Emoções e Sentimentos
Martha Medeiros
Relacionamento à distância
Relacionamento a distância — não são todos assim, hoje? Em vez de conviver, viramos uns bisbilhoteiros. Compreensível, já que esse troço chamado rede social captura mesmo. Se você é seguidor de gente interessante, então, é um vício, pois são muitos textos bem escritos, fotos originais, comentários divertidos, dicas de livros e filmes. Ainda assim, moderação e tino: ninguém é tão estupendo como se apresenta no mundo virtual. Onde foi parar nosso lado sombrio?
Fraquezas, angústias, dúvidas: não há espaço para eles no Instagram e no Facebook. Dá a impressão de que ninguém chora ou se atrapalha no cotidiano — são raros os que expõem sua bad trip (o ego não deixa). Normal, mas é bom lembrar que quem aprisiona sua dor não se relaciona, não para valer. Intimidade se atinge com divisão de fardo, troca. Paixões e amigos dão sentido à nossa vida porque ajudam a nos passar a limpo, a colarmos nossas fraturas, a nos tornarmos pessoas melhores. Cultuo a solidão, como já disse mil vezes, mas ela é um pit-stop, apenas. Se escolho estar só o tempo inteiro, sem interagir com as emoções dos outros e sem expressar as minhas inquietudes de viva voz, não evoluo, nada evolui.
Meu amigo conhecia profundamente sua namorada capixaba? Pouco, pois o WhatsApp não dá conta da nossa humanidade, não substitui olhares e abraços. Difícil demonstrar nossos desconfortos através de mensagens on-line, então dá-lhe oba-oba. Resultado: depressão virou epidemia e os suicídios se sucedem porque, entre outros motivos, as pessoas se sentem inadequadas por estar sofrendo, o que é um absurdo. Sofrer é adequado. Sofrer é normal. Todo mundo sofre, mesmo que não pareça. E não parece mesmo, pela tremenda distância estabelecida entre o nosso eu real e o real dos outros.
Do quarto dos pais ao quarto dos filhos pode existir um corredor de 2.000km a separá-los. Entre a minha cadeira no restaurante e a sua, abre-se uma cratera a cada vez que colocamos o celular sobre a mesa e ficamos checando as redes em vez de conversar, rir, fazer confidências. Relacionamento à distância é silêncio a dois, pode estar acontecendo aí mesmo dentro do seu casamento perfeito.
Martha Medeiros
Relacionamento à distância
Relacionamento a distância — não são todos assim, hoje? Em vez de conviver, viramos uns bisbilhoteiros. Compreensível, já que esse troço chamado rede social captura mesmo. Se você é seguidor de gente interessante, então, é um vício, pois são muitos textos bem escritos, fotos originais, comentários divertidos, dicas de livros e filmes. Ainda assim, moderação e tino: ninguém é tão estupendo como se apresenta no mundo virtual. Onde foi parar nosso lado sombrio?
Fraquezas, angústias, dúvidas: não há espaço para eles no Instagram e no Facebook. Dá a impressão de que ninguém chora ou se atrapalha no cotidiano — são raros os que expõem sua bad trip (o ego não deixa). Normal, mas é bom lembrar que quem aprisiona sua dor não se relaciona, não para valer. Intimidade se atinge com divisão de fardo, troca. Paixões e amigos dão sentido à nossa vida porque ajudam a nos passar a limpo, a colarmos nossas fraturas, a nos tornarmos pessoas melhores. Cultuo a solidão, como já disse mil vezes, mas ela é um pit-stop, apenas. Se escolho estar só o tempo inteiro, sem interagir com as emoções dos outros e sem expressar as minhas inquietudes de viva voz, não evoluo, nada evolui.
Meu amigo conhecia profundamente sua namorada capixaba? Pouco, pois o WhatsApp não dá conta da nossa humanidade, não substitui olhares e abraços. Difícil demonstrar nossos desconfortos através de mensagens on-line, então dá-lhe oba-oba. Resultado: depressão virou epidemia e os suicídios se sucedem porque, entre outros motivos, as pessoas se sentem inadequadas por estar sofrendo, o que é um absurdo. Sofrer é adequado. Sofrer é normal. Todo mundo sofre, mesmo que não pareça. E não parece mesmo, pela tremenda distância estabelecida entre o nosso eu real e o real dos outros.
Do quarto dos pais ao quarto dos filhos pode existir um corredor de 2.000km a separá-los. Entre a minha cadeira no restaurante e a sua, abre-se uma cratera a cada vez que colocamos o celular sobre a mesa e ficamos checando as redes em vez de conversar, rir, fazer confidências. Relacionamento à distância é silêncio a dois, pode estar acontecendo aí mesmo dentro do seu casamento perfeito.
Martha Medeiros
Relacionamento à distância
Relacionamento a distância — não são todos assim, hoje? Em vez de conviver, viramos uns bisbilhoteiros. Compreensível, já que esse troço chamado rede social captura mesmo. Se você é seguidor de gente interessante, então, é um vício, pois são muitos textos bem escritos, fotos originais, comentários divertidos, dicas de livros e filmes. Ainda assim, moderação e tino: ninguém é tão estupendo como se apresenta no mundo virtual. Onde foi parar nosso lado sombrio?
Fraquezas, angústias, dúvidas: não há espaço para eles no Instagram e no Facebook. Dá a impressão de que ninguém chora ou se atrapalha no cotidiano — são raros os que expõem sua bad trip (o ego não deixa). Normal, mas é bom lembrar que quem aprisiona sua dor não se relaciona, não para valer. Intimidade se atinge com divisão de fardo, troca. Paixões e amigos dão sentido à nossa vida porque ajudam a nos passar a limpo, a colarmos nossas fraturas, a nos tornarmos pessoas melhores. Cultuo a solidão, como já disse mil vezes, mas ela é um pit-stop, apenas. Se escolho estar só o tempo inteiro, sem interagir com as emoções dos outros e sem expressar as minhas inquietudes de viva voz, não evoluo, nada evolui.
Meu amigo conhecia profundamente sua namorada capixaba? Pouco, pois o WhatsApp não dá conta da nossa humanidade, não substitui olhares e abraços. Difícil demonstrar nossos desconfortos através de mensagens on-line, então dá-lhe oba-oba. Resultado: depressão virou epidemia e os suicídios se sucedem porque, entre outros motivos, as pessoas se sentem inadequadas por estar sofrendo, o que é um absurdo. Sofrer é adequado. Sofrer é normal. Todo mundo sofre, mesmo que não pareça. E não parece mesmo, pela tremenda distância estabelecida entre o nosso eu real e o real dos outros.
Do quarto dos pais ao quarto dos filhos pode existir um corredor de 2.000km a separá-los. Entre a minha cadeira no restaurante e a sua, abre-se uma cratera a cada vez que colocamos o celular sobre a mesa e ficamos checando as redes em vez de conversar, rir, fazer confidências. Relacionamento à distância é silêncio a dois, pode estar acontecendo aí mesmo dentro do seu casamento perfeito.
Friedrich Hölderlin
Curso da vida
A todos vence, a dor curva ainda mais,
E não é em vão que o nosso círculo
Volta ao ponto donde veio!
Para cima ou para baixo! Não sopra em noite sagrada,
Onde a Natureza muda medita dias futuros,
Não domina no Orco mais torto
Um direito, uma justiça também?
Foi isso que aprendi. Pois nunca, como os mestres mortais,
Vós, ó celestiais, ó deuses que tudo mantendes,
Que eu saiba, nunca com cuidado
Me guiastes por caminho plano.
Tudo experimente o homem, dizem os deuses,
Que ele, alimentado com forte mantença, aprenda a ser grato por tudo,
E compreenda a liberdade
De partir para onde queira.
Lebenslauf
Größers wolltest auch du, aber die Liebe zwingt
All uns nieder, das Leid beuget gewaltiger,
Doch es kehret umsonst nicht
Unser Bogen, woher er kommt.
Aufwärts oder hinab! herrschet in heilger Nacht,
Wo die stumme Natur werdende Tage sinnt,
Herrscht im schiefesten Orkus
Nicht ein Grades, ein Recht noch auch ?
.
Dies erfuhr ich. Denn nie, sterblichen Meistern gleich,
Habt ihr Himmlischen, ihr Alleserhaltenden,
Daß ich wüßte, mit Vorsicht
Mich des ebenen Pfades geführt.
.
Alles prüfe der Mensch, sagen die Himmlischen,
Daß er, kräftig genährt, danken für Alles lern,
Und verstehe die Freiheit,
Aufzubrechen, wohin er will.
– Friedrich Hölderlin. “Lebenslauf”/”Curso da vida”. in: Hölderlin: Poemas. (organização e tradução Paulo Quintela). Coimbra: Atlântida, 1959.
Mário de Sá-Carneiro
Inter-Sonho
Toda a minh’alma se esconde
Reminiscências de Aonde
Perturbam-me em nostalgia…
Manhã d’armas! Manhã d’armas!
Romaria! Romaria!
…………………………………………………………….
Tateio… dobro… resvalo…
…………………………………………………………….
Princesas de fantasia
Desencantam-se das flores…
…………………………………………………………….
Que pesadelo tão bom…
…………………………………………………………….
Pressinto um grande intervalo,
Deliro todas as cores,
Vivo em roxo e morro em som…
Mário de Sá-Carneiro
Inter-Sonho
Toda a minh’alma se esconde
Reminiscências de Aonde
Perturbam-me em nostalgia…
Manhã d’armas! Manhã d’armas!
Romaria! Romaria!
…………………………………………………………….
Tateio… dobro… resvalo…
…………………………………………………………….
Princesas de fantasia
Desencantam-se das flores…
…………………………………………………………….
Que pesadelo tão bom…
…………………………………………………………….
Pressinto um grande intervalo,
Deliro todas as cores,
Vivo em roxo e morro em som…
Mário de Sá-Carneiro
Inter-Sonho
Toda a minh’alma se esconde
Reminiscências de Aonde
Perturbam-me em nostalgia…
Manhã d’armas! Manhã d’armas!
Romaria! Romaria!
…………………………………………………………….
Tateio… dobro… resvalo…
…………………………………………………………….
Princesas de fantasia
Desencantam-se das flores…
…………………………………………………………….
Que pesadelo tão bom…
…………………………………………………………….
Pressinto um grande intervalo,
Deliro todas as cores,
Vivo em roxo e morro em som…
Manoel Herzog
O HOMEM QUE VIROU SAMBA
Não bebe, não fuma pedra
Só vive na rua, mendigo.
Às vezes toma chuva e nem liga
Dorme atrás do cemitério
E seu cobertor fede a mijo.
Dizem que Altino tinha casa
Era mecânico da Volks, ganhava bem
Tudo na vida dele ia.
Um dia a mulher de Altino
Largou ele e foi morar na rua
Com um velho mendigo
Que não tinha merda nenhuma pra oferecer pra ela.
Depois dessa desilusão Altino agarrou de ser mendigo
Talvez na esperança que ela volte pra ele
Já que ela gosta é disso.
Manoel Herzog
O HOMEM QUE VIROU SAMBA
Não bebe, não fuma pedra
Só vive na rua, mendigo.
Às vezes toma chuva e nem liga
Dorme atrás do cemitério
E seu cobertor fede a mijo.
Dizem que Altino tinha casa
Era mecânico da Volks, ganhava bem
Tudo na vida dele ia.
Um dia a mulher de Altino
Largou ele e foi morar na rua
Com um velho mendigo
Que não tinha merda nenhuma pra oferecer pra ela.
Depois dessa desilusão Altino agarrou de ser mendigo
Talvez na esperança que ela volte pra ele
Já que ela gosta é disso.
Manoel Herzog
AMOR INDIGENTE
É o mesmo amor que em mim é reprimido
Por quem diz: “Faça assim, não faça assado”.
Eu não suporto ninguém no comando.
Aquele amor que trago sufocado
O dia todo e que te entrego à noite
É o mesmo amor que têm os vagabundos,
Mas, meu amor, não chores só por isso.
O meu amor não pode ser mais puro
Pois meu amor nasceu numa sarjeta,
O meu amor nasceu alcoolizado,
Blasfema, arruma confusões, e apanha.
O meu amor, que às vezes te acompanha
Se dói por não acompanhar-te sempre
É porque o meu amor às vezes sente
Vontade de ir só por aí, vagando.
O meu amor, que eu acabo te dando,
Não, ele não é teu, nem meu tampouco –
Entende, meu amor é muito louco,
Demora a levantar e perde a hora.
O meu amor bate o ponto atrasado
E, quando chega no trabalho, chora.
Marcelo Montenegro
Cinecittà
Marcelo Montenegro
Cabaré
E se apenas cantássemos
como dois cansaços
num “deserto sem bússola”?
E se inscrevêssemos nosso sopro
na vidraça suja do mundo?
E se parássemos
de gastar nossas fichas nesta máquina?
E se apenas fingíssemos
como dois copos tingidos
de vinho no fundo?
E se nos anunciássemos
com bocejos sinceros em reuniões de negócios?
E se apenas sangrássemos
feito fiapos de riso
que escapam do choro?
E se topássemos, entre abandonos,
com o prenúncio invisível
de um poema lindo?
Resistiríamos, desistindo?
Marcelo Montenegro
Cabaré
E se apenas cantássemos
como dois cansaços
num “deserto sem bússola”?
E se inscrevêssemos nosso sopro
na vidraça suja do mundo?
E se parássemos
de gastar nossas fichas nesta máquina?
E se apenas fingíssemos
como dois copos tingidos
de vinho no fundo?
E se nos anunciássemos
com bocejos sinceros em reuniões de negócios?
E se apenas sangrássemos
feito fiapos de riso
que escapam do choro?
E se topássemos, entre abandonos,
com o prenúncio invisível
de um poema lindo?
Resistiríamos, desistindo?
José Mário Rodrigues
Lamento
subindo aos céus num trem de nuvens.
Lá se foi Margarida Alves
pelas veredas dos canaviais
na dança desnorteada dos ventos.
Não lamento as respirações interrompidas
sobre as pedras.
A morte é limpa e afirmativa
e suas vidas tiveram sentido.
Lamento os que ficam
sem sentido algum
e inúteis, covardes e impassíveis,
esperam apodrecer em seus domínios.
José Mário Rodrigues
Lamento
subindo aos céus num trem de nuvens.
Lá se foi Margarida Alves
pelas veredas dos canaviais
na dança desnorteada dos ventos.
Não lamento as respirações interrompidas
sobre as pedras.
A morte é limpa e afirmativa
e suas vidas tiveram sentido.
Lamento os que ficam
sem sentido algum
e inúteis, covardes e impassíveis,
esperam apodrecer em seus domínios.
Reynaldo Bessa
uma noite
minha mãe
puxava-me pela mão
éramos quatro;
eu, ela, o medo e a pressa
disso lembro-me bem
enquanto os três conversavam
eu pregava os olhos nos olhos tristes das casas e
me dava uma tremenda vontade de perguntar
"mamãe, o que elas têm?"
José Mário Rodrigues
A SOLIDÃO E SEU CORPO
às vezes apenas desejado
às vezes apenas na lembrança
de um tempo ido e que ficou marcado.
Toda solidão tem seu descanso
sem o desassossego de pensar
não repousa o corpo noutro corpo
mas tem o sono para flutuar.
Toda solidão é pesada e fria
e fica leve e se consome
e deixa cicatriz quando quer posse
e beija um corpo sem saber seu nome.
José Mário Rodrigues
A SOLIDÃO E SEU CORPO
às vezes apenas desejado
às vezes apenas na lembrança
de um tempo ido e que ficou marcado.
Toda solidão tem seu descanso
sem o desassossego de pensar
não repousa o corpo noutro corpo
mas tem o sono para flutuar.
Toda solidão é pesada e fria
e fica leve e se consome
e deixa cicatriz quando quer posse
e beija um corpo sem saber seu nome.
Marcelo Montenegro
Spoiler
uma história incrível.
Embora não lembre a história,
sou capaz de soletrar,
inclusive, a brisa que,
por um microssegundo,
inflou a cortina da sala.
(Um pedacinho de uma tarde
dentre as trilhões de tardes
que existiram naquela tarde.)
Lembro as pausas,
a música dos seus braços,
o cabelo tirado do rosto
no momento exato.
(Um bombom de ternura
com licor de naufrágio.)
Leonardo Aldrovandi
no andar de um homem perdido
um reflexo de luz sem pontas acena sob as névoas de nada
na cantoneira de couro suave, um novo minério da crise
projeta sua sombra virgem no silêncio leve de uma luneta
a gota de leite de vaca na lapela do ouriço bem comportado
inerte ao passo de uma ursa menor, gerente de hotelaria
a torcida freme e reluz diante do grande olaria
responde ao cansaço de tijolo que a redime e a acusa
na pia de gotas e cascas, o hormônio do frango empapuçado
num esfregaço de mel e cúrcuma, a conselho da doce fada
e no livro de faces morenas com outros botões de proveta
badejo-de-areia e garoupa em sobraço de um novo release
alguma sabedoria dos bálsamos renova o nosso expertise
a inteligência dos grunhidos e os abajures de ouvidoria
tapiocas alagoanas, joelhos sob o vento e a prancheta
a laje do salão de dança no balanço do chapéu medusa
entre véu, pombo e lençol, raspa, concepção imaculada
onde a colheita de Pentecostes repreende o atestado
os mesmos passos vazios que acompanham um caixão lacrado
retomam o salpicar dos pés na chegada à grande marquise
sem mais o vinco da calça branca ou qualquer bandeira alada
alguma matriz reformada que o sopro de Aelius alivia
no leme invisível do mangue que ora se usa e desusa
sargo de beiço aprumado com lábios largos cor violeta
sempre a doce imagem, do cancro ao lírio e à buceta
moletom mais lycra na água fluvial do abotoado
tanga de cinzas no céu blefado da vinha lusa
mais baunilha, menos tanino, à sombra do porta-valise
lampião da noitada vendendo joelhos em disritmia
e a nau feita em cuspe no museu atual da jangada
como esfiapar o pé-de-moleque, forma referendada
invadindo o rastro da festa em algum sacomã mais careta
embalando na forma adequada e sem qualquer covardia
as novas receitas mineiras com vinagre e pão recheado
será a tua confissão das letras apenas um seriado em reprise
nos pântanos menos circulados por vaca escovada e intrusa?
Num monte bem verde, o sonho de mais outra vida reclusa
recoberto de lordoses imaginadas da longa e triste remada
e na base do sinal de cão-bravo, pão, mel, gim, mazarize
Marcelo Montenegro
Literatura comparada
movimentado cujo semáforo pifou.
FUTURO é um cartaz de filme antigo
num cinema que já fechou.
ANGÚSTIA é esse instante
durando meses. AFETO
é uma conversa entre velhos amigos
no bar mais próximo ao velório de um deles.
MARCOS REY
foi meu Chuck Berry da literatura.
CARNE MOÍDA é o leite
condensado das misturas.
PA Zé sorrir por dentro. POSTAIS
são imagens pingando
das goteiras do tempo.
ENTRAR é o começo
de sair. “SER ORIGINAL
é tentar ser como os outros
e não conseguir”.
ACADEMIA é a repartição pública
do corpo. SIMPLICIDADE
é a superfície do topo.
FRACASSO é o abajur da sorte.
CANTAR é roubar
uns minutos da morte.
Marcelo Montenegro
Literatura comparada
movimentado cujo semáforo pifou.
FUTURO é um cartaz de filme antigo
num cinema que já fechou.
ANGÚSTIA é esse instante
durando meses. AFETO
é uma conversa entre velhos amigos
no bar mais próximo ao velório de um deles.
MARCOS REY
foi meu Chuck Berry da literatura.
CARNE MOÍDA é o leite
condensado das misturas.
PA Zé sorrir por dentro. POSTAIS
são imagens pingando
das goteiras do tempo.
ENTRAR é o começo
de sair. “SER ORIGINAL
é tentar ser como os outros
e não conseguir”.
ACADEMIA é a repartição pública
do corpo. SIMPLICIDADE
é a superfície do topo.
FRACASSO é o abajur da sorte.
CANTAR é roubar
uns minutos da morte.
Reynaldo Bessa
quando cai da rede
vi que eu existia mesmo
minha mae apareceu no umbral da porta
logo, meu pai, nu, nasceu de uma sombra e a puxou
ele queria terminar de foder com ela, e
parece que comigo também
os dois, silenciosamente, desapareceram na sombra
vi que eu nao existia mesmo
quando cai da rede.