Citações neste tema
Morte e Luto
Leopoldo Marechal
O homem vive entre dois “atos-limite” que não são fruto da sua vontade: o nascimento e a morte. Ele fica entre parênteses, aberto do nada. É uma espécie de linguiça existencial, como uma sandes entre dois pedaços de vazio absoluto
50
César Vallejo
Seu cadáver estava cheio de mundo. à morte de seu amigo Pedro Rojas, em Espanha, afasta de mim esse cálice
37
Franz Kafka
Uma fé como uma guilhotina, tão pesada e tão leve. A morte está diante de nós, pouco mais ou menos como um quadro da batalha de Alexandre na parede da sala de aula. O que interessa é obscurecer ou até borrar, com os nossos atos, ainda nesta vida, essa imagem.
55
Franz Kafka
Muitas sombras dos que morreram ocupam-se apenas em lamber as ondas do rio dos mortos, porque ele corre a partir de nós e ainda tem o gosto salgado dos nossos mares. O rio então recua de nojo, flui em sentido contrário e atira os mortos de volta à vida. Estes, porém, estão felizes, cantam canções de graça e acariciam o fluxo indignado.
41
Franz Kafka
Um primeiro sinal do início do conhecimento é o desejo de morrer. Esta vida parece insuportável, a outra, inatingível. A pessoa já não se envergonha mais de querer morrer; pede para ser levada da velha cela que ela odeia para uma nova, que só então aprenderá a odiar. Persiste um resíduo de fé durante a transferência se o senhor do lugar casualmente passar pelo corredor, avistar o prisioneiro e disser: “Este homem vocês não podem prender outra vez. Ele vai para a minha casa.”
61
Fernando Pessoa
— Deus, Deus, Deus? disse o anarquista. Há séculos que Deus morreu; mas tem levado tanto tempo a fazer-lhe o caixão que já infesta o ar de seu apodrecimento.
46
Fernando Pessoa
Não será a morte — até, talvez, fisiologicamente vista — uma espécie de nascimento — o nascimento, talvez, do que era incompleto numa forma completa ou pura?
46
Fernando Pessoa
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.
47
Fernando Pessoa
Viver é pertencer a outrem. Morrer é pertencer a outrem. Viver e morrer são a mesma coisa. Mas viver é pertencer a outrem de fora, e morrer é pertencer a outrem de dentro. As duas coisas assemelham-se, mas a vida é o lado de fora da morte. Por isso a vida é a vida e a morte a morte, pois o lado de fora é sempre mais verdadeiro que o lado de dentro, tanto que é do lado de fora que se vê.
27
Fernando Pessoa
Quando julgamos que vivemos, estamos mortos; vamos viver quando estamos moribundos.
44
Fernando Pessoa
A morte chega cedo, Pois breve é toda vida O instante é o arremedo De uma coisa perdida.
46