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Luís Soares Eusébio
1959-08-24 Lisboa
15521
0
4
Prémios e Movimentos
National Poetry Competition 1998
Alguns Poemas
PÉROLAS
Todas as putas mascaram-se
de mulheres pudicas. Outras,
átonas cortesãs mesoclíticas,
são moluscos numa concha.
Dizem-se ser donzelas.
(Nasceu o homem para quê,
senão pescador de pérolas?)
Luís Soares Eusébio
MARCA D'ÁGUA
Eis-me reduzido
A qualquer coisa que não sei.
A tristeza é uma capa fria
Que me descobre e arrepia.
Tudo o que era eu se acabou.
Sou uma marca d'água de mim.
Não mais eu próprio.
Apenas aquilo que me legitima.
Luís Soares Eusébio
LUNAR
Mas que importa esta ânsia
ou ausência que a prolongue
se a iniludível distância
já a venceu Armstrong?
Luís Soares Eusébio
CANSAÇO
Estou tão cansado amor
O Sol brilha lá fora mas
cá dentro nem tormentas
Meu peito é glaciar vadio em
oceano de águas purulentas
Pudera ter o calor de teu seio
O carinho de teus dedos pelos cabelos
A doçura de teus lábios nos meus
Teu olhar dispensando-me a ternura
dos luares que iluminam as veredas
Pudessem meus braços enlaçar-te
Minhas mãos percorrer-te
olhos fechados ignota mina minha
Dedos humedecidos escoraria a gruta
para guarida templo rosa dos ventos
nau mar lua onde esfalfar-me
repousado entre crepúsculos.
Luís Soares Eusébio
LÍRICO
Vives nos braços de Morfeu.
E eu sonho, acordado, que
acordes a meu lado:
que o filho de Hipnos seja eu.
Luís Soares Eusébio
OUTONO
Caíram as últimas folhas.
Nossos passos calcam-nas,
pastel, no parque da cidade.
Nossos olhos miram a nudez
impudica das árvores.
O vento norte ululante
agita-lhes os ramos insensível
como se nos acenassem aflitas.
O Sol brilha cinzas erguidas
em horizontes distantes.
Recolhe-se a vida a ermidas
nos peitos dos caminhantes.
Luís Soares Eusébio
ORAÇON MURCON
Louvadas as balzaquianas ternas
Que das articulações dos homens
tornem filamentos incandescentes.
Abençoadas também as avós modernas,
Loucas, carinhosas e reféns
De avôs babados e intermitentes.
Sejam bem-aventuradas as moçoilas
Roliças, promessas duradouras
De jovens roçando pelos umbrais.
E perdoadas sejam as papoilas,
Que desabrocham naquelas Senhoras
balsâmicas e do pecúlio letais.
Santificadas sejam as amantes
Cheirosas, belas e ardentes
Alegrias de todos os comensais.
Penitenciadas sejam as petulantes,
As pudentes, feias e carentes,
À fogueira de todos os bacanais.
Luís Soares Eusébio
FELICIDADE
Busquei felicidade uma vida
Até descobrir que, por fim,
Essa emoção mais querida
Vivia dentro de mim.
(E, nesta busca perpétua,
Hei-de viver inseguro
Procurando encontrar em mim
O que sou quando a procuro.)
Luís Soares Eusébio
REGAÇO
Emprestas-me o regaço
onde dos dias
pouso o cansaço
Afagas-me os cabelos
e sorris como subornos
p'ra marinar meus lábios
nos teus lábios mornos
Luís Soares Eusébio
DEIDADE
Carrega no olhar
manhãs prenhes de bruma
e no ventre o mar
e no sexo a espuma
nos peitos doçura
nas coxas vetos
e nas mãos ternura
Nos lábios afectos
com que me enclausura
Luís Soares Eusébio
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