Susana Thénon

Susana Thénon

1935–1991 · viveu 55 anos AR AR

Susana Thénon foi uma poeta argentina, associada ao movimento de vanguarda e à poesia experimental. Sua obra é conhecida pela ousadia formal, pela exploração do humor, da ironia e pela crítica social contundente. Thénon desafiou convenções literárias e sociais, utilizando a linguagem de maneira inovadora para abordar temas como a identidade, o corpo e as relações de poder.

n. 1935-05-07, Buenos Aires · m. 1991-04-05, Buenos Aires

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Onde é a saída?

- onde é a saída?
- desculpe?
- perguntei onde é a saída
- não
não há saída
- mas como se eu entrei?
- claro
lembro de você
e além disso a vejo
mas saída
saída não há
viu?
- mas não pode ser
vou sair por onde entrei
- não
já está muito tarde
desde as dez a entrada está proibida
e além disso o que você quer? que me façam uma lavagem cerebral
por deixar uma pessoa sair
pela entrada?
- escute
deve haver uma maneira de chegar à rua
- já perguntou em informações?
- sim
mas me mandaram vir aqui
- então
e eu estou dizendo que não há saída
- onde é o telefone?
- vai ligar para quem?
- para a polícia
- aqui é a polícia
- mas você está louco? aqui é uma sala
de concertos
- isso até certa hora
depois é a polícia
- e o que vai acontecer comigo?
- depende do delegado de plantão
se for o Loiácono
pode te deixar barato
e em menos de alguns dias você está fora
- mas isso é uma loucura
onde estão as outras pessoas?
- setor de detidos
primeiro subsolo
- por que
estão fazendo
isso?
- vamos tia
não me diga que nunca foi a um concerto
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Biografia

Identificação e contexto básico

Susana Thénon foi uma escritora argentina, conhecida principalmente por sua poesia experimental e de vanguarda. Utilizou a linguagem de forma subversiva e inovadora, explorando o humor, a ironia e a crítica social. Foi uma figura importante na literatura argentina do século XX, associada a movimentos de renovação estética.

Infância e formação

Pouco se sabe publicamente sobre sua infância e formação inicial, mas sua obra revela uma formação intelectual robusta e um profundo conhecimento da linguagem e de suas potencialidades. Sua escrita demonstra uma relação complexa com as normas e a tradição.

Percurso literário

O início de sua carreira literária foi marcado pela publicação de obras que a distinguiram pela originalidade e pela ruptura com os padrões estabelecidos. Ela desenvolveu um estilo próprio, experimental e irreverente, que a consolidou como uma voz singular na poesia argentina. Sua obra evoluiu em termos de experimentação e profundidade crítica.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Susana Thénon incluem "Oção" (1970), "Círculo de Fogo" (1974), "El huésped" (1978) e "El ojo de la cerradura" (1981). Seus temas centrais abordam a identidade, o corpo, a loucura, a opressão social e a crítica ao patriarcado. Thénon é conhecida por sua experimentação com a linguagem, a criação de neologismos, o uso de diferentes registros linguísticos e a incorporação de elementos da cultura popular e da mídia. Ela emprega o humor negro, a ironia e a paródia para desestabilizar o leitor e questionar as estruturas de poder. Sua voz poética é transgressora, desafiadora e profundamente engajada com as questões sociais e existenciais. O estilo é fragmentado, enérgico e muitas vezes agressivo, rompendo com a musicalidade tradicional.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sua obra se desenvolveu em um período de intensa turbulência política e social na Argentina, incluindo a ditadura militar. Thénon navegou nesse contexto com uma poesia que, de forma oblíqua e subversiva, questionava a ordem estabelecida e a repressão. Ela participou de círculos literários de vanguarda, buscando novas formas de expressão.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Susana Thénon manteve uma vida pessoal discreta, mas sua obra reflete uma profunda preocupação com as experiências individuais e coletivas, o corpo e a psique.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora sua obra tenha sido desafiadora e por vezes controversa, Susana Thénon é hoje amplamente reconhecida como uma das vozes mais originais e importantes da poesia argentina contemporânea. Sua ousadia formal e sua crítica social a tornaram uma referência para novas gerações de escritores.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sua obra dialoga com a tradição da poesia de vanguarda e experimental, e seu legado reside na sua capacidade de subverter a linguagem para questionar o status quo e explorar as complexidades da experiência humana. Ela influenciou poetas que buscam a experimentação formal e a crítica social em suas obras.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Thénon é frequentemente analisada por sua abordagem da linguagem como um campo de batalha, por sua crítica ao poder e pela exploração da subjetividade em um contexto de opressão.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sua abordagem irreverente e experimental da poesia, muitas vezes marcada por um humor ácido e cortante, a distingue de muitos de seus contemporâneos. Ela desafiou as expectativas do que a poesia deveria ser.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Susana Thénon faleceu em Buenos Aires. Sua obra continua a ser redescoberta e celebrada por sua força inovadora e sua relevância social.

Poemas

34

Nomes

Na desolação do meu sangue,
sob a angústia que me cega
eu busco nomes para meu amor:
meu amo quase ódio,
apenas sol.
797

Poema

"Eu creio nas noites".
R. M. Rilke

Ontem à tarde pensei que nenhum jardim justifica
o amor que se afoga desaforadamente em minha boca
e que nenhuma pedra colorida, nenhum jogo,
nenhuma tarde com mais sol que de costume
é o bastante para formar a sílaba,
o sussurro esperado como um bálsamo,
noite e noite.
Nenhum significado, nenhum equilíbrio, nada existe
quando o não, o adeus,
o minuto morto agora, irreparável,
se levantam inesperadamente e cega,
até morrermos em todo o corpo, infinitos.
Como uma fome, como um sorriso, penso,
deve ser a solidão
assim nos engana bem e entra
e assim a surpreendemos uma tarde
reclinada sobre nós.
Como uma mão, como um canto simples
e sombrio
deveria ser o amor
para tê-lo perto e não renegá-lo
cada vez que nos invade o sangue.
Não há silêncio nem canção que justifiquem
esta morte tão lenta,
este assassinato que nada condena.
Não há liturgia nem fogo nem exorcismo
para deter o fracassar ridículo
dos idiomas que conhecemos.
A verdade é que não me afogo sem lamentar,
pelo menos tenho resistido ao engano:
não participei da festa mansa, nem do ar cúmplice,
nem da metade da noite.
Mordo entretanto e ainda que pouco o bastante
meu sorriso guarda um amor que assustaria a deus.
1 121

Razão de minha Voz

Por que são muitos e sofrem,
por que estamos conscientes de longínquos gritos
ou sabemos que há silêncio
em uma esquina da cidade
ou porque salta de um livro e nos fala
o menino que morreu afogado.
Por que agora sem dúvida um homem pede socorro
e uma mulher se joga de sua janela escura
e quatro crianças respondem perguntas
em um quarto imenso
enquanto a uma boneca falta o braço e alvo.
775

Eu

Eu vivo o tempo,
recomponho velhos verbos destroçados
nos fornos do frio
e me invento uma palavra para cada lágrima.
Eu saio para passear
e me inclino sobre as fontes vazias
para beijar minha boca inexistente.
Eu tenho o olhar cheio de sal
e corpos como estrelas de areia
e flores vorazes
que me consomem lentamente.
Eu vivo e tremo,
ressuscito e me arrasto pelo ar quente
das florações
e pelo olho sempre aberto do dia.
Eu, lua tíbia
me amando e morrendo.
763

Hoje

Falo, corneta, rosa
do anjo-barro: o amor
selou
seus vasos comunicantes.
Guardemos o incenso
para os verões públicos.
Deus não funciona.
802

Círculo

Digo que nenhuma palavra
detém as algemas do tempo,
que nenhuma canção
afoga os estrondos do lamento
que nenhum silêncio
abarca os gritos que se calam.
Digo que o mundo é um imenso pântano
onde submergimos lentamente,
que não nos conhecemos nem nos amamos
como creem os que ainda podem remontar sonhos.
Digo que os poentes se rompem
ao mais leve som,
que as portas se fecham
ao murmúrio mais débil,
que os olhos se apagam
quando algo geme perto.
Digo que o círculo se estreita cada vez mais
E tudo que existe
Caberá num ponto.
882

Inferno

Acredita no ódio
que joga veneno em seu lábio?
Acredita no rancor
que te morde até diluir seu inferno?
Acredita na lenda
dos polos opostos
e nesta adorável mentira
da inimizade entre água e azeite?
Hoje?
quando o amor se disfarça de ódio
para sobreviver,
quando o carrasco chora
atrás da morte
e deus descansa?
831

Habitante

É o habitante
de meus desejos proibidos.
teu ritmo se levanta
perto de meu lado mais tênue.
Tua credencial
é um gemido.
834

Oração

Quando deixará a lua
de preferir a esses poucos
que tanto à meia-noite
como ao amanhecer
gritam seu ardor sem freio.
Quando será definitivo
o direito a sonhar
sem verificar números
papéis rasgados, sexos,
velocidade sem pressa do sangue.
Quando morrerá o céu
- seus castigos -
e o raio será um menino
entre as folhas.
Quando arderão os ventos
sepultados.
748

Poema

É inútil que a amada se arraste
em busca da mão que desenha sombras
sob sua pele.
É inútil que voe
perseguindo a nuvem de pedra que a feriu.
Em vão saltará de folha em folha
perguntando pelo rosto
que se afogou
no ar.
962

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