

Fernando Paixão
Fernando Paixão é um poeta português cuja obra se distingue pela exploração de temas como o amor, a efemeridade da vida, a saudade e a busca por significado. A sua poesia é frequentemente marcada por uma profunda sensibilidade lírica e por uma linguagem elaborada, que combina rigor formal com uma expressividade intensa. Com uma carreira literária consolidada, Paixão tem vindo a afirmar-se como uma voz singular na poesia contemporânea em língua portuguesa, dialogando com a tradição literária e, ao mesmo tempo, oferecendo uma perspetiva original sobre as inquietações humanas.
1988-01-07 Aldeia de Bezelga (Portugal)
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91 [Não se revê a imagem
Não se revê a imagem
do espelho
na mesma lâmina.
Não se vê a mulher
duas vezes
com o mesmo espanto.
Não se vê o outro
em si próprio:
à procura do mesmo.
In: PAIXÃO, Fernando. Fogo dos rios. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1991. p.60
NOTA: Poema concebido a partir do fragmento 91 do filósofo Heráclito: "Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo, segundo Heráclito, nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne (ou melhor, nem mesmo de novo nem depois, mas ao mesmo tempo) compõe-se e desiste, aproxima-se e afasta-se
do espelho
na mesma lâmina.
Não se vê a mulher
duas vezes
com o mesmo espanto.
Não se vê o outro
em si próprio:
à procura do mesmo.
In: PAIXÃO, Fernando. Fogo dos rios. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1991. p.60
NOTA: Poema concebido a partir do fragmento 91 do filósofo Heráclito: "Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo, segundo Heráclito, nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne (ou melhor, nem mesmo de novo nem depois, mas ao mesmo tempo) compõe-se e desiste, aproxima-se e afasta-se
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