Simone Brantes

Simone Brantes

n. 1963 BR BR

Simone Brantes é uma escritora e poeta cuja obra se destaca pela sua profundidade lírica e exploração da condição humana. Através de uma linguagem cuidadosamente trabalhada, Brantes aborda temas universais como o amor, a perda, a memória e a busca por significado em um mundo em constante transformação. Sua poesia convida à introspeção e à reflexão sobre as complexidades das relações humanas e a efemeridade da existência. Com uma sensibilidade aguçada para as nuances do sentir, a autora tece versos que ressoam com a experiência individual e coletiva. A obra de Simone Brantes é marcada por uma musicalidade intrínseca e por imagens vívidas, que transportam o leitor para um universo de emoções e pensamentos, consolidando-a como uma voz relevante no panorama literário contemporâneo.

n. 1963

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Lapso

Um homem tira um grito das tripas,
do seu flautim medonho,
enquanto esfrega seu sexo contra a porta
do carro — pau e porra lhe pesando,
terríveis como poderíamos sentir se
por um acaso se tornasse
de um dolorido espanto este lapso:
não saber o que fazer com o que cai
de repente em nossas mãos.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Simone Brantes é uma poeta e escritora. As informações sobre pseudónimos, datas e locais de nascimento/morte, origem familiar, classe social, contexto cultural de origem, nacionalidade e língua de escrita, e contexto histórico específico não estão amplamente documentadas em fontes públicas acessíveis.

Infância e formação

Detalhes sobre a infância, formação educacional, influências iniciais e eventos marcantes na juventude de Simone Brantes não são amplamente divulgados em fontes públicas.

Percurso literário

O percurso literário de Simone Brantes é marcado pela sua incursão na poesia. Informações sobre o início da escrita, evolução estilística, publicações em revistas, jornais, antologias, ou atividades como crítica, tradutora ou editora requerem pesquisa aprofundada em fontes específicas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Simone Brantes caracteriza-se por uma exploração lírica da condição humana. Os temas centrais incluem o amor, a perda, a memória e a busca por significado. A autora utiliza uma linguagem cuidada, com musicalidade e imagens vívidas, que evocam a experiência individual e coletiva. O estilo de Brantes tende à introspeção e à reflexão sobre as complexidades das relações humanas e a efemeridade da existência. A sua poesia é frequentemente associada a um tom lírico e confessional, buscando ressoar com o leitor através da exploração das emoções.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Informações sobre a inserção de Simone Brantes no contexto cultural e histórico mais amplo, incluindo relações com acontecimentos históricos, outros escritores, movimentos literários, posições políticas ou filosóficas, e a influência da sociedade e cultura na sua obra, não são facilmente acessíveis em fontes públicas gerais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Simone Brantes, incluindo relações afetivas, familiares, amizades, rivalidades literárias, experiências pessoais, profissões paralelas, crenças religiosas, espirituais ou filosóficas, e envolvimento cívico, não são amplamente documentados em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção crítica da obra de Simone Brantes, bem como o seu lugar na literatura nacional e internacional, prémios, distinções, popularidade ou reconhecimento académico, necessitam de pesquisa específica em publicações literárias e críticas da época.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Informações sobre autores que influenciaram Simone Brantes, bem como sobre poetas e movimentos que ela própria influenciou, seu impacto na literatura e gerações posteriores, entrada no cânone literário, traduções e difusão internacional, ou estudos académicos dedicados à sua obra, não são amplamente disponíveis em fontes gerais.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Análises críticas específicas da obra de Simone Brantes, explorando leituras possíveis, temas filosóficos e existenciais, ou controvérsias e debates, requerem acesso a publicações de crítica literária.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos curiosos, menos conhecidos da personalidade, contradições entre vida e obra, episódios marcantes, anedóticos, objetos, lugares ou rituais associados à criação poética, hábitos de escrita, ou informações sobre manuscritos, diários ou correspondência de Simone Brantes não são amplamente documentados em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis publicamente sobre a morte de Simone Brantes ou sobre publicações póstumas.

Poemas

18

Lapso

Um homem tira um grito das tripas,
do seu flautim medonho,
enquanto esfrega seu sexo contra a porta
do carro — pau e porra lhe pesando,
terríveis como poderíamos sentir se
por um acaso se tornasse
de um dolorido espanto este lapso:
não saber o que fazer com o que cai
de repente em nossas mãos.
568

Pote

Você acha que sexo é isso:
três
ou quatro
posições
e executá-las?
Você quer
muito
muito mesmo
que eu goze?
Então vamos por partes –
não se vai com tanta sede ao pote –
Primeiro: fabricar a sede
Segundo: fabricar o pote
Terceiro: deixar que a água jorre
856

order in chaos

Meu relógio tem ponteiros soltos
os compromissos caem
e ficam no chão
De tempos em tempos
olho para eles
e lhes dou esperança
no meu relógio meu dia
é metade noite
minha noite
metade dia
677

Às vezes o corpo

Às vezes o corpo é batido
como roupa na máquina de lavar
você fez tantas coisas hoje em casa
que mereciam enriquecer
seu lattes
Mas essa é só a única maneira
que a alma tem às vezes
de sair lavada
697

Vingança

Os poetas giram em torno das raparigas
em flor.
Mas eles são pesados e elas
tão leves: já não há chão sob seus pés delicados.
Lá em cima transfiguradas, elas gozam, gozam, gozam
(deles ou esquecidas deles?)
Eles estão rubros, estão roxos
(de raiva, de vergonha?).
Os poetas estão dando as costas,
os poetas estão voltando para casa,
estão arquitetando em silêncio o seu plano
de vingança:
querem gozar sem as moças,
querem florir em seus versos
como raparigas em flor.
752

A coisa mais linda

a coisa mais linda que você me disse
entre todas as coisas lindas e também
entre todas as coisas horríveis
cruéis
vingativas ou tristes
que você me disse
foi quando
discordando de sua afirmação
de que sempre escolhi
as piores mulheres
perguntei como você podia dizer
isso
se também eu
te escolhi?
e você pronta me corrigiu
dizendo nesse caso
fui eu quem te escolhi
631

Diálogo

I
Eu disse a ela
que eu tenho um
bom coração
Ela disse
sim claro que
você tem
quando tem
coração

II
Olha aqui,
eu falei,
esse
poeminha
nós duas
que fizemos
juntas
Ela respondeu
engano seu
o poema é todo
meu
você
só escreveu
514

Ela me disse

Ela me disse:
meu coração
quer sair pela boca, eu
segurava minha boca
para que não saísse
pelo coração
952

O sol na cama

O dedo na rama e o sol na cama:
quanto vale o dia de quem ama?,
quanto? passá-lo em sua faina de
amor lado a lado, moita, mão, e
o sol derramado?
829

O pau do doidinho

I
O doidinho me encontrou
uma vez sobre a ponte
O doidinho era só um pouco mais
velho que eu
irmão mais novo
de um menino com quem
eu jogava bola
O doidinho tirou
o pau de dentro
da calça
e me mostrou
Eu pedalei minha bicicleta
para longe
enquanto ele aflito
perguntava
– quer, quer, quer?
Me disseram que
até a morte do doidinho
ele tinha um medo
pânico e inexplicável
do meu pai
que ninguém sabia
por que
Hoje eu queria
poder dizer pro doidinho
que por muitos
anos eu me masturbei
pensando naquele
seu pau
que eu vi num relance
mas com a maior nitidez
um pau
roxo e cheio de veias
Que depois nenhum pau
pôde ser para mim O PAU
o arqui-pau
o pau do
doidinho

II
Tenho
um pau
acordo de noite
dentro de um sonho
e lá está ele
como sempre
incipiente
Não por ser pequeno
Não por ser disforme
Ele não é pequeno
não é disforme
É um pau quase igual a
qualquer outro
pau
É incipiente porque frágil
algo denso mas feito de
uma carne
orgânica e a desordenada
envolta por uma camada
de pele tão fina
tão à flor da pele
que penso que ele
vai romper
e seu conteúdo
estranho
vai se tornar visível
uma pele tão fina
tão rosa
tão transparente
fico com meu pau
na mão diante
do espelho
Me prometo que não
vou dormir
mas examiná-lo
em todos os seus detalhes
Talvez dar a ele uma duração
que prove a viabilidade
de um ser tão frágil
e dolorido
que ousa assim mostrar-se
pedir com delicadeza
um lugar no mundo
Tocam a campainha
e vou despachar quem bate
para voltar para junto
dele
Mas na volta
entre minhas
mãos
ele também se
foi
deixando como resto
um simples fio
 
III
O meu pau
sob uma pele
fina
frágil
rosa
uma carne
sem liga
uma carne amontoada
ali dentro
algo doce
e ao mesmo tempo
terrível
Agora sim é disforme
porque algo estranho
alguma entranha
vai sair dali
Me mantenho desperta
para olhar o pau
a sua cabeça
que é roxa
que é rosa

IV
Diante de um espelho
mas alguém bate na porta
eu vou atender
e despachar quem bate
Mas na volta
procuro o pau
e não há mais
só algo que míngua
entre as mãos
dentro do pijama
até se tornar
um fio

V
Há uma ponte no tempo
como há uma ponte
entre os sonhos
Agora sei que foi nessa ponte
que um dia encontrei o doidinho
o pau do doidinho
é o meu pau
Eu e o doidinho
o meu pau e o dele
no qual naquele
dia me amarrei
estão ligados
envoltos
na pele
de um cordão
umbilical
 
VI
Frágil
fino
rosa
roxo
dolorido
e
doce
terráqueo
e extraplanetário
como eu e o doidinho
como eu, o doidinho e você
652

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