Flávio Gomes da Silva

Canto versos sem me perguntar, sem procurar, sendo o quanto há de ser sem algemas

1968-09-09 Rio de Janeiro
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NÓS

Nós, que olhamos a vida torta
Olhamos o mundo envergado
Julgamos a todo momento
Jogamos a merda no vento
Somos cegos em nós mesmos

Nós, que culpamos os outros
Culpamos a Deus
Mas não damos esmolas
Somos homens vazios
Homens tortos
Secos na criação dos laços
Laços feitos ocos e doídos
De doídas picadas tóxicas

Nós, que não enxergamos
O caminho do sol
A morada do bem
A luz do farol
Somos homens empedrados
Crias de um solo árido
Bebemos fel e cuspimos 
O sangue inocente desprezado

Nós somos homens reais
Esperando a bomba atômica
Cheios de pelancas
Ressecadas pelo sal da amargura
Curtidas no sol do deserto
Coladas na carne pela inveja

Ai de nós, impiedosos!
Corações descarnados
Humanos sem humanidade
Um leito sombrio nos abraça 

                      'Porque és pó e em pó hás de tornar-se' 

Um sono imerecido nos espera, nos espera

                      'Porque és pó e em pó hás de tornar-se'

Por a palavra ser verdadeira
Por a vida ser uma ladeira
E a quarta-feira ser de cinzas

 
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