Renato Russo

Renato Russo

1960–1996 · viveu 36 anos BR BR

Renato Russo foi um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro, conhecido principalmente como vocalista e líder da banda Legião Urbana. É considerado um dos maiores ícones da música pop/rock brasileira, com letras que abordavam temas como amor, política, juventude, existencialismo e críticas sociais. Sua voz inconfundível e sua poesia urbana marcaram uma geração e continuam a influenciar a música brasileira contemporânea.

n. 1960-03-27, Rio de Janeiro · m. 1996-10-11, Rio de Janeiro

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Eduardo e Mônica

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração ?
E quem irá dizer
Que não existe razão ?

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar:
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque,
Noutro canto da cidade,
Como eles disseram.

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo prá tentar se conhecer.
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
- Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir.
Festa estranha, com gente esquisita:
- Eu não estou legal. Não aguento mais birita.
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir prá casa:
- É quase duas, eu vou me ferrar

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard.
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo.
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo.

Eduardo e Mônica eram nada parecidos -
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis.
Ela fazia medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês.
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus,
De Van Gogh e dos Mutantes,
De Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô.

Ela falava coisas sobre o Planalto Central,
Também magia e meditação.
E o Eduardo ainda estava
No esquema "escola-cinema-clube-televisão".

E, mesmo com tudo diferente,
Veio mesmo, de repente,
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia,
Como tinha de ser.

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia,
Teatro e artesanato, e foram viajar.
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar:
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar;
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular.
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois.
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa,
Que nem feijão com arroz.

Construíram uma casa uns dois anos atrás,
Mais ou menos quando os gêmeos vieram -
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram.

Eduardo e Mônica voltaram prá Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão.
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração ?
E quem irá dizer
Que não existe razão ?

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Biografia

Identificação e contexto básico

Renato Manfredini Júnior, mundialmente conhecido como Renato Russo, foi um cantor, compositor, produtor musical e multi-instrumentista brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro e faleceu em São Paulo. Era filho de Renato Manfredini e Maria do Carmo Manfredini. Sua nacionalidade era brasileira e a língua de escrita era o português. É amplamente reconhecido como o líder e principal letrista da banda Legião Urbana.

Infância e formação

Renato Russo passou a infância e adolescência no Rio de Janeiro, onde estudou em colégios tradicionais. Desde cedo, demonstrou um grande interesse por música e literatura, especialmente pela poesia e pelo rock 'n' roll. Aos 11 anos, foi diagnosticado com epifisiólise, uma doença óssea rara que o levou a usar muletas por um tempo e o afastou de atividades físicas, intensificando seu contato com livros e música.

Percurso literário

O percurso de Renato Russo na música começou a ganhar forma na década de 1970, quando teve contato com o movimento punk e o rock britânico. Na década de 1980, fundou a Legião Urbana, tornando-se o principal compositor e letrista da banda. Sua escrita evoluiu de temas mais introspectivos e existenciais para uma poesia urbana e socialmente engajada, abordando as angústias e os questionamentos da juventude.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Renato Russo é vasta e diversificada, com destaque para as letras compostas para a Legião Urbana, mas também para sua carreira solo. Seus temas centrais incluem o amor em suas diversas facetas, a crítica social e política, a solidão, a busca por identidade, a esperança e o desespero. Utilizou uma linguagem poética direta, porém profunda, com metáforas e referências culturais que ressoavam com o público jovem. Seu estilo é marcado pela melancolia, pela intensidade emocional e por uma capacidade ímpar de traduzir sentimentos complexos em versos acessíveis. A voz poética de Renato Russo era frequentemente confessional, mas com alcance universal, tocando em questões existenciais que transcendem o individual.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Renato Russo emergiu no cenário musical brasileiro em um período de redemocratização do país, após anos de ditadura militar. A Legião Urbana, com suas letras contestadoras e poéticas, tornou-se porta-voz de uma geração que buscava expressão e liberdade. A banda dialogava com outros artistas e movimentos musicais da época, como o rock brasileiro dos anos 80, mas também com influências do punk, pós-punk e new wave internacionais. Sua música refletia as transformações sociais e políticas do Brasil, ao mesmo tempo em que explorava temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Renato Russo foi marcada por sua discrição e pela intensidade de suas paixões. Sua relação com a música era central em sua existência, mas também era um grande leitor e apreciador de arte. Viveu um relacionamento homoafetivo significativo, embora tenha sido um tema raramente abordado publicamente na época. Sua luta contra o vício em drogas e, posteriormente, contra o HIV, foram aspetos que, embora dolorosos, não o impediram de continuar produzindo e se expressando artisticamente. Sua posição política era de crítica ao sistema e de defesa de valores humanistas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Renato Russo alcançou um sucesso estrondoso em vida, tornando-se um dos artistas mais populares do Brasil. A Legião Urbana vendeu milhões de discos e lotou estádios por todo o país. Após sua morte, seu legado se consolidou ainda mais, com suas músicas sendo regravadas por diversos artistas e mantendo uma forte conexão com o público. É amplamente reconhecido como um dos maiores letristas da música brasileira e um ícone cultural.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Renato Russo foi influenciado por artistas como Bob Dylan, The Smiths, Joy Division, e poetas como Arthur Rimbaud. Seu legado é imenso: ele influenciou inúmeros músicos e compositores brasileiros e se tornou uma referência para gerações de fãs que se identificam com suas letras e sua mensagem. A Legião Urbana é considerada uma das bandas mais importantes da história da música brasileira, e suas canções continuam a ser hinos para muitos.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As letras de Renato Russo são ricas em camadas de significado, permitindo diversas interpretações. Seus versos sobre amor e desilusão, por exemplo, são universalmente reconhecidos. Críticos apontam sua capacidade de traduzir a angústia juvenil e o desencanto com a sociedade em canções cativantes. Sua poesia é frequentemente analisada sob a ótica da existencialismo e da busca por sentido em um mundo complexo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Renato Russo era um ávido leitor e colecionador de discos. Ele também era conhecido por sua timidez e introspecção fora dos palcos. Uma curiosidade é que ele era fluente em inglês e francês, línguas que utilizava em algumas de suas composições e em suas referências culturais. Seus cadernos de anotações eram repletos de rascunhos de letras, poemas e reflexões.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Renato Russo faleceu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, em decorrência de complicações causadas pela AIDS. Sua morte causou grande comoção nacional. Publicações póstumas, como o livro "Renato Russo - O Trovador Solitário", e a continuidade do legado da Legião Urbana mantêm viva a memória e a obra do artista.

Poemas

77

Índios

Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do começo ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do começo ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -
Tentei chorar e não consegui.

1 716

Soldados

Nossas meninas estão longe daqui
Não temos com quem chorar e nem prá onde ir
Se lembra quando era só brincadeira
Fingir ser soldado a tarde inteira ?
Mas agora a coragem que temos no coração
Parece medo da morte mas não era então
Tenho medo de lhe dizer o que eu quero tanto
Tenho medo e eu sei porquê:
Estamos esperando
Quem é o inimigo ?
Quem é você ?
Nos defendemos tanto tanto sem saber
Porque lutar

Nossas meninas estão longe daqui
E de repente eu vi você cair
Não sei armar o que eu senti
Não sei dizer que vi você ali
Quem vai saber o que você sentiu ?
Quem vai saber o que você pensou ?
Quem vai dizer agora o que eu não fiz ?
Como explicar prá você o que eu quis ?

Somos soldados
Pedindo esmola
E a gente não queria lutar

1 283

Maurício

Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece que agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante e
Voltar a ser feliz
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Prá onde é que eu vou ?
Eu vi você voltar prá mim

1 468

Pais e Filhos

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora:
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês ?
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há
Me diz porque é que o céu é azul
Me explica a grande f£ria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há
Sou uma gota dágua
Sou um grão de areia
Você diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo:
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer ?

2 115

Por Enquanto

Mudaram as estações e nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o prá sempre
Sempre acaba ?
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta
Prá casa

2 058

Música Urbana 2

Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
Cantam música urbana,
Motocicletas querendo atenção às três da manhã -
É só música urbana.

Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana.
Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana.

O vento forte seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana
E a matilha de crianças sujas no meio da rua -
Música urbana.
E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana.

Os uniformes
Os cartazes
Os cinemas
E os lares
Nas favelas
Coberturas
Quase todos os lugares

E mais uma criança nasceu.

Não há mentiras nem verdades aqui
Só há música urbana.

756

Baader-Meinhof Blues

A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar ao próximo é tão demodé

Essa justiça desfinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença ?

Não estatize meus sentimentos
Prá seu governo
O meu estado é independente

1 199

Depois do começo

Vamos deixar as janelas abertas
Deixar o equilíbrio ir embora
Cair como um saxofone na calçada
Amarrar um fio de cobre no pescoço

Acender um intervalo pelo filtro
Usar um extintor como lençol
Jogar pólo-aquático na cama
Ficar deslizando pelo teto
Da nossa casa cega e medieval
Cantar canções em línguas estranhas
Retalhar as cortinas desarmadas
Com a faca surda que a fé sujou
Desarmar os brinquedos indecentes
E a indecência pura dos retratos no salão
Vamos beber livros e mastigar tapetes
Catar pontas de cigarros nas paredes

Abrir a geladeira e deixar o vento sair
Cuspir um dia qualquer no futuro
De quem já desapareceu
Deus, Deus, somos todos ateus
Vamos cortar os cabelos do príncipe
E entregá-los a um deus plebeu

E depois do começo
O que vier vai começar a ser o fim.

1 231

O Reggae

Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora
Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram para ter paciência
Falhei
Então gritaram: - Cresça e apareça !
Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia o jornal da tv
E aprendi a roubar prá vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas, e daí, mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor prá mim

Me ajuda se eu quiser
Me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui
Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
No meio das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado

Beberam o meu sangue e não me deixam viver
Têm o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vêm falar de liberdade prá depois me prender
Pedem identidade prá depois me bater
Tiram todas as minhas armas
Como posso me defender ?
Vocês venceram esta batalha
Quanto à guerra,
Vamos ver

1 116

LAvventura

Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos?
Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa
Pro futuro
Corri pro esconderijo e olhei pela janela
O sol é um só mas que sabe são duas manhãs
Não precisa vir se não for pra ficar
Pelo menos uma noite e três semanas.
Nada é fácil, nada é certo
Não façamos do amor algo desonesto
Quero ser prudente e sempre ser correto
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero
E queremos fugir
Mas ficamos sempre sem saber
Seu olhar não conta mais estórias
Não brota o fruto e nem a flor
E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar
Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais
Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente nem é verdade
E eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender.

1 139

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