Poemas neste tema
Desejo
Sylvio Persivo
Possibilidades
Há um espelho onde não me vejo...
Outros não me verão jamais e sempre
Há outros e outros que não refletem
Minha figura. O mesmo ocorre com os beijos
Dados e os que desejei, mas não fiz
O gesto, ou o modo correto, para
Encontrar outros lábios que queria,
Mas teriam me feito mais feliz?
Outros beijos, outros espelhos são
Possibilidades que se perderam
Ou talvez tenham sido só a ilusão
De que fosse possível outra forma
Porque se os fatos não aconteceram
É provável que obedeceram uma norma.
Outros não me verão jamais e sempre
Há outros e outros que não refletem
Minha figura. O mesmo ocorre com os beijos
Dados e os que desejei, mas não fiz
O gesto, ou o modo correto, para
Encontrar outros lábios que queria,
Mas teriam me feito mais feliz?
Outros beijos, outros espelhos são
Possibilidades que se perderam
Ou talvez tenham sido só a ilusão
De que fosse possível outra forma
Porque se os fatos não aconteceram
É provável que obedeceram uma norma.
861
Jorge Viegas
Antecipadamente escorregadia
Nas sombras
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
968
Marcelo Ribeiro
Do Corpo à Cálida Desgraça
Nudos peitos desnudos
Coxas alvas e ao mundo
Num harém de pecados desmedidos
E profundos
No toque de recorrer de outrora ou
Na galhofa do clicar de um fotógrafo
De leda estirpe e olho fundo
Inocência vendida por vintém
E a pureza que hoje
Sabe-se lá quem ainda a têm
Registradas em retangulares quadros de uma vida
Periódica
Nos desejos de criança sujo à óleo ou graxa
Ou entorpecidos de dinheiro sujo
Que nos proporciona um corpo límpido
De aspirações mortas
Da germinal dobra rósea exposta
Servida em qualquer esquina como uma suja hóstia
Disposta a engordar a confissão
De qualquer trágico beato
E ao padre o sermão
Sermão e raiva reprimida de também
Ele, pároco cético de seu credo
Não ter aproveitado
Em Eva o pecado original
Ou de tê-lo feito
Escondido em regalias seminais
Nos seminários
Nada angelicais
De nossas desgraças
Coxas alvas e ao mundo
Num harém de pecados desmedidos
E profundos
No toque de recorrer de outrora ou
Na galhofa do clicar de um fotógrafo
De leda estirpe e olho fundo
Inocência vendida por vintém
E a pureza que hoje
Sabe-se lá quem ainda a têm
Registradas em retangulares quadros de uma vida
Periódica
Nos desejos de criança sujo à óleo ou graxa
Ou entorpecidos de dinheiro sujo
Que nos proporciona um corpo límpido
De aspirações mortas
Da germinal dobra rósea exposta
Servida em qualquer esquina como uma suja hóstia
Disposta a engordar a confissão
De qualquer trágico beato
E ao padre o sermão
Sermão e raiva reprimida de também
Ele, pároco cético de seu credo
Não ter aproveitado
Em Eva o pecado original
Ou de tê-lo feito
Escondido em regalias seminais
Nos seminários
Nada angelicais
De nossas desgraças
1 002
Zazé
Lembranças
Lembro-me de como batia
No meu peito, o coração enquanto te esperava
Lembro-me das mãos suadas,
Do primeiro olhar trocado,
Do beijo terno á chegada
Lembro-me do calor das tuas mãos nas minhas,
De como falámos, de mim, de ti
Sem nos darmos conta do tempo;
Lembro-me dos primeiros beijos
Ainda receosos do que estava por vir
Lembro-me depois como nos abraçámos
Como nos despimos na ânsia e na pressa
De nos encontrarmos no branco da cama
pele na pele, toque electrizante;
Do teu cheiro, do teu sabor
Magicamente já conhecidos.
Lembro-me como sentimos
Que aquela não era a nossa primeira vez,
Como antecipámos cada toque, cada gesto
Um do outro;
Como me senti, como te senti em mim
Sabendo que ali era o meu lugar
Lembrando-me de nunca te esquecer
Lembranças vivas na minha memória
Como tu
Como nós!!
No meu peito, o coração enquanto te esperava
Lembro-me das mãos suadas,
Do primeiro olhar trocado,
Do beijo terno á chegada
Lembro-me do calor das tuas mãos nas minhas,
De como falámos, de mim, de ti
Sem nos darmos conta do tempo;
Lembro-me dos primeiros beijos
Ainda receosos do que estava por vir
Lembro-me depois como nos abraçámos
Como nos despimos na ânsia e na pressa
De nos encontrarmos no branco da cama
pele na pele, toque electrizante;
Do teu cheiro, do teu sabor
Magicamente já conhecidos.
Lembro-me como sentimos
Que aquela não era a nossa primeira vez,
Como antecipámos cada toque, cada gesto
Um do outro;
Como me senti, como te senti em mim
Sabendo que ali era o meu lugar
Lembrando-me de nunca te esquecer
Lembranças vivas na minha memória
Como tu
Como nós!!
977
Silvaney Paes
Adão
Ah...Deus!
Retira de mim vossa vergonha,
De que me serve?
Já não podeis
Retira-me de Vós!
Provei do proibido
E já não estou perdido,
Desnudei algum segredo
E vi, ali, além...
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Mais alguém me viu sem pele.
Mais que vós vistes
E tocou-me com os olhos
De carne viva incandescente,
Que morderam e despiram,
Sem mãos, cem mãos,
Ou gengivas com dentes
Que também morderam,
Sem dor, cem gozos...
Para me travesti de Deus!
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Poupa-me de vosso legado,
De vosso zelo cioso,
De cicerônicas prestanças,
Pois tudo que carrego é pressa,
De amar...Ah!... Mar...
Sem vergonhas, sem-vergonha,
Mas ponde-vos a meu lado,
Sem esquecimento ou desprezo,
Pois já não sou o vosso anjo
E trago o desiderato de ser mais...
Um ser, único, homem,
E vós me servireis...
Dagora,
Tenho que servir Eva,
Ela já me serve agora.
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Olhei além do turvo que destes,
Onde o silêncio cantava
Insólita balada,
Que não era solitária,
Orquestrada para duas almas
Dagora abraçadas, desnudadas,
Misturando carne nalma...
E me senti água desgarrada,
Que lá no alto reconhecia sua amada
E protestava em tamanha escala,
Que o céu riscava,
Esbravejava, gritava, trovejava,
E como lágrima voltava
Para o seio de sua amada,
Seu amor, Ah!...Mar...Amo!
Como é bom descobrir
Amar...!
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Chamastes de serpente
Ao meu desejo...
Mas o desejo brada alto
E forja-se no silêncio
Do peito,
Por detrás dos olhos,
Para que não se veja germinar
E não se possa exterminar
Antes de se estar imperecedouro,
Sendo a insídia de todo amor
Que sempre nos possui...
Cego, esconso, intricado.
Em meio ao infinito,
Cheio de onipotência, onipresente.
O tudo, o nada, o vago, o que faltava...
Simplesmente Amor... Mar...
Provedor de nós...
Pai de minha transgressão,
De toda a rebeldia,
De estar à vossa revelia,
Fruto desse Amor... Eva...
Há...Deus,
Além de Vós...
Retira de mim vossa vergonha,
De que me serve?
Já não podeis
Retira-me de Vós!
Provei do proibido
E já não estou perdido,
Desnudei algum segredo
E vi, ali, além...
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Mais alguém me viu sem pele.
Mais que vós vistes
E tocou-me com os olhos
De carne viva incandescente,
Que morderam e despiram,
Sem mãos, cem mãos,
Ou gengivas com dentes
Que também morderam,
Sem dor, cem gozos...
Para me travesti de Deus!
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Poupa-me de vosso legado,
De vosso zelo cioso,
De cicerônicas prestanças,
Pois tudo que carrego é pressa,
De amar...Ah!... Mar...
Sem vergonhas, sem-vergonha,
Mas ponde-vos a meu lado,
Sem esquecimento ou desprezo,
Pois já não sou o vosso anjo
E trago o desiderato de ser mais...
Um ser, único, homem,
E vós me servireis...
Dagora,
Tenho que servir Eva,
Ela já me serve agora.
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Olhei além do turvo que destes,
Onde o silêncio cantava
Insólita balada,
Que não era solitária,
Orquestrada para duas almas
Dagora abraçadas, desnudadas,
Misturando carne nalma...
E me senti água desgarrada,
Que lá no alto reconhecia sua amada
E protestava em tamanha escala,
Que o céu riscava,
Esbravejava, gritava, trovejava,
E como lágrima voltava
Para o seio de sua amada,
Seu amor, Ah!...Mar...Amo!
Como é bom descobrir
Amar...!
Há...Deus,
Além de Vós...
Ah...Deus!
Chamastes de serpente
Ao meu desejo...
Mas o desejo brada alto
E forja-se no silêncio
Do peito,
Por detrás dos olhos,
Para que não se veja germinar
E não se possa exterminar
Antes de se estar imperecedouro,
Sendo a insídia de todo amor
Que sempre nos possui...
Cego, esconso, intricado.
Em meio ao infinito,
Cheio de onipotência, onipresente.
O tudo, o nada, o vago, o que faltava...
Simplesmente Amor... Mar...
Provedor de nós...
Pai de minha transgressão,
De toda a rebeldia,
De estar à vossa revelia,
Fruto desse Amor... Eva...
Há...Deus,
Além de Vós...
790
Lívia Araújo
Senta e Espera
A angústia
em repouso
Do meu ardor o ensejo
É quando em ti o olhar pouso
Eu não mais fujo, eu só te vejo.
Alegre ou triste, tens nos olhos um segredo
Que engana a todos e me engana
Quando me negas um beijo.
É então que me alimentas a chama.
Com loucura de quem ama,
Corro, canso, caio, arquejo
Eu me equivoco, não me chamas
Mas é a ti que desejo.
em repouso
Do meu ardor o ensejo
É quando em ti o olhar pouso
Eu não mais fujo, eu só te vejo.
Alegre ou triste, tens nos olhos um segredo
Que engana a todos e me engana
Quando me negas um beijo.
É então que me alimentas a chama.
Com loucura de quem ama,
Corro, canso, caio, arquejo
Eu me equivoco, não me chamas
Mas é a ti que desejo.
828
Rosa Leonor Pedro
MA E MI
Meu amor, procuro o ritmo do teu corpo no meu corpo,
procuro o alento do teu peito no meu
o ar que a tua boca respira na minha.
Procuro em ti o ritmo interno, bem dentro,
no fundo de cada movimento, no centro do teu coração.
Quero-te inteira na minha vida na minha alma
quero dançar contigo esta harmonia de sentir
e saber-te em cada átomo, em cada elemento,
sentir-te bem fundo no meu ventre,
ser tua mãe e tua filha ao mesmo tempo, que é não ter tempo.
Quero ser a árvore e a semente, quero ser a terra lavrada
e por cima dela emergir para sempre:
como no mar me deitas e me embalas antes de nascer,
sempre nos teus braços,
recomeçar esta dança do ventre
da eterna bailarina
que neste mundo eu sou...
procuro o alento do teu peito no meu
o ar que a tua boca respira na minha.
Procuro em ti o ritmo interno, bem dentro,
no fundo de cada movimento, no centro do teu coração.
Quero-te inteira na minha vida na minha alma
quero dançar contigo esta harmonia de sentir
e saber-te em cada átomo, em cada elemento,
sentir-te bem fundo no meu ventre,
ser tua mãe e tua filha ao mesmo tempo, que é não ter tempo.
Quero ser a árvore e a semente, quero ser a terra lavrada
e por cima dela emergir para sempre:
como no mar me deitas e me embalas antes de nascer,
sempre nos teus braços,
recomeçar esta dança do ventre
da eterna bailarina
que neste mundo eu sou...
1 032
Susana Pestana
Juntos
Pedacinhos de tempo
roubados
Aqui e a ali
ruídos num quarto
que nos salva…
Desejos que nos acalmam.
Quando estamos juntos!
Dois mundos
Um Tejo iluminado
Uma canção
Uma noite de raspão
Juntos
O Azul se esconde
entre portas que se abrem
Períodos nus
desejos submersos
passadeiras com vontades
Quando estamos juntos
Um medo empurrado
Uma madrugada acordada
Uma alma entre nos
Dois corpos alinhados
Juntos
Modelamos a saudade
cega-se a ausência
interrompe-se os vazios
reconcilia-se fragilidades
Por sombras de sílabas.
Quando estamos juntos
….penetramos nos gestos dos nossos corpos
roubados
Aqui e a ali
ruídos num quarto
que nos salva…
Desejos que nos acalmam.
Quando estamos juntos!
Dois mundos
Um Tejo iluminado
Uma canção
Uma noite de raspão
Juntos
O Azul se esconde
entre portas que se abrem
Períodos nus
desejos submersos
passadeiras com vontades
Quando estamos juntos
Um medo empurrado
Uma madrugada acordada
Uma alma entre nos
Dois corpos alinhados
Juntos
Modelamos a saudade
cega-se a ausência
interrompe-se os vazios
reconcilia-se fragilidades
Por sombras de sílabas.
Quando estamos juntos
….penetramos nos gestos dos nossos corpos
940
Susana Pestana
Mãos Ocultas
Os meus
dedos tocaram-te...
Mas não conseguiram decifrar
Nesta terra molhada, já cultivada
Mãos audaciosas e faladas.
Sou preta, com um frio branco nas veias
Navego entre os mares abertos,
Palavras, perseguidas e calmas.
Sou mulher, de rosto velho e novo
És uma criação abandonada e minha.
Despi-te nas ruas dos limites.
Cavalo branco sem garras...
Mulher de língua mística,
Convidei-te numa inocência vendida.
Amarrei-te às escondidas da vida
Adormeceste no meu berço crescido.
Estou nua, no desespero dos sonhos.
Vieste sufocando os meus mares...
Nos campos bandidos e naufragados
Quero fugir a esse milagre comum!
Quero amar-te sozinha.
dedos tocaram-te...
Mas não conseguiram decifrar
Nesta terra molhada, já cultivada
Mãos audaciosas e faladas.
Sou preta, com um frio branco nas veias
Navego entre os mares abertos,
Palavras, perseguidas e calmas.
Sou mulher, de rosto velho e novo
És uma criação abandonada e minha.
Despi-te nas ruas dos limites.
Cavalo branco sem garras...
Mulher de língua mística,
Convidei-te numa inocência vendida.
Amarrei-te às escondidas da vida
Adormeceste no meu berço crescido.
Estou nua, no desespero dos sonhos.
Vieste sufocando os meus mares...
Nos campos bandidos e naufragados
Quero fugir a esse milagre comum!
Quero amar-te sozinha.
980
Jazzim
Poema I
Surge
de dentro teu perfume
aninha-se em minhas veias
nadando até tornar-se coração,
rim, aorta, fígado, pulmão
Todo o oxigênio tem fórmula
de teu corpo colado ao meu
química instantânea do desejo
de dentro teu perfume
aninha-se em minhas veias
nadando até tornar-se coração,
rim, aorta, fígado, pulmão
Todo o oxigênio tem fórmula
de teu corpo colado ao meu
química instantânea do desejo
788
Reinaldo Ferreira
Rosa, a mulata, desperta
Rosa, a mulata, desperta
Com os morcegos, à hora
Em que a Lua, nódoa, incerta
E sem vulto, no céu aflora.
E Vénus, mito propício
Que em seu destino decide,
Convoca as filhas do Vício
Ao culto a que ela preside.
Com os morcegos, à hora
Em que a Lua, nódoa, incerta
E sem vulto, no céu aflora.
E Vénus, mito propício
Que em seu destino decide,
Convoca as filhas do Vício
Ao culto a que ela preside.
2 023
Janis Joplin
A Cada Lua
a cada
dia uma saudade diferente
a cada amanhecer uma manhã diferente
a cada lua um brilho diferente
a cada palavra sua um desejo diferente
a cada minuto um mistério diferente
desejo-lhe a todo momento
quero-te sempre
gostaria da beijar-te loucamente
sentir-te em meus braços
ah, como eu gostaria de estar aí agora com você
você simplesmente me faz diferente a cada momento
você simplesmente me domina de amor
você é única, eu sou única, somos uma alma
única
penso às vezes em acordar desse sonho
penso que isso não está acontecendo
é tudo tão bom
é tudo tão simples
é tudo tão sincero
que às vezes chego a pensar que não existo
que você é um anjo que me salvará da escuridão
afinal, Quem és tu??
não posso pensar em suas palavras q já fico louca de desejo
não posso pensar em sua voz q já fico louca de paixão
ah, como eu queria estar ai com você
as vezes chego a pensar se você pensa e sente o mesmo
que eu...
mas não quero nem saber, pois você é a pessoa que
vou agarrar com todas as forças
ah, como a distancia nos torna mais imaginários
ah. como é ruim sentir desejo e não poder fazer nada,,,
meu amor, quero-te e penso em ti a todo momento
o que será essa loucura??
pois que louca seja eu de te querer mesmo sem a ter...
pois louca de mim e só louca de paixão por você...
fico a desejar-te...
dia uma saudade diferente
a cada amanhecer uma manhã diferente
a cada lua um brilho diferente
a cada palavra sua um desejo diferente
a cada minuto um mistério diferente
desejo-lhe a todo momento
quero-te sempre
gostaria da beijar-te loucamente
sentir-te em meus braços
ah, como eu gostaria de estar aí agora com você
você simplesmente me faz diferente a cada momento
você simplesmente me domina de amor
você é única, eu sou única, somos uma alma
única
penso às vezes em acordar desse sonho
penso que isso não está acontecendo
é tudo tão bom
é tudo tão simples
é tudo tão sincero
que às vezes chego a pensar que não existo
que você é um anjo que me salvará da escuridão
afinal, Quem és tu??
não posso pensar em suas palavras q já fico louca de desejo
não posso pensar em sua voz q já fico louca de paixão
ah, como eu queria estar ai com você
as vezes chego a pensar se você pensa e sente o mesmo
que eu...
mas não quero nem saber, pois você é a pessoa que
vou agarrar com todas as forças
ah, como a distancia nos torna mais imaginários
ah. como é ruim sentir desejo e não poder fazer nada,,,
meu amor, quero-te e penso em ti a todo momento
o que será essa loucura??
pois que louca seja eu de te querer mesmo sem a ter...
pois louca de mim e só louca de paixão por você...
fico a desejar-te...
1 302
Rosemberg Cariry
Tambor de Criola
São Luiz. Luzir da lua.
Entre ruínas — fogueiras.
Os olhinhos de São Benedito
abençoando seus filhos,
tão pobrezinhos, tão simples,
que de dia até se matam
de trabalhar, de rezar,
mas de noite... deixa está!
São anjos belos, orixás,
são músculos e rebeldia,
batucando os tambores
que reacendem nos deuses
as luxúrias adormecidas
A lua bem que espia
e levanta a sua saia,
tecendo rendas nas águas
que se derramam na areia.
Sem vergonha, espia...
Os homens mais do que homens
são ritmo, fôlego, tesão,
entre as pernas o tambor,
nervo duro e inquieto,
descomunal em tamanho,
que se anuncia em batuque
virando pelo avesso
a face da outra face
do que é religião.
Matracas desesperadas
quebram os selos do pudor
para que os corpos se liberem
e urrem feito uma onça
nas cachoeiras do cio.
Entre ruínas — fogueiras.
Os olhinhos de São Benedito
abençoando seus filhos,
tão pobrezinhos, tão simples,
que de dia até se matam
de trabalhar, de rezar,
mas de noite... deixa está!
São anjos belos, orixás,
são músculos e rebeldia,
batucando os tambores
que reacendem nos deuses
as luxúrias adormecidas
A lua bem que espia
e levanta a sua saia,
tecendo rendas nas águas
que se derramam na areia.
Sem vergonha, espia...
Os homens mais do que homens
são ritmo, fôlego, tesão,
entre as pernas o tambor,
nervo duro e inquieto,
descomunal em tamanho,
que se anuncia em batuque
virando pelo avesso
a face da outra face
do que é religião.
Matracas desesperadas
quebram os selos do pudor
para que os corpos se liberem
e urrem feito uma onça
nas cachoeiras do cio.
1 324
Reinaldo Ferreira
Porque a não tenho? Tão doce
Porque a não tenho? Tão doce
E tão ao pé de acabar!
Largando, como se fosse
Um barco novo a chegar!
Quisera-a, para brinquedo
Da minha vã meninice.
Nem brincaria, com medo
Que ela, de frágil, partisse.
Bastava só que ficasse
Mito a roçar-se no Fim
E o seu sorriso acalmasse
A angústia dentro de mim.
E tão ao pé de acabar!
Largando, como se fosse
Um barco novo a chegar!
Quisera-a, para brinquedo
Da minha vã meninice.
Nem brincaria, com medo
Que ela, de frágil, partisse.
Bastava só que ficasse
Mito a roçar-se no Fim
E o seu sorriso acalmasse
A angústia dentro de mim.
2 012
Reinaldo Ferreira
Onde, aguardando, esperasse
Onde, aguardando, esperasse,
Onde, cantando, me ouvisse,
Onde, podendo, bastasse,
Onde, vivendo, existisse.
Onde o intuito trouxesse
O corpo de se cumprir
E eu todo sempre me desse,
Aí seria também
De exílio a minha atitude.
O que é longe é sempre o Bem,
Por mais que a alma se mude.
Onde, cantando, me ouvisse,
Onde, podendo, bastasse,
Onde, vivendo, existisse.
Onde o intuito trouxesse
O corpo de se cumprir
E eu todo sempre me desse,
Aí seria também
De exílio a minha atitude.
O que é longe é sempre o Bem,
Por mais que a alma se mude.
1 747
Nelson Motta
Cara
Para Cora
Você é uma mulher cara,
minha cara,
caríssima:
o coração endividado até a alma
pede concordata, quebra e
fale,
diga:
prisioneiros do desejo
teu desejo é cadeia que enleia
elo que soma nosso ele e ela,
o meu desejo é sempre ir e vir
para teu corpo como planta à terra.
enterra esses teus fundos olhos dentros meus
e dá-te a mim, mata-me, possui-me
para que seja eu as asas do teu vôo
que sou eu, teu, o tanto quanto és tua.
Você é uma mulher cara,
minha cara,
caríssima:
o coração endividado até a alma
pede concordata, quebra e
fale,
diga:
prisioneiros do desejo
teu desejo é cadeia que enleia
elo que soma nosso ele e ela,
o meu desejo é sempre ir e vir
para teu corpo como planta à terra.
enterra esses teus fundos olhos dentros meus
e dá-te a mim, mata-me, possui-me
para que seja eu as asas do teu vôo
que sou eu, teu, o tanto quanto és tua.
1 137
Nelson Motta
Amare, Há Mares
te amar suave e silenciosamente
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
como o vento às velas,em movimento
como o fogo à vela, luzente
como a planta à terra:semente
navios iluminados nos teus olhos-cais
paisagem erótica
no ventre do vento
uma chuva enxuta
aguarda o arco-íris.
por ele se molha e se derrama
se enterra na terra
sob um céu celestial.
querer & poder
os casais,
sejam de opostos ou iguais,
quanto mais se querem,
mais são anti-sociais,
e é natural que assim seja:
o apaixonado deseja
nada além de dois e sonha
com de dois fazer um, sós.
como o poder, que pretende,
suprimindo as diferenças,
tornar uma só vontade
a de todos
os casais.
1 017
Madi
Querer
Querer
Dê-me uma pista,
dê-me um sinal,
aponte-me o caminho
ou então me ensine
o que devo fazer
pra você me querer
Dê-me uma pista,
dê-me um sinal,
aponte-me o caminho
ou então me ensine
o que devo fazer
pra você me querer
660
Madi
Vitrines
Vitrines
Tudo que vejo nas vitrines
se parece com você
Prendas simples ou sofisticadas
ambas têm a sua cara
Tudo é mais do que perfeito
e sob medida parece que foi feito
Namoro as vitrines,
mas não encontro nelas o que mais quero
Você e o seu amor não estão à venda
Tudo que vejo nas vitrines
se parece com você
Prendas simples ou sofisticadas
ambas têm a sua cara
Tudo é mais do que perfeito
e sob medida parece que foi feito
Namoro as vitrines,
mas não encontro nelas o que mais quero
Você e o seu amor não estão à venda
709
Madi
Se eu pudesse
Se eu pudesse
Ah! se eu pudesse...
Se eu pudesse,
eu faria das nossas vidas uma festa
Arrumaria um tempo para cuidar de flores
As flores eu mesma colhia
só para te presentear todo dia
Se eu pudesse,
eu seria a primeira a abrir a porta
Só para te ver chegar,
entrar,
sentar,
me olhar
e sorrir
Ah! se eu pudesse...
Se eu pudesse,
eu faria das nossas vidas uma festa
Arrumaria um tempo para cuidar de flores
As flores eu mesma colhia
só para te presentear todo dia
Se eu pudesse,
eu seria a primeira a abrir a porta
Só para te ver chegar,
entrar,
sentar,
me olhar
e sorrir
1 030
Madi
Louca
Louca
Se abro a porta da minha casa
e o convido a deitar em minha cama
não é que eu seja louca
É porque não é de hoje
que nela eu durmo com você todas as noites
Se abro a porta da minha casa
e o convido a deitar em minha cama
não é que eu seja louca
É porque não é de hoje
que nela eu durmo com você todas as noites
1 114
Mário Linhares
Festim Romano
Festim romano. Nero assiste, repoltreado
Lassamente no toro ebúrneo em que se inclina,
Ao deboche brutal das heteras e, a um lado,
Canta uma escrava ao som de uma gusla em surdina.
Aos acentos febris de uma ária fescenina,
Requebrando os quadris em lúbrico bailado,
As cortesãs, em coro, a taça cristalina
Erguem, em brinde à Carne e apoteose ao Pecado.
Referve a orgia... E Nero, às vibrações da lira,
Canta obscena canção e, no esto em que delira,
O vinho, em fogo, inflama o seu rosto sangüíneo.
E Popéia, saudando o imperador de Roma,
Entre as aclamações dos convivas, assoma,
Ébria e nua, a tombar de triclínio em triclínio.
Lassamente no toro ebúrneo em que se inclina,
Ao deboche brutal das heteras e, a um lado,
Canta uma escrava ao som de uma gusla em surdina.
Aos acentos febris de uma ária fescenina,
Requebrando os quadris em lúbrico bailado,
As cortesãs, em coro, a taça cristalina
Erguem, em brinde à Carne e apoteose ao Pecado.
Referve a orgia... E Nero, às vibrações da lira,
Canta obscena canção e, no esto em que delira,
O vinho, em fogo, inflama o seu rosto sangüíneo.
E Popéia, saudando o imperador de Roma,
Entre as aclamações dos convivas, assoma,
Ébria e nua, a tombar de triclínio em triclínio.
832
Leão Vasconcelos
In Solitudine
Quando o jardim se ensombra e a noite desce,
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
Deste fogo, que em vão julguei sepulto,
Sinto que a extinta chama reaparece...
E o incenso em espirais sobe a teu culto...
Desde que vi o teu sereno vulto
Vivo assim, de mãos postas, numa prece!
Mas enquanto por ti anseio e exulto,
— Teu corpo — imenso lírio — alto, floresce...
Passaste em tua glória e não me viste.
E hoje até mesmo do meu ser prescindo
Para rever-te o olhar sereno e triste.
E por te desejar numa ânsia louca,
À noite sonho que tu vens sorrindo
Povoar de beijos minha fria boca...
871
Herberto Sales
Im Afraid of
Tenho medo de perder-te
e de, perdendo-te,
não mais te ver cavalgar sobre a relva úmida
em galope elástico e branco,
num ondular de ancas
brancas
de lua com maciez de jacintas.
Tenho medo de perder-te
e de, perdendo-te,
perder-me também
(irremediavelmente)
numa infecunda solidão floral:
sem o mel da polpa que o fruto oculta,
sem o pólen da rosa escarlate.
e de, perdendo-te,
não mais te ver cavalgar sobre a relva úmida
em galope elástico e branco,
num ondular de ancas
brancas
de lua com maciez de jacintas.
Tenho medo de perder-te
e de, perdendo-te,
perder-me também
(irremediavelmente)
numa infecunda solidão floral:
sem o mel da polpa que o fruto oculta,
sem o pólen da rosa escarlate.
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