Poemas neste tema
Desejo
Angela Santos
Reconstrução
Prende-me
ao tempo
despido de história,
à memória branca,
à leveza de ser…
Prende-me a ti
desassossego, caos
viagem, maré ……
E desfaz-me, depois
para que me despoje e faça
à imagem do eu
que tiver que ser.
ao tempo
despido de história,
à memória branca,
à leveza de ser…
Prende-me a ti
desassossego, caos
viagem, maré ……
E desfaz-me, depois
para que me despoje e faça
à imagem do eu
que tiver que ser.
1 158
Angela Santos
Cansaços
Verde
planície,
teus olhos
teu corpo
doce orvalho em minha pele
Meu sol a pino
flamejante a tua língua
arrastando do meu corpo
exausto
restos de frio.
planície,
teus olhos
teu corpo
doce orvalho em minha pele
Meu sol a pino
flamejante a tua língua
arrastando do meu corpo
exausto
restos de frio.
631
Angela Santos
Eclosão
Cativa
no meu peito
uma ave se abriga
nos meus olhos, crescendo
a fome de cores que não vejo
e nas minhas mãos
que abro ao sol de outono
as sementes por plantar
guardo ainda…
E na corrente sem lei
que o meu sangue percorre,
a força de Eros vive adormecida
esperando o dia ou então o sinal
que o desperte e chame à dança da vida.
no meu peito
uma ave se abriga
nos meus olhos, crescendo
a fome de cores que não vejo
e nas minhas mãos
que abro ao sol de outono
as sementes por plantar
guardo ainda…
E na corrente sem lei
que o meu sangue percorre,
a força de Eros vive adormecida
esperando o dia ou então o sinal
que o desperte e chame à dança da vida.
1 180
Angela Santos
Por Dentro
Dentro
do meu peito
há um grito que não solto
um espinho que não cravei
uma espada
que não quis
voltada contra o que sou
Dentro do meu peito
há uma ave que não voa
da janela sem horizonte
onde pousada ficou
Dentro do meu peito
há um sol em declínio
uma gaveta fechada
onde guardei os sentidos
e a chave que a abriria
perdeu-se ou enferrujou.
Dentro do meu peito
emparedado há um rio
galgando as margens
que o prendem
na senda da sua foz…
e indómito busca caminho
sem saber se vai chegar
à boca desse mar imenso
que se liga a outro mar.
do meu peito
há um grito que não solto
um espinho que não cravei
uma espada
que não quis
voltada contra o que sou
Dentro do meu peito
há uma ave que não voa
da janela sem horizonte
onde pousada ficou
Dentro do meu peito
há um sol em declínio
uma gaveta fechada
onde guardei os sentidos
e a chave que a abriria
perdeu-se ou enferrujou.
Dentro do meu peito
emparedado há um rio
galgando as margens
que o prendem
na senda da sua foz…
e indómito busca caminho
sem saber se vai chegar
à boca desse mar imenso
que se liga a outro mar.
1 181
Mauricio Segall
Lento, curto o momento
Lento,
curto o momento
quando vedas as tochas de felino
e tudo em ti
se reduz ao enleio dos teus lábios
(entre parênteses).
São pêssegos misto de maça e amora
raviólis com recheio cheio
quarto crescente e quarto minguante
sorvedouro e onda
corrente e areia
arco e flecha,
serpente e piano
imã e espora,
nascente e vento,
ventosa e piranha.
Contemplo e questiono
esta voracidade
de morder a carne
macerar as frutas
esmagar a lua
queimar o sol
afogar a tempestade
beber o mar
comer a areia
e afrontar os perigos do rio e da montanha.
Entre o furacão e a calmaria
poente e aurora
orvalho e pântano
da prosa só resta a poesia
curto o momento
quando vedas as tochas de felino
e tudo em ti
se reduz ao enleio dos teus lábios
(entre parênteses).
São pêssegos misto de maça e amora
raviólis com recheio cheio
quarto crescente e quarto minguante
sorvedouro e onda
corrente e areia
arco e flecha,
serpente e piano
imã e espora,
nascente e vento,
ventosa e piranha.
Contemplo e questiono
esta voracidade
de morder a carne
macerar as frutas
esmagar a lua
queimar o sol
afogar a tempestade
beber o mar
comer a areia
e afrontar os perigos do rio e da montanha.
Entre o furacão e a calmaria
poente e aurora
orvalho e pântano
da prosa só resta a poesia
803
Mauricio Segall
Inesperadamente lento
Inesperadamente
lento
um momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento
Franzir do cenho
mordiscar do beiço
sopro no cabelo
regendo o vento
Olho cristal do olho
boca trigo da boca
lábio néctar do lábio
levitar, quase um lamento
Do tormento, do langor
retornas ao tédio do momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento;
Curioso, paciente
mudo indago, contemplo;
neste segundo e século
separa-nos a mesa do tempo.
lento
um momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento
Franzir do cenho
mordiscar do beiço
sopro no cabelo
regendo o vento
Olho cristal do olho
boca trigo da boca
lábio néctar do lábio
levitar, quase um lamento
Do tormento, do langor
retornas ao tédio do momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento;
Curioso, paciente
mudo indago, contemplo;
neste segundo e século
separa-nos a mesa do tempo.
873
Mauricio Segall
O voraz saboreio
O voraz
saboreio de cada milímetro
da tua epiderme cor de centeio
das costas aos seios da fronte aos poros
dispostos nas teias de veios azulados
que tateio com lábios sem peias
e leio com olhos que seguem amorosos
todo meneio ameno e ondular sereno do laceio
dos músculos e do recheio carnudo pleno que mordo com dentes afiados
de permeio aos suspiros dolentes na procura do odor perfumado
nas grutas dispersas que cheiro em todo teu corpo macio e cheio
desejado sofregamente na expressão máxima
do meu inexaurível amor anseio.
saboreio de cada milímetro
da tua epiderme cor de centeio
das costas aos seios da fronte aos poros
dispostos nas teias de veios azulados
que tateio com lábios sem peias
e leio com olhos que seguem amorosos
todo meneio ameno e ondular sereno do laceio
dos músculos e do recheio carnudo pleno que mordo com dentes afiados
de permeio aos suspiros dolentes na procura do odor perfumado
nas grutas dispersas que cheiro em todo teu corpo macio e cheio
desejado sofregamente na expressão máxima
do meu inexaurível amor anseio.
959
Angela Santos
Mordaça
Quanto
grito amordaçado
à garganta preso trago …
quanto desejo amortalhado
sem razão
quanto de mim renegado
à força de um qualquer não.
Força em tumulto
que me traz inquieta
e a ânsia em sinais que não decifro,
grades douradas que não quis
e contudo vivo.
grito amordaçado
à garganta preso trago …
quanto desejo amortalhado
sem razão
quanto de mim renegado
à força de um qualquer não.
Força em tumulto
que me traz inquieta
e a ânsia em sinais que não decifro,
grades douradas que não quis
e contudo vivo.
1 197
Hilda Hilst
VI
Tem nome
veemente. O Nunca mais tem fome.
De formosura, desgosto, ri
E chora. Um tigre passeia o Nunca Mais
Sobre as paredes do gozo. Um tigre te persegue.
E perseguido és novo, devastado e outro.
Pensas comicidade no que é breve: paixão?
Há de se diluir. Molhaduras, lençóis
E de fartar-se,
O nojo. Mas não. Atado à tua própria envoltura
Manchado de quimeras, passeias teu costado.
O Nunca
Mais é a fera.
veemente. O Nunca mais tem fome.
De formosura, desgosto, ri
E chora. Um tigre passeia o Nunca Mais
Sobre as paredes do gozo. Um tigre te persegue.
E perseguido és novo, devastado e outro.
Pensas comicidade no que é breve: paixão?
Há de se diluir. Molhaduras, lençóis
E de fartar-se,
O nojo. Mas não. Atado à tua própria envoltura
Manchado de quimeras, passeias teu costado.
O Nunca
Mais é a fera.
1 371
Armindo Trevisan
Amor é Teu
Olhar que Sobe
Amor é
teu olhar que sobe
E desce torna a subir ao ramo
Desce ao poço detém-se
Na água porque a sede avança
E torna a subir em carícia
Pelo braço compraz-se
Em resvalar pelo declive
Do corpo em balanço
Como o movimento de um
Pêndulo e assim nunca
Sabes se o caminho
para ele é ascensão
ou simplesmente espera
sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia
sentimento porque
o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes
ao amor até que a ames
como se nunca a tivesses
conhecido somente
fora do teu alcance.
Amor é
teu olhar que sobe
E desce torna a subir ao ramo
Desce ao poço detém-se
Na água porque a sede avança
E torna a subir em carícia
Pelo braço compraz-se
Em resvalar pelo declive
Do corpo em balanço
Como o movimento de um
Pêndulo e assim nunca
Sabes se o caminho
para ele é ascensão
ou simplesmente espera
sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia
sentimento porque
o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes
ao amor até que a ames
como se nunca a tivesses
conhecido somente
fora do teu alcance.
1 299
Regina Souza Vieira
A Abóbora Menina
Tão gentil
de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.
de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.
1 099
Armindo Trevisan
A Nuca
Tua nuca
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
1 221
Armindo Trevisan
O Círculo
Que ela
estivesse lá e sózinhos
Palpássemos o coração e desaprendêssemos
Como as ancas teriam a natural vacilação
E caminhasse para o ar desabotoando
O perito em silêncio e oferecesse
O corpo à natureza da terra e lhe sentisse
Os lábios mortos e desenrolasse a escuridão
De suas pernas livres e depois fêmea
Reclinasse a cabeça sobre a minha sombra
Ah nem os pássaros devorarão
A inconsciência de frutos como soube
Perdê-la e juntos sairmos para
A carnalidade do dia.
estivesse lá e sózinhos
Palpássemos o coração e desaprendêssemos
Como as ancas teriam a natural vacilação
E caminhasse para o ar desabotoando
O perito em silêncio e oferecesse
O corpo à natureza da terra e lhe sentisse
Os lábios mortos e desenrolasse a escuridão
De suas pernas livres e depois fêmea
Reclinasse a cabeça sobre a minha sombra
Ah nem os pássaros devorarão
A inconsciência de frutos como soube
Perdê-la e juntos sairmos para
A carnalidade do dia.
941
Carlos Nejar
Cantata em Rodas Plumas
O amor
armou a clava
da tarde e seu alarme.
Quer, albatroz, levar-me
onde alcançam suas asas.
Vem, ditoso, acordar-me.
Quer nos levar nas rodas
das plumas e avalanches.
Nós chegaremos antes
com jubilosas almas,
que se absorvem, alvas
e salvas, nos redutos.
De céu a céu, conceitos
são cinzas e ferrugem.
E os que se amam, pungem
de amar, e mais amando
em gozo, em gozo, em bombo
ou nos vestígios, nuvens;
nos elos desta lava.
Em mais amor solvemos
o que se faz pequeno.
E humano: abismo, abismo.
armou a clava
da tarde e seu alarme.
Quer, albatroz, levar-me
onde alcançam suas asas.
Vem, ditoso, acordar-me.
Quer nos levar nas rodas
das plumas e avalanches.
Nós chegaremos antes
com jubilosas almas,
que se absorvem, alvas
e salvas, nos redutos.
De céu a céu, conceitos
são cinzas e ferrugem.
E os que se amam, pungem
de amar, e mais amando
em gozo, em gozo, em bombo
ou nos vestígios, nuvens;
nos elos desta lava.
Em mais amor solvemos
o que se faz pequeno.
E humano: abismo, abismo.
1 197
Almandrade
IV
O umbigo transborda
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
967
Armindo Trevisan
Repreensão a Uma Lâmpada
O rumor
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
1 142
Armindo Trevisan
Carícia
Há no corpo
uma carícia
que ele mesmo a si se nega
a mão a aguarda por dentro,
jóia magra e deliciosa.
Se no banho, se na pressa,
ninguém a arranca, ciosa
só se pertence a si mesma
vazia de dimensão e agrado
Dá-se gratuita no raro,
no momento impessoal
no aperto da mão perdida
no recolher em pleno sono
Ninguém experimentará jamais
esse afago onipresente,
contudo subtraído
ao contato, á doação.
Talvez no estremecer
da pupila que alça vôo,
ela se dê – a deus , ao diabo
total, linda, inacessível.
uma carícia
que ele mesmo a si se nega
a mão a aguarda por dentro,
jóia magra e deliciosa.
Se no banho, se na pressa,
ninguém a arranca, ciosa
só se pertence a si mesma
vazia de dimensão e agrado
Dá-se gratuita no raro,
no momento impessoal
no aperto da mão perdida
no recolher em pleno sono
Ninguém experimentará jamais
esse afago onipresente,
contudo subtraído
ao contato, á doação.
Talvez no estremecer
da pupila que alça vôo,
ela se dê – a deus , ao diabo
total, linda, inacessível.
1 166
Silvaney Paes
Desejo
Porque
me negar o desejo
Que nessa carne reclama,
De não provar de teu beijo
Se a libido é quem clama?
Porque te negar essa carne
Que de tão fresca te chama,
De saciar tua fome
Se a libido é quem clama?
Porque me negar à mistura
Que nessa carne se entrança,
De delirar na entrega
Se a libido é quem clama?
Porque adiar essa entrega
Que nesse medo se aplaina,
De saciar minha fome
Se a libido é quem clama?
Porque se a libido é quem chama
Que nessa fome se entrança,
Devo queimar nessa chama
Se ouvir o desejo que clama..
me negar o desejo
Que nessa carne reclama,
De não provar de teu beijo
Se a libido é quem clama?
Porque te negar essa carne
Que de tão fresca te chama,
De saciar tua fome
Se a libido é quem clama?
Porque me negar à mistura
Que nessa carne se entrança,
De delirar na entrega
Se a libido é quem clama?
Porque adiar essa entrega
Que nesse medo se aplaina,
De saciar minha fome
Se a libido é quem clama?
Porque se a libido é quem chama
Que nessa fome se entrança,
Devo queimar nessa chama
Se ouvir o desejo que clama..
966
Jorge Viegas
Navegando nas Emoções
Ao brilho
do luar
Abrem-se as campânulas de silencio
E o grito de alegria
Confunde-se com a magia das vagas quentes.
De súbito, o mar irrompe pelos sonhos
Transportando o olhar encantado
Da sereia bronzeada pela imensidão da noite.
Faz-se luz na enseada da vida
Os cânticos românticos
Vagueiam pelos recantos das grutas
Acordando aromas enfeitiçados
Acendem-se fogueiras de mitos
Aquecendo corações perdidos nas falésias do amor
E dança-se à volta da fronteira do desejo.
As estrelas iluminam a sensualidade dos actos
Inspira-se a pureza do universo
E na suavidade da corrente
Viajamos dentro da inocência dos sentidos
Reconstruindo sonhos antigos.
do luar
Abrem-se as campânulas de silencio
E o grito de alegria
Confunde-se com a magia das vagas quentes.
De súbito, o mar irrompe pelos sonhos
Transportando o olhar encantado
Da sereia bronzeada pela imensidão da noite.
Faz-se luz na enseada da vida
Os cânticos românticos
Vagueiam pelos recantos das grutas
Acordando aromas enfeitiçados
Acendem-se fogueiras de mitos
Aquecendo corações perdidos nas falésias do amor
E dança-se à volta da fronteira do desejo.
As estrelas iluminam a sensualidade dos actos
Inspira-se a pureza do universo
E na suavidade da corrente
Viajamos dentro da inocência dos sentidos
Reconstruindo sonhos antigos.
1 055
Jorge Viegas
Pretérito Social
Mentes
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.
Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.
Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.
Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.
Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.
Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.
Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.
Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.
Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.
995
Jorge Viegas
Silenciosa Felicidade
Acordam
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
1 190
Agostina Akemi Sasaoka
Gênese
O
sol caiu
umbigo adentro.
Sob a teia partida,
a mosca pendente.
Do outro lado do espelho
corpos,
suor,
lágrimas...
Ante a bactéria faminta,
um trilho de sêmen seco.
Havia um sono
que boiava entre a poeira,
entre as estrelas,
entre pernas de gesso.
Na garganta da noite:
cama desfeita,
perfeita,
silêncio fetal.
sol caiu
umbigo adentro.
Sob a teia partida,
a mosca pendente.
Do outro lado do espelho
corpos,
suor,
lágrimas...
Ante a bactéria faminta,
um trilho de sêmen seco.
Havia um sono
que boiava entre a poeira,
entre as estrelas,
entre pernas de gesso.
Na garganta da noite:
cama desfeita,
perfeita,
silêncio fetal.
882
Silvaney Paes
Aquele Olhar
Clamei
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
846
Jorge Viegas
Estrada do Silêncio
Apalpo os
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
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