Poemas neste tema
Flores e Jardins
Angela Santos
Cama Lavada
Estendo-te
uma cama de orquídeas
e rosas
perfumo meu corpo com lavanda e jasmim
Estendo-te meus braços,
enlaças meu corpo de mulher e nos deitamos na cama
perfumada de aromas
o nosso e o das flores
Nessa cama lavada
lavaremos as feridas, do corpo e da alma
esqueceremos o tempo e o longe que faz doer
na celebração do amor
que quisemos e esperamos acontecer
Mergulhar no fundo do mar dos sentidos
esquecer o mundo que oprime a razão
e no enlace único
seremos raízes que se agarram firmes
a um mesmo chão.
uma cama de orquídeas
e rosas
perfumo meu corpo com lavanda e jasmim
Estendo-te meus braços,
enlaças meu corpo de mulher e nos deitamos na cama
perfumada de aromas
o nosso e o das flores
Nessa cama lavada
lavaremos as feridas, do corpo e da alma
esqueceremos o tempo e o longe que faz doer
na celebração do amor
que quisemos e esperamos acontecer
Mergulhar no fundo do mar dos sentidos
esquecer o mundo que oprime a razão
e no enlace único
seremos raízes que se agarram firmes
a um mesmo chão.
1 051
Angela Santos
Jardim das Delícias
Convido-te
a entrar no meu jardim,
devagarinho, primeiro
como quem chega pé ante pé...
dou-te a provar, a cheirar, a tocar
os frutos, as flores
laranjas, a orquídea , perfeitos amores
Levo-te aos recantos onde serenos
correm leves fios de água
e é aí que lavamos lembranças, memórias
e até nossas mágoas.
Lavados e nus, o corpo e a alma
se entregam depois a uma dança antiga
de antes dos tempos
e antes da vida
Aqui não sentimos
o tempo da demora, o espaço, ou a distância
este é lugar onde Deus
juntou almas prometidas
e que aguardam o adiado enlace
que una e sele suas vidas
Juntas e enamoradas nesse jardim das delicias,
não falamos, não é preciso
nossos olhos em si descobrem
o fio que nos traz unidas.
a entrar no meu jardim,
devagarinho, primeiro
como quem chega pé ante pé...
dou-te a provar, a cheirar, a tocar
os frutos, as flores
laranjas, a orquídea , perfeitos amores
Levo-te aos recantos onde serenos
correm leves fios de água
e é aí que lavamos lembranças, memórias
e até nossas mágoas.
Lavados e nus, o corpo e a alma
se entregam depois a uma dança antiga
de antes dos tempos
e antes da vida
Aqui não sentimos
o tempo da demora, o espaço, ou a distância
este é lugar onde Deus
juntou almas prometidas
e que aguardam o adiado enlace
que una e sele suas vidas
Juntas e enamoradas nesse jardim das delicias,
não falamos, não é preciso
nossos olhos em si descobrem
o fio que nos traz unidas.
1 056
Angela Santos
Pedras Raras
Se
cuidarmos desse amor
com o cuidado que colocamos
nas flores delicadas e frágeis
ele vai florir
Se cuidarmos desse amor
e nele pomos o brilho de pedras raras
ele vai devolver aos olhos e ao coração
a luz que em nós se acendeu
Se esse amor foi plantado
por mão que não conhecemos
se tem brilho de safiras, opalas e ametistas
ele vai crescer e vai brilhar,
Deus sabe
se pelo resto das nossas vidas.
cuidarmos desse amor
com o cuidado que colocamos
nas flores delicadas e frágeis
ele vai florir
Se cuidarmos desse amor
e nele pomos o brilho de pedras raras
ele vai devolver aos olhos e ao coração
a luz que em nós se acendeu
Se esse amor foi plantado
por mão que não conhecemos
se tem brilho de safiras, opalas e ametistas
ele vai crescer e vai brilhar,
Deus sabe
se pelo resto das nossas vidas.
1 062
Angela Santos
Nuances
Sacudo
o sono dos meus olhos
a manhã aparece iluminada
e sinto-me inusitadamente serena.
Este sentir-me assim, está preso a outra razão
estar aqui e ser noutro lugar
o longe que não é longe
se perto do coração
E é tão perto que o sinto
que parece ter vivido aqui sempre ao meu lado
e um dia de repente
eu tivesse acordado, e sobre ele pousasse
aquele olhar de menino
que olha todas coisas com o seu primeiro olhar
É uma coisa bonita que cresce
e eu quero cuidar
como o jardineiro trata e cuida de uma flor.
E lindo mesmo é olhar, sentir e deixar brotar
nas suas subtis formas,
tons e nuances de cor
sem perguntar.. sem querer saber
como nasce, porque nasce
e cuidar apenas de a ver crescer.
o sono dos meus olhos
a manhã aparece iluminada
e sinto-me inusitadamente serena.
Este sentir-me assim, está preso a outra razão
estar aqui e ser noutro lugar
o longe que não é longe
se perto do coração
E é tão perto que o sinto
que parece ter vivido aqui sempre ao meu lado
e um dia de repente
eu tivesse acordado, e sobre ele pousasse
aquele olhar de menino
que olha todas coisas com o seu primeiro olhar
É uma coisa bonita que cresce
e eu quero cuidar
como o jardineiro trata e cuida de uma flor.
E lindo mesmo é olhar, sentir e deixar brotar
nas suas subtis formas,
tons e nuances de cor
sem perguntar.. sem querer saber
como nasce, porque nasce
e cuidar apenas de a ver crescer.
1 066
Angela Santos
Cardos e Rosas
De
rosas e cardos se adornam os dias
na alegria exaltante, na duvida nascente
no querer desmedido, no desejo sem limite
na lúcida consciência de um amanhã
que não sabemos se vem…
De rosas e cardos se faz este amor
que dói com razão por se saber ser
tão perto e tão longe
tão tudo e tão nada
quando a mão estende para tocar
e sente que o longe lá está.......
De rosas e cardos são feitos meus dedos
buscando tocar com leveza de rendas
ou a fúria do bicho em seu cio aceso
um corpo amado num lugar que é lá.....
A alma se enche e esvazia assim....
o longe cansa-me, canso–me de mim
e desse grito aflito,
da busca incessante com que bordo meus dias,
dor de filigrana fina…. entrelaçada,
noites que desfio numa longa espera.
Ah! Cansa-me esse longe….quero repousar!
rosas e cardos se adornam os dias
na alegria exaltante, na duvida nascente
no querer desmedido, no desejo sem limite
na lúcida consciência de um amanhã
que não sabemos se vem…
De rosas e cardos se faz este amor
que dói com razão por se saber ser
tão perto e tão longe
tão tudo e tão nada
quando a mão estende para tocar
e sente que o longe lá está.......
De rosas e cardos são feitos meus dedos
buscando tocar com leveza de rendas
ou a fúria do bicho em seu cio aceso
um corpo amado num lugar que é lá.....
A alma se enche e esvazia assim....
o longe cansa-me, canso–me de mim
e desse grito aflito,
da busca incessante com que bordo meus dias,
dor de filigrana fina…. entrelaçada,
noites que desfio numa longa espera.
Ah! Cansa-me esse longe….quero repousar!
1 171
Angela Santos
Ilha dos Amores
Se
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
646
Angela Santos
Chama
Atento no remurejar da alma
onde correm todas as marcas
como sargaços rumo à foz
dos dias brancos.
Tantos invernos entremeados
pela luz que ascende desse jardim,
onde ardem todas as promessas
de ouro, a viagem onde me circum-navego...
Quantos sonhos
quantos sóis arderam no caminho?
De luz sempre a busca,
ainda hoje se espelha
nas gotas de chuva onde me abrigo
neste canto do mundo...
De luz, de explosões
matinais é a fome
do que em mim
chamo de alma.
onde correm todas as marcas
como sargaços rumo à foz
dos dias brancos.
Tantos invernos entremeados
pela luz que ascende desse jardim,
onde ardem todas as promessas
de ouro, a viagem onde me circum-navego...
Quantos sonhos
quantos sóis arderam no caminho?
De luz sempre a busca,
ainda hoje se espelha
nas gotas de chuva onde me abrigo
neste canto do mundo...
De luz, de explosões
matinais é a fome
do que em mim
chamo de alma.
943
Angela Santos
Cristais do Tempo
Agora
quero apenas ser daqui...
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso
sinto e fruo por inteiro
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol
Aqui e agora
Ser
chão rude e àspero
anjo sem asas
brisa que passa
poeira de estrelas....
e até lodo ser
se a beleza de um Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pantano
teimosamente se erguer.
quero apenas ser daqui...
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso
sinto e fruo por inteiro
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol
Aqui e agora
Ser
chão rude e àspero
anjo sem asas
brisa que passa
poeira de estrelas....
e até lodo ser
se a beleza de um Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pantano
teimosamente se erguer.
1 013
Angela Santos
Profecias
Vêm
de longe
e trazem nas mãos
o desenho da rosa
milénios sepultada nas mãos
a eterna forma da rosa
Vêm de longe
e sabem o nome de todas as coisas,
olhos de mar sereno
repousam no fundo de um sonho
antigo.
vêm de longe
e pelos caminhos há estrelas,
profetas do sol
espalham enigmas e gravam sinais.
nos templos, nos livros,
nos olhos de lume
que perscrutam cifras
dum tempo perene
insana tarefa
perdida na busca do sentido
vago
deste tempus breve.
de longe
e trazem nas mãos
o desenho da rosa
milénios sepultada nas mãos
a eterna forma da rosa
Vêm de longe
e sabem o nome de todas as coisas,
olhos de mar sereno
repousam no fundo de um sonho
antigo.
vêm de longe
e pelos caminhos há estrelas,
profetas do sol
espalham enigmas e gravam sinais.
nos templos, nos livros,
nos olhos de lume
que perscrutam cifras
dum tempo perene
insana tarefa
perdida na busca do sentido
vago
deste tempus breve.
793
Miriam Paglia Costa
Coagulação do Instante
devo
ir, preciso ir, mas
a caminho
a flor do cacto
estrela presa em moitas do jardim
distraída planta
esquece o rabo fora da toca
e neva este verão
um floco
um floco só
na haste da escuridão
a flor e eu
a serena e a irritável
a que se cumpre e a que deseja
face a face
com grade de permeio
a do zoológico mira a do botânico
uma é estática
na outra, fluir repele o êxtase
a flor e eu, que
bicho hirsuto
porco-espinho
capivara
queixada perdida de seu bando
abrando
e, branda
doce
cega pelo branco
(estátua de osso
esquecido do esqueleto)
calço a alma da flor
e ando
ir, preciso ir, mas
a caminho
a flor do cacto
estrela presa em moitas do jardim
distraída planta
esquece o rabo fora da toca
e neva este verão
um floco
um floco só
na haste da escuridão
a flor e eu
a serena e a irritável
a que se cumpre e a que deseja
face a face
com grade de permeio
a do zoológico mira a do botânico
uma é estática
na outra, fluir repele o êxtase
a flor e eu, que
bicho hirsuto
porco-espinho
capivara
queixada perdida de seu bando
abrando
e, branda
doce
cega pelo branco
(estátua de osso
esquecido do esqueleto)
calço a alma da flor
e ando
745
Jurandir Argolo
No meu Jardim
nasceste
no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.
hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.
nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...
Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...
no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.
hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.
nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...
Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...
382
Reinaldo Ferreira
Triste, a paisagem tem ciprestes só
Triste, a paisagem tem ciprestes só.
Órbitas cegas, de chorar por água,
Os tanques estancam sua sede em pó
E o seu silêncio enche o jardim de mágoa.
Ao buxo, há muito que ninguém dá norma,
Só répteis amam, no caramanchel.
E o velho fauno branco, hoje sem forma,
Envolto dhera, toma a cor do fel.
Galgos, cisnes, pavões, festivas flores,
Tudo se foi. No vácuo, o tempo escorre.
Folha arrastada aos vergéis exteriores,
Transposto o muro, inda que verde morre.
Órbitas cegas, de chorar por água,
Os tanques estancam sua sede em pó
E o seu silêncio enche o jardim de mágoa.
Ao buxo, há muito que ninguém dá norma,
Só répteis amam, no caramanchel.
E o velho fauno branco, hoje sem forma,
Envolto dhera, toma a cor do fel.
Galgos, cisnes, pavões, festivas flores,
Tudo se foi. No vácuo, o tempo escorre.
Folha arrastada aos vergéis exteriores,
Transposto o muro, inda que verde morre.
1 774
Reinaldo Ferreira
Não sei porquê
Não sei porquê,
Sabê-lo, era saber o meu caminho,
Sabê-lo, era deixar de ser ceguinho!
O meu olhar, se sonha, pára e vê,
Não sei porquê,
Uma casa de alvíssima fachada,
Prontinha mas cerrada,
Esperando não sei quê
Debalde o meu olhar,
Batendo à porta,
Se faz mais pequenino para entrar
Naquela casa morta.
Naquela casa morta, não
Naquela casa à espera
Dum peregrino, alguém
Que já demora
Naquela casa à espera
Dum outro não sei quem,
Por quem a casa chora
Oh! moradia hermética dum Outro!
Oh! casa dos telhados sonhadores
Fitando amargurada a estrada nua
Deixa-me encher o teu jardim de flores!
Não fiques tola e triste, assim na lua,
À espera desse alguém
Que nunca vem!
Oh! casa do portão sempre cerrado,
Se não me deixas ser eu o Desejado,
Que o tempo arrebatou e já não vem,
Recolhe o meu olhar à tua esperança,
Que eu prometo ficar muito calado
À espera desse alguém
Sabê-lo, era saber o meu caminho,
Sabê-lo, era deixar de ser ceguinho!
O meu olhar, se sonha, pára e vê,
Não sei porquê,
Uma casa de alvíssima fachada,
Prontinha mas cerrada,
Esperando não sei quê
Debalde o meu olhar,
Batendo à porta,
Se faz mais pequenino para entrar
Naquela casa morta.
Naquela casa morta, não
Naquela casa à espera
Dum peregrino, alguém
Que já demora
Naquela casa à espera
Dum outro não sei quem,
Por quem a casa chora
Oh! moradia hermética dum Outro!
Oh! casa dos telhados sonhadores
Fitando amargurada a estrada nua
Deixa-me encher o teu jardim de flores!
Não fiques tola e triste, assim na lua,
À espera desse alguém
Que nunca vem!
Oh! casa do portão sempre cerrado,
Se não me deixas ser eu o Desejado,
Que o tempo arrebatou e já não vem,
Recolhe o meu olhar à tua esperança,
Que eu prometo ficar muito calado
À espera desse alguém
1 895
Herberto Sales
Im Afraid of
Tenho medo de perder-te
e de, perdendo-te,
não mais te ver cavalgar sobre a relva úmida
em galope elástico e branco,
num ondular de ancas
brancas
de lua com maciez de jacintas.
Tenho medo de perder-te
e de, perdendo-te,
perder-me também
(irremediavelmente)
numa infecunda solidão floral:
sem o mel da polpa que o fruto oculta,
sem o pólen da rosa escarlate.
e de, perdendo-te,
não mais te ver cavalgar sobre a relva úmida
em galope elástico e branco,
num ondular de ancas
brancas
de lua com maciez de jacintas.
Tenho medo de perder-te
e de, perdendo-te,
perder-me também
(irremediavelmente)
numa infecunda solidão floral:
sem o mel da polpa que o fruto oculta,
sem o pólen da rosa escarlate.
1 083
Ernâni Rosas
Depois de te Sonhar
Depois de Te sonhar Mistério ido
e .seguir-Te e ouvir-Te em Hora leda,
de vesti teu Ser a raios de Astro e Olvido,
de Antigüidade o teu perfil de Moeda.
Parei depois de haver corrido tanto
e amado e urdido Horas de Sonho-Asa?
constelada de azul fulgor de brasa
por Tardes enlaivadas de quebranto...
Sonho em Cristal teu corpo de Champagne?
mansa luz que morrendo sem alarde,
não há sol de crepúsculo, que a estranhe...
Acordas do teu Sono, para Mim!
nos meus olhos à sombra, para a Tarde...
por que surges em Sonhos num jardim?
e .seguir-Te e ouvir-Te em Hora leda,
de vesti teu Ser a raios de Astro e Olvido,
de Antigüidade o teu perfil de Moeda.
Parei depois de haver corrido tanto
e amado e urdido Horas de Sonho-Asa?
constelada de azul fulgor de brasa
por Tardes enlaivadas de quebranto...
Sonho em Cristal teu corpo de Champagne?
mansa luz que morrendo sem alarde,
não há sol de crepúsculo, que a estranhe...
Acordas do teu Sono, para Mim!
nos meus olhos à sombra, para a Tarde...
por que surges em Sonhos num jardim?
1 140
Domingos do Nascimento
Meu Lar!
Eu sou da terra dos lírios bravos
Que pendem a haste por sobre o mar.
Por entre lírios vermelham cravos...
Branco e vermelho... fico a cismar!
Fico a cismar nos lírios e nos cravos
Que pendem a haste por sobre o mar.
Minha casita branca de neve,
Com telhas rubras, era um primor.
Minha casita que encantos teve...
Hoje tapera, sem riso ou flor!
Fico a cismar na graça que já teve...
Com telhas rubras, era um primor!
Olha as moçoilas subindo os montes,
Chapéu de palha, saiote curto!
Belas morenas descendo às fontes,
Bilhas à coifa, pezinho a furto...
Fico a cismar nas moças lá dos montes,
Chapéu de palha, saiote curto.
E a minha dama era alva de neve,
De lábios rubros, botão de flor.
A minha dama que olhos já teve,
Escrava agora de outro senhor!
Fico a cismar nos olhos que já teve,
De lábios rubros, botão de flor.
Eu sou da terra dos brancos lírios,
Dos lindos mares, bravos, chorosos...
No céu escuro crepitam círios,
E os ventos gemem, tristes, saudosos!
Fico a cismar que velam tantos círios
Os lindos mares, bravos, chorosos...
A dor eterna seja contigo,
Coração fiel, mar tormentoso
Meu companheiro, meu velho amigo!
Quando te sinto soberbo e iroso,
Fico a cismar em ti, que estás comigo.
Coração fiel, mar tormentoso
Eu sou da terra dos liriais...
... Branca de neve... seios de amora...
— Que lindo rastro nos areais!
A noite foge, resplende a aurora...
Fico a cismar por sobre os areais:
— Branca de neve... seios de amora...
O mar soluça beijando a praia...
— Não mais te beijo, botão de flor,
A onda ruge, a onda desmaia...
Gemo... Saudades de tanto amor!
Fico a cismar se aquela flor desmaia...
... Não mais te beijo, botão de flor!
Que pendem a haste por sobre o mar.
Por entre lírios vermelham cravos...
Branco e vermelho... fico a cismar!
Fico a cismar nos lírios e nos cravos
Que pendem a haste por sobre o mar.
Minha casita branca de neve,
Com telhas rubras, era um primor.
Minha casita que encantos teve...
Hoje tapera, sem riso ou flor!
Fico a cismar na graça que já teve...
Com telhas rubras, era um primor!
Olha as moçoilas subindo os montes,
Chapéu de palha, saiote curto!
Belas morenas descendo às fontes,
Bilhas à coifa, pezinho a furto...
Fico a cismar nas moças lá dos montes,
Chapéu de palha, saiote curto.
E a minha dama era alva de neve,
De lábios rubros, botão de flor.
A minha dama que olhos já teve,
Escrava agora de outro senhor!
Fico a cismar nos olhos que já teve,
De lábios rubros, botão de flor.
Eu sou da terra dos brancos lírios,
Dos lindos mares, bravos, chorosos...
No céu escuro crepitam círios,
E os ventos gemem, tristes, saudosos!
Fico a cismar que velam tantos círios
Os lindos mares, bravos, chorosos...
A dor eterna seja contigo,
Coração fiel, mar tormentoso
Meu companheiro, meu velho amigo!
Quando te sinto soberbo e iroso,
Fico a cismar em ti, que estás comigo.
Coração fiel, mar tormentoso
Eu sou da terra dos liriais...
... Branca de neve... seios de amora...
— Que lindo rastro nos areais!
A noite foge, resplende a aurora...
Fico a cismar por sobre os areais:
— Branca de neve... seios de amora...
O mar soluça beijando a praia...
— Não mais te beijo, botão de flor,
A onda ruge, a onda desmaia...
Gemo... Saudades de tanto amor!
Fico a cismar se aquela flor desmaia...
... Não mais te beijo, botão de flor!
932
Zuleika dos Reis
Outono
Gotas de orvalho
molhando a flor e a avezinha.
Fresca madrugada.
Gotas de orvalho.
Sobre a folha escorregadia
saltita o grilo.
Horizonte rubro.
Ave branca atravessando
branco do luar.
molhando a flor e a avezinha.
Fresca madrugada.
Gotas de orvalho.
Sobre a folha escorregadia
saltita o grilo.
Horizonte rubro.
Ave branca atravessando
branco do luar.
1 026
Zuleika dos Reis
Primavera
Margaridas brancas.
No jardim do meu vizinho,
a primavera.
Rãzinha verde. Entre
as folhas, brinca de
esconde-esconde.
Pétala a pétala
com delícia se desfolha
a alcachofra.
No jardim do meu vizinho,
a primavera.
Rãzinha verde. Entre
as folhas, brinca de
esconde-esconde.
Pétala a pétala
com delícia se desfolha
a alcachofra.
948
Yeda Prates Bernis
Haicai
Noite no jasmineiro
Sobre o muro,
estrelas perfumadas
Camisas alegres
gangorram agosto
no varal
Sobre o muro,
estrelas perfumadas
Camisas alegres
gangorram agosto
no varal
1 161
Vitor Casimiro
Um Dia Rosa, no Outro Pétala
PétalaVem ao chão.Do Chão não volta maisJamais esquece,A pétala,A chance valiosaDe ter sido,Um dia,Rosa.
953
Tânia Regina
Momentos
Flores esvoaçando,
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
830
Simão Pereira de Sá
Soneto
Do Hibla as belas flores celebradas,
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
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