Poemas neste tema
Amor Romântico
Jorge Gonzalez
Un día más
Un día más...
¿Cómo mirarán tus ojos?
¿Serán dulces? ¿Desalmados?
¿Críticos? ¿O apasionados
tanto que pondrán cerrojos
a deseos rezagados?
Un día más
para saber si tu textura
al momento de abrazarte,
de meterme, de palparte,
será una nueva atadura
que me impida abandonarte.
Un día más
y sabré a lo que sabe
tu boca abierta con la mía,
retozando de alegría;
deseando que nunca acabe,
sin importar qué pasaría.
Un día más...
terminar con estas ansias
que me matan de impaciencia
por fundirme con tu escencia,
revolcarme en tus entrañas,
refugiarme en tu querencia.
Un día más
y entonces ya sabremos
si he de ser tu amante eterno
mereciéndome el averno,
...o si ya jamás habremos
de intentar volver a vernos.
¿Cómo mirarán tus ojos?
¿Serán dulces? ¿Desalmados?
¿Críticos? ¿O apasionados
tanto que pondrán cerrojos
a deseos rezagados?
Un día más
para saber si tu textura
al momento de abrazarte,
de meterme, de palparte,
será una nueva atadura
que me impida abandonarte.
Un día más
y sabré a lo que sabe
tu boca abierta con la mía,
retozando de alegría;
deseando que nunca acabe,
sin importar qué pasaría.
Un día más...
terminar con estas ansias
que me matan de impaciencia
por fundirme con tu escencia,
revolcarme en tus entrañas,
refugiarme en tu querencia.
Un día más
y entonces ya sabremos
si he de ser tu amante eterno
mereciéndome el averno,
...o si ya jamás habremos
de intentar volver a vernos.
428
Alfonsina Storni
A carícia perdida
Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
1 875
Ricardo Kelmer
Desatinos
São tantos bares em teu desejo
Tantos beijos em teu se dar
Eu te procuro e só me perco
À luz neon do teu olhar
Mas hoje o meu hálito é cor de vinho
E me alinho aos deuses do que vier
Um decote ousado, um ar mordido
Você não conhece uma mulher
Me leva contigo ao mundo teu
Ensina os desatinos do mundo teu
Quero me deitar com quem te ama
Na cama do deus que me abençoar
Divide comigo a minha loucura
De te amar assim sem me atinar
A insanidade é uma criança
Sozinha, querendo brincar
Tantos beijos em teu se dar
Eu te procuro e só me perco
À luz neon do teu olhar
Mas hoje o meu hálito é cor de vinho
E me alinho aos deuses do que vier
Um decote ousado, um ar mordido
Você não conhece uma mulher
Me leva contigo ao mundo teu
Ensina os desatinos do mundo teu
Quero me deitar com quem te ama
Na cama do deus que me abençoar
Divide comigo a minha loucura
De te amar assim sem me atinar
A insanidade é uma criança
Sozinha, querendo brincar
985
Zé do Neca
Homenagem ao teu sexo
Quando nossos corpos se tocam
Mesmo por cima da roupa
Sinto o calor que vem do teu corpo
Misturando ao calor do meu
São gotas do suor
Gotas de quem esperou por esse momento
Agora, as roupas vão caindo
Revelando o sexo nervoso
Sexo endurecido
Sexo umedecido
Mãos que seguram sexo
Mãos que penetram sexo
Línguas que lambem
Sexo que arrepia
Sexos que se encontram
Enfim
Sexo que agasalha
Sexo que desbrava
Acabamos
Me deito sobre teus pêlos
Sinto o cheiro do meu sexo,
No teu
Sinto o teu cheiro misturado
Ao meu
Cheiro do gozo supremo
Cheiro do sexo
Que eu adoro
Mesmo por cima da roupa
Sinto o calor que vem do teu corpo
Misturando ao calor do meu
São gotas do suor
Gotas de quem esperou por esse momento
Agora, as roupas vão caindo
Revelando o sexo nervoso
Sexo endurecido
Sexo umedecido
Mãos que seguram sexo
Mãos que penetram sexo
Línguas que lambem
Sexo que arrepia
Sexos que se encontram
Enfim
Sexo que agasalha
Sexo que desbrava
Acabamos
Me deito sobre teus pêlos
Sinto o cheiro do meu sexo,
No teu
Sinto o teu cheiro misturado
Ao meu
Cheiro do gozo supremo
Cheiro do sexo
Que eu adoro
1 224
Xavier F. Conde
Quero fazer uma confissão
Quero fazer uma confissão esta noite
porque a noite e a rua foram jantar juntas.
Quero dizer que amo uma mulher
cujo corpo não me dá
o seu calor esta noite,
cuja ausência é um ronsel laranja.
Quero dançar com minha sombra
para que o seu rumor chegue até ela
e ela saiba que eu lhe dou a noite,
toda senhora.
Quero escrever coisas que não se esvaeçam
com o sol,
que a chuva as faça flores
que cheirem a ela.
Quero que as minhas mãos voem,
voem em silêncio
onde ela guarda os seus sonhos...
sonhos que me pertencem
porque eu lhe pertenço.
Quero que ela fique, fique sempre,
quero ser a sua voz
quero ser o seu sorriso verde,
quero ser a sua chuva no cabelo,
quero amá-la mais do que ninguém
ama ninguém.
Quero dizer-lhe, aqui e agora, que a amo
com a minha voz baixa,
com o meu ar de outono lento,
com o meu sabor de beijos possíveis.
Quero que os pássaros sejam
os meus mensageiros de saudade.
Quero que o mundo comece quando ela vir.
Quero sonhar acordado com o seu tacto entre as
minhas mãos
a percorrer ela em silêncio o meu peito
e acordar com ela junto de mim,
calada e doce.
Quero só eu dizer-lhe sentimentos
que aceleram o coração,
o seu coração apaixonado,
eu gosto da sua timidez.
Quero nadar na sua boca sem horizontes.
Quero os versos todos do planeta
a falarem dela,
versos curtos de violetas,
versos firmes de cravos,
versos perfumados de rosas.
Quero suster os seus pés no ar
e trazer ao seu peito gaivotas fiéis
que sempre deixam pegadas na praia.
Quero ser eu no seu corpo
da alva ao sol-pôr,
de lua a lua
de eternidade a eternidade.
Quero amá-la até o meu último alento.
porque a noite e a rua foram jantar juntas.
Quero dizer que amo uma mulher
cujo corpo não me dá
o seu calor esta noite,
cuja ausência é um ronsel laranja.
Quero dançar com minha sombra
para que o seu rumor chegue até ela
e ela saiba que eu lhe dou a noite,
toda senhora.
Quero escrever coisas que não se esvaeçam
com o sol,
que a chuva as faça flores
que cheirem a ela.
Quero que as minhas mãos voem,
voem em silêncio
onde ela guarda os seus sonhos...
sonhos que me pertencem
porque eu lhe pertenço.
Quero que ela fique, fique sempre,
quero ser a sua voz
quero ser o seu sorriso verde,
quero ser a sua chuva no cabelo,
quero amá-la mais do que ninguém
ama ninguém.
Quero dizer-lhe, aqui e agora, que a amo
com a minha voz baixa,
com o meu ar de outono lento,
com o meu sabor de beijos possíveis.
Quero que os pássaros sejam
os meus mensageiros de saudade.
Quero que o mundo comece quando ela vir.
Quero sonhar acordado com o seu tacto entre as
minhas mãos
a percorrer ela em silêncio o meu peito
e acordar com ela junto de mim,
calada e doce.
Quero só eu dizer-lhe sentimentos
que aceleram o coração,
o seu coração apaixonado,
eu gosto da sua timidez.
Quero nadar na sua boca sem horizontes.
Quero os versos todos do planeta
a falarem dela,
versos curtos de violetas,
versos firmes de cravos,
versos perfumados de rosas.
Quero suster os seus pés no ar
e trazer ao seu peito gaivotas fiéis
que sempre deixam pegadas na praia.
Quero ser eu no seu corpo
da alva ao sol-pôr,
de lua a lua
de eternidade a eternidade.
Quero amá-la até o meu último alento.
554
Ana Margarida Setti Rosa
Sonho
Você me beijou
como pássaro
a bicar
a flor mais linda
do jardim
buscou
os recônditos perfumados,
embebeu-se um pouco
de mim
e extasiado
jogou a cabeça para trás,
exibindo um sorriso
feliz.
como pássaro
a bicar
a flor mais linda
do jardim
buscou
os recônditos perfumados,
embebeu-se um pouco
de mim
e extasiado
jogou a cabeça para trás,
exibindo um sorriso
feliz.
368
Basilio Rodríguez Cañada
Dor de ausencia
Esta noite aflíxeme
a dor da túa ausencia;
berrei o teu nome,
arelei facerte miña,
posuíchesme,
ata me halucinares.
Crin verte,
sentín o teu corpo palpitar
ao compás das miñas cariñas.
Escoitei
como repetías
palabras de amor.
Berramos xuntos.
Acordei varias veces,
coa única escusa
de te ollar
ata máis aló do amencer.
Non foi un soño, non pode ser,
quero acreditar que non estás lonxe,
é mester non te esvaeceres
coa luz do día.
a dor da túa ausencia;
berrei o teu nome,
arelei facerte miña,
posuíchesme,
ata me halucinares.
Crin verte,
sentín o teu corpo palpitar
ao compás das miñas cariñas.
Escoitei
como repetías
palabras de amor.
Berramos xuntos.
Acordei varias veces,
coa única escusa
de te ollar
ata máis aló do amencer.
Non foi un soño, non pode ser,
quero acreditar que non estás lonxe,
é mester non te esvaeceres
coa luz do día.
1 553
Gabriel Mallet Meissner
Primeira vez
Como raios, carros riscam a rua.
Nua, a menina-mulher escuta
a luta dos motoristas embriagados,
animados pelo poder da velocidade.
"O que lhes falta é amor", pensa.
Intensa é a emoção que ela sente,
aparente calmaria; uma revolução disfarçada,
ligada à perda de uma fina película.
Criança recém-nascida para o amor,
a dor ela esquece para degustar do prazer
e sorver da paixão que lhe é oferecida:
bebida transcendente de sabor de êxtase.
Observa seu amante saindo do banheiro,
cujo cheiro de macho espalha-se pelo quarto
farto dos desejos ternos e ardentes
de serpentes recentemente entrelaçadas.
Ele se senta ao seu lado na cama-ninho
e vinho derrama em ambos os corpos,
agora copos de dionisíaca bebida,
sorvida pelas línguas às peles tocadas.
O momento é uma introdução para a repetição
à exaustão do novo exercício revelado.
Alado, Cupido voa pela janela satisfeito
pelo leito que fez ser bem aproveitado.
Nua, a menina-mulher escuta
a luta dos motoristas embriagados,
animados pelo poder da velocidade.
"O que lhes falta é amor", pensa.
Intensa é a emoção que ela sente,
aparente calmaria; uma revolução disfarçada,
ligada à perda de uma fina película.
Criança recém-nascida para o amor,
a dor ela esquece para degustar do prazer
e sorver da paixão que lhe é oferecida:
bebida transcendente de sabor de êxtase.
Observa seu amante saindo do banheiro,
cujo cheiro de macho espalha-se pelo quarto
farto dos desejos ternos e ardentes
de serpentes recentemente entrelaçadas.
Ele se senta ao seu lado na cama-ninho
e vinho derrama em ambos os corpos,
agora copos de dionisíaca bebida,
sorvida pelas línguas às peles tocadas.
O momento é uma introdução para a repetição
à exaustão do novo exercício revelado.
Alado, Cupido voa pela janela satisfeito
pelo leito que fez ser bem aproveitado.
1 098
Ricardo Kelmer
Demais
E nós que acordamos tarde
E rimos das manchetes matinais
O mundo é tão sério
O mundo lá fora tanto faz
E nós que nos gozamos demais
E nós que não cremos na felicidade
Dessas pessoas tão normais
A vizinha todo dia assiste
Nossas cenas principais
Pane no elevador nos satisfaz
E nós que não sabemos
Do preço das salas comerciais
Mas alugamos nossos corpos
Pro amor que a noite traz
E não nos deixamos em paz
E nós que amamos nos telhados
Das crises internacionais
Nossos hálitos na vidraça
Ainda se beijam demais
E nós que nos bastamos demais
E rimos das manchetes matinais
O mundo é tão sério
O mundo lá fora tanto faz
E nós que nos gozamos demais
E nós que não cremos na felicidade
Dessas pessoas tão normais
A vizinha todo dia assiste
Nossas cenas principais
Pane no elevador nos satisfaz
E nós que não sabemos
Do preço das salas comerciais
Mas alugamos nossos corpos
Pro amor que a noite traz
E não nos deixamos em paz
E nós que amamos nos telhados
Das crises internacionais
Nossos hálitos na vidraça
Ainda se beijam demais
E nós que nos bastamos demais
880
Isabel Machado
Sugar
Me dá meu beijo
me suga feito redemoinho
para o centro da luz
que me espera
Sem pressa
e guloso ao mesmo tempo
sem tempo de esperar
como quem vai morrer amanhã
Deixa encravado na pele
o cheiro da manhã
a nos envolver
a enternecer tanta vida
que suspira
que reflete
em cada ato
em cada tato
em cada canto
do meu quarto
me suga feito redemoinho
para o centro da luz
que me espera
Sem pressa
e guloso ao mesmo tempo
sem tempo de esperar
como quem vai morrer amanhã
Deixa encravado na pele
o cheiro da manhã
a nos envolver
a enternecer tanta vida
que suspira
que reflete
em cada ato
em cada tato
em cada canto
do meu quarto
918
Mariana Ferreira
Sonho e poesia
Te vendo ali deitado
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...
Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...
Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...
Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...
Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...
Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...
E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...
E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...
E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...
E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...
Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...
Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...
Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...
Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...
Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...
Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...
E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...
E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...
E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...
E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...
Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!
1 147
Darcy Ribeiro
Aquela
Minha amada é de carne, de pele e pêlo.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
Ela é flor, é fruto, é folha, é tronco.
Também é pão, é sal e manga-rosa.
Minha amada é cidade de ruas e pontes.
É jardim de arrancar flores pelo talo.
Ela é boazuda e é bela como uma fera.
Minha amada é lúbrica, é casta, é catinguenta.
Minha amada tem bocas e bocas de sorver,
de sugar, de espremer, de comer.
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
Ela é flor, é fruto, é folha, é tronco.
Também é pão, é sal e manga-rosa.
Minha amada é cidade de ruas e pontes.
É jardim de arrancar flores pelo talo.
Ela é boazuda e é bela como uma fera.
Minha amada é lúbrica, é casta, é catinguenta.
Minha amada tem bocas e bocas de sorver,
de sugar, de espremer, de comer.
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá.
1 334
Pedro Miranda
Te molhar
Quem me dera ser água
Água de suor
Água de banho
Água de chuva
Água de lágrima para rolar em teu corpo
te sentir
te molhar
e depois meu corpo ser sol para te secar.
Água de suor
Água de banho
Água de chuva
Água de lágrima para rolar em teu corpo
te sentir
te molhar
e depois meu corpo ser sol para te secar.
969
José Miguel Alves
Pus o mar
pus
o
mar
no
teu ouvido
e jurei
palavras
vazadas
como aquelas
que juraste em gozo
na noite
do primeiro encontro.
o
mar
no
teu ouvido
e jurei
palavras
vazadas
como aquelas
que juraste em gozo
na noite
do primeiro encontro.
952
Camila Sintra
O mínimo de nós dois
No pequeno espaço
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do desejo
que nos guia um para o outro
Na ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam e fundem-se os hormônios
da nossa química mais secreta
No mínimo silêncio
onde somente nossos corpos falam
deslizam mãos em carícias
de tatos cegos que tudo dizem
No fugaz e eterno momento
da consumação de nosso amor
gritam gargantas no gozo do prazer
da quase dor desse explodir...
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do desejo
que nos guia um para o outro
Na ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam e fundem-se os hormônios
da nossa química mais secreta
No mínimo silêncio
onde somente nossos corpos falam
deslizam mãos em carícias
de tatos cegos que tudo dizem
No fugaz e eterno momento
da consumação de nosso amor
gritam gargantas no gozo do prazer
da quase dor desse explodir...
859
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Raízes
enfio
meu pau em sua vagina
enraízo
sou falo
és a terra de minhas raízes
a nutrir o gozo
sou tronco
enfiado na terra de seu corpo
sou raiz
és o solo
eu apenas o agregado
és chupa
onde deposito minhas sementes
vestígios
que escoam na geratriz
meu pau em sua vagina
enraízo
sou falo
és a terra de minhas raízes
a nutrir o gozo
sou tronco
enfiado na terra de seu corpo
sou raiz
és o solo
eu apenas o agregado
és chupa
onde deposito minhas sementes
vestígios
que escoam na geratriz
950
Pedro Miranda
Corpo memória
(Dedicado a Inês Mendes)
Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.
Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.
987
Jorge Lúcio de Campos
Retrato de Regina num quimono preto
(a Steve Hawley)
Pouco a ver ou
a dizer daqueles
seios de Alechinsky –
as coisas do mundo
a argila quente do dia
Pouco a ver ou
a dizer daquele
queixo de Rodchenko
– um eu-te-amo de
delírio reencontrado
(um pouco a língua e
a nuca por completo)
Ao redor daquelas
patas de Tanguy
só cabeça, tronco
e membros
Pouco a ver ou
a dizer daqueles
seios de Alechinsky –
as coisas do mundo
a argila quente do dia
Pouco a ver ou
a dizer daquele
queixo de Rodchenko
– um eu-te-amo de
delírio reencontrado
(um pouco a língua e
a nuca por completo)
Ao redor daquelas
patas de Tanguy
só cabeça, tronco
e membros
838
Patrícia Clemente
Devoção
Molhados um do outro nossos corpos são,
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.
Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.
Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.
Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.
Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.
994
Cláudio de F. Barbosa
Sedução
Para Sandra P.
Rubras faces
Rubros lábios
molhados
Caio de joelhos
cai a fina camisola perfumada
Inebriante
mais que o melhor néctar
e sem mais...
Te seduzo!
Abuso,
Lambuzo tudo
com meu arfar molhado
com leite e mel romano
com palavras e defeitos.
Mundano,
Humano...
Te seduzo!
Com carinho.
Delicada porcelana.
te envolvo e te engano.
Há malícia no ar.
A vontade inundando tudo
a nós...
mas ainda não!
Te seduzo!
Seus olhos já não estão em mim.
Estão fechados, advinhando
meus toques.
Suas mãos suadas
Me conduzindo...
... aprendo seu corpo.
Te seduzo!
Cada pêlo
cada poro,
cada milímetro quadrado
dessa tez morena
implorará por mim
E de repente afundo
Reparo, então
que no fim do fundo
não mais seduzo...
Seduzido me confundo,
com você.
Rubras faces
Rubros lábios
molhados
Caio de joelhos
cai a fina camisola perfumada
Inebriante
mais que o melhor néctar
e sem mais...
Te seduzo!
Abuso,
Lambuzo tudo
com meu arfar molhado
com leite e mel romano
com palavras e defeitos.
Mundano,
Humano...
Te seduzo!
Com carinho.
Delicada porcelana.
te envolvo e te engano.
Há malícia no ar.
A vontade inundando tudo
a nós...
mas ainda não!
Te seduzo!
Seus olhos já não estão em mim.
Estão fechados, advinhando
meus toques.
Suas mãos suadas
Me conduzindo...
... aprendo seu corpo.
Te seduzo!
Cada pêlo
cada poro,
cada milímetro quadrado
dessa tez morena
implorará por mim
E de repente afundo
Reparo, então
que no fim do fundo
não mais seduzo...
Seduzido me confundo,
com você.
896
Virgínia Schall
Beijo
sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
1 041
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Orgasmo
beijo seus pêlos
até um pentelho descansar entredentes
chupo seu clitóris
com sabor de licor de chocolate
enfio meu gozo dentro de seu poço
e relaxo
língua com língua
até um pentelho descansar entredentes
chupo seu clitóris
com sabor de licor de chocolate
enfio meu gozo dentro de seu poço
e relaxo
língua com língua
1 256