Gilberto Mendonça Teles

Gilberto Mendonça Teles

Gilberto Mendonça Teles é um poeta, crítico literário e professor brasileiro, cuja obra se destaca pela inteligência, lirismo e pela profunda reflexão sobre a linguagem e a condição humana. A sua poesia transita entre o pessoal e o universal, com um rigor formal e uma clareza expressiva. Com uma vasta carreira académica e literária, é uma figura incontornável na literatura brasileira contemporânea, influenciando gerações de escritores e estudiosos.

1931-01-01 Bela Vista de Goiás
2024-12-04
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Era um moinho sem vento

Era um moinho sem vento,
uma palmeira sem chão,
estrela sem firmamento,
tristeza sem solidão.

(Queria agarrar o tempo,
vê-lo na palma da mão.
Ir ao contrário volvendo-o,
fechá-lo no seu galpão.
Depois soltá-lo em silêncio,
segui-lo na direção
que a vida com seus inventos
perdeu em libertação.)

Deu o vento no moinho,
teve a palmeira seu chão,
teve a estrela o seu caminho
e a tristeza, a solidão.

(Tentou gritar que era tarde,
que a vida perdia em vão.
Veio um anjo de alvaiade,
cantou-lhe alguma canção.
Depois olhou-o espantado,
jogou as asas no chão,
tirou a rosa dos lábios
e pôs-lhe o tempo na mão.)


Publicado no livro Sintaxe invisível (1967).

In: TELES, Gilberto Mendonça. Os melhores poemas. Seleção de Luiz Busatto. São Paulo: Global, 1993. p. 54. (Os Melhores poemas, 27
1895
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Prémios e Movimentos

Machado de Assis 1989

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