Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

Sonhei...
Com árvore e jardim... (cajueiro)
E flores, e deus!

***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

1971-07-03 Uiraúna - PB
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Alguns Poemas

A Igualdade Como Ferramenta de Controle

A Liberdade Em Cativo
PARTE I:
São Bernardo do Campo, 24 jan. 2021 às 13hs55.

Em nome da igualdade, ou restauração da verdade identitária
A liberdade já não liberta:  é prisioneira da vontade.
— O livre arbítrio sob o jugo da potestade.
Da relação construída por obediência paritária.
 
Dependente da vontade de uma nefasta liberdade,
Que provoca prazer ou contentamento inebriante.
O pressuposto único da ideologia cativante
Na hierarquização libertadora da igualdade
 
Que impõe forja à moral, ao livre arbítrio, a consciência;
Sob a presunção de garantir a “verdadeira igualdade”.
A liberdade de expressão — como pantomima da maldade,
Na visão tosca do déspota que impõe obediência.
 
Incorpora ignorância a distopia da normatividade
Como se liberdade é uma espécie de subversão:
Pressuposto dos alienados que nascem na servidão.
 
Repele o poder da autonomia e da espontaneidade,
Para se ver livre da barbárie e da liberdade arbitrária:
Cerceia-se às vozes ressonantes contrárias.
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O que te liberta, também te aprisiona. Pois o homem é servo de suas necessidades imediatas.

                                           “O homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo
                                            através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre
                                            as próprias decisões”.  Jean-Paul Sartre (1905-1980) 
(Rerismar Lucena, 24 jan. 2021).

O córrego do jacu

‘Escrito na cidade de São Paulo – SP, em 22 de setembro de 1991,
às 22hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    É sujo, fedido, nojento.
                    É às vezes o lamento
                    Do povo.
O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    Estreito como a rua
                    Que na frente tem
                    Sem graça.
É estreito como o peito
De um ser sofrido,
Maltrapilho.
                    Nele às vezes o sol reflete
                    Deixando a mostra
                    O seu desdém.
É como o lamento
Dos que ali tem
Um córrego a se inspirar.
                    Por trás de onde eu moro  tem um córrego
                    Que leva a impureza e a certeza
                    Da vida triste que em seu leito há.

                                                Rerismar Lucena

BREVE RELATO:
"Na década de 20, imigrantes japoneses se instalaram em uma área verde no extremo leste da cidade de São Paulo - SP.
Notabilizaram-se pela produção de pêssegos. Para comercializarem as frutas, abriram uma pequena estrada de terra, à margem do Rio Jacu.
O afluente do Tietê, hoje canalizado, devia seu nome a um pássaro comum naquelas paragens. Só em 1996 a antiga estrada recebeu o nome de Avenida 
Jacu-Pêssego". Fonte: .
***Durante os anos de 1991 a 1992 (aproximadamente), residi em um barraco de dois cômodos, à margem do córrego Jacu no bairro de Itaquera,
de propriedade do Sr. Olímpio... onde, em umas das inúmeras enchentes, que são corriqueiras, teve parte do barraco levado pelas águas...

O poder existencial de algo (real ou abstrato)

São Bernardo do Campo – SP. Sexta-feira, 1 de maio de 2020 às: 13hs43.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Nota: nessa condição humana onde tudo é incerto, a religião, a existência, a vida [...} tudo é conceito de um pensamento finito moldado na razão ou num sentimento de temor. Gosto do pensamento difuso, confuso pois, na verdade, nada é absolutamente verdade ou mentira. Apenas buscamos uma razão para ser, nesse mar de incertezas quanto a “essência necessária”. 
 
Por inferência, verdade de uma proposição
Deduz-se alcançar à resposta manifesta
Ao perceber que o princípio vital
Se deslustra sobre a loisa fria.
 
Pacientemente algo suscinta  confuso
Do prover do nascer da agonia.
Lacônico comportamento difuso
Entre a morte e a razão, – a teosofia!
 
Ser ascendente, de condição inferior
Onde tudo se põe a declinar.
Símbolos exteriores, visíveis e tangíveis
Da sorte, do orgulho, do azar.
 
De baixo para cima, [o céu] transgrida                                              
De cima para baixo, [o inferno] inflija
À tríade: "pneuma, psykhē, sôma”, se reputa...
- Céu ou inferno? Vida eterna ou morte absoluta?!                              
                                                                                                                          
Ao Romper a nau de sua tormenta,
Em deriva, o Náufrago: a morte, a vida.
 
Na qualidade de candura exposta                                                            
Lençol de inocência, à mostra.
Romper da cornija, de ser promissor
Difusão de partículas de seu criador.
 
                                              (Rerismar Lucena, 01 mai. 2020)

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Inferência - 1. Raciocínio concluído ou desenvolvido a partir de indícios: a dedução é um tipo de inferência. 2. Processo intelectual segundo o qual é possível chegar a uma conclusão a partir de premissas. 3. Raciocínio através do qual uma proposição é considerada verdadeira pela sua ligação com outras já tidas como verdadeiras; a proposição que se assume como sendo verdadeira.
Proposição - 1. Aquilo que se propõe; sugestão que se faz acerca de alguma coisa; proposta: negamos a proposição do juiz. 2. Sentença passível de comprovação ou não; enunciação. 3. Ação ou efeito de propor, de apresentar, de colocar algo diante de.
Deslustrar - Tirar o lustre de; despolir. [Figurado] Infamar, desonrar.
Loisa - Lâmina de pedra. Ardósia. Lápide, que cobre uma sepultura.
Lacônico - Conciso ou breve; que se expressa através de poucas palavras: texto lacônico, discurso lacônico.
Difuso - 1. Que acabou por se difundir, tornar conhecido; que se consegue espalhar por várias ou todas as direções; disseminado, divulgado. 2. Que se utiliza excessivamente das palavras; prolixo: o discurso político foi difuso. 3. Por se refletirem de maneira confusa, diz-se dos raios (de luz) incapazes de produzir sombras claras.4. [Por Extensão] De contornos confusos e pouco claros.

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