Zarak Krumfort

Zarak Krumfort

Zarak Krumfort é escritor independente. Sua escrita percorre o silêncio, a escuta e as margens do humano. Escreve em terceira pessoa, com linguagem direta, explorando conflitos internos, identidade e aquilo que raramente é dito. Publica em português e outros idiomas. Escute o silêncio — ele fala mais alto que as palavras.

1957-12-01 Brasil
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"Além das Penas".

Tem gente que olha, mas não vê.

Assiste, mas não compreende.

Consome, mas não interpreta.

Porque falta o essencial: leitura simbólica.

Não é ignorância — é outra coisa:
 é incapacidade de ir além do literal.
 É olhar sem repertório.
 É viver tudo na superfície.

Muita gente: quer mensagem explicada,
 quer sentido óbvio, quer validação rápida,
 quer emoção sem reflexão.

O problema nunca foi a obra.

É a incapacidade de perceber o que não vem mastigado, é uma recusa ativa ao diálogo com o que é complexo.
 

Qualquer coisa que exija silêncio, interpretação ou camadas vira “viagem”, “exagero” ou “nada demais”.

Não porque a obra é rasa — mas porque o olhar é. 

A arte não dá respostas, ela provoca perguntas — mas só para quem aceita fazer a pergunta.

É o mesmo tipo de gente que olha para um quadro e diz que “qualquer um faria”. Que lê um texto e diz que “não viu nada demais”. Que assiste a uma peça e resume tudo a um gesto mal compreendido.

E talvez seja por isso que a arte canse, a política empobreça e o silêncio assuste.

Porque entender dá trabalho.

E nem todo mundo quer trabalhar.”

Tem gente que vai assistir no teatro a peça “O Lago dos Cisnes” e volta pra casa dizendo: ah! Era apenas uma mulher imitando um pássaro, reduzindo  Tchaikovsky, a coreografia.

É como dizer que Dom Quixote é "um velho batendo em moinhos".

O cisne não está ali para ser imitado. Está ali para ser compreendido.

Talvez o mundo esteja cheio demais de gente que só enxerga penas, mas nunca o voo.

E assim seguimos, cercados de gente que confunde profundidade com complicação, sensibilidade com exagero, e reflexão com perda de tempo.

No fim, não é a arte que falha.
 É o olhar que nunca aprendeu a ir além das penas.

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