Fé, Espiritualidade e Religião
Nuno Júdice
Luta de classes
o mesmo. Uns, ergueram torres e pináculos, à luz do sol,
e chegaram ao céu; outros, metidos nas criptas,
pintaram infernos à luz de velas, deixando no chão
o lugar para os mais anónimos dos mortos. Os
que chegaram ao cimo, receberam o olhar divino e
viram o júbilo das madrugadas primaveris; os
que ficaram no fundo, arrancando à humidade das paredes
o gesto alucinado dos demónios, trocaram
obscenidades e doenças. No entanto, a catedral
é única; e quem a visita, apreciando a totalidade que, dizem,
nasceu de uma visão do absoluto, não pensa
em pormenores. Que importa os que trabalharam
na sombra, perdendo a luz dos olhos com o minucioso
desenho arrancando à treva, se o que hoje se vê
é esse contorno em que a pedra trabalha o céu? Assim,
conclui-se, é da desigualdade que nasce
a harmonia; e é a desordem humana que faz brotar,
do nada, tudo o que admiramos.
Nuno Júdice | "Cartografia de Emoções" | Publicações Dom Quixote, 2002
Susana Thénon
Hoje
do anjo-barro: o amor
selou
seus vasos comunicantes.
Guardemos o incenso
para os verões públicos.
Deus não funciona.
Nuno Júdice
Zoologia: o porco
na caverna de Platão: o seu mundo
é o mundo das sombras.
Quando olha para o chão,
vê o paraíso; quando olha para o céu, está
com a faca na garganta.
Mas o porco também sonha que
tem asas como um anjo, e que a sua pocilga
fica nas nuvens.
Nos seus sonhos, deus guincha
como um porco, e a árvore do paraíso
está cheia de bolotas.
Por isso o porco não tira o focinho
da terra, em busca de uma abertura
para o céu.
Nuno Júdice | "A Matéria do Poema" | Publicações Dom Quixote, 2008
Raquel Nobre Guerra
resistimos a todas as noites
tudo indica que se insinua levita até
uma primavera vulpe a que se somam
detalhes médicos gongóricos e um tanto
da metafísica para desatar esta malha em rodilha
uma oração disposta a todas as misérias
um golo certo para abrandamento cardíaco
mas continuamos gente, singular detalhe
paramos arrefecemos
neste mistério participado, entrelaço de que seguramos
firme a ponta para que nela recaia a substância
de efeitos mágicos
morremos, nós que morremos tão apenas
na hora conciliadora de todas as agulhas
de bordalo indiferente ao dedilhado
e desenrolamo-nos todos no chão
José Miguel Silva
Via del Corno
que podia ter fundado a equidade, se a Igreja
não tivesse para os homens um projecto faraónico
/semita de poder, humilhação e dependência.
Tinha tudo, a compaixão (essa réplica possível
ao desastre natural) para coser a lei de Zeus
Hospitaleiro à promissão comutadora da justiça,
traduzida na sensata isonomia mundial e
no empenho de aumentar a produção do tempo
livre (de maneira a que chegasse para todos).
Desterrada, todavia, para dentro, deformada
em caridade, sem efeitos no real que sobrelevem
o regalo duma lágrima local, a compaixão reduz-se
ao gosto complacente duma liberalidade baratucha
- toda feita de moções, duplicidades, emoções
e florações de lavadinha consciência. E, assim,
para que serve, que adianta a compaixão?
Raquel Nobre Guerra
Deixa que nos chamem
pequeno cemitério de animais em flor.
O meu coração gótico espera por ti
aqui onde ninguém dança.
Porque havemos sempre de brincar
vestidos de santos até adormecer
nos olhos da cabra que, escuta:
I touched her thigh and death smiled.
Se perguntarem por nós aponta para cima
e responde com humor tipicamente irlandês
Senhor Roubado. Linha Amarela. Estação Terminal.
Manuel António Pina
Passagem
é possível estar assim tão perto do fogo,
e tão perto de cada dia, das horas tumultuosas e das serenas,
tão sem peso por cima do pensamento?
Pode bem acontecer que exista tudo e isto também,
e não só uma voz de ninguém.
Onde, porém? Em que lugares reais,
tão perto que as palvras são de mais?
Agora que os deuses partiram,
e estamos, se possível, ainda mais sós,
sem forma e vazios, inocentes de nós,
como diremos ainda margens e como diremos rios?
Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 378 | Assírio & Alvim, 2012
Raquel Nobre Guerra
Piéce Heróique
aço vóltio arroio satã em tesão de rio
ponho-me orago de costas cabinda rapsódia cã
iridescendo marcha em humor de Nilo
baba vanga emborrachando santa ao altíssimo vazio
entro rapando rompendo faca a remoço do teu corpo
ao meio-dia e neve na têmpera do teu índigo
entro sem [...] afundando em sol a serpente noiva
no gargalho do navegante emboco gafo no lazaento
o verbo invertido no vigor de incesto que é chamar-te pai
e vir-me para cima de todos os teus símbolos
Raquel Nobre Guerra
Pelicano
de universo, uma sensação de seres
colhido pelo camaroeiro do Tejo
alma-ideia de ser antigo entrar em Deus
por mim
Enquanto for semântica na boca, a paixão dos homens
e vier um deles com pedras macias de domínio
não direi
que é inumerável o corpo sendo muitos ou sábio -
que as línguas de fogo hão-de tomar a pele como um texto
e sacro
Manuel António Pina
Silêncio e escuridão e nada mais
Edificarei a minha igreja sobre as tuas ruínas
Tenho um coração mortal um coração
fora de si como um marido irado
Dentro da casa se instala
a descomunal traição.
Eu sou aquele que rouba, o marido,
o caluniador, abri-vos portas de ouro...
Que deus me perdoará os meus erros humanistas?
Quebrada a espada já, rota
a Armadura, a Beleza, a Regra (Ó Ciência! Ó Cólera!)
Como escreverei? Sem que palavras? Quem? Qual?
Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 20 | Assírio & Alvim, 2012
Nuno Júdice
O amor
Deus - talvez esteja aqui, neste
pedaço de mim e de ti, ou naquilo que,
de ti, em mim ficou. Está nos teus
lábios, na tua voz, nos teus olhos,
e talvez ande por entre os teus cabelos,
ou nesses fios abstratos que desfolho,
com os dedos da memória, quando os
evoco.
Existe: é o que sei quando
me lembro de ti. Uma relação pode durar
o que se quiser; será, no entanto, essa
impressão divina que faz a sua permanência? Ou
impõe-se devagar, como as coisas a que o
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com
a pressão subtil da vida?
Um deus não precisa do tempo para
existir: nós, sim. E o tempo corre por entre
estas ausências, mete-se no próprio
instante em que estamos juntos, foge
por entre as palavras que trocamos, eu
e tu, para que um e outro as levemos
conosco, e com elas o que somos,
a ânsia efêmera dos corpos, o
mais fundo desejo das almas.
Aqui, um deus não vive sozinho,
quando o amor nos junta. Desce dos confins
da eternidade, abandona o mais remoto dos
infinitos, e senta-se aos pés da cama, como
um cão, ouvindo a música da noite. Um
deus só existe enquanto o dia não chega; por
isso adiamos a madrugada, para que não
nos abandone, como se um deus
não pudesse existir para lá do amor, ou
o amor não se pudesse fazer sem um deus.
José Miguel Silva
Poema com Apólogo Moral
de Los Alamos, do Rapto das Sabinas,
nunca mais se pode escrever com maiúsculas
a palavra "Deus"; que se tornou imoral
a gente queixar-se à lua de uma farpa no dedo,
do infortúnio, do tempo que perdemos na paragem
do autocarro. Quem o diz que não se pode,
não sabe, não entende o que poesia seja.
Era um homem que vivia a profissão de marceneiro.
É conhecida a ligação do marceneiro com as farpas
que lhe entram na pele. Este falava com elas,
contava-lhes casos de sorte e azar, queria-lhes bem.
Entendia que também as farpas são filhas de Deus,
isto é, do amor que sentia pela sua arte.
Um dia um acidente aconteceu na máquina de corte,
esse homem perdeu a mão direita. Não por isso deixou
de sentir farpas alojarem-se na mão perdida,
de falar com elas, de recomendar-lhes
que tivessem juizo, que fossem brincar para outro lado.
Manuel António Pina
Matéria de estrelas
encontrar-nos-emos eternamente
e nunca mais nos veremos.
O impossível volta a ser impossível. Para sempre.
Impossível é cada manhã aberta,
um deus sonha consigo através de nós.
Às vezes quase posso tocá-lo, ao deus,
surpreendê-lo no seu sono, também ele real e efémero.
Matéria, alma do nada,
os mortos ouvem a tua música sólida
pela primeira vez, como uma respiração de estrelas.
A sua intranquilidade transforma-se em si mesma, música.
Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 125 | Assirio & Alvim, 2012
José Miguel Silva
Queixas de um utente
o lixo, já. não vejo televisão
há. cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
públicos, raramente me esqueço
de deixar água fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e não cuspo
na sombra dos outros.
Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
não estou a ver resultado nenhum.
José Miguel Silva
Uffizi
no país da arte sacra? Como pode
libertar-se da noção de que estes jogos
de volumes, estes planos vivamente
coloridos, representam tudo aquilo em
que não crê: o fanatismo, a videiterna,
o sacrifício do corpo? Deambula
pelas salas como um cão esfomeado
por um campo de tremoço, sem achar
em tão exótica e senil mitologia
firme carne onde ferrar o pensamento.
Irritado, estuga o passo, cada vez
mais insensível à seráfica beleza
das madonas parideiras, de sorriso
complacente, ao intérmino desfile
de agonias, ascensões e pietás,
procurando avidamente as belas damas
de Bronzino, as doces Vénus ou até
o rosto duro (mas humano, pelo menos)
de burgueses, mercenários e fidalgos:
emissários do real, da violência
do desejo deturpado em senhorio.
À saída é contemplado pelo ébrio
sorriso dum velhaco sem futuro,
p'lo olhar esfomeado duma Maggie
de cem quilos, por dois cacos à procura
duma cola essencial. E promete
a São Vermeer cometer a breve trecho
expiatória romagem ao terreno,
liberal e nivelado mundo novo
da pintura de seiscentos holandesa.
Nuno Júdice
Eva
Fernando Pessoa
Ó curva do horizonte, quem te passa,
Passa da vista, não de ser ou estar.
Não chameis à alma, que da vida esvoaça,
Morta. Dizei: Sumiu-se além no mar.
Ó mar, sê símbolo da vida toda —
Incerto, o mesmo e mais que o nosso ver!
Finda a viagem da morte e a terra à roda,
Voltou a alma e a nau a aparecer.
Nuno Júdice
Crença Outonal
ventos que arrastam as insónias do levante e incendeiam
as planícies, erguem-se nas mãos de um deus morto
os mastros de mármore de um navio antigo. A que porto
se dirigia a sua viagem? Em que recifes projectou o seu
naufrágio? Nos seus lábios, que os vermes do absoluto
devoram, leio as contas do tempo que ele imaginou
para o seu percurso clandestino, como se um deus
coubesse no porão. «Dizei-me», murmurou no instante
da agonia, «que ave seguirá o rasto do barco até
onde irei chegar?» Mas os homens confundiram
a sua voz com um distante anúncio de tempestade,
e abrigaram-se do céu, fugindo ao seu grito.
De manhã, recolhi os vestígios da noite
nesse cais abandonado: tábuas apodrecidas
pelo sal, as mantas que enrolaram os moribundos
antes que a morte os recolhesse, gemidos
apanhados nos rochedos do molhe, no instante
em que a onda se retira. Mas que fazer
com os despojos do sagrado? Por vezes, era
como se o corpo divino aparecesse à minha frente;
de outras vezes, entoava o louvor do nada, e cada sílaba
me arranhava a boca na dicção ácida de um fardo
de maldições. E o mar crescia na minha memória,
corria pela minha pele como os insectos dos trópicos,
e devorava cada imagem como se, no seu furor,
quisesse apagar o passado e restituir aos olhos
o horizonte branco da origem.
Porém, também as fontes secaram no limite do estio,
e os peixes sufocaram sobre o lodo do fundo. Apanhei-os
no meu saco, para os distribuir pelos bairros do norte,
pelos pórticos de onde espreitam as mulheres pálidas
e os homens de cabelo húmido pela maresia, e
assisti à sua refeição de carne doce, enquanto os pedintes
se juntavam atrás de mim para recolher os restos, sem
que eu tivesse alguma coisa para lhes dar a não ser essa
palavra que deus me ensinara ao dizer-me: «Dá aos que
nada têm o Ser que eu inventei.» E eles respondiam: «De
que nos serve o Ser? Que faremos com ele, nós, os que nada
temos?» E empurrei-os para os armazéns vazios, onde
as suas palavras ecoariam de encontro à cúpula
metálica que as chuvas enferrujaram num inverno
da infância. Mas eles recusavam, e insultavam-me,
como se a dádiva de um deus fosse uma ofensa.
Então, disse-lhes, juntemo-nos na grande mesa da comunhão;
partilhemos o ódio, como se parte o pão; e bebamos
o vinho da ira, já azedo, ficando com a garganta
amarga para que os gritos se tornem roucos; e deixemos
de nos ouvir uns aos outros. Como cegos, partiremos,
um em cada direcção, levando como único troféu
o desespero. E quando chegarmos ao limite da praia,
ao oceano em que deveríamos embarcar, perguntaremos
onde está esse navio prometido, esse mapa que nos daria
a resposta, e o azul do céu que nos abriria o desejo
de beleza, e nos faria ver o corpo anunciado de deus sobre
as águas. Mas ficámos sem ter aonde regressar, e só
nos alimenta um pedaço do pão da desventura,
ressequido do sol, com a consistência da pedra,
doendo na boca como as palavras do poema.
Por fim, sem mais nada, resta-nos deus. Está morto
dentro de nós. Mas ainda o podemos tirar da cabeça
e estendê-lo na areia, como o corpo de uma baleia
que tivesse dado à costa. «Não lhe toquem com os pés»,
diz o guardião da costa. «Se estiver podre, a sua podridão
pega-se à nossa pele. «Mas já andei com ele dentro de mim»,
respondi ao homem. «Já me pegou a doença do sagrado,
a lepra de uma crença infinita, o desejo de um além
que nunca verei.» O guardião da costa riu-se. «Sei
muito bem onde vêm dar estas baleias. Os seus ossos
estendem-se ao longo do litoral, e ao seu lado sentam-se
os inúteis, repetindo com as suas bocas mórbidas
as frases que aprenderam no contacto com a sua carne
putrefacta. Alguns, abriram-lhes os ventres e entraram
neles, como se ainda os pudessem fecundar. E o seu
esperma foi devorado pelos caranguejos da ria.»
Deixei-o a falar sozinho, como se faz a todos os que
perderam a fé. E subi pelo dorso da baleia, até onde
acreditei que poderia tocar o céu, enterrando-me
na sua carne movediça até me confundir com
o corpo de deus.
in, "A Convergência dos Ventos" | Nuno Júdice | Publicações Dom Quixote, 1ª. Edição, pág. 14, 15 e 16 - Lisboa, Outubro 2015
Al Berto
A Invisibilidade de Deus
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde podemos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão de sua bondosa mão
o certo
é que por vezes morremos magros até ao osso
sem amparo e sem deus
apenas um rosto muito belo surge etéreo
na vasta insónia que nos isolou do mundo
e sorri
dizendo que nos amou algumas vezes
mas não é o rosto de deus
nem o teu nem aquele outro
que durante anos permaneceu ausente
e o tempo revelou não ser o meu
(in 'Sete Poemas do Regresso de Lázaro')
Fernando Pessoa
Um Deus cansado [de] ser Deus em vão
Farto da gente em cuja companhia
Ia da suja noite ao porco dia,
Para não ser obscuro — o Deus cristão,
O Deus do Cristianismo, esse, uma vez
Quebrando essa apatia em que repousa,
Ou repousava, (…), fez …
Mas fez ele alguma vez alguma coisa?
Para fazer alguma coisa
E não passar a eternidade em branco
Fez o João Franco.
Depois, como a paciência não lhe sobra,
(Que o Cristianismo não o deixa em paz)
Deu um golpe de vista à sua obra,
E zangou-se; já tenho água salobra
Na cabeça: de criar sou afinal capaz.
O último que criei foi Adão
Deixei ao tempo o resto e foi mau para mim.
Em lugar de criar qualquer novo João,
Lá fui ressuscitar Caim.
Fernando Pessoa
Não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.
Tu não és mais que um deus a mais no eterno
Pantéon que preside
À nossa vida incerta.
Nem maior nem menor que os novos deuses,
Tua sombria forma dolorida
Trouxe algo que faltava
Ao número dos divos.
Por isso reina a par de outros no Olimpo,
Ou pela triste terra se quiseres
Vai enxugar o pranto
Dos humanos que sofrem.
Não venham, porém, estultos teus cultores
Em teu nome vedar o eterno culto
Das presenças maiores
E parceiras da tua.
A esses, sim, do âmago eu odeio
Do crente peito, e a esses eu não sigo,
Supersticiosos leigos
Na ciência dos deuses.
Ah, aumentai, não combatendo nunca.
Enriquecei o Olimpo, aos deuses dando
Cada vez maior força
Plo número maior.
Basta os males que o Fado as Parcas fez
Por seu intuito natural fazerem.
Nós homens nos façamos
Unidos pelos deuses.
Fernando Pessoa
«Thy will be done» (with a capital T)
Though ever on earth and on sea
There be the shadow of thy curse
Daily more terrible and worse
Thy will be done!
«Thy Will be done» (with a capital W)
O Man, though many a woe doth trouble you,
Still you pray on, and beat your heart,
And thank the Tyrant in his nest:
«Thy w[ill] be done».
«Thy will Be done» (with a capital B).
Though more than horrid misery
Break the whole earth and wreck the nations
Man cries on, in vile resignations:
«Thy will be done!»
«Thy will be Done» (with a capital D)
All are (...) and all unfree,
And yet from cottage and from hall
The groaning and the dying call
«Thy will be done!»
«Thy W[ill] Be Done» (all with capital letters),
Although God (...) our mind and fetters,
We roll our eyes and groan uncheerly
We join our hands and half-sincerely
Exclaim from life we pay too dearly:
«Thy will be done!»