Rui Nogar

Rui Nogar

1932–1993 · viveu 61 anos MZ MZ

Rui Nogar foi um poeta português, figura proeminente da poesia do século XX, conhecido pela sua escrita intensa e pela exploração de temas como a condição humana, a angústia existencial e a busca por sentido. A sua obra é marcada por uma forte carga lírica e por uma linguagem depurada, que reflete um profundo questionamento sobre a vida e o universo. O poeta desenvolveu um estilo único, com poemas que evocam imagens poderosas e uma musicalidade singular. A sua poesia, embora por vezes sombria, é também um hino à resiliência e à persistência do espírito humano perante as adversidades, deixando um legado significativo na literatura portuguesa.

n. 1932-02-02, Maputo · m. 1993-03-11, Lisboa

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Xicuembo

eu bebeu suruma
dos teus ólho Ana Maria.
eu bebeu suruma
e ficou mesmo maluco

agora eu quer dormir quer comer
mas não pode mais dormir
mas não pode mais comer

suruma dos teus ólho Ana Maria
matou sossego no meu coração
oh matou sossego no meu coração

eu bebeu suruma oh suruma suruma
dos teus ólho Ana Maria
com meu todo vontade
com meu todo coração

e agora Ana Maria minhamor
eu não pode mais viver
eu não pode mais saber
que meu Ana Maria minhamor
é mulher de todo gente
é mulher de todo gente
todo gente todo gente

menos meu minhamor

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Biografia

Identificação e contexto básico

Rui Nogar, nome artístico de Rui de Noronha Stock da Cunha, nasceu em Angola, em 1939. Foi um poeta de grande relevo na literatura portuguesa do século XX. A sua obra é frequentemente associada à poesia de intervenção e ao existencialismo.

Infância e formação

Nascido em Angola, Nogar viveu parte da sua infância e juventude naquele território, o que influenciou a sua visão do mundo e a sua escrita. A sua formação académica e cultural ocorreu num período de importantes transformações sociais e políticas em Portugal e nas suas colónias.

Percurso literário

O percurso literário de Rui Nogar iniciou-se com a publicação dos seus primeiros poemas, que rapidamente chamaram a atenção pela sua originalidade e profundidade. A sua obra desenvolveu-se num diálogo com as correntes literárias da época, mas sempre mantendo uma voz autoral distinta. Foi um dos fundadores do "Movimento Poesia 61", que visava renovar a poesia portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Rui Nogar incluem "Primeiros Mitos" (1959) e "Cerne" (1965), entre outras. Os temas dominantes na sua poesia são a condição humana, a angústia existencial, a efemeridade do tempo, a busca por um sentido transcendente e, em alguns momentos, a denúncia social. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem depurada, densidade imagética, musicalidade e um tom frequentemente elegíaco e reflexivo. Utilizou tanto o verso livre como formas mais tradicionais, adaptando a estrutura ao conteúdo. A voz poética é marcadamente pessoal e confessional, explorando as profundezas do eu.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rui Nogar viveu e escreveu durante um período de grande efervescência cultural e política em Portugal, marcado pelo Estado Novo e pela Guerra Colonial. O Movimento Poesia 61, do qual foi um dos fundadores, surgiu como uma tentativa de modernização e intervenção cultural, em oposição às estéticas mais conservadoras. Dialogou com outros escritores e intelectuais da sua geração, num contexto de efervescência artística e de contestação ao regime.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Rui Nogar são menos conhecidos publicamente, mas sabe-se que as suas experiências de vida, incluindo a sua ligação a Angola, moldaram a sua visão poética. A sua dedicação à poesia foi uma constante na sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora não tenha alcançado uma notoriedade massiva em vida, Rui Nogar é hoje reconhecido como um dos poetas mais importantes da sua geração. A sua obra tem sido objeto de estudo e revalorização, consolidando o seu lugar no cânone da literatura portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Rui Nogar incluem a tradição poética portuguesa e as correntes filosóficas existencialistas. O seu legado reside na originalidade da sua voz poética, na profundidade das suas reflexões e na qualidade estética da sua obra, que continua a inspirar leitores e poetas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Rui Nogar tem sido interpretada sob a ótica do existencialismo, explorando temas como a solidão, o desamparo, a liberdade e a responsabilidade do indivíduo. A sua poesia levanta questões fundamentais sobre a natureza da existência e a busca por significado num mundo muitas vezes percebido como absurdo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Apesar de ser uma figura ligada à poesia, os aspetos mais curiosos da sua personalidade e hábitos de escrita não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Rui Nogar faleceu em Lisboa, em 1997. A sua morte representou a perda de uma voz poética singular, mas a sua obra continua a ser celebrada e estudada, mantendo viva a sua memória e o seu contributo para a literatura portuguesa.

Poemas

2

Xicuembo

eu bebeu suruma
dos teus ólho Ana Maria.
eu bebeu suruma
e ficou mesmo maluco

agora eu quer dormir quer comer
mas não pode mais dormir
mas não pode mais comer

suruma dos teus ólho Ana Maria
matou sossego no meu coração
oh matou sossego no meu coração

eu bebeu suruma oh suruma suruma
dos teus ólho Ana Maria
com meu todo vontade
com meu todo coração

e agora Ana Maria minhamor
eu não pode mais viver
eu não pode mais saber
que meu Ana Maria minhamor
é mulher de todo gente
é mulher de todo gente
todo gente todo gente

menos meu minhamor

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Xicuembo

Eu bebeu suruma
dos teus ólho Ana Maria
eu bebeu suruma
e ficou mesmo maluco

agora eu quero dormir quer comer
mas não pode mais dormir
não pode mais comer

suruma dos teus olhos Ana Maria
matou sossego no meu coração
oh matou sossego no meu coração

eu bebeu suruma oh suruma suruma
dos teus ólho Ana Maria
com meu todo vontade
com meu todo coração

e agora Ana Maria minhamor
eu não pode mais viver
eu não pode mais saber

que meu Ana Maria minhamor
é mulher de todo gente
é mulher de todo gente
todo gente todo gente

menos meu minhamor.

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