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Poemas neste tema

Ciúme e Inveja

Gilberto Gil

Gilberto Gil

Domingo no parque

O rei da brincadeira
Ê, José
O rei da confusão
Ê, João
Um trabalhava na feira
Ê, José
Outro na construção
Ê, João
A semana passada, no fim da semana João resolveu não
brigar

No domingo de tardem saiu apressado

E não foi pra ribeira jogar capoeira

Não foi prá lá

Pra ribeira foi namorar

O José como sempre no fim da semana

Guardou a barraca e sumiu

Foi fazer no domingo um passeio no parque

Lá parto da boca do rio

Foi no parque que ele avistou Juliana foi que ele viu

Foi que ele viu Juliana na roda com João

Uma rosa e um sorvete na mão Juliana, seu sonho

Uma ilusão Juliana e o amigo João

O espinho da rosa feriu Zé

Feriu Zé, feriu Zé

E o sorvete gelou seu coração

O sorvete e a rosa

Oi, José

A rosa e o sorvete

Oi, José

Oi, dançando no peito

Oi, José

Do José brincalhão

Oi José

O sorvetee a rosa

Oi, José

A rosa e o sorvete

Oi, José

Oi, girando na mente

Oi, José

Do José brincalhão

Oi, José

Juliana girando

Oi, girando

Oi, na roda gigante

Oi, gorando

Oi, na roda gigante

Oi, girando

O amigo João João

O sorvete é morango

É vermelho

Oi, girando e a rosa

É vermelha

Oi, girando girando

É vermelha

Oi, girando girando

Olha a faca!

Olha a faca!

Olha o sangue na mão

Ê, José

Juliana no chão,

Ê, José

Outro corpo caído

Ê, José

Seu amigo João

Ê José

Amanhã não tem feira

Ê José

Não tem mais construção

Ê, João

Não tem mais brincadeira

Ê, José

Não tem mais confusão

Ê, João

Ê, ê, ê, ê, ê, ê, ê, ê,
ê...

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Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu

A Valsa

Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Coas faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
Pra outro
Não eu!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De arnores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas,..
— Eu vi!...

Calado,
Sózinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!

Quem dera
Que sintas!...
— Não negues
Não mintas...
— Eu vi!

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
Eu vi!

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