos tornaram-se um!
Não mais existia eu e você,
Mas, sim, eu-você...
Cometemos um crime perfeito!
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.
Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,
Onde qualquer erro milimétrico,
Compromete o sucesso da missão...
Missão cumprida...
A missão foi um sucesso total,
Pois dois corpos tornaram-se um!
Não mais existia eu e você,
Mas, sim, eu-você...
Cometemos um crime perfeito!
930
Camila Sintra
Tu e eu
eu entro
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
1 100
Liz Christine
Romantismo
não desejo sua dor...
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?
Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...
Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?
Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...
Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!
1 071
Maria do Carmo Lobato
Fusão
É este sentimento que a mim me une a ti, Ana,
E que brame no imenso mar infinito do meu ser,
Que a mim me sacode o peito e a mim me acende e inflama
E com ele a mim me deleito pelo teu querer.
É este sentimento enorme que em mim se derrama
E punge no meu peito e arde e por ti chama
E em chama ardente queima e eu mim fogoso chama
Teu vigoroso nome, Ana, na conclama do meu ser que o pronuncia,
E a mim transcende o corpo e a mim me invade o espírito
E me unifico em ritos e grito com tua voz,
Que cala no meu peito urdido em grã silêncio,
Quem grã fala eloqüêntica me grita nossos nós,
Fundidos em fusão catártica e autêntica,
Silêntica unifico no seio nossos sós.
E que brame no imenso mar infinito do meu ser,
Que a mim me sacode o peito e a mim me acende e inflama
E com ele a mim me deleito pelo teu querer.
É este sentimento enorme que em mim se derrama
E punge no meu peito e arde e por ti chama
E em chama ardente queima e eu mim fogoso chama
Teu vigoroso nome, Ana, na conclama do meu ser que o pronuncia,
E a mim transcende o corpo e a mim me invade o espírito
E me unifico em ritos e grito com tua voz,
Que cala no meu peito urdido em grã silêncio,
Quem grã fala eloqüêntica me grita nossos nós,
Fundidos em fusão catártica e autêntica,
Silêntica unifico no seio nossos sós.
1 110
Eliana Mora
O caminho das nuvens
Senti na pele
os dedos teus
colando em mim
um surfe estranho
a voltejar
em minhas ondas
olhando enfim para as
paisagens tão
redondas
ouvindo o som
do que de longe
já conheces
E tomas posse
do terreno
demarcado
que amanhece
todo dia
em cama fria
Porém que túmido
servil
e orvalhado
sabe mostrar das noites
frias
resultado
Terreno morno
que se tranca a esperar
que possas vir
[de alguma nuvem
despencar]
Para sorver na noite
a fonte
do esplendor
Colhermos juntos
tão sentido
e doce
amor
os dedos teus
colando em mim
um surfe estranho
a voltejar
em minhas ondas
olhando enfim para as
paisagens tão
redondas
ouvindo o som
do que de longe
já conheces
E tomas posse
do terreno
demarcado
que amanhece
todo dia
em cama fria
Porém que túmido
servil
e orvalhado
sabe mostrar das noites
frias
resultado
Terreno morno
que se tranca a esperar
que possas vir
[de alguma nuvem
despencar]
Para sorver na noite
a fonte
do esplendor
Colhermos juntos
tão sentido
e doce
amor
767
Maria do Carmo Lobato
Mulher de gigolô
Meu macho, comigo vem,
Com força bruta e arguta,
Vem penetrar na tua puta,
Fazer o que te convém.
Pois sabes que nesta luta
De amor dentro do meu peito,
Sempre foste meu eleito.
Fostes sempre o meu batuta.
Eu te entrego nas quebradas
Meu corpo e minhalma errada,
Te possuo com loucura,
Te exponho minha fratura.
Te convido pruma farra,
Te agarro com minha garra,
Em ti grudo feito sarna,
Te prendo com a minha arma.
E te digo: este amor é meu Karma,
Que com prazer vou cumprir,
Sem dele fazer alarma
Pra só contigo dormir.
Com força bruta e arguta,
Vem penetrar na tua puta,
Fazer o que te convém.
Pois sabes que nesta luta
De amor dentro do meu peito,
Sempre foste meu eleito.
Fostes sempre o meu batuta.
Eu te entrego nas quebradas
Meu corpo e minhalma errada,
Te possuo com loucura,
Te exponho minha fratura.
Te convido pruma farra,
Te agarro com minha garra,
Em ti grudo feito sarna,
Te prendo com a minha arma.
E te digo: este amor é meu Karma,
Que com prazer vou cumprir,
Sem dele fazer alarma
Pra só contigo dormir.
1 106
Mirela S. Xavier
Ela
Agora que a sede cala
com o suco
do beijo...
E o desejo fala
com o suco
do sexo...
O carinho
espera
a luz
do olhar...
com o suco
do beijo...
E o desejo fala
com o suco
do sexo...
O carinho
espera
a luz
do olhar...
655
Liz Christine
Meu brinquedo
Você quer me algemar?
Me desnudar
Me cobrir
Com beijos
Em seu olhar
Faíscam desejos
Quero te amar
Sem medo
Quero ser
Seu brinquedo
Quero te ver
Me desvendando
Me fudendo
Com amor
Estou nua
Te dizendo
Sem pudor
Me possua
Me ame sem medo
E seja meu brinquedo
Me desnudar
Me cobrir
Com beijos
Em seu olhar
Faíscam desejos
Quero te amar
Sem medo
Quero ser
Seu brinquedo
Quero te ver
Me desvendando
Me fudendo
Com amor
Estou nua
Te dizendo
Sem pudor
Me possua
Me ame sem medo
E seja meu brinquedo
1 130
Simone Barbariz
Temporal de amor
Um temporal caía lá fora
E o vento soprava forte
Relâmpagos cortavam o céu
E violentos trovões podiam ser ouvidos ao longe
A Natureza estava em fúria,
Mas nada comparado
Às cobertas desalinhadas
E dois corpos suados...
Amávamos com ardente paixão
Com um desejo de fundirmo-nos
Em um só corpo, uma só alma...
Estávamos criando nosso próprio temporal,
Nossa própria tormenta
Afogando-nos em amor...
E o vento soprava forte
Relâmpagos cortavam o céu
E violentos trovões podiam ser ouvidos ao longe
A Natureza estava em fúria,
Mas nada comparado
Às cobertas desalinhadas
E dois corpos suados...
Amávamos com ardente paixão
Com um desejo de fundirmo-nos
Em um só corpo, uma só alma...
Estávamos criando nosso próprio temporal,
Nossa própria tormenta
Afogando-nos em amor...
899
Simone Barbariz
Hemisférios
No Sul, arde o calor,
Que vai subindo por todo meu corpo,
Que vai me consumindo,
Deixando-me insana...
No Norte, há frio, há neve,
Que gela minha alma,
Que me faz tremer,
Mas não me faz chorar...
O Sul é meu sexo
Úmido e quente
Como uma floresta tropical...
O Norte é meu coração
O qual fiz uma fortaleza
Transponível, somente, por você...
Que vai subindo por todo meu corpo,
Que vai me consumindo,
Deixando-me insana...
No Norte, há frio, há neve,
Que gela minha alma,
Que me faz tremer,
Mas não me faz chorar...
O Sul é meu sexo
Úmido e quente
Como uma floresta tropical...
O Norte é meu coração
O qual fiz uma fortaleza
Transponível, somente, por você...
871
Calex Fagundes
Hotel do tempo
Tua nudez branca
exposta ao filtro de luz
da cortina de gaze.
Quarto clássico de mulher,
ambiência mítica
de mãe e sombras
ritmo de relógio na sala de jantar.
Cama larga das cambraias
alvices que se misturam
com teu corpo de mulher.
Bordados e anagramas,
pequenos quadros e bibelots,
móveis de madeira negra,
paredes de tom terroso,
piso persa e poeiras centenárias
dos tempos
nos interstícios
das tábuas corridas.
Repousas nua,
sobre o colchão dos tempos.
Repousas sobre os panos
tua beleza antiga,
tua alvura epidérmica.
Ressonas sonho
de gozo adormecido.
Contrastam...
Teus pentelhos escuros,
ralos e obscenos,
e os cabelos finos
ao ritmo da brisa,
mansa,
que adentra pela fresta
da veneziana
entreaberta.
Tuas pernas alvas
em relaxamento cósmico,
uma dobrada em ângulo
agudo para o teto alto.
Teus olhos,
ora entreabertos,
fitando terrosos, enigmáticos
em suas transparências.
Como se assistissem,
de longe, a mística cena,
do amante recostado,
numa bergère,
olhos ao vento,
a refolhar gravuras antigas
numa edição ocre, perdida,
achada nas estantes do acaso.
Tua nudez branca
espalhada na cambraia do tempo.
Perna em ângulo,
pendular em seu ir e vir.
Olhar perdido ao acaso
de encontrar o amante
ora entretido, distante,
num estelar comprimento,
que de repente pode ser nada.
Tua pele branca
tua perna que balança.
Tua boceta molhada,
ainda, do último gozo.
O relaxamento despudorado
da cumplicidade.
O olhar de pálpebras ao meio
a percorrer o quarto.
Cheiro acre de sexo,
da mistura de todos humores:
porra, gozo, água, suor, saliva,
lágrimas e sangue.
Miscigenam-se homem-mulher
na atmosfera amarela
do fim de tarde.
Brisa marinha
traz o sol do crepúsculo
na janela litorânea.
Olhos e sabores
recheiam as sensações
vívidas da tarde.
Os últimos raios ocidentais
refletidos nas águas da enseada.
A maresia dos cheiros
afasta as cortinas
do último ocaso meridional.
O amante percebe
no sabor do amontillado,
sorvido do cristal,
a necessidade cósmica
da amante receptiva.
A tua pele branca,
despida na noite.
O silêncio tomado
mas pleno de sentido.
A taça repousada,
o vinho dos desejos,
O abat-jour imprimindo
novas sombras
nas paredes da alcova.
Tua pele branca
em imperceptível fremir,
pulsa sobre os panos brancos.
A língua que escolhe um fio
e segue o caminho da noite
no hotel do tempo.
exposta ao filtro de luz
da cortina de gaze.
Quarto clássico de mulher,
ambiência mítica
de mãe e sombras
ritmo de relógio na sala de jantar.
Cama larga das cambraias
alvices que se misturam
com teu corpo de mulher.
Bordados e anagramas,
pequenos quadros e bibelots,
móveis de madeira negra,
paredes de tom terroso,
piso persa e poeiras centenárias
dos tempos
nos interstícios
das tábuas corridas.
Repousas nua,
sobre o colchão dos tempos.
Repousas sobre os panos
tua beleza antiga,
tua alvura epidérmica.
Ressonas sonho
de gozo adormecido.
Contrastam...
Teus pentelhos escuros,
ralos e obscenos,
e os cabelos finos
ao ritmo da brisa,
mansa,
que adentra pela fresta
da veneziana
entreaberta.
Tuas pernas alvas
em relaxamento cósmico,
uma dobrada em ângulo
agudo para o teto alto.
Teus olhos,
ora entreabertos,
fitando terrosos, enigmáticos
em suas transparências.
Como se assistissem,
de longe, a mística cena,
do amante recostado,
numa bergère,
olhos ao vento,
a refolhar gravuras antigas
numa edição ocre, perdida,
achada nas estantes do acaso.
Tua nudez branca
espalhada na cambraia do tempo.
Perna em ângulo,
pendular em seu ir e vir.
Olhar perdido ao acaso
de encontrar o amante
ora entretido, distante,
num estelar comprimento,
que de repente pode ser nada.
Tua pele branca
tua perna que balança.
Tua boceta molhada,
ainda, do último gozo.
O relaxamento despudorado
da cumplicidade.
O olhar de pálpebras ao meio
a percorrer o quarto.
Cheiro acre de sexo,
da mistura de todos humores:
porra, gozo, água, suor, saliva,
lágrimas e sangue.
Miscigenam-se homem-mulher
na atmosfera amarela
do fim de tarde.
Brisa marinha
traz o sol do crepúsculo
na janela litorânea.
Olhos e sabores
recheiam as sensações
vívidas da tarde.
Os últimos raios ocidentais
refletidos nas águas da enseada.
A maresia dos cheiros
afasta as cortinas
do último ocaso meridional.
O amante percebe
no sabor do amontillado,
sorvido do cristal,
a necessidade cósmica
da amante receptiva.
A tua pele branca,
despida na noite.
O silêncio tomado
mas pleno de sentido.
A taça repousada,
o vinho dos desejos,
O abat-jour imprimindo
novas sombras
nas paredes da alcova.
Tua pele branca
em imperceptível fremir,
pulsa sobre os panos brancos.
A língua que escolhe um fio
e segue o caminho da noite
no hotel do tempo.
1 295
Simone Barbariz
Soneto à luz de velas
Velas iluminavam o ambiente
E nossos olhos brilhavam
Diante nossos corpos nus e incandescentes
Impressão que as chamas davam
Começamos um jogo de exploração
Mãos percorrendo dorso
Causando inebriante sensação
Trazendo à mente um novo universo
Olhos ardendo em desejo
Bocas entre-abertas...
Meu corpo em seus braços despejo
Rolamos pelas cobertas
Pelo mundo temos desprezo,
Pois nossas almas somente para o nosso amor estão abertas...
E nossos olhos brilhavam
Diante nossos corpos nus e incandescentes
Impressão que as chamas davam
Começamos um jogo de exploração
Mãos percorrendo dorso
Causando inebriante sensação
Trazendo à mente um novo universo
Olhos ardendo em desejo
Bocas entre-abertas...
Meu corpo em seus braços despejo
Rolamos pelas cobertas
Pelo mundo temos desprezo,
Pois nossas almas somente para o nosso amor estão abertas...
1 176
Carlos J. Tavares Gomes
Retrato de mulher
Seu velado sorriso fertiliza
a paisagem estéril ao fundo
e seus olhos insinuantes
agitam meu oceano libídico.
A ausência de rosas, dálias,
papoulas, margaridas...
de flores
não afasta de você
a primavera,
mesmo após várias luas.
O retrato perde-se na moldura,
mas a mulher é o abismo de aromas,
corredor presente de vôos possíveis
onde debilmente macho
tateio meu futuro infantil.
Em suas fontes, matas,
montes e curvas de além-mar,
dedilho, navegante, a música de
toda minha existência.
a paisagem estéril ao fundo
e seus olhos insinuantes
agitam meu oceano libídico.
A ausência de rosas, dálias,
papoulas, margaridas...
de flores
não afasta de você
a primavera,
mesmo após várias luas.
O retrato perde-se na moldura,
mas a mulher é o abismo de aromas,
corredor presente de vôos possíveis
onde debilmente macho
tateio meu futuro infantil.
Em suas fontes, matas,
montes e curvas de além-mar,
dedilho, navegante, a música de
toda minha existência.
874
Calex Fagundes
Tudo
Quando eu bebo,
bebo tudo.
O licor desejado e aquele
que ainda couber...
Talvez ainda sobre espaço para beber
para anestesiar a ressaca de ontem.
Penetrar no recinto dos fantasmas
e participar dele.
Saber-se na vertigem
das perdições inconcebíveis.
Saber-se à boca da sarjeta
os restos de lua e luz
confusa, difusa
das percepções da noite.
Sim, a visita de Netuno
com seus mares
com suas águas
onde tudo pode ser e nada é.
A ingestão do âmbar
o cheiro dos perfumes...
A náusea de saber-se
uma pequena tristeza
na multidão dos seres
na noite de todos os desesperos.
Quando eu como,
como tudo.
Como se buscasse saciar
a fome do mundo.
Como não fosse o amanhã
o construtor do prato feito.
Como se fosse necessário
criar a reserva para
as sete vacas do porvir.
Quando eu amo,
amo tudo.
Eu te quero,
e quero toda.
Quero beber e comer de ti
pois é essa a verdadeira sede
e fome a ser saciada.
Pois é esse o verdadeiro desejo
e não é só de prazer.
É a real necessidade de ter tudo
da mulher que amo.
E saber-se inteiramente contido
em cada gota de esperma,
saliva, sangue ou suor
por ti e por mim derramada
imolada, ofertada...
no perfeito ato de entrega.
Sem meias porções,
sem meias sensações
sem mascarar as ilusões
e sim esculpir na carne,
construir nas porosidades
de todos interstícios
a mistura de humores
o miscigenar de espíritos.
Assim, cada vez que eu te amar,
te amarei por inteiro
e você inteira.
E na explosão
meu gozo será com o teu
para dar todo impulso
e te encontrar.
flor escancarada,
pronta para germinar
e criar dentro de ti.
Quererei ser teu
dentro de ti. Vivo.
Vivo, carne, alma.
Ser.
Todo.
Teu.
bebo tudo.
O licor desejado e aquele
que ainda couber...
Talvez ainda sobre espaço para beber
para anestesiar a ressaca de ontem.
Penetrar no recinto dos fantasmas
e participar dele.
Saber-se na vertigem
das perdições inconcebíveis.
Saber-se à boca da sarjeta
os restos de lua e luz
confusa, difusa
das percepções da noite.
Sim, a visita de Netuno
com seus mares
com suas águas
onde tudo pode ser e nada é.
A ingestão do âmbar
o cheiro dos perfumes...
A náusea de saber-se
uma pequena tristeza
na multidão dos seres
na noite de todos os desesperos.
Quando eu como,
como tudo.
Como se buscasse saciar
a fome do mundo.
Como não fosse o amanhã
o construtor do prato feito.
Como se fosse necessário
criar a reserva para
as sete vacas do porvir.
Quando eu amo,
amo tudo.
Eu te quero,
e quero toda.
Quero beber e comer de ti
pois é essa a verdadeira sede
e fome a ser saciada.
Pois é esse o verdadeiro desejo
e não é só de prazer.
É a real necessidade de ter tudo
da mulher que amo.
E saber-se inteiramente contido
em cada gota de esperma,
saliva, sangue ou suor
por ti e por mim derramada
imolada, ofertada...
no perfeito ato de entrega.
Sem meias porções,
sem meias sensações
sem mascarar as ilusões
e sim esculpir na carne,
construir nas porosidades
de todos interstícios
a mistura de humores
o miscigenar de espíritos.
Assim, cada vez que eu te amar,
te amarei por inteiro
e você inteira.
E na explosão
meu gozo será com o teu
para dar todo impulso
e te encontrar.
flor escancarada,
pronta para germinar
e criar dentro de ti.
Quererei ser teu
dentro de ti. Vivo.
Vivo, carne, alma.
Ser.
Todo.
Teu.
1 314
C. Almeida Stella
Tango
Chorava um bandoneon
Num canto de bar.
Meu vestido vermelho
O cabelo preso numa flor,
E o tango falando de amor,
Contrastavam com a luz neon.
Nossos corpos em uníssono,
Um balë tão sensual...
Movimentos em compasso,
Acompanhavam cada passo
Deste tango figurado,
Como um estranho ritual.
Batia o coração descompassado!
Teus lábios sensuais me enfetiçavam,
Tuas mãos macias brincavam em mim
Como o vento brinca, namorando
As flores de um jardim.
Teus olhos escuros, meio ciganos,
Insinuavam promessas,
Dessas, que misturam
Amor, desejo, paixão e mais, muito mais...
Um perfume no ar
E abraçado ao violino
Solitário bailarino,
O bandoneon a chorar
Um velho tango de amor,
Naquele canto de bar!
Num canto de bar.
Meu vestido vermelho
O cabelo preso numa flor,
E o tango falando de amor,
Contrastavam com a luz neon.
Nossos corpos em uníssono,
Um balë tão sensual...
Movimentos em compasso,
Acompanhavam cada passo
Deste tango figurado,
Como um estranho ritual.
Batia o coração descompassado!
Teus lábios sensuais me enfetiçavam,
Tuas mãos macias brincavam em mim
Como o vento brinca, namorando
As flores de um jardim.
Teus olhos escuros, meio ciganos,
Insinuavam promessas,
Dessas, que misturam
Amor, desejo, paixão e mais, muito mais...
Um perfume no ar
E abraçado ao violino
Solitário bailarino,
O bandoneon a chorar
Um velho tango de amor,
Naquele canto de bar!
1 047
Luiz Alberto Machado
Painel das fêmeas
A mulher jaz do meu lado
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
1 102
Ricardo Kelmer
Remanso
Espreguiçar meus olhos lentos
Pelo teu jeito manso
E se deixar assim sossegando de repente
Sem ranço a gente se chegando
Feito gato dengoso nas pernas da gente
Bocejar meus olhos sonolentos
Pelo teu corpo manso
E adormecer de descanso o meu corpo dormente
Feito remanso na gente se aninhando
Feito gato dengoso no teu colo quente
Pelo teu jeito manso
E se deixar assim sossegando de repente
Sem ranço a gente se chegando
Feito gato dengoso nas pernas da gente
Bocejar meus olhos sonolentos
Pelo teu corpo manso
E adormecer de descanso o meu corpo dormente
Feito remanso na gente se aninhando
Feito gato dengoso no teu colo quente
929
Letícia Luccheze
Uma escritora erótica aos afagos de um poeta
Na casa sem pecado se embriaga
O toque do telefone
O convite dela
O aceito dele
Satisfação e felicidade
Se embriagam
O clima se compõem
Odor, aconchego
Metafísico, afrodisíaco
Sonolenta no sofá adormece
O toque da campainha
Meia noite e trinta
O sorriso transparece
A excitação que desce e faz subir
O beijo na face
Música, pizza,
Bebida e conto
Colchão no chão
Lençol na cama
Travesseiro, almofada,
Cobertor e virou
Liberdade
O filme pornô a luz enubrece
Ela vira
Ele tira a calça
Ele vira
Ela tira a roupa
Ela parece dormir
Ele então comenta
De um beijo que deve a ela
Troca filme
Ele senta no chão
A dívida reluz
Ao seu lado
Ele deita
O beijo...
Ardente, quente,
Molhado, alucinante
Conversas diversas
Outro beijo
Ele e ela
Roupas e lençol
Ao alto
O beijo
A transfusão de desejos
Em posições...
O amanhecer
Despedida
O beijo na boca
O toque do telefone
O convite dela
O aceito dele
Satisfação e felicidade
Se embriagam
O clima se compõem
Odor, aconchego
Metafísico, afrodisíaco
Sonolenta no sofá adormece
O toque da campainha
Meia noite e trinta
O sorriso transparece
A excitação que desce e faz subir
O beijo na face
Música, pizza,
Bebida e conto
Colchão no chão
Lençol na cama
Travesseiro, almofada,
Cobertor e virou
Liberdade
O filme pornô a luz enubrece
Ela vira
Ele tira a calça
Ele vira
Ela tira a roupa
Ela parece dormir
Ele então comenta
De um beijo que deve a ela
Troca filme
Ele senta no chão
A dívida reluz
Ao seu lado
Ele deita
O beijo...
Ardente, quente,
Molhado, alucinante
Conversas diversas
Outro beijo
Ele e ela
Roupas e lençol
Ao alto
O beijo
A transfusão de desejos
Em posições...
O amanhecer
Despedida
O beijo na boca
393
Nico Fagundes
Mulher querência
Na querência do teu corpo
tem coxilhas e canhadas
cacimbas de luas claras,
matas escuras fechadas
e dois cerros de granito
com pitangas coloradas
só eu sei achar o rumo
dos atalhos e picadas
e bebo a noite em teus olhos
no frescor das tuas aguadas
e fumo a brasa escondida
das coivaras e queimadas
como quem acende um sol
no largo das madrugadas
Eu morro em ti,
e me enterro,
e ressuscito outra vez
semente chuva e mormaço,
berro de potro e de rês.
Gineteio sem espora,
faço o que ninguém fez.
Coração de ressolana
com um ovo guacho de indês.
Nas quatro luas campeiras
de volta em roda do mês:
dono, patrão, bolicheiro,
escravo, peão, e freguês.
tem coxilhas e canhadas
cacimbas de luas claras,
matas escuras fechadas
e dois cerros de granito
com pitangas coloradas
só eu sei achar o rumo
dos atalhos e picadas
e bebo a noite em teus olhos
no frescor das tuas aguadas
e fumo a brasa escondida
das coivaras e queimadas
como quem acende um sol
no largo das madrugadas
Eu morro em ti,
e me enterro,
e ressuscito outra vez
semente chuva e mormaço,
berro de potro e de rês.
Gineteio sem espora,
faço o que ninguém fez.
Coração de ressolana
com um ovo guacho de indês.
Nas quatro luas campeiras
de volta em roda do mês:
dono, patrão, bolicheiro,
escravo, peão, e freguês.
2 122
Ronilson Rocha
Sexo genérico
No ar, um cheiro doce de amor,
No chão, roupas jogadas ao léu,
Na cama, corpos suados cruzam com ardor,
Levando as nossas almas ao céu...
Sussurros e gemidos ecoam pelo recinto,
Olhares se encontram arrefecidos,
Estamos perdidos neste labirinto,
repleto de sentimentos desconhecidos...
De onde vem este estranho sentimento,
que nos faz remexer os quadris com destreza,
a esperar o gozo a qualquer momento?
Ou toda esta luxúria é coisa combinada,
Nada mais que um simples truque da natureza,
que nos impele a ter nossa espécie preservada...
No chão, roupas jogadas ao léu,
Na cama, corpos suados cruzam com ardor,
Levando as nossas almas ao céu...
Sussurros e gemidos ecoam pelo recinto,
Olhares se encontram arrefecidos,
Estamos perdidos neste labirinto,
repleto de sentimentos desconhecidos...
De onde vem este estranho sentimento,
que nos faz remexer os quadris com destreza,
a esperar o gozo a qualquer momento?
Ou toda esta luxúria é coisa combinada,
Nada mais que um simples truque da natureza,
que nos impele a ter nossa espécie preservada...
899
Wanderley da Costa Júnior
Título IV
O amor
Este moleque
Que tanto faz
Traz junto ao prazer
A segurança do látex
Que a mim reveste
E só assim
Posso entregar
Meu corpo
Ao te moleque
Este amor
Que me dá tanto prazer
E assim não me contamino
E não te corrompo
Apenas
Meu amor
Se reveste sempre de látex
Com carinho
Naturalmente
Seguramente
Confortavelmente
Este moleque
Que tanto faz
Traz junto ao prazer
A segurança do látex
Que a mim reveste
E só assim
Posso entregar
Meu corpo
Ao te moleque
Este amor
Que me dá tanto prazer
E assim não me contamino
E não te corrompo
Apenas
Meu amor
Se reveste sempre de látex
Com carinho
Naturalmente
Seguramente
Confortavelmente
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