Lista de Poemas

Se glisser dans ton ombre à la faveur de la nuit

Se glisser dans ton ombre à la faveur de la nuit

Suivre tes pas, ton ombre à la fenêtre.

Cette ombre à la fenêtre cest toi, ce nest pas une ombre, cest toi.

Nouvre pas cette fenêtre derrière les rideaux de laquelle tu bouges.

Ferme les yeux.

Je voudrais les fermer avec mes lèvres.

Mais la fenêtre souvre et le vent, le vent qui balance bizarrement la flamme et le drapeau entoure ma fuite de son manteau.

La fenêtre souvre : ce nest pas toi.

Je le savais bien.

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Identificação e contexto básico

Robert Desnos foi um poeta, jornalista e resistente francês, nascido a 11 de julho de 1900 em Paris e falecido a 8 de junho de 1945 em Theresienstadt. Era filho de Jean-Georges Desnos e de Marie-Adèle Desnos. Conhecido pela sua obra surrealista, Desnos foi um dos mais importantes poetas do movimento, explorando os limites da linguagem e da consciência. Era cidadão francês.

Infância e formação

Desnos frequentou o Liceu Charlemagne em Paris. Após concluir os seus estudos, trabalhou em diversas profissões, incluindo a de farmacêutico. Desde cedo demonstrou um talento para a escrita e uma profunda curiosidade intelectual, sendo fortemente influenciado pelas correntes literárias e filosóficas da sua época.

Percurso literário

O seu percurso literário começou com a publicação de poemas em jornais e revistas. Desnos aderiu ao movimento surrealista em 1922, tornando-se uma figura central e um dos seus mais ardentes defensores. Foi célebre pela sua habilidade em transe, durante o qual produzia textos automáticos de grande originalidade. A sua obra poética evoluiu ao longo do tempo, sempre mantendo uma forte ligação com o surrealismo, mas desenvolvendo um estilo pessoal e inovador. Colaborou intensamente com a revista "La Révolution surréaliste".

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre as suas obras mais importantes encontram-se "Sirius" (1920-1930, publicado postumamente), "Corps et Biens" (1930), "La Liberté ou l'Amour!" (1927), e "Fortunes" (1945). A sua poesia explora os temas do amor, do sonho, do inconsciente, da liberdade e da metamorfose. O estilo de Desnos é caracterizado pela liberdade formal, pelo ritmo vibrante, pela abundância de imagens surpreendentes e pela exploração do absurdo e do maravilhoso. Utilizava o verso livre com mestria, criando uma linguagem transgressora e inovadora. A sua voz poética é muitas vezes visionária, confessional e carregada de uma forte carga erótica e mística. Desnos foi um dos pioneiros da exploração poética do automatismo psíquico, influenciando muitos poetas surrealistas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Robert Desnos viveu durante um período turbulento da história europeia, marcado pelas duas Guerras Mundiais. Foi um ativo participante do movimento surrealista, que emergiu após a Primeira Guerra Mundial como uma resposta à racionalidade que, em seu entender, levara à catástrofe. A ascensão do nazismo e a ocupação da França tiveram um impacto profundo na sua vida. Desnos era amigo e contemporâneo de André Breton, Louis Aragon e Paul Éluard, com quem partilhou os ideais surrealistas. A sua posição política, inicialmente alinhada com a esquerda e posteriormente com a resistência antifascista, marcou a sua vida e obra.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Desnos teve relações significativas com mulheres que também foram figuras importantes no meio surrealista, como Simone Breton e mais tarde Youki Desnos, sua esposa. A sua vida foi marcada pela paixão pela poesia, pela liberdade e pela luta contra a opressão. Durante a Segunda Guerra Mundial, juntou-se à Resistência Francesa, utilizando o seu talento para a escrita em missões clandestinas. A sua coragem e o seu idealismo foram características marcantes da sua personalidade.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Desnos foi um poeta respeitado no círculo surrealista, mas o seu reconhecimento mais amplo, especialmente o académico, viria postumamente. A sua obra foi redescoberta e valorizada nas décadas seguintes à sua morte, sendo hoje considerado um dos grandes poetas do surrealismo e da literatura francesa do século XX. A sua capacidade de transfigurar o real através do sonho e do inconsciente garantiu-lhe um lugar único na história da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Desnos foi influenciado por poetas como Arthur Rimbaud e Lautréamont, e pela psicanálise freudiana. Por sua vez, influenciou inúmeros poetas surrealistas e posteriores com a sua exploração radical da linguagem e do inconsciente. O seu legado reside na sua audácia poética, na sua capacidade de fundir o real e o irreal, e no seu testemunho de coragem e resistência. A sua obra continua a ser estudada e admirada pela sua originalidade e pela sua força visionária.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Desnos tem sido objeto de análise crítica focada na sua exploração do inconsciente, do erotismo e da liberdade. As suas experiências com o sono hipnótico e a escrita automática são centrais nas interpretações da sua poesia, vista como uma ponte entre o mundo interior e o exterior. A sua obra levanta questões sobre a natureza da realidade, da identidade e do desejo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma das facetas mais conhecidas de Desnos é a sua capacidade de entrar em transe e produzir textos automáticos notáveis. Essa habilidade levou alguns a vê-lo como um "médium" surrealista. Durante a guerra, utilizou pseudónimos e redes de contactos para a sua atividade na Resistência. A sua morte num campo de concentração é um dos episódios mais trágicos e emblemáticos da repressão nazista contra os intelectuais.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Robert Desnos morreu de tifo no campo de concentração de Theresienstadt, poucos meses após a sua libertação. A sua morte representou uma perda imensurável para a literatura e para o movimento surrealista. A publicação póstuma de grande parte da sua obra, como "Sirius", permitiu que a sua genialidade fosse plenamente reconhecida e que a sua memória como poeta e resistente fosse perpetuada.