

Tasso da Silveira
Tasso da Silveira foi um poeta, ensaísta, crítico literário e professor brasileiro, figura proeminente na literatura de língua portuguesa. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão sobre a existência, a espiritualidade e a condição humana, frequentemente imbuída de um tom místico e transcendental. Como ensaísta e crítico, dedicou-se a explorar as intersecções entre literatura, filosofia e religião. Reconhecido pela erudição e pela originalidade de seu pensamento, Tasso da Silveira deixou um legado intelectual significativo, influenciando gerações de leitores e estudiosos pela sua capacidade de vincular a expressão artística a questionamentos existenciais profundos.
1895-03-11 Curitiba
1968-12-03 Rio de Janeiro
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Intróito
Nós temos uma visão clara desta hora.
Sabemos que é de tumulto e de incerteza.
E de confusão de valores.
E de vitória do arrivismo.
E de graves ameaças para o homem.
Mas sabemos, também, que não é esta a primeira
hora de agonia e inquietude que a humanidade vive.
(...)
A arte é sempre a primeira que fala para anunciar
o que virá.
E a arte deste momento é um canto de alegria,
uma reiniciação na esperança,
uma promessa de esplendor.
Passou o profundo desconsolo romântico.
Passou o estéril ceticismo parnasiano.
Passou a angústia das incertezas simbolistas.
O artista canta agora a realidade total:
a do corpo e a do espírito,
a da natureza e a do sonho,
a do homem e a de Deus,
canta-a, porém, porque a percebe e compreende
em toda a sua múltipla beleza,
em sua profundidade e infinitude.
E por isto o seu canto
é feito de inteligência e de instinto
(porque também deve ser total)
e é feito de ritmos livres
elásticos e ágeis como músculos de atletas
velozes e altos como sutilíssimos pensamentos
e sobretudo palpitantes
do triunfo interior
que nasce das adivinhações maravilhosas...
O artista voltou a ter os olhos adolescentes
e encantou-se novamente com a Vida:
todos os homens o acompanharão!
Publicado no livro Definição do Modernismo Brasileiro (1932).
In: CACCESE, Neusa Pinsard. Festa: contribuição para o estudo do Modernismo. São Paulo: IEB, 1971. p.190-19
Sabemos que é de tumulto e de incerteza.
E de confusão de valores.
E de vitória do arrivismo.
E de graves ameaças para o homem.
Mas sabemos, também, que não é esta a primeira
hora de agonia e inquietude que a humanidade vive.
(...)
A arte é sempre a primeira que fala para anunciar
o que virá.
E a arte deste momento é um canto de alegria,
uma reiniciação na esperança,
uma promessa de esplendor.
Passou o profundo desconsolo romântico.
Passou o estéril ceticismo parnasiano.
Passou a angústia das incertezas simbolistas.
O artista canta agora a realidade total:
a do corpo e a do espírito,
a da natureza e a do sonho,
a do homem e a de Deus,
canta-a, porém, porque a percebe e compreende
em toda a sua múltipla beleza,
em sua profundidade e infinitude.
E por isto o seu canto
é feito de inteligência e de instinto
(porque também deve ser total)
e é feito de ritmos livres
elásticos e ágeis como músculos de atletas
velozes e altos como sutilíssimos pensamentos
e sobretudo palpitantes
do triunfo interior
que nasce das adivinhações maravilhosas...
O artista voltou a ter os olhos adolescentes
e encantou-se novamente com a Vida:
todos os homens o acompanharão!
Publicado no livro Definição do Modernismo Brasileiro (1932).
In: CACCESE, Neusa Pinsard. Festa: contribuição para o estudo do Modernismo. São Paulo: IEB, 1971. p.190-19
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