Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Silvaney Paes
Aquele Olhar
Clamei
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou,
Parecendo demais para meus anseios.
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
ilhado pela visão dessa luminosa manhã,
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia um desfecho igual
E parecias cantar em silêncio,
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste para dar nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar,
Pressenti que seria preciso perder-me
Mergulhando naquelas vagas,
Mesmo sabendo que ora elas alçam,
Ora destroiem o coração de um homem.
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou,
Parecendo demais para meus anseios.
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
ilhado pela visão dessa luminosa manhã,
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia um desfecho igual
E parecias cantar em silêncio,
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste para dar nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar,
Pressenti que seria preciso perder-me
Mergulhando naquelas vagas,
Mesmo sabendo que ora elas alçam,
Ora destroiem o coração de um homem.
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1
Silvaney Paes
Um Velho Fado
Uma velha
casa, em uma estrada,
Toda de terra, empoeirada.
Era tão bela, aquela casa!
Feita de pedra, tão bem trajada,
Teto de palha.
Que meu caminho, só me levava,
A dita casa.
E bem mais perto, da velha casa.
Na mesma estrada, já tão pisada,
Toda sem graça, desengonçada.
Escuto algo, ou será nada?
Naquela estrada,
Um velho fado!
Na dita casa.
Já na soleira, da velha casa.
Olhando agora, pra sua alma,
Toda singela, despenteada,
Cantava um fado,
Uma velha.
Chapéu de palha,
Dona da casa.
Senti saudades de outra casa,
De outra era, em outra estrada,
Toda molhada, feita de água.
De minha mãe,
Que lá cantava,
Um velho fado, que me ninava.
Na minha casa.
casa, em uma estrada,
Toda de terra, empoeirada.
Era tão bela, aquela casa!
Feita de pedra, tão bem trajada,
Teto de palha.
Que meu caminho, só me levava,
A dita casa.
E bem mais perto, da velha casa.
Na mesma estrada, já tão pisada,
Toda sem graça, desengonçada.
Escuto algo, ou será nada?
Naquela estrada,
Um velho fado!
Na dita casa.
Já na soleira, da velha casa.
Olhando agora, pra sua alma,
Toda singela, despenteada,
Cantava um fado,
Uma velha.
Chapéu de palha,
Dona da casa.
Senti saudades de outra casa,
De outra era, em outra estrada,
Toda molhada, feita de água.
De minha mãe,
Que lá cantava,
Um velho fado, que me ninava.
Na minha casa.
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1
Silvaney Paes
O Lago
Estranho
Lago!
Num lugar ermo,
Seco, triste, árido,
Feito de algo reluzente e claro
Onde a lua...
Na melancolia do sol à tarde,
Na solidão da noite,
Ou no desespero da madrugada
Chora uma dor,
Naquele lago.
Mais que dele não se bebe,
Apenas se consente o pranto,
Ao vê-lo como espelho de almas.
E que parecendo límpido,
É salobro, insalubre e amargo,
De certos gostos e desgostos,
Que de mim, de ti, de tantos...
Emprestamos nossas dores
Para àquele lago.
Onde não se pode mergulhar,
Por não haver fundo nem volta,
Só os profundos e obscuros sentimentos,
De todos os dilapidados,
Restos de almas quase mortas,
Que pulsam e agonizam,
Como a dor de meu peito,
Sendo então feito àquele lago.
De fragmentos de vidas e lágrimas.
Lago!
Num lugar ermo,
Seco, triste, árido,
Feito de algo reluzente e claro
Onde a lua...
Na melancolia do sol à tarde,
Na solidão da noite,
Ou no desespero da madrugada
Chora uma dor,
Naquele lago.
Mais que dele não se bebe,
Apenas se consente o pranto,
Ao vê-lo como espelho de almas.
E que parecendo límpido,
É salobro, insalubre e amargo,
De certos gostos e desgostos,
Que de mim, de ti, de tantos...
Emprestamos nossas dores
Para àquele lago.
Onde não se pode mergulhar,
Por não haver fundo nem volta,
Só os profundos e obscuros sentimentos,
De todos os dilapidados,
Restos de almas quase mortas,
Que pulsam e agonizam,
Como a dor de meu peito,
Sendo então feito àquele lago.
De fragmentos de vidas e lágrimas.
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1
Silvaney Paes
O Lago
Estranho
Lago!
Num lugar ermo,
Seco, triste, árido,
Feito de algo reluzente e claro
Onde a lua...
Na melancolia do sol à tarde,
Na solidão da noite,
Ou no desespero da madrugada
Chora uma dor,
Naquele lago.
Mais que dele não se bebe,
Apenas se consente o pranto,
Ao vê-lo como espelho de almas.
E que parecendo límpido,
É salobro, insalubre e amargo,
De certos gostos e desgostos,
Que de mim, de ti, de tantos...
Emprestamos nossas dores
Para àquele lago.
Onde não se pode mergulhar,
Por não haver fundo nem volta,
Só os profundos e obscuros sentimentos,
De todos os dilapidados,
Restos de almas quase mortas,
Que pulsam e agonizam,
Como a dor de meu peito,
Sendo então feito àquele lago.
De fragmentos de vidas e lágrimas.
Lago!
Num lugar ermo,
Seco, triste, árido,
Feito de algo reluzente e claro
Onde a lua...
Na melancolia do sol à tarde,
Na solidão da noite,
Ou no desespero da madrugada
Chora uma dor,
Naquele lago.
Mais que dele não se bebe,
Apenas se consente o pranto,
Ao vê-lo como espelho de almas.
E que parecendo límpido,
É salobro, insalubre e amargo,
De certos gostos e desgostos,
Que de mim, de ti, de tantos...
Emprestamos nossas dores
Para àquele lago.
Onde não se pode mergulhar,
Por não haver fundo nem volta,
Só os profundos e obscuros sentimentos,
De todos os dilapidados,
Restos de almas quase mortas,
Que pulsam e agonizam,
Como a dor de meu peito,
Sendo então feito àquele lago.
De fragmentos de vidas e lágrimas.
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Silvaney Paes
O Lago
Estranho
Lago!
Num lugar ermo,
Seco, triste, árido,
Feito de algo reluzente e claro
Onde a lua...
Na melancolia do sol à tarde,
Na solidão da noite,
Ou no desespero da madrugada
Chora uma dor,
Naquele lago.
Mais que dele não se bebe,
Apenas se consente o pranto,
Ao vê-lo como espelho de almas.
E que parecendo límpido,
É salobro, insalubre e amargo,
De certos gostos e desgostos,
Que de mim, de ti, de tantos...
Emprestamos nossas dores
Para àquele lago.
Onde não se pode mergulhar,
Por não haver fundo nem volta,
Só os profundos e obscuros sentimentos,
De todos os dilapidados,
Restos de almas quase mortas,
Que pulsam e agonizam,
Como a dor de meu peito,
Sendo então feito àquele lago.
De fragmentos de vidas e lágrimas.
Lago!
Num lugar ermo,
Seco, triste, árido,
Feito de algo reluzente e claro
Onde a lua...
Na melancolia do sol à tarde,
Na solidão da noite,
Ou no desespero da madrugada
Chora uma dor,
Naquele lago.
Mais que dele não se bebe,
Apenas se consente o pranto,
Ao vê-lo como espelho de almas.
E que parecendo límpido,
É salobro, insalubre e amargo,
De certos gostos e desgostos,
Que de mim, de ti, de tantos...
Emprestamos nossas dores
Para àquele lago.
Onde não se pode mergulhar,
Por não haver fundo nem volta,
Só os profundos e obscuros sentimentos,
De todos os dilapidados,
Restos de almas quase mortas,
Que pulsam e agonizam,
Como a dor de meu peito,
Sendo então feito àquele lago.
De fragmentos de vidas e lágrimas.
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1
Reinaldo Ferreira
Que culpa terão as ondas
...Que culpa terão as ondas
Dos movimentos que façam?
São os ventos que as impelem
E sulcos profundos traçam.
Aos ventos quem lhes ordena
Que rasguem rugas no mar?
São as nuvens inquietas
Que os não deixam sossegar.
E as nuvens, almas de névoa,
Porque não param, coitadas?
É que as asas das gaivotas
As trazem desafiadas.
Mas as asas das gaivotas
O cansaço há-de detê-las!
Juraram buscar descanso
Nas pupilas das estrelas.
E como as estrelas estão altas
E não tombam nem se alcançam,
As asas das pobrezinhas
Baldamente se cansam
Baldamente se cansam,
Baldamente palpitam!
As nuvens, por fatalismo,
Logo com elas se agitam;
Os impulsos que elas dão
Arrastam as ventanias;
As vagas arfam nos mares
Em macabras fantasias
Assim as almas inquietas
Prisioneiras de ansiedades,
Mal que se erguem da terra,
Naufragam nas tempestades!
Dos movimentos que façam?
São os ventos que as impelem
E sulcos profundos traçam.
Aos ventos quem lhes ordena
Que rasguem rugas no mar?
São as nuvens inquietas
Que os não deixam sossegar.
E as nuvens, almas de névoa,
Porque não param, coitadas?
É que as asas das gaivotas
As trazem desafiadas.
Mas as asas das gaivotas
O cansaço há-de detê-las!
Juraram buscar descanso
Nas pupilas das estrelas.
E como as estrelas estão altas
E não tombam nem se alcançam,
As asas das pobrezinhas
Baldamente se cansam
Baldamente se cansam,
Baldamente palpitam!
As nuvens, por fatalismo,
Logo com elas se agitam;
Os impulsos que elas dão
Arrastam as ventanias;
As vagas arfam nos mares
Em macabras fantasias
Assim as almas inquietas
Prisioneiras de ansiedades,
Mal que se erguem da terra,
Naufragam nas tempestades!
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Reinaldo Ferreira
Que culpa terão as ondas
...Que culpa terão as ondas
Dos movimentos que façam?
São os ventos que as impelem
E sulcos profundos traçam.
Aos ventos quem lhes ordena
Que rasguem rugas no mar?
São as nuvens inquietas
Que os não deixam sossegar.
E as nuvens, almas de névoa,
Porque não param, coitadas?
É que as asas das gaivotas
As trazem desafiadas.
Mas as asas das gaivotas
O cansaço há-de detê-las!
Juraram buscar descanso
Nas pupilas das estrelas.
E como as estrelas estão altas
E não tombam nem se alcançam,
As asas das pobrezinhas
Baldamente se cansam
Baldamente se cansam,
Baldamente palpitam!
As nuvens, por fatalismo,
Logo com elas se agitam;
Os impulsos que elas dão
Arrastam as ventanias;
As vagas arfam nos mares
Em macabras fantasias
Assim as almas inquietas
Prisioneiras de ansiedades,
Mal que se erguem da terra,
Naufragam nas tempestades!
Dos movimentos que façam?
São os ventos que as impelem
E sulcos profundos traçam.
Aos ventos quem lhes ordena
Que rasguem rugas no mar?
São as nuvens inquietas
Que os não deixam sossegar.
E as nuvens, almas de névoa,
Porque não param, coitadas?
É que as asas das gaivotas
As trazem desafiadas.
Mas as asas das gaivotas
O cansaço há-de detê-las!
Juraram buscar descanso
Nas pupilas das estrelas.
E como as estrelas estão altas
E não tombam nem se alcançam,
As asas das pobrezinhas
Baldamente se cansam
Baldamente se cansam,
Baldamente palpitam!
As nuvens, por fatalismo,
Logo com elas se agitam;
Os impulsos que elas dão
Arrastam as ventanias;
As vagas arfam nos mares
Em macabras fantasias
Assim as almas inquietas
Prisioneiras de ansiedades,
Mal que se erguem da terra,
Naufragam nas tempestades!
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1
Silvaney Paes
Vieram me Dizer
Vieram
me dizer...
Que onde pisei e dancei
Nasceram apenas espinhos;
Que não respeitei o tempo,
Diziam eles,
Da semeadura dos sonhos;
Que a vida é uma semente de ilusão
E que a felicidade
Alcança melhor aos tolos;
Que descobriria,
À priori,
"Que nunca mais",
De regra, é pouco tempo,
E que ele escoa indiferente
A minha vaidade
Ou a outras pretensões humanas,
E que dito tempo é reto,
Mesmo parecendo cumprir um círculo,
Vicioso...
Vieram me dizer...
Que esta minha espinha,
Dagora arqueada,
Tinha a finalidade
De virar uma estrada
Asfaltada por mágoas,
Alento doutras almas;
Que cada castelo de sonho
E todas as pontes imaginárias,
Que ergui,
Ruiriam todas,
Mas na verdade elas nunca me abrigaram,
Nunca me levaram a lugar nenhum;
Que uma estrada é dispensável
Se não pode nos levar a um destino,
Mas ela pode servir para voltar um dia;
Que as lágrimas que eu possa ter chorado,
Tornaram-me mais leve
Depois de exausto,
E por isso não fiquei de todo prostrado,
Embora continue perdido...
Vieram me dizer...
Que essa fome de ir embora
Colocaria meu coração de joelhos,
Estão em carne viva;
Que de joelhos
Poderia erguer preces,
Mas acabei encontrando Deus,
Não no princípio,
Ao final de tudo,
Quando, aquilo que nunca tive.
Já me bastava para levantar;
Que não basta estar faminto
E ter diante de si o melhor manjar,
Careceria querer comer,
Pois cada qual sabe da dor de sua fome
Ou de suas feridas;
Que essa fome de vida me atormentaria,
E só seria consumida com o ar que respiro
E a luz que vislumbro,
E que embora seja ferida aberta,
Sangrando...
Seria o alento de viva dor,
Uma esperança de redenção
Que também carrego,
Ar, esperança...
Continuo esperando.
me dizer...
Que onde pisei e dancei
Nasceram apenas espinhos;
Que não respeitei o tempo,
Diziam eles,
Da semeadura dos sonhos;
Que a vida é uma semente de ilusão
E que a felicidade
Alcança melhor aos tolos;
Que descobriria,
À priori,
"Que nunca mais",
De regra, é pouco tempo,
E que ele escoa indiferente
A minha vaidade
Ou a outras pretensões humanas,
E que dito tempo é reto,
Mesmo parecendo cumprir um círculo,
Vicioso...
Vieram me dizer...
Que esta minha espinha,
Dagora arqueada,
Tinha a finalidade
De virar uma estrada
Asfaltada por mágoas,
Alento doutras almas;
Que cada castelo de sonho
E todas as pontes imaginárias,
Que ergui,
Ruiriam todas,
Mas na verdade elas nunca me abrigaram,
Nunca me levaram a lugar nenhum;
Que uma estrada é dispensável
Se não pode nos levar a um destino,
Mas ela pode servir para voltar um dia;
Que as lágrimas que eu possa ter chorado,
Tornaram-me mais leve
Depois de exausto,
E por isso não fiquei de todo prostrado,
Embora continue perdido...
Vieram me dizer...
Que essa fome de ir embora
Colocaria meu coração de joelhos,
Estão em carne viva;
Que de joelhos
Poderia erguer preces,
Mas acabei encontrando Deus,
Não no princípio,
Ao final de tudo,
Quando, aquilo que nunca tive.
Já me bastava para levantar;
Que não basta estar faminto
E ter diante de si o melhor manjar,
Careceria querer comer,
Pois cada qual sabe da dor de sua fome
Ou de suas feridas;
Que essa fome de vida me atormentaria,
E só seria consumida com o ar que respiro
E a luz que vislumbro,
E que embora seja ferida aberta,
Sangrando...
Seria o alento de viva dor,
Uma esperança de redenção
Que também carrego,
Ar, esperança...
Continuo esperando.
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Silvaney Paes
Vieram me Dizer
Vieram
me dizer...
Que onde pisei e dancei
Nasceram apenas espinhos;
Que não respeitei o tempo,
Diziam eles,
Da semeadura dos sonhos;
Que a vida é uma semente de ilusão
E que a felicidade
Alcança melhor aos tolos;
Que descobriria,
À priori,
"Que nunca mais",
De regra, é pouco tempo,
E que ele escoa indiferente
A minha vaidade
Ou a outras pretensões humanas,
E que dito tempo é reto,
Mesmo parecendo cumprir um círculo,
Vicioso...
Vieram me dizer...
Que esta minha espinha,
Dagora arqueada,
Tinha a finalidade
De virar uma estrada
Asfaltada por mágoas,
Alento doutras almas;
Que cada castelo de sonho
E todas as pontes imaginárias,
Que ergui,
Ruiriam todas,
Mas na verdade elas nunca me abrigaram,
Nunca me levaram a lugar nenhum;
Que uma estrada é dispensável
Se não pode nos levar a um destino,
Mas ela pode servir para voltar um dia;
Que as lágrimas que eu possa ter chorado,
Tornaram-me mais leve
Depois de exausto,
E por isso não fiquei de todo prostrado,
Embora continue perdido...
Vieram me dizer...
Que essa fome de ir embora
Colocaria meu coração de joelhos,
Estão em carne viva;
Que de joelhos
Poderia erguer preces,
Mas acabei encontrando Deus,
Não no princípio,
Ao final de tudo,
Quando, aquilo que nunca tive.
Já me bastava para levantar;
Que não basta estar faminto
E ter diante de si o melhor manjar,
Careceria querer comer,
Pois cada qual sabe da dor de sua fome
Ou de suas feridas;
Que essa fome de vida me atormentaria,
E só seria consumida com o ar que respiro
E a luz que vislumbro,
E que embora seja ferida aberta,
Sangrando...
Seria o alento de viva dor,
Uma esperança de redenção
Que também carrego,
Ar, esperança...
Continuo esperando.
me dizer...
Que onde pisei e dancei
Nasceram apenas espinhos;
Que não respeitei o tempo,
Diziam eles,
Da semeadura dos sonhos;
Que a vida é uma semente de ilusão
E que a felicidade
Alcança melhor aos tolos;
Que descobriria,
À priori,
"Que nunca mais",
De regra, é pouco tempo,
E que ele escoa indiferente
A minha vaidade
Ou a outras pretensões humanas,
E que dito tempo é reto,
Mesmo parecendo cumprir um círculo,
Vicioso...
Vieram me dizer...
Que esta minha espinha,
Dagora arqueada,
Tinha a finalidade
De virar uma estrada
Asfaltada por mágoas,
Alento doutras almas;
Que cada castelo de sonho
E todas as pontes imaginárias,
Que ergui,
Ruiriam todas,
Mas na verdade elas nunca me abrigaram,
Nunca me levaram a lugar nenhum;
Que uma estrada é dispensável
Se não pode nos levar a um destino,
Mas ela pode servir para voltar um dia;
Que as lágrimas que eu possa ter chorado,
Tornaram-me mais leve
Depois de exausto,
E por isso não fiquei de todo prostrado,
Embora continue perdido...
Vieram me dizer...
Que essa fome de ir embora
Colocaria meu coração de joelhos,
Estão em carne viva;
Que de joelhos
Poderia erguer preces,
Mas acabei encontrando Deus,
Não no princípio,
Ao final de tudo,
Quando, aquilo que nunca tive.
Já me bastava para levantar;
Que não basta estar faminto
E ter diante de si o melhor manjar,
Careceria querer comer,
Pois cada qual sabe da dor de sua fome
Ou de suas feridas;
Que essa fome de vida me atormentaria,
E só seria consumida com o ar que respiro
E a luz que vislumbro,
E que embora seja ferida aberta,
Sangrando...
Seria o alento de viva dor,
Uma esperança de redenção
Que também carrego,
Ar, esperança...
Continuo esperando.
874
1
Reinaldo Ferreira
Se flores jamais me deres
Se flores jamais me deres,
Se eu rir e tu não rires,
Se quando eu chegar fugires
Ninguém dirá que me queres!
Se tu ocultar puderes
O que há nesses olhos teus
E que é tão igual nos meus
Ninguém dirá que me queres!
Se alguma vez tu puseres
A minha mão tua mão
Sem que estremeças, então
Ninguém dirá que me queres!
E se o que te dei me deres
A minha trança e três flores
Não pode haver mais rumores
Ninguém dirá que me queres!
Se eu rir e tu não rires,
Se quando eu chegar fugires
Ninguém dirá que me queres!
Se tu ocultar puderes
O que há nesses olhos teus
E que é tão igual nos meus
Ninguém dirá que me queres!
Se alguma vez tu puseres
A minha mão tua mão
Sem que estremeças, então
Ninguém dirá que me queres!
E se o que te dei me deres
A minha trança e três flores
Não pode haver mais rumores
Ninguém dirá que me queres!
2 023
1
Reinaldo Ferreira
Se flores jamais me deres
Se flores jamais me deres,
Se eu rir e tu não rires,
Se quando eu chegar fugires
Ninguém dirá que me queres!
Se tu ocultar puderes
O que há nesses olhos teus
E que é tão igual nos meus
Ninguém dirá que me queres!
Se alguma vez tu puseres
A minha mão tua mão
Sem que estremeças, então
Ninguém dirá que me queres!
E se o que te dei me deres
A minha trança e três flores
Não pode haver mais rumores
Ninguém dirá que me queres!
Se eu rir e tu não rires,
Se quando eu chegar fugires
Ninguém dirá que me queres!
Se tu ocultar puderes
O que há nesses olhos teus
E que é tão igual nos meus
Ninguém dirá que me queres!
Se alguma vez tu puseres
A minha mão tua mão
Sem que estremeças, então
Ninguém dirá que me queres!
E se o que te dei me deres
A minha trança e três flores
Não pode haver mais rumores
Ninguém dirá que me queres!
2 023
1
Jorge Viegas
Tempo Adormecido
Um dia o sonho
Despertou suavemente...
Flores coloridas
Dão um brilho perfumado
Ao voo encantado dos sentidos...
Ondas sonolentas
Salpicam memórias
Pintando quadros iluminados...
Brilhos celestiais
Envolvem sensualidades
Sorvendo carinhos transparentes...
Melodias encantadas
Escorrem delicadamente
Por entre aromas apaixonados...
Abrem-se as janelas do infinito
Absorvemos o esplendor do tempo adormecido
E lentamente descobrimos o amor
Diluído na imensidão dos jardins do universo.
Despertou suavemente...
Flores coloridas
Dão um brilho perfumado
Ao voo encantado dos sentidos...
Ondas sonolentas
Salpicam memórias
Pintando quadros iluminados...
Brilhos celestiais
Envolvem sensualidades
Sorvendo carinhos transparentes...
Melodias encantadas
Escorrem delicadamente
Por entre aromas apaixonados...
Abrem-se as janelas do infinito
Absorvemos o esplendor do tempo adormecido
E lentamente descobrimos o amor
Diluído na imensidão dos jardins do universo.
1 592
1
Silvaney Paes
Matéria
dos Sonhos
Material
estranho esse do amor e o do Sonho
Vivo, sinto um amor desse mesmo material.
Estranho!
Etéreo esse amor que já é um sonho
Deus, amor e sonho, tudo etéreo.
Estranho.
E nem viram os olhos meu estranho sonho
De um amar que sonho, etéreo, eterno.
Estranho!
E Deus, os Anjos, Meu Amor, Meu Sonho.
Etéreo? Não. Apenas ...
Estranhos!
Material
estranho esse do amor e o do Sonho
Vivo, sinto um amor desse mesmo material.
Estranho!
Etéreo esse amor que já é um sonho
Deus, amor e sonho, tudo etéreo.
Estranho.
E nem viram os olhos meu estranho sonho
De um amar que sonho, etéreo, eterno.
Estranho!
E Deus, os Anjos, Meu Amor, Meu Sonho.
Etéreo? Não. Apenas ...
Estranhos!
1 050
1
Reinaldo Ferreira
Que de nós dois
Que de nós dois
O mais sensato sou eu,
- É uma forma delicada
De dizeres que sou mais velho.
Ora é verdade
Ser eu quem tem mais idade.
Mas daí a ter juízo
Vai um abismo tão grande
Que é preciso,
Com certeza,
Que o digas com ironia
E nenhuma simpatia
Pelo engano em que vivo.
O engano de ter rugas
E nunca fitar um espelho...
Vê lá tu que eu não sabia
Que sou dos dois o mais velho.
O mais sensato sou eu,
- É uma forma delicada
De dizeres que sou mais velho.
Ora é verdade
Ser eu quem tem mais idade.
Mas daí a ter juízo
Vai um abismo tão grande
Que é preciso,
Com certeza,
Que o digas com ironia
E nenhuma simpatia
Pelo engano em que vivo.
O engano de ter rugas
E nunca fitar um espelho...
Vê lá tu que eu não sabia
Que sou dos dois o mais velho.
1 966
1
Silvaney Paes
Inútil Amor
Ó Onda
de Luz !...
Porque não mais me carregas,
Se sopra tanto o vento estas minhas velas
Para que retorne a meu Cais?
Assoma... grita tanto em mim um poeta,
Em insano e dolente apego!
- Mas de que me serve este amor inútil,
Se é turvo e tortuoso rio
Que nasce e morre em mim mesmo?
Sei que quem me espera é o mar...
E que o oceano por detrás de teus olhos
Não conseguem ver-me
E careço chorar letras...
Verto estes tristes cantos
Por uma rosa e seu espinho
Desfolhando-me em quimeras
Ou em interiores guerras..
Delírio e inspiração de longínqua terra,
E se é por ti que assoma este poeta,
Assomas e cantas por ti mesma,
branca rosa portuguesa.
Mas que te guarde bem... Espinho
Pois não trazes os que te guardem.
Só minha saudade é o que te cerca,
Pois ela é também espera
Na poesia contida em branca rosa...
musa flor de longínqua terra.
de Luz !...
Porque não mais me carregas,
Se sopra tanto o vento estas minhas velas
Para que retorne a meu Cais?
Assoma... grita tanto em mim um poeta,
Em insano e dolente apego!
- Mas de que me serve este amor inútil,
Se é turvo e tortuoso rio
Que nasce e morre em mim mesmo?
Sei que quem me espera é o mar...
E que o oceano por detrás de teus olhos
Não conseguem ver-me
E careço chorar letras...
Verto estes tristes cantos
Por uma rosa e seu espinho
Desfolhando-me em quimeras
Ou em interiores guerras..
Delírio e inspiração de longínqua terra,
E se é por ti que assoma este poeta,
Assomas e cantas por ti mesma,
branca rosa portuguesa.
Mas que te guarde bem... Espinho
Pois não trazes os que te guardem.
Só minha saudade é o que te cerca,
Pois ela é também espera
Na poesia contida em branca rosa...
musa flor de longínqua terra.
763
1
Silvaney Paes
Letargia
Já que vais partir...
Faças como o vento ao cair da tarde
Anunciando negra noite de tempestade,
Mas leva este meu coração contigo,
Pois ele nunca amou este abrigo
E por ti, levou-me ao engano,
Renegando ser parte de mim ao me trair.
.
Irei prantear mas não morrerei,
Murmurarei como o pinheiral,
Curvar-me-ei, mas levantarei
Depois que passares
E ante teus ruidosos festejos,
Verão outros, neles, teus enganos,
Pois não foste capaz de arrebentar a fibra
Desta minh’alma que embora triste,
Além de ti, resiste e vive.
Mas vendo que partiste por completo,
Haverei de dormir meu sono letárgico,
Amofinado pela minha dor
E parecerá infindo meu negro crepúsculo ,
Onde d’outros olhos, busco ocultar vida
Recobrindo-me sob completa apatia,
Para suportar o meu mais fustigado inverno.
Perderei folha por folha,
Vez que, serão elas fragmentos d’alma,
Mas serão também as mágoas
E recordações lavadas com lágrimas,
Para voltando-se os olhares, n’outro dia,
Na direção desta alma d’antes declarada finda,
Vejam-se espantados com minha nova aurora,
Que clamará por novo amor em outra primavera.
Faças como o vento ao cair da tarde
Anunciando negra noite de tempestade,
Mas leva este meu coração contigo,
Pois ele nunca amou este abrigo
E por ti, levou-me ao engano,
Renegando ser parte de mim ao me trair.
.
Irei prantear mas não morrerei,
Murmurarei como o pinheiral,
Curvar-me-ei, mas levantarei
Depois que passares
E ante teus ruidosos festejos,
Verão outros, neles, teus enganos,
Pois não foste capaz de arrebentar a fibra
Desta minh’alma que embora triste,
Além de ti, resiste e vive.
Mas vendo que partiste por completo,
Haverei de dormir meu sono letárgico,
Amofinado pela minha dor
E parecerá infindo meu negro crepúsculo ,
Onde d’outros olhos, busco ocultar vida
Recobrindo-me sob completa apatia,
Para suportar o meu mais fustigado inverno.
Perderei folha por folha,
Vez que, serão elas fragmentos d’alma,
Mas serão também as mágoas
E recordações lavadas com lágrimas,
Para voltando-se os olhares, n’outro dia,
Na direção desta alma d’antes declarada finda,
Vejam-se espantados com minha nova aurora,
Que clamará por novo amor em outra primavera.
920
1
Silvaney Paes
Teu Silêncio
Mulher...
Se Algum dia
Ferir-te o peito,
A minha língua manca,
E me ferires de silêncio,
Coloca na ferida aberta
Os sentimentos,
Como o melhor ungüento,
Não os concebi à contra-gotas
E os enviei em grandes somas,
Em assomos, perdidos na linguagem,
Que regurgitei nas poesias
Que a ti, eu, dediquei.
Mulher...
Se abrires os olhos
Por detrás da carne,
Verás que foram dentre eles
A jóia que considerais mais cara,
Como já me declarastes:
À do vértice
Da pirâmide de tua existência,
A da amizade...
Mas foi também ali meu diamante,
Um bem querer menino,
Também amigo,
E que achei que sobejastes,
Mas que ainda cresce
Na pretensão que guardo,
Ou mesmo no delírio que me escapa -
A quem chamo de esperança -
De que um dia me respostas,
Como gostaria.
Mulher...
Assim como eu,
Somente um outro louco
Veria no silêncio momentâneo
Um quando em branco,
Uma promessa, um pacto,
Um contrato assinado,
Entre tu e eu -
Num doloroso aguardo-
De vê-lo pintado, como um retrato,
Do pacto,
Por quatro mãos,
Por duas almas,
Um dia...
Mulher...
E se festejo agora,
Revelaste-me numa carta
Enxergar além do turvo que te mostro,
E que abraçastes em minhas letras
O tesouro de minha pobreza:
Amizade, respeito, apreço...
Minha alma oferecida em bandeja,
Bandeja do mais fino barro
De minha existência.
Se Algum dia
Ferir-te o peito,
A minha língua manca,
E me ferires de silêncio,
Coloca na ferida aberta
Os sentimentos,
Como o melhor ungüento,
Não os concebi à contra-gotas
E os enviei em grandes somas,
Em assomos, perdidos na linguagem,
Que regurgitei nas poesias
Que a ti, eu, dediquei.
Mulher...
Se abrires os olhos
Por detrás da carne,
Verás que foram dentre eles
A jóia que considerais mais cara,
Como já me declarastes:
À do vértice
Da pirâmide de tua existência,
A da amizade...
Mas foi também ali meu diamante,
Um bem querer menino,
Também amigo,
E que achei que sobejastes,
Mas que ainda cresce
Na pretensão que guardo,
Ou mesmo no delírio que me escapa -
A quem chamo de esperança -
De que um dia me respostas,
Como gostaria.
Mulher...
Assim como eu,
Somente um outro louco
Veria no silêncio momentâneo
Um quando em branco,
Uma promessa, um pacto,
Um contrato assinado,
Entre tu e eu -
Num doloroso aguardo-
De vê-lo pintado, como um retrato,
Do pacto,
Por quatro mãos,
Por duas almas,
Um dia...
Mulher...
E se festejo agora,
Revelaste-me numa carta
Enxergar além do turvo que te mostro,
E que abraçastes em minhas letras
O tesouro de minha pobreza:
Amizade, respeito, apreço...
Minha alma oferecida em bandeja,
Bandeja do mais fino barro
De minha existência.
1 200
1
Silvaney Paes
Teu Silêncio
Mulher...
Se Algum dia
Ferir-te o peito,
A minha língua manca,
E me ferires de silêncio,
Coloca na ferida aberta
Os sentimentos,
Como o melhor ungüento,
Não os concebi à contra-gotas
E os enviei em grandes somas,
Em assomos, perdidos na linguagem,
Que regurgitei nas poesias
Que a ti, eu, dediquei.
Mulher...
Se abrires os olhos
Por detrás da carne,
Verás que foram dentre eles
A jóia que considerais mais cara,
Como já me declarastes:
À do vértice
Da pirâmide de tua existência,
A da amizade...
Mas foi também ali meu diamante,
Um bem querer menino,
Também amigo,
E que achei que sobejastes,
Mas que ainda cresce
Na pretensão que guardo,
Ou mesmo no delírio que me escapa -
A quem chamo de esperança -
De que um dia me respostas,
Como gostaria.
Mulher...
Assim como eu,
Somente um outro louco
Veria no silêncio momentâneo
Um quando em branco,
Uma promessa, um pacto,
Um contrato assinado,
Entre tu e eu -
Num doloroso aguardo-
De vê-lo pintado, como um retrato,
Do pacto,
Por quatro mãos,
Por duas almas,
Um dia...
Mulher...
E se festejo agora,
Revelaste-me numa carta
Enxergar além do turvo que te mostro,
E que abraçastes em minhas letras
O tesouro de minha pobreza:
Amizade, respeito, apreço...
Minha alma oferecida em bandeja,
Bandeja do mais fino barro
De minha existência.
Se Algum dia
Ferir-te o peito,
A minha língua manca,
E me ferires de silêncio,
Coloca na ferida aberta
Os sentimentos,
Como o melhor ungüento,
Não os concebi à contra-gotas
E os enviei em grandes somas,
Em assomos, perdidos na linguagem,
Que regurgitei nas poesias
Que a ti, eu, dediquei.
Mulher...
Se abrires os olhos
Por detrás da carne,
Verás que foram dentre eles
A jóia que considerais mais cara,
Como já me declarastes:
À do vértice
Da pirâmide de tua existência,
A da amizade...
Mas foi também ali meu diamante,
Um bem querer menino,
Também amigo,
E que achei que sobejastes,
Mas que ainda cresce
Na pretensão que guardo,
Ou mesmo no delírio que me escapa -
A quem chamo de esperança -
De que um dia me respostas,
Como gostaria.
Mulher...
Assim como eu,
Somente um outro louco
Veria no silêncio momentâneo
Um quando em branco,
Uma promessa, um pacto,
Um contrato assinado,
Entre tu e eu -
Num doloroso aguardo-
De vê-lo pintado, como um retrato,
Do pacto,
Por quatro mãos,
Por duas almas,
Um dia...
Mulher...
E se festejo agora,
Revelaste-me numa carta
Enxergar além do turvo que te mostro,
E que abraçastes em minhas letras
O tesouro de minha pobreza:
Amizade, respeito, apreço...
Minha alma oferecida em bandeja,
Bandeja do mais fino barro
De minha existência.
1 200
1
Susana Pestana
Fascinação
Entre os becos da tua vida
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
932
1
Silvaney Paes
Moribundo diante de um Padre
Conhecendo
mais à dor...
Dela, devo tirar-lhe pálidos goles de gozo
E delirar em derradeiros instantes de riso,
Para que vossas piedosas intenções
Restem guardadas para uma outra alma,
Alienada de vosso rabanho.
E desde já,
Abro mão de ocultas baixezas,
Pois que declaro, sempre desejei
Fosse a vossa hora antes da minha.
E nada podeis ofertar a este moribundo...
Haja que, de nada mais careço.
Como crer em vosso falhado Deus Cristão?
Ele já foi a ilusão temporã deste peregrino
E por isso fui falhado homem de falhada sorte,
Mas, se agora me falha teimosa fibra,
Que dantes conduzia ralo líquido em mim,
Não haverá de falhar-me a morte onde falhou-me a vida.
E careço somente nela crer por ora.
Se neste instante derradeiro,
Em achando que blasfemo contra vosso senhor,
Pois que, lhe encomende o somatório de minhas faltas
E que profira zangada sentença.
Já cumpri todas as penas,
Nos meus cotidianos infernos e purgatórios,
Bem diante de vossos cegos olhos e surdos ouvidos
mais à dor...
Dela, devo tirar-lhe pálidos goles de gozo
E delirar em derradeiros instantes de riso,
Para que vossas piedosas intenções
Restem guardadas para uma outra alma,
Alienada de vosso rabanho.
E desde já,
Abro mão de ocultas baixezas,
Pois que declaro, sempre desejei
Fosse a vossa hora antes da minha.
E nada podeis ofertar a este moribundo...
Haja que, de nada mais careço.
Como crer em vosso falhado Deus Cristão?
Ele já foi a ilusão temporã deste peregrino
E por isso fui falhado homem de falhada sorte,
Mas, se agora me falha teimosa fibra,
Que dantes conduzia ralo líquido em mim,
Não haverá de falhar-me a morte onde falhou-me a vida.
E careço somente nela crer por ora.
Se neste instante derradeiro,
Em achando que blasfemo contra vosso senhor,
Pois que, lhe encomende o somatório de minhas faltas
E que profira zangada sentença.
Já cumpri todas as penas,
Nos meus cotidianos infernos e purgatórios,
Bem diante de vossos cegos olhos e surdos ouvidos
714
1
Reinaldo Ferreira
Acordes gastos
Acordes gastos
De velhos cantos
Doutras deidades,
Riem, nefastos
Das novidades.
Zombam?... Quem sabe
Qual o sentido,
Oculto ou expresso,
Que tem a Esfinge?
Ai quantas vezes
O riso rido
É dor que finge
Ter-se sorrido;
Ou azedume
De ser excedido.
Talvez apenas
Serenidade;
Olhos que fitem,
Desnecessários,
A eternidade.
Nós é que, toscos
De ter sentido
Sua atentatória
Supremacia,
Nos esquecemos
Que os Deuses mortos
Não têm memória
Nem simpatia.
De velhos cantos
Doutras deidades,
Riem, nefastos
Das novidades.
Zombam?... Quem sabe
Qual o sentido,
Oculto ou expresso,
Que tem a Esfinge?
Ai quantas vezes
O riso rido
É dor que finge
Ter-se sorrido;
Ou azedume
De ser excedido.
Talvez apenas
Serenidade;
Olhos que fitem,
Desnecessários,
A eternidade.
Nós é que, toscos
De ter sentido
Sua atentatória
Supremacia,
Nos esquecemos
Que os Deuses mortos
Não têm memória
Nem simpatia.
2 053
1
Reinaldo Ferreira
Acordes gastos
Acordes gastos
De velhos cantos
Doutras deidades,
Riem, nefastos
Das novidades.
Zombam?... Quem sabe
Qual o sentido,
Oculto ou expresso,
Que tem a Esfinge?
Ai quantas vezes
O riso rido
É dor que finge
Ter-se sorrido;
Ou azedume
De ser excedido.
Talvez apenas
Serenidade;
Olhos que fitem,
Desnecessários,
A eternidade.
Nós é que, toscos
De ter sentido
Sua atentatória
Supremacia,
Nos esquecemos
Que os Deuses mortos
Não têm memória
Nem simpatia.
De velhos cantos
Doutras deidades,
Riem, nefastos
Das novidades.
Zombam?... Quem sabe
Qual o sentido,
Oculto ou expresso,
Que tem a Esfinge?
Ai quantas vezes
O riso rido
É dor que finge
Ter-se sorrido;
Ou azedume
De ser excedido.
Talvez apenas
Serenidade;
Olhos que fitem,
Desnecessários,
A eternidade.
Nós é que, toscos
De ter sentido
Sua atentatória
Supremacia,
Nos esquecemos
Que os Deuses mortos
Não têm memória
Nem simpatia.
2 053
1
Lucas Tenório
Meu Pensamento, minha Cotovia
Pensamento meu...
És meu melhor amigo,
Mensageiro ambulante
em gaivota fugaz.
Turbilhão de desejos
em carrossel de sentidos,
Que em minh`alma se faz,
se desfaz, se refaz...
Cotovia, alegria,
és meu tinido mudo!
Como a brisa passante
dessas primaveras...
Pensamento, espera!
... me emudeça com ela...
......................
(- Será este pr`a ti
um cortejo absurdo?)
Mas por quê? Afinal,
não és tu a que voa?
Pois que tal, da janela,
joga aos ares tuas velas!
Que os meus sonhos, menina,
já vão de vento em proa...
Cotovia, psiu! Ô Cotovia,
sê`nessa caravela,
nosso pouso distante,
e que nos deixem à toa...
Tempestades, Tufões...?
Só nos querem as garoas...
(Inspirado em Manuel Bandeira
e Chico Buarque, e em homenagem
a uma pernambucaninha da garoa,
não menos leve e talentosa.)
És meu melhor amigo,
Mensageiro ambulante
em gaivota fugaz.
Turbilhão de desejos
em carrossel de sentidos,
Que em minh`alma se faz,
se desfaz, se refaz...
Cotovia, alegria,
és meu tinido mudo!
Como a brisa passante
dessas primaveras...
Pensamento, espera!
... me emudeça com ela...
......................
(- Será este pr`a ti
um cortejo absurdo?)
Mas por quê? Afinal,
não és tu a que voa?
Pois que tal, da janela,
joga aos ares tuas velas!
Que os meus sonhos, menina,
já vão de vento em proa...
Cotovia, psiu! Ô Cotovia,
sê`nessa caravela,
nosso pouso distante,
e que nos deixem à toa...
Tempestades, Tufões...?
Só nos querem as garoas...
(Inspirado em Manuel Bandeira
e Chico Buarque, e em homenagem
a uma pernambucaninha da garoa,
não menos leve e talentosa.)
860
1
Lucas Tenório
Meu Pensamento, minha Cotovia
Pensamento meu...
És meu melhor amigo,
Mensageiro ambulante
em gaivota fugaz.
Turbilhão de desejos
em carrossel de sentidos,
Que em minh`alma se faz,
se desfaz, se refaz...
Cotovia, alegria,
és meu tinido mudo!
Como a brisa passante
dessas primaveras...
Pensamento, espera!
... me emudeça com ela...
......................
(- Será este pr`a ti
um cortejo absurdo?)
Mas por quê? Afinal,
não és tu a que voa?
Pois que tal, da janela,
joga aos ares tuas velas!
Que os meus sonhos, menina,
já vão de vento em proa...
Cotovia, psiu! Ô Cotovia,
sê`nessa caravela,
nosso pouso distante,
e que nos deixem à toa...
Tempestades, Tufões...?
Só nos querem as garoas...
(Inspirado em Manuel Bandeira
e Chico Buarque, e em homenagem
a uma pernambucaninha da garoa,
não menos leve e talentosa.)
És meu melhor amigo,
Mensageiro ambulante
em gaivota fugaz.
Turbilhão de desejos
em carrossel de sentidos,
Que em minh`alma se faz,
se desfaz, se refaz...
Cotovia, alegria,
és meu tinido mudo!
Como a brisa passante
dessas primaveras...
Pensamento, espera!
... me emudeça com ela...
......................
(- Será este pr`a ti
um cortejo absurdo?)
Mas por quê? Afinal,
não és tu a que voa?
Pois que tal, da janela,
joga aos ares tuas velas!
Que os meus sonhos, menina,
já vão de vento em proa...
Cotovia, psiu! Ô Cotovia,
sê`nessa caravela,
nosso pouso distante,
e que nos deixem à toa...
Tempestades, Tufões...?
Só nos querem as garoas...
(Inspirado em Manuel Bandeira
e Chico Buarque, e em homenagem
a uma pernambucaninha da garoa,
não menos leve e talentosa.)
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