Poemas neste tema
Saudade e Ausência
Angela Santos
Secreta Morada
Vem,
e assume a força de um grito amordaçado,
irrompe nas minhas veias, lateja na minha cabeça
e no meu peito é incandescência .
Vem, e assoma à boca em palavras sussurradas
ditas não a medo, mas em sons transfigurados
perceptíveis no silencio só,
inaudíveis palavras
que o ar atravessam e buscam chegar às margens
de outro ser que em mim é.
Vem, debruado com orlas de saudade
isso que em mim
tem um nome que não sei dizer
que é meu mar de calmaria
minha raiva, minha crença, meu ir além
fome e saciar do meu ser.
Veio....como haveria de vir
de manso, sem pré-aviso
como quem chega a um lugar que soube sempre foi seu
veio para me deixar assim,
para sempre acompanhada pela certeza
de que em mim ergueu
sua secreta morada
abrigo do que não tem nome
e nem precisa de ter,
feito de um sentir mais fundo
que é sentir e saber.
Veio e em mim ficou
porque tinha que ser!
e assume a força de um grito amordaçado,
irrompe nas minhas veias, lateja na minha cabeça
e no meu peito é incandescência .
Vem, e assoma à boca em palavras sussurradas
ditas não a medo, mas em sons transfigurados
perceptíveis no silencio só,
inaudíveis palavras
que o ar atravessam e buscam chegar às margens
de outro ser que em mim é.
Vem, debruado com orlas de saudade
isso que em mim
tem um nome que não sei dizer
que é meu mar de calmaria
minha raiva, minha crença, meu ir além
fome e saciar do meu ser.
Veio....como haveria de vir
de manso, sem pré-aviso
como quem chega a um lugar que soube sempre foi seu
veio para me deixar assim,
para sempre acompanhada pela certeza
de que em mim ergueu
sua secreta morada
abrigo do que não tem nome
e nem precisa de ter,
feito de um sentir mais fundo
que é sentir e saber.
Veio e em mim ficou
porque tinha que ser!
1 125
Angela Santos
Eu Não Sei
Dizer Adeus
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
1 295
Angela Santos
Travessia
Duvidas
devoram a lava derramada
e sulcos há agora no lugar por onde
ainda ontem jorravam
rios de incandescências
Leio-me nas marcas
impressas pela torrente
e saudade é o que eu sinto já
Entre as duas margens
sente-se a corrente e atravessa-la
está ainda inscrito
no ímpeto que me lança à margem de lá.
Vejo-me de branco imprimindo as marcas
dos meus pés na areia de um outro lugar…
mas é tão fugaz essa imagem branca
de pés caminhando ao longo da praia
como se uma onda invadindo a orla
de manso levasse as marcas e o trilho
desenhado em sonhos que eu quis sonhar.
Aqui, nesta margem
onde a sós me deito com o que sonhei
propaga-se em ondas o tremor do um vulcão
que invade em silencio o chão que é o meu
e deixo-me ficar quieta à escuta do que agora
vibra e ecoa em mim.
Duvidas e vontades, escavam meu peito,
lanço o meu olhar lá para outra margem
esperando um sinal, o derradeiro aceno
que não sei se virá, e não sei se o quero
e se vier não sei o que me trará,
sei que vou ficar e imprimir
pegadas nas areias finas do meu frio mar.
devoram a lava derramada
e sulcos há agora no lugar por onde
ainda ontem jorravam
rios de incandescências
Leio-me nas marcas
impressas pela torrente
e saudade é o que eu sinto já
Entre as duas margens
sente-se a corrente e atravessa-la
está ainda inscrito
no ímpeto que me lança à margem de lá.
Vejo-me de branco imprimindo as marcas
dos meus pés na areia de um outro lugar…
mas é tão fugaz essa imagem branca
de pés caminhando ao longo da praia
como se uma onda invadindo a orla
de manso levasse as marcas e o trilho
desenhado em sonhos que eu quis sonhar.
Aqui, nesta margem
onde a sós me deito com o que sonhei
propaga-se em ondas o tremor do um vulcão
que invade em silencio o chão que é o meu
e deixo-me ficar quieta à escuta do que agora
vibra e ecoa em mim.
Duvidas e vontades, escavam meu peito,
lanço o meu olhar lá para outra margem
esperando um sinal, o derradeiro aceno
que não sei se virá, e não sei se o quero
e se vier não sei o que me trará,
sei que vou ficar e imprimir
pegadas nas areias finas do meu frio mar.
1 068
Angela Santos
Os Olhos do Tempo
Espraiam-se
meus gestos
insinuando desejos que se calam à passagem
do tempo em mim,
mas teimo ainda ser e acreditar
Desfio esperas e no meu regaço
silencio suspiros,
e é na brancura de um certo vazio
que ensaio abraços
perdidos na noite
que se deita a meu lado
E fico pensando
num pássaro que risca
breve o imenso espaço,
quisera eu planar
e voar assim também…
Mas meu coração,
hoje agrilhoado
prende-me a este instante…
quero o que me enche,
quero o que me falta
tenho o que não quero
tenho o que me farta
Olho o tempo e sinto-me
ser a fiandeira do irrepetível
momento que passa
e sinto crescer dentro do meu peito
como prenhe ventre
a imensa a saudade
que não sei se mata
ou aviva a alma
meus gestos
insinuando desejos que se calam à passagem
do tempo em mim,
mas teimo ainda ser e acreditar
Desfio esperas e no meu regaço
silencio suspiros,
e é na brancura de um certo vazio
que ensaio abraços
perdidos na noite
que se deita a meu lado
E fico pensando
num pássaro que risca
breve o imenso espaço,
quisera eu planar
e voar assim também…
Mas meu coração,
hoje agrilhoado
prende-me a este instante…
quero o que me enche,
quero o que me falta
tenho o que não quero
tenho o que me farta
Olho o tempo e sinto-me
ser a fiandeira do irrepetível
momento que passa
e sinto crescer dentro do meu peito
como prenhe ventre
a imensa a saudade
que não sei se mata
ou aviva a alma
1 016
Fernando Tavares Rodrigues
Construção
Construir-te
verso a verso
Tijolo a tijolo de saudade.
Palácio que supuz noutra cidade,
Conquista que sofreu um vento adverso.
Cristal que me cegou quando te quis,
Luxúria do teu corpo onde não estive.
E só faltou que tu fosses feliz
Nesse intervalo breve em que te tive....
verso a verso
Tijolo a tijolo de saudade.
Palácio que supuz noutra cidade,
Conquista que sofreu um vento adverso.
Cristal que me cegou quando te quis,
Luxúria do teu corpo onde não estive.
E só faltou que tu fosses feliz
Nesse intervalo breve em que te tive....
1 161
Fernando Tavares Rodrigues
Rosa dos Ventos
Ao sul de mim existe um porto
Que não se bebe.
Apenas se pressente.
Me embriaga
E , contudo, não se mede.
Mulher cujo perfume só recordo
Na madrugada fria, ainda doente.
A Norte, porém, quando confessa
Vontades que traz apetecidas
Confesso que me aquece, nessa pressa,
Outras mulheres que cria já esquecidas.
A Oeste bastava outra vontade
Para alcançar a praia repetida
Que outro gesto quisera e de vaidade.
Finalmente, a Leste, a despedida,
Abraço que ficou por acabar,
Palavra de começo e de partida
Que o tempo não deixou acreditar...
Que não se bebe.
Apenas se pressente.
Me embriaga
E , contudo, não se mede.
Mulher cujo perfume só recordo
Na madrugada fria, ainda doente.
A Norte, porém, quando confessa
Vontades que traz apetecidas
Confesso que me aquece, nessa pressa,
Outras mulheres que cria já esquecidas.
A Oeste bastava outra vontade
Para alcançar a praia repetida
Que outro gesto quisera e de vaidade.
Finalmente, a Leste, a despedida,
Abraço que ficou por acabar,
Palavra de começo e de partida
Que o tempo não deixou acreditar...
980
Fernando Tavares Rodrigues
Jantar
Jantar
sozinho, comer
O resto da minha sede.
Como se alguém repartisse
A fome de apetecer
Outro corpo que se bebe
E que depois nos fugisse....
sozinho, comer
O resto da minha sede.
Como se alguém repartisse
A fome de apetecer
Outro corpo que se bebe
E que depois nos fugisse....
1 052
Angela Santos
Ímpeto
Espraiam-se
os olhos
lonjura de mar que acerca
o infinito
Pendentes no ondear
os sentidos adormecem
a saudade de azul e sal
abrem-se os mastros
ao sol
a nave inteira reflectida
funde-se no movimento das marés,
nas velas e na proa
o ímpeto que a viagem anuncia.
Gasto o momento
de permanências ancoradas
os remos ensaiam o gesto
de asas
rasgando o espaço e o tempo
da demora.
os olhos
lonjura de mar que acerca
o infinito
Pendentes no ondear
os sentidos adormecem
a saudade de azul e sal
abrem-se os mastros
ao sol
a nave inteira reflectida
funde-se no movimento das marés,
nas velas e na proa
o ímpeto que a viagem anuncia.
Gasto o momento
de permanências ancoradas
os remos ensaiam o gesto
de asas
rasgando o espaço e o tempo
da demora.
1 047
Angela Santos
Longitudinal
Olhamos
os seres da gestação
espaço de chegada e de onde partimos,
viscosos restos de vidas vagas
desprendem-se da memória
lâmina
Nostálgicos retratos
do futuro adiante,
um adeus expresso em nossas vidas
longitudinal e sem remédio
roem interiores
os vermes da ausência
esse tanto que quisemos
esse pouco que logramos
esse nada que soubemos
da inexplicável presença.
os seres da gestação
espaço de chegada e de onde partimos,
viscosos restos de vidas vagas
desprendem-se da memória
lâmina
Nostálgicos retratos
do futuro adiante,
um adeus expresso em nossas vidas
longitudinal e sem remédio
roem interiores
os vermes da ausência
esse tanto que quisemos
esse pouco que logramos
esse nada que soubemos
da inexplicável presença.
708
Angela Santos
Estranheza
Mãe
que distancia é esta
que vai de mim a ti
distancia crescida
se um dia fomos
uma quase - única forma
uma quase única vida
Mãe
estranho sentir o meu
que te vejo estrangeira
e a palavra
mais não é que limite…
Mãe
que desconforto é este
se teus braços um dia foram
repouso, refúgio
e hoje
apenas braços…os teus
abraço que recuso
Mãe
que nome tem o que sinto
espada que pra ti volto
muralha que eu mesmo ergo
por já não saber dizer-me…
Mãe
razão desta dor que nutro
taça do meu amargo néctar,
oferenda do nosso grito mútuo.
que distancia é esta
que vai de mim a ti
distancia crescida
se um dia fomos
uma quase - única forma
uma quase única vida
Mãe
estranho sentir o meu
que te vejo estrangeira
e a palavra
mais não é que limite…
Mãe
que desconforto é este
se teus braços um dia foram
repouso, refúgio
e hoje
apenas braços…os teus
abraço que recuso
Mãe
que nome tem o que sinto
espada que pra ti volto
muralha que eu mesmo ergo
por já não saber dizer-me…
Mãe
razão desta dor que nutro
taça do meu amargo néctar,
oferenda do nosso grito mútuo.
826
Angela Santos
Nau das Descobertas
Cantar
o agri-doce fado
dos que por destino têm
vastíssimos
os campos do mar
Velas, quilhas, mastros,
oceano a condição,
mas na bruma se perdeu
a seda, o ópio a canela
e o sonho imperial que no tempo
se esfumou.
Olhos de fogo cravados
no adensar dos nevoeiros
filhos deste mar tão perto
na orla das praias cansamos
as viagens adiadas,
e a espera do Encoberto
Navegar é preciso!
por dentro do corpo que respira
rente a este chão que somos
nova Nau das Descobertas
rumo a si, porto e destino…
Ausentes a Cruz de Cristo
o arcabuz e os grilhões
encontraremos ainda
esse longe que buscámos,
não na lança do inimigo
mas no regresso ao destino
da língua- mater e o mar
nos tornar tão só iguais.
o agri-doce fado
dos que por destino têm
vastíssimos
os campos do mar
Velas, quilhas, mastros,
oceano a condição,
mas na bruma se perdeu
a seda, o ópio a canela
e o sonho imperial que no tempo
se esfumou.
Olhos de fogo cravados
no adensar dos nevoeiros
filhos deste mar tão perto
na orla das praias cansamos
as viagens adiadas,
e a espera do Encoberto
Navegar é preciso!
por dentro do corpo que respira
rente a este chão que somos
nova Nau das Descobertas
rumo a si, porto e destino…
Ausentes a Cruz de Cristo
o arcabuz e os grilhões
encontraremos ainda
esse longe que buscámos,
não na lança do inimigo
mas no regresso ao destino
da língua- mater e o mar
nos tornar tão só iguais.
1 144
Angela Santos
Impasse
Tão
longe e aqui mesmo
te sinto,
tão longo o abraço
que não dou
tão gélido o toque
das palavras
de encontro ao peito
aberto, indefeso…
tão estreito o caminho,
tão fundo o abismo
diante dos olhos exaustos
à procura de abrigo…
longe e aqui mesmo
te sinto,
tão longo o abraço
que não dou
tão gélido o toque
das palavras
de encontro ao peito
aberto, indefeso…
tão estreito o caminho,
tão fundo o abismo
diante dos olhos exaustos
à procura de abrigo…
736
Lya Luft
Canção desse Rumor
Quem - estando
ausente - entra no quarto
Quem deita ao lado meu, quem passa
No meu coração seus lábios quentes, quem
Desperta em mim as feras todas
Quem me rasga e cura
Quem me atrai?
Quem murmura na treva e acende estrelas
Quem me leva em marés de sono e riso
Quem invade meu dia após a noite
Quem vem – estando ausente -
E nunca vai?
ausente - entra no quarto
Quem deita ao lado meu, quem passa
No meu coração seus lábios quentes, quem
Desperta em mim as feras todas
Quem me rasga e cura
Quem me atrai?
Quem murmura na treva e acende estrelas
Quem me leva em marés de sono e riso
Quem invade meu dia após a noite
Quem vem – estando ausente -
E nunca vai?
1 745
Mariazinha Congílio
Plantação
Sinto-me
lavrador
Semeando em você
Minha estrada indecisa.
Procuro seus olhos
Em cada ausência sua.
Encontro seu riso
Sempre presente
Em cada despertar
lavrador
Semeando em você
Minha estrada indecisa.
Procuro seus olhos
Em cada ausência sua.
Encontro seu riso
Sempre presente
Em cada despertar
877
Regina Souza Vieira
Memória
Cheira
a café de manhã
Cheira a assados ao meu dia
Cheira a doce à tarde
À noite, a chuva cai.
Vem então o cheiro
Mistura de tantos outros
Que o dia transportou
Deixando neste último
o que melhor / pior passou.
Dele a memória guarda
a permanência daquele dia
Soma-se ainda a ele
o cheiro da chuva fria.
Ah, o fugaz olfato
Esse sentido que absorve
Das paixões a lembrança
Trazidas tão de repente
Num cheiro, o doce contente
ou o azedo inconformado
o perfume inesperado
exalando, às vezes, saudade!
Dulcíssima brevidade
Só o olfato se apercebe
Que todo segundo passa
Por esse ar que a gente bebe
E que só em nós se guarda
Quando uma semente solta
Dele em nós se embebe.
a café de manhã
Cheira a assados ao meu dia
Cheira a doce à tarde
À noite, a chuva cai.
Vem então o cheiro
Mistura de tantos outros
Que o dia transportou
Deixando neste último
o que melhor / pior passou.
Dele a memória guarda
a permanência daquele dia
Soma-se ainda a ele
o cheiro da chuva fria.
Ah, o fugaz olfato
Esse sentido que absorve
Das paixões a lembrança
Trazidas tão de repente
Num cheiro, o doce contente
ou o azedo inconformado
o perfume inesperado
exalando, às vezes, saudade!
Dulcíssima brevidade
Só o olfato se apercebe
Que todo segundo passa
Por esse ar que a gente bebe
E que só em nós se guarda
Quando uma semente solta
Dele em nós se embebe.
997
Regina Souza Vieira
Memória
Memória
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite
Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas
Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia
Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite
Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas
Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia
Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
876
Silvaney Paes
Crucificado
Abre a
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
1 082
Silvaney Paes
Órfã
Trazemos
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
930
Susana Pestana
Tempo Descuidado
Sempre que acho
um tempo distraído
Me transborda um sentimento
Fujo? ou esqueço?
Será assim a prenunciada
Mentira?
Na clareza da manhã
Na sombra espessa da noite
O encontro claro
Agarrado
A desfalecida verdade
Será que o Mar
me ilude?
Na tonta ilusão
de sentir braços esfolados
Contraídos no momento
estendidos no desesperado futuro
Encontro passos!
entre silêncios
Uma voz no meio
De mim, me acorda
Nas horas severas
No calmo tempo
presente!
Agarrado a uma entretida saudade
um tempo distraído
Me transborda um sentimento
Fujo? ou esqueço?
Será assim a prenunciada
Mentira?
Na clareza da manhã
Na sombra espessa da noite
O encontro claro
Agarrado
A desfalecida verdade
Será que o Mar
me ilude?
Na tonta ilusão
de sentir braços esfolados
Contraídos no momento
estendidos no desesperado futuro
Encontro passos!
entre silêncios
Uma voz no meio
De mim, me acorda
Nas horas severas
No calmo tempo
presente!
Agarrado a uma entretida saudade
969
Mariana Ianelli
Busca
Não se
sabe de Clara.
Se me procuram para revelações,
Esvazio o meu rosto e quedo,
Ocultando a sua ida.
Eu aceito, se me acusam.
Sua figura longa vertendo, tardando,
Com a retina em veludo
- Clara, cedendo, num gesto de flor.
Se me encerram, eu não rogo ou protesto.
Sua forma contrária andando na terra,
Invertendo as linhas que seguiam retas,
Sua passagem lenta pelas trilhadas
Se firmou algures...
Mas se aumentam as pesquisas,
Esquadrinham sinais,
Eu vou tomar seus olhos convincentes
E com eles direi :
-"Não há mais Clara".
sabe de Clara.
Se me procuram para revelações,
Esvazio o meu rosto e quedo,
Ocultando a sua ida.
Eu aceito, se me acusam.
Sua figura longa vertendo, tardando,
Com a retina em veludo
- Clara, cedendo, num gesto de flor.
Se me encerram, eu não rogo ou protesto.
Sua forma contrária andando na terra,
Invertendo as linhas que seguiam retas,
Sua passagem lenta pelas trilhadas
Se firmou algures...
Mas se aumentam as pesquisas,
Esquadrinham sinais,
Eu vou tomar seus olhos convincentes
E com eles direi :
-"Não há mais Clara".
893
Susana Pestana
Juntos
Pedacinhos de tempo
roubados
Aqui e a ali
ruídos num quarto
que nos salva…
Desejos que nos acalmam.
Quando estamos juntos!
Dois mundos
Um Tejo iluminado
Uma canção
Uma noite de raspão
Juntos
O Azul se esconde
entre portas que se abrem
Períodos nus
desejos submersos
passadeiras com vontades
Quando estamos juntos
Um medo empurrado
Uma madrugada acordada
Uma alma entre nos
Dois corpos alinhados
Juntos
Modelamos a saudade
cega-se a ausência
interrompe-se os vazios
reconcilia-se fragilidades
Por sombras de sílabas.
Quando estamos juntos
….penetramos nos gestos dos nossos corpos
roubados
Aqui e a ali
ruídos num quarto
que nos salva…
Desejos que nos acalmam.
Quando estamos juntos!
Dois mundos
Um Tejo iluminado
Uma canção
Uma noite de raspão
Juntos
O Azul se esconde
entre portas que se abrem
Períodos nus
desejos submersos
passadeiras com vontades
Quando estamos juntos
Um medo empurrado
Uma madrugada acordada
Uma alma entre nos
Dois corpos alinhados
Juntos
Modelamos a saudade
cega-se a ausência
interrompe-se os vazios
reconcilia-se fragilidades
Por sombras de sílabas.
Quando estamos juntos
….penetramos nos gestos dos nossos corpos
958
Andres Provi Pereira
Mia, Vulevo a ti
luego...
Mía, vuelvo
a tí luego de los años de ausencia camino por doquier mis pies me guien
y me hiere la nostalgia que piensa en el ayer, ese ayer de aventuras
y locuras juveniles que tejieron ilusiones en cada tarde de arena y
frente al mar cromado una vez más siento la brisa serena Mía, los días
y los años de milejanía te han cambiado, más hermosa y madura eres,
camino por tus calles llenas de recuerdos y las esquinas aún conservan
las travesuras de mi infancia y los días tempranos de la adolescensia.
Hoy te palpo y a los ojos puedo mirarte, tus lágrimas se confunden con
las mías y se que amas mi presencia. Mía, cómo no amarte, cómo estar
lejos y no adorarte si de ti mi vida está llena, mi vida está formada.
Llevo muy dentro el amor de tus raíces y tu dulce savia a hago mía y
me hago tuyo, se que amas mi presencia. Cómo olvidarte, en ti están
mis días de la secundaria, hoy recorro las aulas, hay tanto de mí y
los pupitres me recuerdan, mi lugar favorito, la cueva de rocas, hoy
está solitaria. Mía, tus palmeras y el sol ardiente me recuerdan las
tardes domingueras cuando tu mar me cubría de alegría, cuando sumergido
en tus aguas de colores buscaba la barracuda que Simón tantas veces
pregonaba, tiene ojos verdes, lágrimas azules y es hermosa, la busque
y nunca, nunca pude hallarla. Te amaré por siempre mía, perla del mar
olorosa.
Mía, vuelvo
a tí luego de los años de ausencia camino por doquier mis pies me guien
y me hiere la nostalgia que piensa en el ayer, ese ayer de aventuras
y locuras juveniles que tejieron ilusiones en cada tarde de arena y
frente al mar cromado una vez más siento la brisa serena Mía, los días
y los años de milejanía te han cambiado, más hermosa y madura eres,
camino por tus calles llenas de recuerdos y las esquinas aún conservan
las travesuras de mi infancia y los días tempranos de la adolescensia.
Hoy te palpo y a los ojos puedo mirarte, tus lágrimas se confunden con
las mías y se que amas mi presencia. Mía, cómo no amarte, cómo estar
lejos y no adorarte si de ti mi vida está llena, mi vida está formada.
Llevo muy dentro el amor de tus raíces y tu dulce savia a hago mía y
me hago tuyo, se que amas mi presencia. Cómo olvidarte, en ti están
mis días de la secundaria, hoy recorro las aulas, hay tanto de mí y
los pupitres me recuerdan, mi lugar favorito, la cueva de rocas, hoy
está solitaria. Mía, tus palmeras y el sol ardiente me recuerdan las
tardes domingueras cuando tu mar me cubría de alegría, cuando sumergido
en tus aguas de colores buscaba la barracuda que Simón tantas veces
pregonaba, tiene ojos verdes, lágrimas azules y es hermosa, la busque
y nunca, nunca pude hallarla. Te amaré por siempre mía, perla del mar
olorosa.
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Jorge Viegas
Saudade
Pairam ascendentes seduções
Nas formas cor de purpura
Da mística brisa distante.
Suaves recordações
Invisíveis fontes puras
Acordam na memória viajante.
Saudade,
Aquele calor sensível
Que se esconde no forro íntimo do sentimento
Aquela onda suave
Que refresca os horizontes da verdade
Aquele arrepio simples
Que se estende pelos sentidos da memória
Aquela fita silenciosa
Que se projecta no interior do peito
Aquele ardor nostálgico
Que se instala na serenidade do horizonte
Aquele murmúrio terno
Que ilumina a canção do olhar
Aquela seiva melancólica
Que alimenta os rios intermináveis do corpo
Há muito que não vejo
Aquele olhar radiante
Sorvendo a sensualidade do ar.
Nas formas cor de purpura
Da mística brisa distante.
Suaves recordações
Invisíveis fontes puras
Acordam na memória viajante.
Saudade,
Aquele calor sensível
Que se esconde no forro íntimo do sentimento
Aquela onda suave
Que refresca os horizontes da verdade
Aquele arrepio simples
Que se estende pelos sentidos da memória
Aquela fita silenciosa
Que se projecta no interior do peito
Aquele ardor nostálgico
Que se instala na serenidade do horizonte
Aquele murmúrio terno
Que ilumina a canção do olhar
Aquela seiva melancólica
Que alimenta os rios intermináveis do corpo
Há muito que não vejo
Aquele olhar radiante
Sorvendo a sensualidade do ar.
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Silvaney Paes
Contido
Algo ofendeu a vida.
A poesia,
Ou o sentimento
Nela Contida?
..................
A saudade ou a dor
Ofenderam a vida.
Viu ter Deus
Nelas contidas?
...................
Não sabes?
São teus os dois
E tudo
Nela contida.
...................
E das folhas?
Viste vida
Ou viste morte
Nela contidas?
.................
Algo ofendeu a vida
Foi a poesia
E o sentimento
Nela contida.
A poesia,
Ou o sentimento
Nela Contida?
..................
A saudade ou a dor
Ofenderam a vida.
Viu ter Deus
Nelas contidas?
...................
Não sabes?
São teus os dois
E tudo
Nela contida.
...................
E das folhas?
Viste vida
Ou viste morte
Nela contidas?
.................
Algo ofendeu a vida
Foi a poesia
E o sentimento
Nela contida.
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