Almeida Garrett

Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett, foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.

1799-02-04 Porto
1854-12-09 Lisboa
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Prémios e Movimentos

Romantismo

Alguns Poemas

Nau Catrineta

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.

Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.

- "Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!"

- "Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar."

- "Acima, acima, gageiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal!"

- "Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal!"
Mais enxergo três meninas,
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar."

- "Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-se casar."

- "A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar."

- "Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar."

- "Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar."

- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."

- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."

- "Dar-te-ei a Nau Catrineta,
Para nela navegar."

- "Não quero a Nau Catrineta,
Que a não sei governar."

- "Que queres tu, meu gageiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?"

- "Capitão, quero a tua alma,
Para comigo a levar!"

- "Renego de ti, demónio,
Que me estavas a tentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar."

Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar.
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;

E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.

Escritor e político português. Nasceu no Porto, onde passou a infância até 1804, ano em que a família se mudou para a Quinta do Castelo, na margem sul do Douro, sob a vigilância e cuidados de duas criadas (Brígida e Rosa de Lima). Estas duas figuras terão despertado nele o gosto pela cultura popular, que se reflectiu, mais tarde, na recolha de textos populares do Romanceiro ou na criação de personagens que ilustram a mentalidade e sabedoria populares, como por exemplo o Telmo, de Frei Luís de Sousa. As invasões francesas, na primeira década do século XIX (1809), obrigaram a família, pertencente à burguesia próspera e letrada, a refugiar-se na sua propriedade da ilha Terceira (Açores). Ingressou, em 1816, na Faculdade de Direito de Coimbra, depois de ter recebido a influência eclesiástica do tio e educador. Aderiu aos ideais do liberalismo que então ganharam terreno, apoiando, em 1820, a revolução liberal. Datam já desse período as suas primeiras publicações. Terminado o curso em 1821, ocupou alguns cargos públicos, mas, em 1823, o golpe da Vila-Francada levou-o, juntamente com a mulher, Luísa Midosi, com quem casara em 1822, a procurar refúgio em Inglaterra, e depois em França. O contacto com a cultura e a literatura inglesas determinaram a sua actividade literária posterior. Os seus poemas «Camões» (1825) e «D. Branca» (1826), considerados como os marcos introdutórios do Romantismo em Portugal, datam deste período. Regressou a Portugal em 1826, destacando-se então pela sua actividade jornalística. A restauração do absolutismo, em 1828, fê-lo regressar a Inglaterra, de onde voltaria, em 1832, para tomar parte no desembarque do Mindelo. Restaurado o constitucionalismo, foi cônsul e responsável pelos negócios de Portugal na Bélgica (1834-36). Em 1836, de regresso a Portugal, divorciou-se de Luísa Midosi. Passos Manuel, então na chefia do governo, convidou-o a elaborar um plano de criação de um teatro nacional, que Garrett concretizou com a criação do Teatro Nacional (D. Maria II), do Conservatório de Arte Dramática e com o desenvolvimento de um repertório dramático, de que o próprio escritor se encarregou. Em 1841 nasceu a sua filha, Maria Adelaide, fruto da sua ligação com Maria Adelaide Pastor, que morreu nesse mesmo ano, deixando Garrett a braços com a situação de ilegitimidade da filha, que muito o preocupou e se reflectiu até, ao que se crê, em obras suas, nomeadamente na criação da figura de Maria, de Frei Luís de Sousa. A sua carreira na política e na vida pública nacional foi interrompida pela subida ao poder de Costa Cabral, que o demitiu do cargo de Inspector-Geral dos Teatros e proibiu a representação da peça Frei Luís de Sousa, por ver, nesta, alusões críticas à situação política então vivida no país. Em 1851, ano em que se tornou par do reino, fundou o jornal A Regeneração. Ministro dos negócios estrangeiros em 1852, foi-lhe atribuído, dois anos mais tarde, por D. Pedro V, o título de visconde. Almeida Garrett desdobrou-se em múltiplas actividades: orador parlamentar (ficaram célebres alguns dos seus discursos), ensaísta literário, folclorista, político, jornalista e jurista. A sua personalidade exuberante ficou marcada na história política e cultural do país. Como escritor, a sua formação foi basicamente arcádica, evoluindo para moldes românticos a partir da sua estadia em Inglaterra. O ideal de intervenção cívica reflectiu-se na sua criação literária, particularmente através dos dramas históricos (O Alfageme de Santarém, 1842, entre outros) e dos poemas da fase arcádica. Este ideal está também patente nas Viagens na Minha Terra (1846), obra fundamental da prosa novelística portuguesa. Aqui confrontam-se, no contexto histórico português da época, o liberalismo e o conservadorismo políticos e, no contexto literário, os valores clássicos e românticos, regionalistas, nacionalistas e universalistas. Esta obra, de intuito pedagógico evidente, denuncia, numa viagem simultaneamente no tempo (ao passado, de que se recuperam acontecimentos exemplares de espírito nacionalista e se contestam outros) e no espaço nacional, uma atitude crítica relativamente ao presente. Os preceitos românticos de aproximação à realidade e de espontaneidade do discurso, o característico hibridismo de géneros, tons e registos de língua, a denúncia do convencionalismo de escolas, sejam elas clássicas ou românticas, a afirmação de individualismo e inteira liberdade do autor face a essas mesmas escolas, são alguns dos aspectos mais marcantes desta obra, incontornável no estudo da modernização da prosa portuguesa. Defendendo que o contacto com as fontes nacionais populares era essencial à vitalidade da literatura, Almeida Garrett levou a cabo uma regeneração da língua, conferindo-lhe uma naturalidade de que esta carecia e aproximando-a da oralidade. Com a mesma intenção, procedeu à recolha de temas e textos do folclore português, de que é exemplo o seu Romanceiro (1843-1851). Igualmente fundamental na sua obra é a peça Frei Luís de Sousa, considerada a obra-prima do teatro romântico português e do autor. A sua produção lírica evolui da produção clássica inicial até à sua produção mais romântica, nomeadamente Folhas Caídas, de 1853, que se caracteriza pelo tom confessional e pela sensualidade, obra frequentemente ligada às atribulações da vida sentimental do autor, inspirada em parte pela viscondessa da Luz. Almeida Garrett escreveu obras de poesia, entre as quais se contam O Retrato de Vénus (1821), Versos ao Corpo Académico (1821), Camões (1825), D. Branca, ou a Conquista do Algarve (1826), Adozinda (1828), Lírica de João Mínimo (1829), Romances da Renascença (1843), Miragaia (1844), Flores sem Fruto (1845), Romances Cavalheirescos Antigos (1851), Folhas Caídas (1853) e Fábulas (1858); de teatro — Catão (1822, tragédia que obteve grande êxito), O Corcunda Por Amor ( farsa incluída em Teatro I, no mesmo volume de Catão), Mérope (1841), Um Auto de Gil Vicente (representado pela primeira vez no teatro da Rua dos Condes, em Lisboa, em 1838, mas publicado apenas em 1841, em conjunto com Mérope), O Alfageme de Santarém (1842), Frei Luís de Sousa (1844), Tio Simplício (1845), Falar Verdade a Mentir (1846), Filipa de Vilhena (1846), A Sobrinha do Marquês (1848), O Noivado do Dafundo ou Cada Terra Com Seu Uso, cada Roca Com Seu Fuso (1857) e As Profecias do Bandarra (1877); de romance, O Arco de Sant'Ana (1845), Viagens na Minha Terra (obra editada em volume em 1846, depois da sua publicação em folhetins na Revista Universal Lisbonense, em 1843-44) e a novela Helena, (1871), que deixou incompleta, para além de cartas, textos ensaísticos (Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa), políticos (Portugal na Balança da Europa, de 1830, ou os seus discursos no Parlamento, em 1840-41), sobre história da pintura, etc
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