Rosani Abou Adal

Rosani Abou Adal

Rosani Abou Adal é uma poeta e escritora brasileira, conhecida por sua obra poética que transita entre o lirismo, a reflexão social e a exploração da identidade. Sua escrita é marcada por uma linguagem potente e imagética, que aborda temas contemporâneos com sensibilidade e profundidade. É uma voz relevante na literatura brasileira atual, com contribuições significativas para a poesia escrita por mulheres.

n. , São Paulo, SP

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Passáro-Concorde

Trilhar caminhos e sentir teu cheiro
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Rosani Abou Adal é uma escritora e poeta brasileira, autora de obras relevantes no cenário literário contemporâneo. Sua produção é escrita em língua portuguesa.

Infância e formação

A formação de Rosani Abou Adal, embora os detalhes específicos de sua infância e educação formal sejam menos divulgados publicamente, foi fundamental para o desenvolvimento de sua sensibilidade literária e para a aquisição de uma linguagem poética rica e expressiva.

Percurso literário

O percurso literário de Rosani Abou Adal é marcado pela publicação de seus poemas em diversas plataformas e pela participação em projetos literários. Sua obra tem evoluído, explorando diferentes facetas da experiência humana e da sociedade contemporânea, consolidando sua voz poética.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Rosani Abou Adal abrange temas como a identidade, a condição feminina, as relações humanas e as questões sociais, muitas vezes com uma abordagem lírica e ao mesmo tempo crítica. Seu estilo é caracterizado por uma linguagem forte, com grande densidade imagética e o uso de recursos retóricos que conferem profundidade e musicalidade aos versos. A voz poética é frequentemente pessoal, mas ressoa com questões coletivas, explorando a subjetividade em sua relação com o mundo. A poesia de Adal dialoga com a contemporaneidade, abordando temas atuais com uma perspectiva única e inovadora.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rosani Abou Adal insere-se no contexto cultural e histórico do Brasil contemporâneo, um período marcado por intensas transformações sociais e debates sobre identidade, gênero e cidadania. Sua obra dialoga com essas questões, refletindo as complexidades do mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Embora detalhes íntimos de sua vida pessoal sejam reservados, a obra de Rosani Abou Adal sugere uma forte conexão com suas vivências e percepções do mundo, que se manifestam na profundidade e autenticidade de seus versos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Rosani Abou Adal tem sido bem recebida pela crítica e pelo público, sendo reconhecida por sua força expressiva e pela relevância dos temas abordados. Sua obra contribui para a diversidade da literatura brasileira contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Rosani Abou Adal reside em sua capacidade de dar voz a experiências e reflexões muitas vezes silenciadas, utilizando a poesia como ferramenta de expressão e de conexão. Sua obra inspira pela autenticidade e pela potência de sua linguagem.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Rosani Abou Adal tem sido objeto de interpretações que destacam sua capacidade de abordar temas complexos com sensibilidade e lirismo, explorando as nuances da experiência humana e social.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A autora demonstra uma atenção particular à palavra e à sua capacidade de evocar imagens e sentimentos, revelando um profundo apreço pela arte da escrita poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Rosani Abou Adal segue ativa na produção literária, contribuindo para o panorama da poesia brasileira com sua obra em constante desenvolvimento.

Poemas

18

Passáro-Concorde

Trilhar caminhos e sentir teu cheiro
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.

903

Mistérios da Intimidade

Nossa intimidade é tão secreta
quanto as confidências de um soberano.
Nosso amor, cinto de castidade,
ninguém descobre nossas mãos proibidas.
Comemos maçãs e semeamos segredos
distantes do mundo e da vida.
Fugimos das pessoas como crianças carentes
em busca de carinho e afeto.
Ninguém nos percebe cercados de quatro paredes,
ninguém desvenda nossos mistérios.
Somos Édipo e Jocasta da era tecnológica.
Num pequeno vaso grego lapidamos
nossos sonhos, fantasias, medos,
verdades, mentiras,
fragilidades e sentimentos.
Vivemos o medo de ser descobertos
como meninos que roubam frutas
dos quintais e correm dos cachorros bravos.
Não sabemos quem somos,
não sei quem tu és.
Meu presente e meu passado?
Do futuro nada sei.
Quem és tu que me fazes fugir de mim mesma?

688

Contemplação

Presa no meu dormitório
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceiro,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.

935

Ausência

Sonho te possuir nos meus braços
nas quatro estações do ano,
mas estás sempre distante de mim.
A vontade está aquém dos meus sonhos.
Estou sozinha meio à multidão
que desconhece meus sentimentos.
Quero te tocar e sentir teu calor,
a multidão não pode ser tocada.
Estás sempre fugindo de mim
como uma presa do caçador.
Não posso te identificar,
és meu segredo.
Quero te beijar a todo instante,
não sinto o gosto dos teus lábios.
Quero segurar tuas mãos,
não consigo tocar o invisível.
Quando compartilhamos o mesmo lençol,
assumes forma de felino,
sou uma caçadora que volta feliz da caçada.
Mesmo diante de nossa privacidade
tenho certeza que nunca estaremos juntos.

1 056

Semifusa de Pétalas

Se as rosas expressassem meus sentimentos,
o roseiral seria uma orquestra
de melodias divinas,
os botões não murchariam,
brotariam a cada amanhecer
como um acorde harmônico.
Os espinhos, uma canção serena.
Pausa. Uma semibreve,
uma semifusa de pétalas.
Silêncio. As flores vibram acordes.
Uma melodia nasce em minhalma.
Não sei mais quem sou.
Pétala,
rosa,
acorde?

931

Nua

Sinto-me como um cabide
que pendura a própria roupa.
Estou nua diante de mim,
completamente nua.
Minha nudez é como o silêncio,
horas que param no tempo
com os ponteiros na mesma posição
por um longo período.
Sinto frio, muito frio.
É verão mas parece estar nevando
- o agasalho esquenta o guarda-roupa.
Não tenho cobertas,
durmo feito estátua no cimento.
Não há amigo dentro do armário
apenas suportes, pedaços de pano.
Abro as portas e procuro alguém,
não há ninguém no móvel imóvel.
Tento me vestir e não consigo,
troco de roupa a cada segundo
e não me sinto bem.
Talvez a cor, é melhor mudar.
Experimento outra, mais outra,
as roupas não me vestem, desnudam.
O guarda-roupa está vazio,
totalmente vazio, sem cabides,
suéter, paletó e linho.
Com certeza deve estar blefando
ou me dando um xeque-mate,
mas ele não sabe jogar.
É um pedaço de madeira
esculpida e esmaltada,
não se veste nem se despe
e não precisa de coberta para dormir.
Sinto frio, muito frio.
Deito na cama e não conquisto sonhos,
estão solitários, divagando
no porta-jóias do inconsciente.
Os pesadelos dormem como chumbo
e não acordam.
Eu grito e não escutam.
Estou nua diante de mim mesma.
Não tenho cobertores nem cobertas.

886

Brahma

O piano tocava notas melodiosas
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Dont Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.

846

Lembranças

Lembro-me da Riviera Francesa,
das ruas do Boulevar,
dos bares, dos cafés,
das ruas e alamedas
por onde passamos.
Lembro-me de todos os lugares
onde estivemos,
dos momentos que sorrimos,
das palavras que soletramos,
dos teus olhos me fitando,
das tuas mãos me afagando
com cheiro de licor de café.
Lembro-me dos teus cabelos
repousando no meu ombro,
da tua pele que me hidratava,
do teu suor com gosto
de morangos silvestres.
Lembro-me do teu beijo calado
com vontade de quero mais.
Lembro-me de ti
sentado no banco do jardim
despindo-me com teu olhar.

1 017

Imagens

Meus pensamentos voam até o pico,
alcançam a mais alta altitude.
Alguns metros abaixo voltam
a respiram, sorrir,
pensar e sonhar.
Sonham com um céu lilás,
observam estrelas cadentes.
Eles não têm medo de nada,
respiram fundo e descem ao abrigo.
O guarda da guarita tem medo
de atravessar as fronteiras da imaginação.
Meus pensamentos voam, descem o morro,
avistam cachoeiras, mares, lagos,
um casebre atrás das árvores,
homens amando na grama,
borboletas pousam nas pétalas,
crianças sorrindo e brincando,
um bando de passarinhos cantando.
Meus pensamentos voam até a base
e voltam à plenitude.

969

Aquário

Tudo frio na madrugada.
Teu corpo ausente dos meus braços,
o colchão vazio e distante.
Repouso a cabeça no travesseiro de pedra,
sonho contigo de olhos abertos.
Voas como um gavião para o desconhecido.
O quarto escuro e triste.
O peixe no aquário solitário
sente meus sinais e movimentos.
Nada, mergulha e me observa
com seus olhinhos miúdos.
Somos dois, cercados de quadros e livros,
em harmonia como dois eremitas.
Na cama, meu corpo nu.
No aquário, o peixinho carente
pede com suas guelras
uma companheira para repartir
seu espaço e pequenino coração.
Entendo a mensagem e psicografo
pelo vidro com um toque sereno.
Ele dorme aliviado ao sentir
carinho e afeto através das fibras mortas.
O silêncio toma conta da noite,
as obras de arte perdem a cor,
os livros, sem títulos e autoria,
as páginas em branco emudecem.
Dentro de minhalma uma tempestade de neve
esquenta meu corpo,
um inverno latente me acolhe.
O peixe estático dorme
tranqüilo e esperançoso.
Em sua cor de fogo, uma infinita paz.

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