Poemas neste tema
Amor Romântico
Alex Bartalotti
Pensamentos esquecidos
Deixa eu poder te mostrar
os lindos castelos do lado de lá
os sonhos mais belos que o mar vai banhar
abraçados aos braços da luz do luar
Deixa eu poder lamentar
os pensamentos esquecidos que me fez faltar
os momentos deixados para o tempo gastar
os seus beijos derradeiros de tanto te amar
Deixa eu poder chorar
as lágrimas, harmonias e poesias
todas que um dia aspiravam te encantar
e que no dia você viu sem mesmo notar
Deixa eu poder reviver
aquele seu jeito mais lindo de ser
e quando no final mal pode se conter
as lágrimas que falam o que se vai sofrer
Mas vai garota, saibas esperar
fazes de tua beleza uma estrela a brilhar
enquanto esperas o mundo te mostrar
a constância do dia que você vai raiar
Vai, levante o rosto pois da vida é curto
o tempo de sorrir, e não há de chorar
A vida não perdoa e não olha pra trás
nos convence em destruir a nossa que jáz
Mas vai em frente, saiba se orgulhar
nossas águas já correram até o mais belo mar
nossas mágoas já merreram ao último olhar
mas nosso amor jamais merecia se separar
Pôr isso se um dia seu coração se emocionar
por alguma semente trazida pelo vento
anseies de um dia ela desabrochar
legado de meu contentamento.
os lindos castelos do lado de lá
os sonhos mais belos que o mar vai banhar
abraçados aos braços da luz do luar
Deixa eu poder lamentar
os pensamentos esquecidos que me fez faltar
os momentos deixados para o tempo gastar
os seus beijos derradeiros de tanto te amar
Deixa eu poder chorar
as lágrimas, harmonias e poesias
todas que um dia aspiravam te encantar
e que no dia você viu sem mesmo notar
Deixa eu poder reviver
aquele seu jeito mais lindo de ser
e quando no final mal pode se conter
as lágrimas que falam o que se vai sofrer
Mas vai garota, saibas esperar
fazes de tua beleza uma estrela a brilhar
enquanto esperas o mundo te mostrar
a constância do dia que você vai raiar
Vai, levante o rosto pois da vida é curto
o tempo de sorrir, e não há de chorar
A vida não perdoa e não olha pra trás
nos convence em destruir a nossa que jáz
Mas vai em frente, saiba se orgulhar
nossas águas já correram até o mais belo mar
nossas mágoas já merreram ao último olhar
mas nosso amor jamais merecia se separar
Pôr isso se um dia seu coração se emocionar
por alguma semente trazida pelo vento
anseies de um dia ela desabrochar
legado de meu contentamento.
929
André Ricardo Aguiar
Haicai
minúscula caixinha, amor,
- templo que não se escreve dó
mas a primeira nota
- templo que não se escreve dó
mas a primeira nota
975
Aureliano Lessa
Tu
Teus olhos são como a noite
Trevas e luz;
Ó anjo, o céu em teus olhos
Se reproduz!
Tua alma inda não conhece
Teu coração;
Rubor que te acende as faces
É sem razão.
Inocente, quem gozara
Contigo o céu!
Quem dos amores contigo
Rasgara o véu!
Quem descerrara teus lábios
Cum doce beijo!...
Dizendo: — amor — e em teus olhos
Via um desejo!
Tua face é como a aurora
Púrpura e luz!
Ó anjo, a aurora em teu rosto
Se reproduz!
Quero viver em teus olhos
Ó inocente!
Quero adorar-te prostrado
Eternamente!
Trevas e luz;
Ó anjo, o céu em teus olhos
Se reproduz!
Tua alma inda não conhece
Teu coração;
Rubor que te acende as faces
É sem razão.
Inocente, quem gozara
Contigo o céu!
Quem dos amores contigo
Rasgara o véu!
Quem descerrara teus lábios
Cum doce beijo!...
Dizendo: — amor — e em teus olhos
Via um desejo!
Tua face é como a aurora
Púrpura e luz!
Ó anjo, a aurora em teu rosto
Se reproduz!
Quero viver em teus olhos
Ó inocente!
Quero adorar-te prostrado
Eternamente!
1 459
Antonio Ferreira dos Santos Júnior
Nossa Senhora da Piedade
Acolho-te em meus braços
Corpo exangue no cansaço
Dos beijos e da comunhão.
És agora o filho que não tive:
Pernas distanciadas, flexionadas
Sobre meu corpo em solidão.
Foi tão profundo o encontro
Foi tão dor e alegria
E o momento eterno, agonia.
Não te vejo mais como humano,
Teus olhos semi - cerrados ardem
Na antiga posse já redimida.
Não te vejo mais como irmão,
Tua boca semi - aberta, dentes
Que foram instrumentos de paixão.
Foste um Deus em meu caminho,
Jato de luz, campo de flores e carinhos,
Plenitude de êxtase e desejos.
Foste um Deus vivo em minha vida
E agora, lasso, te sustento em meu abraço,
Homem que se entregou ao longe do espaço...
Corpo exangue no cansaço
Dos beijos e da comunhão.
És agora o filho que não tive:
Pernas distanciadas, flexionadas
Sobre meu corpo em solidão.
Foi tão profundo o encontro
Foi tão dor e alegria
E o momento eterno, agonia.
Não te vejo mais como humano,
Teus olhos semi - cerrados ardem
Na antiga posse já redimida.
Não te vejo mais como irmão,
Tua boca semi - aberta, dentes
Que foram instrumentos de paixão.
Foste um Deus em meu caminho,
Jato de luz, campo de flores e carinhos,
Plenitude de êxtase e desejos.
Foste um Deus vivo em minha vida
E agora, lasso, te sustento em meu abraço,
Homem que se entregou ao longe do espaço...
1 091
Adriana Lustosa
Tenho que esperar
Tenho que esperar
o outono
o sopro divino
que o intransitivo verbo
se complete.
Esperar, esperar
o sorriso cotidiano
um sentido
Me espera!
Finge que me ama
e solta o trilho
do trem que vem vazio
Você dispara o revólver
e acerta o futuro
ficamos
eu, na corda bamba
você, no muro.
E se falhar o amor
que outra fantasia invento?
E se o lobo ávido
der comigo sedenta e ambigua
e não me reconhecer?
Se falhar o construção
aproveito-me da linguagem:
minto.
Soa falso esse sino
Blém blém no meu peito
No meu peito esse sino
Blém, blém. Blém, blém.
O peito campanério de um amor suspeito
Aflita fico.
Soa falso esse sino
Blém bém no meu peito.
De amores morreu Dolores;
das cores, das dores,
da vida levou flores.
Não vinga a vida:
Morre Dolores.
No peito um amor quase sem cor;
quase dor,
flor despetalando sem perdão.
De luto espero aflito pelo seu caixão.
Na noite enluarada sinto frio.
mato Dolores dentro de mim
e conheço Augusta.
o outono
o sopro divino
que o intransitivo verbo
se complete.
Esperar, esperar
o sorriso cotidiano
um sentido
Me espera!
Finge que me ama
e solta o trilho
do trem que vem vazio
Você dispara o revólver
e acerta o futuro
ficamos
eu, na corda bamba
você, no muro.
E se falhar o amor
que outra fantasia invento?
E se o lobo ávido
der comigo sedenta e ambigua
e não me reconhecer?
Se falhar o construção
aproveito-me da linguagem:
minto.
Soa falso esse sino
Blém blém no meu peito
No meu peito esse sino
Blém, blém. Blém, blém.
O peito campanério de um amor suspeito
Aflita fico.
Soa falso esse sino
Blém bém no meu peito.
De amores morreu Dolores;
das cores, das dores,
da vida levou flores.
Não vinga a vida:
Morre Dolores.
No peito um amor quase sem cor;
quase dor,
flor despetalando sem perdão.
De luto espero aflito pelo seu caixão.
Na noite enluarada sinto frio.
mato Dolores dentro de mim
e conheço Augusta.
1 030
André Carvalheira
O Sítio
O Sítio
Em cada canto da casa, teu cheiro felino
Em tudo reluz
Nas folhas, teus cabelos embaraçam
No vento, teu som-só sopra prazeres
Nágua, teu corpo escorre segredos
Nas pedras, teus pés nus-húmidos gozam
Em cada canto de mim, teu cheiro felino
Em tudo reluz
Em cada canto da casa, teu cheiro felino
Em tudo reluz
Nas folhas, teus cabelos embaraçam
No vento, teu som-só sopra prazeres
Nágua, teu corpo escorre segredos
Nas pedras, teus pés nus-húmidos gozam
Em cada canto de mim, teu cheiro felino
Em tudo reluz
931
Adriana Lustosa
Linguística
Um ponto
eu pensei que fosse o fim de tudo.
Depois do hiato,
vi romper a intercalação do desejo,
essa vírgula e a surpresa.
Você me beijou
ficou no ar aquela imensa interrogação,
efeito da linguística
Apenas começavamos um novo parágrafo
mas eu não sabia,
imaginei coisas tolas sobre a língua.
Não tive palavras para disfarçar
meu falso cognato
ao invés de gritar
quase silencio de uma vez por todas
A poesia fez as vozes do meu coração
Apertei a gramática
com alguns métodos pouco ortodoxos
consegui um ponto final
que não terminou com o q já existia.
Daí, então, fiz a vez de poeta romântico,
num português impecável;
entre um beijo e outro
consegui dizer: eu te amo.
E outras tantas coisas
Depois esqueci do ponto e da vírgula:
resolvi ser professor de matemática.
eu pensei que fosse o fim de tudo.
Depois do hiato,
vi romper a intercalação do desejo,
essa vírgula e a surpresa.
Você me beijou
ficou no ar aquela imensa interrogação,
efeito da linguística
Apenas começavamos um novo parágrafo
mas eu não sabia,
imaginei coisas tolas sobre a língua.
Não tive palavras para disfarçar
meu falso cognato
ao invés de gritar
quase silencio de uma vez por todas
A poesia fez as vozes do meu coração
Apertei a gramática
com alguns métodos pouco ortodoxos
consegui um ponto final
que não terminou com o q já existia.
Daí, então, fiz a vez de poeta romântico,
num português impecável;
entre um beijo e outro
consegui dizer: eu te amo.
E outras tantas coisas
Depois esqueci do ponto e da vírgula:
resolvi ser professor de matemática.
968
Antero Coelho Neto
De Novo A Vida
Depois de um sopro,
de novo a vida.
Depois da grande inércia,
novamente o fluxo.
Depois dos tempos de nada,
novamente a emoção.
Depois da grande ausência,
a enorme alegria do movimento.
Depois de um enorme vácuo,
eis que sou alguém outra vez.
De repente,
o pulsar do sangue,
novamente,
rápido,
o coração a bater,
o sangue a correr.
Vivo de novo,
eu conheci você!
de novo a vida.
Depois da grande inércia,
novamente o fluxo.
Depois dos tempos de nada,
novamente a emoção.
Depois da grande ausência,
a enorme alegria do movimento.
Depois de um enorme vácuo,
eis que sou alguém outra vez.
De repente,
o pulsar do sangue,
novamente,
rápido,
o coração a bater,
o sangue a correr.
Vivo de novo,
eu conheci você!
1 155
Antonio de Deus Teles Filho
Olhos
Nos seus olhos,
a beleza de sua serenidade,
sua sensibilidade.
Na sua face,
o encanto cativante
e sedutor do seu sorriso.
Os movimentos do seu corpo,
despertando em mim
um sentimento forte
e bom como a luz que você irradia.
Nos nossos passos,
o rítmo de nossas vidas,
querendo durar acima do tempo
e eternizar-se na quietude da noite.
a beleza de sua serenidade,
sua sensibilidade.
Na sua face,
o encanto cativante
e sedutor do seu sorriso.
Os movimentos do seu corpo,
despertando em mim
um sentimento forte
e bom como a luz que você irradia.
Nos nossos passos,
o rítmo de nossas vidas,
querendo durar acima do tempo
e eternizar-se na quietude da noite.
921
Marcial
VIII, 46 - AO JOVEM QUESTO
Quanta pureza a tua, e quão pueris as formas,
Mais casto do que Hipólito, ó tão jovem Questo!
Diana te quer, e Dóris quer nadar contigo,
Cibele te prefere, inteiro que és, ao Frígio.
A Ganimedes podes suceder no leito,
Mas firme não darás a Jove mais que beijos.
Feliz quem te ferir, esposa, tal doçura,
E quem, virgem, de ti fizer, primeiro, um homem.
Mais casto do que Hipólito, ó tão jovem Questo!
Diana te quer, e Dóris quer nadar contigo,
Cibele te prefere, inteiro que és, ao Frígio.
A Ganimedes podes suceder no leito,
Mas firme não darás a Jove mais que beijos.
Feliz quem te ferir, esposa, tal doçura,
E quem, virgem, de ti fizer, primeiro, um homem.
713
Torquato Tasso
VITA DE LA MIA VITA
Vida da minha vida,
tu me pareces azeitona pálida,
ou bem uma rosa esquálida,
mas de beleza és diva,
e em qualquer modo sempre me és querida,
ou anelante, ou esquiva;
e quer fujas, quer sigas,
suavemente me destróis e obrigas.
tu me pareces azeitona pálida,
ou bem uma rosa esquálida,
mas de beleza és diva,
e em qualquer modo sempre me és querida,
ou anelante, ou esquiva;
e quer fujas, quer sigas,
suavemente me destróis e obrigas.
1 530
Maurice Scève
COMO DOS RAIOS DESTE SOL FORMOSO
Como dos raios deste Sol formoso
Toma alimento a flor na Primavera
Me sinto bem à luz dos olhos teus,
E longe e perto deles, persevero.
De modo que, gentil, meu Coração
Me deixa vê-la nesta mesma essência,
Como o Olhar me faria, ela presente,
Cuja beleza, perseguindo, adoro:
Por isso, em nada afeta a sua ausência,
Pois, sem querer, eu vou sempre a seu lado.
Toma alimento a flor na Primavera
Me sinto bem à luz dos olhos teus,
E longe e perto deles, persevero.
De modo que, gentil, meu Coração
Me deixa vê-la nesta mesma essência,
Como o Olhar me faria, ela presente,
Cuja beleza, perseguindo, adoro:
Por isso, em nada afeta a sua ausência,
Pois, sem querer, eu vou sempre a seu lado.
1 073
Ovídio
FRAGMENTO
Era intenso o calor, passava do meio-dia;
Estava eu em minha cama repousando.
[...] Eis que vem Corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica; de tão tênue mal contava:
Ela lutou todavia por cobrir-se
Com a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante dos meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos!
Os amores, V:
12,9-26
Estava eu em minha cama repousando.
[...] Eis que vem Corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica; de tão tênue mal contava:
Ela lutou todavia por cobrir-se
Com a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante dos meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos!
Os amores, V:
12,9-26
1 118
Alfred Edward Housman
IN THE MORNING
De manhã, pela manhã,
No feliz campo de feno,
Oh, fitaram-se um ao outro
À luz do dia sereno.
Na manhã de azul e prata
Sobre o feno se deitavam,
Oh, fitaram-se um ao outro,
E seus olhares desviavam.
No feliz campo de feno,
Oh, fitaram-se um ao outro
À luz do dia sereno.
Na manhã de azul e prata
Sobre o feno se deitavam,
Oh, fitaram-se um ao outro,
E seus olhares desviavam.
1 448
Konstantínos Kaváfis
CINZENTOS
CINZENTOS
Ao olhar uma opala meio cinzenta
lembrei-me de dois belos olhos cinzentos
que vi; haverá uns vinte anos...
.........................
Durante um mês amámo-nos.
Foi-se embora depois creio que para Esmirna,
para lá trabalhar, e nunca mais nos vimos.
Ter-se-ão desfeado - se vive - os olhos cinzentos;
ter-se-á estragado o belo rosto.
Memória minha, guarda-os tu tais como eram.
E, memória, o que podes deste meu amor,
o que podes traz-me de volta esta noite.
Ao olhar uma opala meio cinzenta
lembrei-me de dois belos olhos cinzentos
que vi; haverá uns vinte anos...
.........................
Durante um mês amámo-nos.
Foi-se embora depois creio que para Esmirna,
para lá trabalhar, e nunca mais nos vimos.
Ter-se-ão desfeado - se vive - os olhos cinzentos;
ter-se-á estragado o belo rosto.
Memória minha, guarda-os tu tais como eram.
E, memória, o que podes deste meu amor,
o que podes traz-me de volta esta noite.
1 670
Poemas Sânscritos
DE AMARU
1
- Aonde vais pela alta noite dentro?
- Encontrar-me com quem me é vida e morte.
- E não tens medo de sair tão só?
- Sozinha? Eu? Se vai comigo o amor!
- Aonde vais pela alta noite dentro?
- Encontrar-me com quem me é vida e morte.
- E não tens medo de sair tão só?
- Sozinha? Eu? Se vai comigo o amor!
899
Gaio Petrónio Árbitro
FOEDA EST IN COITUS
Brutal na posse e é breve uma volúpia,
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.
1 001
T. S. Eliot
UMA DEDICATÓRIA A MINHA ESPOSA
A quem devo o súbito prazer
Que me estimula os sentidos nas horas acordadas
E o ritmo que nos governa o repouso nas horas dormidas,
A respiração em uníssono
Dos amantes cujos corpos cheiram um ao outro
Que pensam os mesmo pensamentos sem precisar de palavras
E balbuciam as mesmas palavras sem precisar de sentido.
Nenhum vento de inverno impertinente vai gelar
Nenhum sol de trópico rabugento vai fazer murchar
As rosas no rosal que é nosso que é só nosso
Mas esta dedicatória é para outros lerem:
São palavras reservadas dirigidas a você em público.
Que me estimula os sentidos nas horas acordadas
E o ritmo que nos governa o repouso nas horas dormidas,
A respiração em uníssono
Dos amantes cujos corpos cheiram um ao outro
Que pensam os mesmo pensamentos sem precisar de palavras
E balbuciam as mesmas palavras sem precisar de sentido.
Nenhum vento de inverno impertinente vai gelar
Nenhum sol de trópico rabugento vai fazer murchar
As rosas no rosal que é nosso que é só nosso
Mas esta dedicatória é para outros lerem:
São palavras reservadas dirigidas a você em público.
3 048
W. H. Auden
BLUES FÚNEBRES
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz se engana.
É hora de apagar estrelas - são molestas -
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz se engana.
É hora de apagar estrelas - são molestas -
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
2 178
Castro Alves
HINO AO SONO
Ó Sono! ó noivo pálido
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústia e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo.
E teu seio fecundo
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência,
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo de viver...
Ó sono! Unge-me as pálpebras..
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha...
Minhalma é uma andorinha...
Abre-lhe o seio teu.
Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras...
Sem Ela o que é a vida?
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.
O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno...
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade,
Apaga-me esta dor.
Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito...
É minha aurora linda...
Meu anjo... mais ainda...
É minha amante enfim!
Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu,
Ouve!... E se minhas súplicas
Em breve realizares...
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústia e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo.
E teu seio fecundo
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência,
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo de viver...
Ó sono! Unge-me as pálpebras..
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha...
Minhalma é uma andorinha...
Abre-lhe o seio teu.
Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras...
Sem Ela o que é a vida?
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.
O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno...
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade,
Apaga-me esta dor.
Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito...
É minha aurora linda...
Meu anjo... mais ainda...
É minha amante enfim!
Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu,
Ouve!... E se minhas súplicas
Em breve realizares...
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!
1 698
Lord Byron
SO, WELL GO NO MORE A-ROVING
Não mais prazer nos daremos
até a noite acabar,
se bem que inda nos amemos
e como antes brilhe o luar.
A espada à bainha gasta,
as almas cansam o seio.
Coração que não se afasta
pode até ficar em meio.
Para o amor a noite é feita,
e depressa chega o dia.
Mas o prazer nos enjeita
à luz da lua sombria.
até a noite acabar,
se bem que inda nos amemos
e como antes brilhe o luar.
A espada à bainha gasta,
as almas cansam o seio.
Coração que não se afasta
pode até ficar em meio.
Para o amor a noite é feita,
e depressa chega o dia.
Mas o prazer nos enjeita
à luz da lua sombria.
1 277
Caio Valério Catulo
85
Odeio e amo. Quiçá queiras saber por que:
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
1 424
Alfred Edward Housman
IF TRUTH IN HEARTS
Se o vero em peitos mortais
Movesse os altos poderes,
O grande amor que te tenho
Não deixara tu morreres.
Sim: que se um firme sentido
Um pensar puro salvara,
Podia o mundo acabar,
Que a ti ninguém enterrara.
Este longo e fundo querer
Tal desejo de agradar-te
- Ai para sempre vivias,
Se pudesse isto salvar-te.
Mas porque nada é assim,
Sê gentil ainda comigo,
Antes que partas pra onde
Não terás melhor amigo.
Movesse os altos poderes,
O grande amor que te tenho
Não deixara tu morreres.
Sim: que se um firme sentido
Um pensar puro salvara,
Podia o mundo acabar,
Que a ti ninguém enterrara.
Este longo e fundo querer
Tal desejo de agradar-te
- Ai para sempre vivias,
Se pudesse isto salvar-te.
Mas porque nada é assim,
Sê gentil ainda comigo,
Antes que partas pra onde
Não terás melhor amigo.
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